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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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segunda-feira, 18 de abril de 2011




WALCYR CARRASCO







Nosso quarto entrevistado é o autor Walcyr Carrasco, que coleciona vários sucessos na TV, como: Xica da Silva, O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta, Alma Gêmea, Caras & Bocas, e que atualmente escreve "Morde & Assopra", a novela das 19h da Rede Globo.


Fomos bem diretos em nossas perguntas, que acreditamos habitar o consciente de vários telespectadores que conhecem a obra e o estilo do autor. O resultado foi uma entrevista sem rodeios, de ambas as partes.





Duh Secco pergunta:
1- Você é um dos autores que mais tiveram tramas reprisadas no Vale a Pena Ver de Novo, nesta última década. Enquanto alguns repetecos elevaram a audiência das tardes, outros amargaram números baixos. Costuma ver reprises? Se costuma, qual é a sensação de ver um trabalho seu no ar, sem ter a obrigação de entregar capítulos toda semana e responder pela produção? Acredita que o gosto do público mude da exibição original para a reprise?
Eu não acompanho as reprises de minhas novelas. Escrever para mim é uma experiência pessoal muito intensa, que se torna mais viva à medida que a novela vai ao ar. Durante as reprises eu estava envolvido com novelas em fase de gravação e não quis me dividir.
Quanto a outras novelas que tiveram índices baixos na reprise, desconheço. "Sete Pecados" teve médias baixas no início, mas terminou muito bem.

Guilherme Staush pergunta:
2- Se por um lado o diretor Walter Avancini era bastante competente, por outro pesavam fortes rumores de seu comportamento autoritário, principalmente na Rede Manchete, onde ele parecia ser “o pai” dos projetos apresentados na emissora, naquela época. De que maneira ele interferiu no teu trabalho durante a novela “Xica da Silva”, levada ao ar entre 1996-1997? Como era a relação autor-diretor?
O projeto original de "Xica da Silva" era meu. Mas o Walter Avancini era um grande diretor, genial na verdade e eu, um autor em início de carreira. Ele desafiou minha criatividade, me orientava, enfim, ele me estimulou a buscar o melhor de mim mesmo. Minha vida se divide entre antes e depois de Walter Avancini.

Ivan Gomes pergunta:
3- Você trabalhou em muitas novelas com Jorge Fernando e atualmente Rogério Gomes dirige “Morde & Assopra”. Como mudanças de direção podem interferir no resultado do teu trabalho?
Cada diretor tem seu estilo, e é normal que a novela reflita o estilo do diretor. Eu tive sorte na vida, porque todos os diretores com quem trabalhei se tornaram meus amigos pessoais: o Walter Avancini, o Jorge Fernando e o Rogério Gomes. E isso torna o trabalho mais afinado!

Daniel Pepe pergunta:
4- Na maioria de suas novelas estão presentes alguns personagens típicos, como o avarento (conde Klaus-Chocolate com Pimenta, Salomé-Morde e Assopra), o caipira (Petrucchio-O Cravo e a Rosa, Abner-Morde e Assopra), o gordo que tem problemas com a balança (Perseu-Sete Pecados, Ísis-Caras & Bocas) a madame preocupada com a estética do rosto (Rebeca-Sete Pecados, Minerva-Morde e Assopra). Existe algum objetivo específico para a presença desses personagens nas tramas? Alguma mensagem que você queira passar através deles para justificar essa recorrência?
Existe sim, uma história. Minha formação é literária e teatral. Inclusive traduzi textos de Shakespeare e Moliere. E isso influencia grandemente a minha criação. Molière, por exemplo, trabalha com esses tipos caracteristicos, como o avarento.

Fernando Russowsky pergunta:
5- Em entrevista ao site Na Telinha, tu declaras não estar “de fato preocupado em criar uma identidade diferente e sim em criar um estilo”. Pois o estilo de O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta, Caras & Bocas e Morde e Assopra é diferente do de Xica da Silva, Cortina de Vidro e o início de A Padroeira, bem como Esperança, por ti concluída. Como é transitar por linhas tão diferentes? Além disso, tens diversos livros publicados e peças teatrais encenadas. Não pensas em adaptar algum destes trabalhos para a televisão?
Eu trabalho sim, com uma diversidade de estilos. Meus livros e crônicas são muito diferentes de minhas novelas. Quis dizer que a identidade é uma consequência do modo de escrever do autor, que se entrega ao texto. E talvez por me dividir tanto, nunca tenha pensado em adaptar um livro meu.

