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sábado, 12 de março de 2011


















Ti Ti Ti – Uma boa novela, que poderia ter sido melhor.
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por Ivan Gomes
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Chegando na reta final de Ti Ti Ti, já dá pra fazermos algumas considerações sobre o desenvolvimento dessa nova versão das tramas de Cassiano Gabus Mendes, pelas mãos de Maria Adelaide Amaral.
Quando soube que seria ela a adaptadora dos textos de Plumas e Paetês (1980) e Ti Ti Ti(1985) para uma nova novela, me empolguei. Sempre admirei o trabalho de Adelaide, justamente por ser um pouco avessa a concessões ao fácil e o respeito pela inteligência ao público. Depois de um início interessante e promissor, com um texto que apresenta um notável avanço de qualidade – coisa que anda mal das pernas com autores que acham que o público é incapaz de pensar -, a longa duração da trama, mais por culpa da emissora que estica demais suas produções, do que da autora e sua equipe, vemos uma novela que ainda cria diversas situações de movimentação de personagens. Mas que caiu, muitas vezes, em recursos fáceis, como por exemplo os excessivos flagrantes que os personagens dão uns nos outros, descobrindo segredos. Ninguém fecha a porta e diz seus segredos em voz alta pra quem quiser ouvir. E também os encontros de traição de parceiros, um recurso usado à exaustão por Maria Adelaide. São situações que poderiam ser resolvidas de várias outras formas.
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Outro problema que comprometeu um resultado de maior qualidade para a novela foi a resolução rápida de tramas que poderiam render mais, como a de Rebeca e Gino (Cristiane Torloni, virou figuração de luxo), e os conflitos de Julinho e Bruna, que estavam rendendo ótimas cenas. Jorgito é outro que se tornou um bom moço rápido demais. Em contraponto, algumas tramas demoraram pra engrenar, se é que engrenaram . A de Pedro e Gabriela, por exemplo, é bastante diluída e o que poderia render uma torcida do público fica perdida entre tantas histórias. Outro ponto negativo foi as cenas curtas demais, um mal não só de Ti Ti Ti, mas das novelas atuais em geral. A necessidade de se criar ritmo e evitar que a emissora perca um único pontinho na audiência faz com que tudo se torne por demais superficial. Quando começamos a nos envolver com um momento, seja cômico ou dramático, a novela muda de polo. Dificilmente conseguimos ter uma emoção ou um envolvimento maior nas cenas com tanta ansiedade.
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Alexandre Borges, que começou a trama mais contido, criou um personagem tão caricato que matou qualquer resquício de humanidade de Jaques. Virou apenas um bobão, mas mesmo assim vale a ousadia do ator de sair da zona de conforto, risco necessário pra quem não prefere se acomodar no automático. Uma direção mais atenta e menos preocupada em enfeitar as cenas teria obtido melhores resultados, ficou a sensação que os atores se auto-dirigiam, salvando-se quem pudesse.
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Mesmo com esses senões, Ti Ti Ti fica como uma novela que divertiu, com um texto acima da média, o elenco passando ao público que estava curtindo seus papéis, muitas referências a outras novelas e até à vida dos atores, como Elizangêla relembrando seu hit Pertinho de você. Apenas fica a sensação de que poderia ser melhor!










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13 comentários:

Fábio Leonardo disse...

"Ti Ti Ti" é uma novela que vou levar na memória afetiva como um dos meus trabalhos favoritos no horário, ao lado de "Olho no Olho", "Quatro por Quatro", "A Viagem", "Cara & Coroa", "Um Anjo Caiu do Céu", "Da Cor do Pecado" e "Cobras & Lagartos".

Apesar dos pesares (reconheço os problemas), acho que os ganhos foram bem maiores. Murilo Benício, Malu Mader e Claudia Raia interpretando em alguns de seus melhores momentos. E, por incrível que pareça, não consigo não gostar do Jacques Leclair de Alexandre Borges... rs

As referências do núcleo cômico, para mim, só não foram melhores que o romance principal, no qual Adelaide, com competência, conseguiu transformar a mocinha Marcela, sórdida na "Plumas & Paetês" de Cassiano Gabus Mendes, numa personagem forte e carismática, resultado, também, da interpretação de Ísis Valverde, que me surpreendeu positivamente. Além disso, fez um triângulo amoroso que verdadeira divide o público.

