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quarta-feira, 1 de maio de 2013



Especial
Novelas que foram sem nunca terem sido
Parte VI




Na sexta e última parte do nosso especial, as novelas que acabamos esquecendo nessa imensa lista de produções abortadas. E as que entraram para a gaveta, mas não ficaram muito tempo por lá.

por Duh Secco


Despedida de Casado (1977)
De Walter George Durst

Estava tudo certo para a estreia de Despedida de Casado, cartaz das 22h da Globo, quando a Censura Federal resolveu intervir. O órgão de repressão havia liberado o roteiro dos 30 primeiros capítulos da novela, que discutiria a relação dos casais a partir do momento em que as novelas costumeiramente terminavam: o casamento. Mas, após analisar os capítulos gravados, a Censura recuou e impediu a veiculação da obra. Assim, a história de Stela (Regina Duarte) e Rafael (Antonio Fagundes), casal em crise que procurava o auxílio do psicanalista Laio (Cláudio Marzo) para resolver seus problemas, acabou não indo ao ar. O argumento da novela não fora reaproveitado posteriormente, mas seu elenco e equipe de produção acabou indo parar em outro trabalho, Nina, novela que acabou ocupando o horário. E sua abertura foi utilizada em Coquetel de Amor, trama exibida dentro da novela Espelho Mágico.



Dom Casmurro (1994)
Ao ler a entrevista da diretora Leonor Corrêa para o blog SBTpedia, publicada no último domingo (28/04), tomei conhecimento de uma sinopse preparada pelos atores Jandira Martini e Marcos Caruso para o SBT, tendo como base o romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. O projeto esbarraria nos números da produção exibida pelo canal na época, Éramos Seis. A alta audiência da trama e o desempenho de sua sucessora, As Pupilas do Senhor Reitor, seriam determinantes para viabilizar economicamente a sinopse de Caruso e Jandira. Como sabemos, Éramos Seis foi um sucesso, mas Pupilas e as novelas que se seguiram a ela não acompanharam os bons números. Provavelmente por este motivo, Dom Casmurro, que reuniria outros personagens de Machado de Assis e se desenvolveria em três épocas distintas, não foi adiante.


Dancin’ Days (1998)
De Gilberto Braga


Gilberto Braga sempre foi enfático ao comentar Dancin’ Days, uma de suas novelas de maior sucesso. Dizia que tudo correu bem até determinado momento, mas perdeu a mão no terço final. Portanto, gostaria de reescrever a trama. E por pouco não reescreveu, em 1998, na ocasião do aniversário de 20 anos da versão original. O desacerto entre Gilberto e a direção da Globo (leia-se Marluce Dias da Silva) acabou protelando o remake, que, ao que parece, deve ser uma das próximas produções das 23h. Gilberto acreditava que Dancin’ Days deveria ir ao ar às 20h; a casa acenava com a possibilidade de levar a novela ao ar às 18h, horário que comumente abrigava outras versões de antigos sucessos. Em meio ao falatório em torno desta pendenga, o elenco começava a ser definido. Malu Mader, Glória Pires e Leandra Leal eram cotadas para viverem Júlia, Yolanda e Marisa (Sônia Braga, Joana Fomm e Glória Pires no original). Dá pra imaginar como seria a novela com esses três talentos à frente da história?

***

Algumas novelas quase ficaram pelo caminho, mas acabaram indo ao ar posteriormente, em um momento mais oportuno. São os casos a seguir:


Fogo Sobre Terra (1974)
Janete Clair desenvolveu a sinopse de Fogo Sobre Terra em 1973. A trama, que a princípio substituiria Cavalo de Aço, fora vetada pela Censura. Janete, habilmente, desenvolveu O Semideus. E levou Fogo Sobre Terra ao ar no ano seguinte.


Roque Santeiro (1985)
Talvez o caso mais famoso de novela que quase foi e acabou sendo. A saga de Roque Santeiro e da Viúva Porcina, a viúva que emprestou sua alcunha ao título deste especial (a que foi sem nunca ter sido) foi impedida de ir ao ar no dia de sua estreia, em 27 de agosto de 1975. Com o fim da Censura, a novela pode finalmente ser gravada dez anos depois, e acabou se tornando o maior sucesso da teledramaturgia brasileira.