Guilherme Staush pergunta:
6 - Com exceção de “A Padroeira” (2001-2002), os teus projetos apresentados na Rede Globo foram muito bem sucedidos. A que você atribui o fato de essa novela não ter tido a mesma repercussão que as demais, inclusive sofrendo algumas modificações no início para aumentar a audiência?
Primeiro, quero deixar claro que essa história de "modificações para aumentar a audiência" é muito mal interpretada, principalmente pela mídia. A novela é uma obra aberta e sim, a TV se preocupa com a audiência. Como obra aberta, está em constante mudança, em função do resultado de algumas tramas, de interpretações de atores. Agora, você imagina que alguém escreveria uma novela para diminuir a audiência? Impensável. Toda novela, enquanto está sendo escrita, busca a audiência, embora não tão objetivamente como pareça. Se um personagem não me cativa, talvez devido a interpretação do ator, por que mantê-lo? Se não cativa a mim, não cativará o público.
O problema é que a mídia gosta de dar um tom escandaloso a mudanças em uma novela, como se fosse um ato de desespero. Não é. Faz parte do cotidiano do novelista. O resto é vontade de fazer escândalo.
Mas "A Padroeira" tem um motivo muito difícil para mim, por não ter dado certo no início: o diretor Walter Avancini, meu amigo querido, faleceu nos primeiros capítulos. Foi doloroso demais para mim.

Guilherme Staush pergunta:
7- Segundo notas publicadas em alguns jornais, você tem interferido na edição da novela “Morde & Assopra”. Por que isso tem acontecido e de que forma se dá essa interferência?
Sempre interferi na edição de novelas. Isso é normal no começo de uma obra. Agora, no caso de "Morde & Assopra" eu realmente escrevi capítulos enormes e tivemos que cortar cenas. Além disso, algumas cenas estavam longas demais, e eu quis diminuí-las. Isso se deveu a um problema comum no inicio da novela: o autor quer explicar a história para o público e para si mesmo, e às vezes se torna repetitivo. Quis deixar alguns diálogos mais enxutos.

PERGUNTA DE AUTORA PARA AUTOR 
Renata Dias Gomes pergunta: Walcyr, você escreve novela sozinho, bate papo no twitter, malha com personal e fuma charuto pra meditar. Como você concilia todas essas atividades em 24 horas?
Humm...também leio muito, escrevo teatro, meus livros infantis, faço yoga, cozinho, frequento a ordem rosacruz...e gosto bem de namorar! Ah, eu não sei com consigo, mas adoro viver assim, com muita coisa pra fazer! Mas não escrevo a novela sozinho. A Claudia Souto, o André Ryoki e agora o Daniel Berlinsky estão comigo. Apenas trabalho de forma diferente dos outros autores: escrevo o capítulo inteiro, com todas as falas, e depois trabalhamos juntos para aprimorar o texto.

Duca Rachid pergunta: Walcyr, querido! Tenho muita curiosidade em saber uma coisa: sei que você tem uma intuição muito forte mas, além da intuição, o que te levou a juntar a Thelma e eu?Por que é que você apostou nessa parceria?
Foi pura intuição. Eu sabia que ia dar certo. E deu! E por falar nisso, "Cordel Encantado" é uma belíssima novela. Parabéns pra você e pra Telma!




***

12 comentários:

RÔ_drigo disse...

Entrevista sincera,clara e transparente!Gostei mto!!
Parabéns a Eles todos e pela sincerdade do Carrasco!!!!

Fábio Leonardo disse...

Bela entrevista. Perguntas interessantes, instigantes, e respostas bem concatenadas. Parabéns a todos!

Nilson Xavier disse...

Ótima entrevista!
Parabéns aos meninos!

Duas observações:

1. Sabia que Xica da Silva tinha mais dedo do Avancini do que do Carrasco!

2. Adorei a pergunta do Dan Pepe sobre a recorrência dos personagens na obra de Carrasco! É o que mais me incomoda em suas novelas atualmente, a sensação de deja vu!