Walter de Azevedo disse...

Ivan, análise perfeita da novela! Ti Ti Ti poderia ter sido realmente muito melhor. Mesmo tendo momentos agradáveis, percebemos uma desestrutura na história. Na minha opinião, não ocorreu uma junção entre as tramas de Plumas & Paetês e Ti Ti Ti, dando a impressão de que temos duas novelas no ar. Existe um imenso abismo entre as duas, já que a direção resolveu colocar o tom da trama dos costureiros, na estratosfera, destoando completamente do tom sério (e esse sim lembrando as caracrterísticas de Maria Adelaide Amaral)da história de Marcela, Edgar, Luísa, etc.
O compromisso com o "fazer rir" jogou fora cenas que poderiam ser ótimas e emocionantes, como quando Clotilde conta a Jaques que encontrou Cecília e que ela está viva. Em vez do tom "solene" que o momento pedia, vimos Alexandre Borges tentando fazer rir. Lamentável. No final do mesmo capítulo, esse sim digno de Cassiano Gabus Mendes, o tão esperado reencontro entre mãe e filho, como deveria ser, sem palhaçadas. Isso mostra a falta de coerência na direção.
Sou da opinião de que um remake de Plumas & Paetês, sem Ti Ti Ti, daria um resultado muito mais interessante, o mesmo que Maria Adelaide conseguiu na nova versão de Anjo Mau.

Rodrigo disse...

O pior é que a Christiane Torloni, mesmo com o fracasso de sua personagem no remake de "Ti-Ti-Ti", não vai tirar férias da TV. Ela voltará em agosto no horário nobre para fazer mais uma personagem histérica do jeito que sempre fez. E como o Aguinaldo Silva adora vilãs caricatas, a histeria será bem maior.

cristian-monteiro disse...

Gostei da Critica... Adorei o Blog...

O Vitor viu... disse...

Belíssima análise, Ivan. Inteligente e sagaz,que só podia mesmo partir de alguém PHD em novelas. Parabéns! Melão orgulhoso de vc!

Ivan Marcio disse...

Obrigado pelo carinho e apoio Vitor!!!! Melão é parceiro sempre!!

vilsonm. disse...

Texto incrível. Dizer qq coisa para completa-lo seria heresia. Parabens.!

Willian Bressan disse...

Não concordo com a crítica.
O que você citou como "senões" para mim foram justamente os pontos positivos da novela e que fizeram dela esse sucesso de crítica e público.
É fato que as novelas têm adquirido um tom de seriado americano, no qual tudo acontece mais rápido, e as histórias se resolvem praticamente no mesmo bloco ou bem antes do último capítulo. Como isso não pode ser positivo? Ninguém aguenta mais novelas em que todas as histórias se resolvem apenas no último capítulo.

Desde o começo já se sabia que "TiTiTi" iria investir na caricatura dos personagens de Jacque Leclair e Victor Valentim. E eu achei ótimo. É ficção, não é? Eram os personagens deles. A humanidade estava presente no André Spina e não no Jacque. Como foi dito no capítulo de ontem, ele criou a caricatura do Jacque para fugir dos problemas, que começaram com o abandono dele ainda bebê pela Titia.

Um ponto positivo e que não foi citado na crítica é a retomada da narrativa clássica de novela, ou seja, todas as tramas convergem para a principal, e nenhuma é perdida em seu núcleo. Esse foi um dos pontos que fez muitas pessoas voltarem a assistir novelas.

Sem dúvidas o texto da novela foi extremamente inteligente. A metalinguagem presente (as citações a outras novelas, filmes) e o diálogo com o telespectador surpreenderam. Mas tudo resultado do "método Maria Adelaide Amaral de escrever novelas": ao invés de seis por semana, um por dia, a equipe escrevia quatro por semana.

Eddy Fernandes disse...

Cada um no seu quadrado. Uma coisa é a audiência, o sucesso popular. Outra é a opinião de cada um.

Não interpreto 'Ti Ti Ti' como uma glória absoluta, apenas pelos números do Ibope. Teve seus méritos, sim, mas NMO os tropeços superaram os acertos.

A densidade dramática foi diluída, privilegiando a piada. Muitas vezes, me senti assistindo um esquete do Zorra Total.