Barriga De Aluguel (1990)
A trama de Glória Perez substituiria O Salvador da Pátria. Mas Boni, vice-presidente de operações da Globo, na época, suspendeu a produção em virtude do excesso de melodrama do enredo. Com isso, Tieta acabou indo ao ar e Barriga de Aluguel ficou para o ano seguinte, desta vez em novo horário: 18h. Uma curiosidade: Glória Pires esteve cotada para viver uma das protagonistas da novela, Clara ou Ana.


Salomé (1991)
Em 1977, após o sucesso de Dona Xepa, Gilberto Braga fora transferido para o horário das 20h, onde estreou com Dancin’ Days. A promoção o impediu de adaptar o romance Salomé, de Menotti Del Picchia, que ganharia sua versão televisiva em 1991, pelas mãos de Sérgio Marques.


Amazônia (1991)
Novela que inauguraria um segundo horário de dramaturgia na Manchete, Amazônia fora adiada duas vezes pela emissora. A primeira, em 1990, e a segunda em 1991, quando já figurava como substituta de A História de Ana Raio e Zé Trovão. A solução, desta vez, foi apelar para minisséries, empurrando a estreia de Amazônia para dezembro desse mesmo ano.


Perigosas Peruas (1992)
Logo após o término de Bebê a Bordo, Carlos Lombardi apresentou a sinopse de Perigosas Peruas à Globo. A trama fora prontamente aceita e estava praticamente definida como a substituta de Mico Preto. Os planos foram alterados quando a Globo fechou parceria com a TVE Espanhola para a realização de Lua Cheia de Amor. Daniel Filho, alegara, na época, que Perigosas Peruas exigia uma produção complexa e uma escalação de elenco milimetricamente calculada. A novela iria ao ar dois anos depois.


Mulheres De Areia (1993)
Glória Pires fora, desde sempre, a atriz escolhida por Ivani Ribeiro para dar vida às gêmeas Ruth e Raquel, no remake de Mulheres de Areia. Mas a gravidez de Glória impediu que ela aceitasse o convite. Como Ivani não abriu mão de sua escolha, a solução foi protelar o remake em aproximadamente um ano. A trama que substituiria Felicidade acabou dando lugar a Despedida de Solteiro. E ocupou a vaga desta, por fim, em fevereiro de 1993.


Vira Lata (1996)
As dificuldades do treinamento de cães atores inviabilizaram a produção de Vira Lata, em 1994. Como a produção já estava atrasada, a Globo resolveu lançar mão de uma obra menos complexa, o remake de A Viagem. Carlos Lombardi ainda escreveria Quatro por Quatro, antes de levar adiante a trama que teria um cachorro dentre os seus protagonistas. Como se sabe, Vira Lata só iria ao ar em 1996.


O Rei Do Gado (1996)
Dificuldades de produção também protelaram as gravações de O Rei do Gado, que passou de substituta de A Próxima Vítima à novela engavetada, no final de 1995. Após tentar transformar a minissérie Mar Morto em novela, como já vimos neste especial, a Globo resolveu recrutar Glória Perez, que desenvolveu Explode Coração. E então retomou O Rei do Gado, que continuou atrasada, obrigando a emissora a exibir a minissérie O Fim do Mundo como novela das 20h, para que houvesse tempo hábil para as gravações da novela de Benedito Ruy Barbosa.


Força De Um Desejo (1999)
Quem viu Malu Mader, Fábio Assunção e Reginaldo Faria como Ester Dellamare, Inácio e Henrique Sobral, certamente não imaginou Maria Zilda Bethlem, Thales Pan Chacon e Castro Gonzaga ocupando os mesmos papéis. Pois estes três quase foram os protagonistas de Força de um Desejo, quando a novela esteve em vias de ser produzida, em 1988. O texto de Alcides Nogueira acabou preterido por Fera Radical, de Walter Negrão, e só voltou à ativa em 1999, pelas mãos de Alcides numa parceria com Gilberto Braga.