Fernando Oliveira disse...

Uma entrevista bem clara e objetiva. O Walcyr respondeu com seriedade e clareza. Parabéns ao blog.

Isaac Abda disse...

Parabéns pela entrevista... perguntas diretas e respondidas com clareza.

Desconhecia que o Walcyr era o autor de Cortina de Vidro!

Marcelo disse...

Walcyr Carrasco está acabando com a imagem da querida Elizabeth Savalla, monopolizando uma atriz tão versátil, transformando-a numa atriz de espetáculo de bufões. Que ódio, cada personagem que ele escreve pra ela é pior do que o outro e eu já estou achando uma das minhas top 3 uma palhaça.

Adorei "Caras & Bocas", achei excelente e imaginava o mesmo de "morde & Assopra". Qual nada, esta novela está insuportável. Ontem li no jornal que a Adriana Esteves está repetindo a CAtarina Batista, de "O Cravo e a Rosa". Iguaizinhas! Assim como são iguaizinhas Jezebel, Imaculada, Rebeca e Minerva eas próximas brixas megeras que ele inventar pra pobre da excelente atriz.

Pedi tanto ao meu amigo Mateus Solano que aceitasse o convite pra "Araguaia", ele teimou e aceitou fazer a novela do Walcyr. Não tive tempo de avisá-lo da roubada que ele poderia se meter - virar ator exclusivo do WC, junto com a Savalla, já imaginaram?

Anônimo disse...

Adorei a entrevista, em especial a pergunta sobre os personagens recorrentes do Walcyr. Isso é o que mais me chateia no autor, e o que não me deixa assitir a Morde & Assopra. Elizabeth Savala fazendo o mesmo chato papel ninguém aguenta mais!...

Eduardo Vieira - Recife/PE

TH disse...

Belo trabalho meninos!
Super bem conduzido. É uma pena que a vida de Walcyr pós-Walter (como ele mesmo disse) se limitou a fazer novelas tão iguais a partir da segunda fase da "Padroeira".

Preferia o de antes!

Lucas disse...

Essa entrevista é sem dúvida uma daquelas para ler e reler... Sempre trago comigo os livros sobre autores de novelas para me basear em textos e conhecer mais sobre o assunto. Parabéns pelo blog!
Lucas - www.portalcascudeando.blog.com

Marcelo disse...

O WC é da ordem esotérica Rosa-Cruz. A novela “Alma Gêmea” (2005) é um bom exemplo do resultado que os estudos doutrinários da Ordem Rosa-Cruz são evidentes: morte e renascimento, karma, vidas passadas, espíritos obsessores, hipnose, desobsessão, exorcismo.

“Sete Pecados” (2007) foi uma novela que tratou de um dogma da Igreja Católica Romana: os sete pecados capitais, representados na novela, cada um por um personagem: gula (Perseu e Minerva), vaidade (Rebeca), preguiça (Rodolfo e Otília), ira (Pedro), inveja (Ágata), avareza (Romeu) e luxúria (Carla)

Vou citar os nomes de alguns personagens marcantes dele e dar uma dica sobre cada um deles e espero ter feito a cabeça de vocês, no final:

- Ícaro (Mateus Solano) – Personagem da mitologia grega, Ícaro era filho do maior arquiteto da Grécia Antiga, Dédalo. Foi Dédalo quem projetou o Labirinto para prender o Minotauro. Na hora de deixar o Labirinto, Dédalo usou grandes asas, coladas com cera. Ícaro se divertiu demais em voar e foi atingir o sol. A cera das asas derreteu e ele caiu no fundo do mar para todo o sempre;

- Dafne (Flávia Alessandra) – Um dos nomes de Diana, a Deusa da Lua Cheia. Para os gregos, Diana era chamada de Ártemis e era irmã gêmea do deus-Sol Apolo;

- Gabriel (Malvino Salvador) e Rafael (Du Moscovis) - A ordem dos Arcanjos é a maior de todas as hostes celestiais que contém anjos. Miguel, Gabriel e Rafael. Eles trazem no nome o sufixo “el”, que significa Elohim, um dos nomes do deus judeu;

- Minerva (Elizabeth Savalla em “Morde & Assopra” e Valéria Sândalo em “Sete Pecados”) – nome romano para a deusa grega Atena. Deusa da sabedoria, da ciência e da razão, Atena costuma reger as mulheres jornalistas, políticas e aquelas que costumam estar sempre entre homens.