Foi o Carlos Lombardi que disse: ''Em comédia, geralmente, você pára de contar história para fazer piada. O grande desafio é que a piada conte a história". Essas palavras definem bem o que foi 'Ti Ti Ti' pra mim.

Parabéns Ivan. Ótimo texto, assino embaixo.

Willian Bressan disse...

Esquete do Zorra Total? Discordo totalmente. Aquele programa é um lixo. E falar que TiTiTi se assemelha àquele programa é chamar o texto de lixo, o que não posso concordar. Eles investiram na caricatura, porém o texto era inteligente, diferente do humor escrachado e popularesco do "Zorra Total".

Eu não interpreto a novela como uma "glória absoluta", como em toda obra aberta ela teve problemas, sim, afinal foram 210 capítulos, mas dizer que os problemas superaram os acertos da trama é ser um pouco pessimista demais. Nunca vi uma novela com texto tão inteligente e com uma metalinguagem tão acentuada.

Concordo que o tom da novela era a comédia, mas o drama estava presente em várias histórias. E, vamos combinar, o público das sete prefere mesmos uma boa comédia do que muitos dramas.

José Marques Neto disse...

Gosto dessa TiTiTi, porque não assisti as novelas oitentistas que inspiraram os autores Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari e ao diretor Jorge Fernando.

O espichamento imposto pela Globo prejudicou um tanto a evolução e o conjunto da escola de samba, que contudo não ultrapassou aos 72 minutos na passarela e... ooops... errr... carnaval, carnaval...
Valorizo a novela às suas antecessoras do horário - Alegorias e adereços 10, fantasias 10, enredo 9.8, por aí.

E não poderia deixar de gongar com um zero redondo a composição de Alexandre Borges para seu Jacques Leclair. Turma do Didi morre de inveja.

Rodrigo disse...

Que "Ti Ti Ti" é esse que vem da Sapucaí, Neto? (rsrsrsrs...)

Eu acho o seguinte: a novela teve acertos, claro, mas teve muitos erros também. Na minha opinião, mais acertos do que erros, mas estes foram imperdoáveis porque, a meu ver, implicaram na total falta de respeito com o estilo do autor Cassiano Gabus Mendes, que tinha humor de comédia de costumes e não era chegado ao humor pastelão. Um destes erros, o Neto já citou e nem é necessário prolongar mais aqui o que foi o Alexandre Borges nessa novela, né?

Mas algumas pessoas parecem que dão tanta importância à griffes que acabam se esquecendo de analisar uma obra em si. A griffe é Maria Adelaide Amaral, ninguém contesta e ponto final! Muito fácil analisar as coisas dessa maneira, né? Assim, ninguém precisa falar nada e aceitar o tudo que é imposto.
Se o Walcyr Carrasco tivesse escrito esse remake, como bem poderia ter sido devido a algumas cenas de pastelão que foram ao ar, iriam falar que a novela estava ruim por causa do Walcyr. Ninguém reclamou destas cenas porque Maria Adelaide estava no comando do "remake".

Isso me remete a uma entrevista que o Carlos Lombardi concedeu ao GLOBO: "O Brasil é o país de quem tem prestígio e de quem não tem prestígio".

Eddy Fernandes disse...

É, William, eu não me expressei direito. Concordo com você. O Zorra Total é um programa péssimo e absurdamente constrangedor.

Já Ti Ti Ti, sem dúvida, é bem escrita, inteligente. Quando os comparei, não me referia à qualidade do texto e sim, ao tom cênico.

Ambas abusam da caricatura, valorizam os tipos. No caso do Zorra, há de se levar em consideração que se trata de um humorístico. Logo, as esquetes são... 'engolíveis'. Já em Ti Ti Ti, uma novela, isso não me desceu muito bem. A impressão que tive é que, muitas vezes, privilegiavam a piada. Ou seja, esqueciam completamente de um entrecho dramático, realmente relevante à narrativa, para enaltecer um momento de absoluta frescura, que não somava em nada ao enredo.

Foi esse tom caricatural, over, proveniente da direção de Jorge Fernando, que me afugentou do produto.

No que tange ao público do horário: é, talvez você esteja certo. Mas, honestamente, isso pouco me importa. Foi um sucesso de audiência? Bom pra empresa e pro povo que curtiu.

Ainda sou zil vezes mais a sua antecessora no horário. Mas isso é questão de gosto. Abraço!