Celebridade (2003)
A princípio, Celebridade substituiria Esperança, em fevereiro de 2003. Mas a Globo que havia aprovado a trama com ressalvas decidiu dar um tempo maior para que Gilberto Braga polisse sua obra. Assim sendo, Manoel Carlos assumiu o horário nobre, com Mulheres Apaixonadas, deixando Celebridade para depois.


Os Ricos Também Choram (2005)
O texto da novela mexicana que deu início à exibição das importadas no SBT era o mais cotado para substituir Canavial de Paixões, em 2003. Mas problemas com os direitos autorais levaram a emissora a optar por A Outra, que também não saiu do papel. Os Ricos Também Choram, com significativas alterações, iria ao ar apenas em julho de 2005.


Bang-Bang (2005)
A má sucedida Bang-Bang quase foi uma novela do SBT. Em 1990, a emissora ensaiou uma parceria com a produtora Manduri, que tentava viabilizar o texto de Mário Prata. A direção, a princípio, seria de Luiz Fernando Carvalho. A trama seria praticamente a mesma que a Globo levou ao ar, em 2005. Só que ao invés de um homem, quem buscaria vingança seria uma mulher. Penny Lane, após descobrir que não era filha do casal John e Tuna Willians, voltaria a Albuquerque para se vingar daqueles que a afastaram de sua família biológica. Já Ben Silver, nome do protagonista da versão global, aqui seria um fotógrafo profissional que descobriria diversos mistérios da cidade; Gogol e Rush seriam dois vendedores ambulantes confundidos com funcionários de Washington e se aproveitariam do engano para saquear a cidade; e Scoot e Cooper eram os responsáveis por uma grande chacina no início da novela, ordenada pelo terrível Joe Phiesp. Para viver o bandidão, Mário Prata sonhava com Raul Cortez. E Giulia Gam era seu desejo para dar vida à mocinha. Também cogitados: José Wilker, Marco Nanini, Lucélia Santos, Grande Otelo, Joana Fomm, Cláudio Mamberti, Paulo Goulart, Hugo Carvana, Gianfrancesco Guarnieri, Felipe Camargo e Ney Latorraca, que acabou atuando na versão global, marcada pelo insucesso. Quem sabe no SBT, o final dessa história tivesse sido outro.


O Profeta (2006)
A novela de Ivani Ribeiro quase ganhou outra versão, antes da adaptação de Duca Rachid e Thelma Guedes. Com supervisão de Walter Negrão, as autoras Ângela Carneiro e Elizabeth Jhin seriam as responsáveis pelo remake da obra, que substituiria Chocolate com Pimenta. O projeto fora preterido por Cabocla e ganhou vida em 2006, nas mãos de outra dupla de autoras.


Paixões Proibidas (2006)
A debandada de profissionais foi a responsável pelos sucessivos adiamentos sofridos por Paixões Proibidas, da Band. Partiu de Herval Rossano a ideia de adaptar o romance Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco. Ana Maria Moretzsohn responderia pelo texto, mas se desentendeu com o diretor e fora desligada da emissora. Logo depois, Herval deixaria a Band, insatisfeito com as condições de trabalho. Só então Aimar Labaki assumiu o desenvolvimento do roteiro e Ignácio Coqueiro assumiu a direção. E assim, finalmente, Paixões Proibidas pode ir ao ar.



3 comentários:

André San disse...

Mais ótimas curiosidades! Parabéns!
André San - www.tele-visao.zip.net

Lucas disse...

Sexta parte e uma das melhores. Bang Bang no SBT? Essa eu queria muito ter visto!!! Estão de parabéns pelo especial! Algumas curiosidades a gente lembra, mas encontrar tudo organizadinho é muito gratificante para nós, amantes da teledramaturgia.
Lucas - www.cascudeando.zip.net

Fernando Oliveira disse...

Gostei muito da série as que foram sem nunca terem sido. Ainda dá para sonhar com o trio Malu Mader, Glória Pires e Leandra Leal no futuro remake de Dancin' Days.