- Perseu (José Victor Castiel) – Herói mitológico, Perseu arrancou a cabeça cheia de serpentes da monstruosa Medusa e, geralmente aparece nas esculturas ostentando a cabeça da Medusa na mão;

- Dante (Reynaldo Gianecchini) – Dante Alighieri, escritor italiano da era renascentista. Escreveu a obra imortal “A Divina Comédia”, que é dividida em três partes : Inferno, Purgatório e Paraíso. Durante a viagem pelo Inferno e Purgatório, Dante é conduzido pelo poeta latino Virgílio, mas ao chegar ao Paraíso, é sua amada Beatrice Portinari – em português, “Beatriz” (Priscila Fantin em “Sete Pecados”), símbolo da graça divina;

- Hércules (Rafael Calomeni) – Semideus, o herói grego Hércules era filho do deus Zeus (ou “Júpiter”) com uma mortal, Alcmena. A esposa de Zeus, Hera (ou “Juno”) quis acabar com a vida do rapaz, por ciúmes. Hera fez Hércules matar sua própria mulher e ele foi consultar um oráculo, que respondeu que Hércules deveria fazer “doze trabalhos” como penitência;

- Ágata (Cláudia Raia) – Espécie de cristal (pedra semipreciosa), originária das lavas de vulcão e formada de silício. É muito usada pelos cristaloterapeutas, que fazem trabalhos de cura com cristais;

- Aquiles (Max Fercondini) – Herói grego participante da Guerra de Tróia, Aquiles lutou contra Tróia, mas ele tinha uma fraqueza: se fosse atingido no calcanhar ele morreria, em outro caso não. Levou uma flechada no calcanhar e morreu em seguida;

- Ulisses (Wagner Santisteban) – Herói grego, lutou na Guerra de Tróia e venceu os troienses. Foi ele quem construiu o Cavalo de Tróia, que escondia atenienses dentro, pronto para derrotarem o reinado de Tróia;

Marcelo disse...

- Os personagens do núcleo judaico, em “Caras e Bocas” (Benjamin, Esther, Hannah, Rabini Mendel e Isaac) trataram com profundidade um tema do judaísmo que é a presença de não-judeus (ou “goys”) na comunidade judaica e infiltrando-se nas famílias judaicas ortodoxas.

Outros nomes de origem judaica /bíblica:

- Myriam (Gabriela Duarte) – o nome “Maria” em hebraico, a língua do povo judeu, criador do Velho Testamento da nossa Bíblia cristã. Houve uma outra Myriam, bem mais antiga, do tempo do Êxodo, quando o povo judeu saiu do cativeiro no Egito e voltaram para Canaã, a Terra Prometida. A história de Myriam é contada no quarto livro da Bíblia, o livro de “Números”;

- Judith (Deborah Evelyn) – Personagem bíblica do Velho Testamento dos judeus, Judith viveu durante a poderosa opressão de Nabucodonosor, que escravizou o povo judeu. Judith foi uma mulher de muita beleza e usou dessa beleza para conquistar o líder da tribo inimiga e o matou, cortando-lhe a cabeça;

- Rebeca (Elizabeth Savalla) –Também personagem do Velho Testamento, especificamente da Tora (Lei) de Moisés, o Profeta dos judeus. Foi a mãe dos gêmeos inimigos Esaú e Jacó. Sua história está contada no Livro do Gênesis, primeiro livro do Velho Testamento, que conta a história dos patriarcas judeus. Jacó, filho de Rebeca, foi o terceiro dos Grandes Patriarcas do povo judeu.

edu vieira disse...

esqueceu de Socorro e Piedade rssss

Acho que em uma entrevista ele nunca vai dar o braço a torcer sobre algo errado que possa acontecer. Ele é muito prepotente e se garante..a novela tinha tudo pra ser sucesso até, mas é uma novela requentada do que ele mesmo já fez e de outras novelas a que já assistimos. É um mosaico de histórias sem ligação e sem unidade. Também acho que o folhetim precisa respirar em algum momento, nessa novela não é o caso.