Somos amantes da teledramaturgia. Respeitamos a arte e a criação acima de tudo. Nosso profundo respeito a todos os profissionais que criam e fazem da televisão essa ferramenta grandiosa, poderosa, que desperta os mais variados sentimentos. Nossa crítica é nossa colaboração, nossa arma, nosso grito de liberdade.



ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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sábado, 19 de novembro de 2011

 
F I L I P E   M I G U E Z    &
 
I Z A B E L   D E   O L I V E I R A






Com imenso prazer, o blog Agora é Que São Eles dá as boas-vindas a mais nova dupla de autores da Rede Globo: Izabel de Oliveira e Filipe Miguez, que depois de uma larga trajetória como colaboradores em diferentes trabalhos, unem suas experiências e afinidades, e encaram seu primeiro projeto autoral: a novela Marias do Lar, que tem estreia prevista para a primeira quinzena de abril de 2012, às 7 da noite, substituindo a atual Aquele Beijo

Agradecemos a gentileza e a simpatia de ambos em nos concederem essa entrevista, juntos, em primeira mão. E desejamos muito sucesso aos dois!





ENTREVISTA EXCLUSIVA



Guilherme Staush pergunta para Filipe e Izabel
1-  Para os nossos leitores que ainda não conhecem Filipe e Izabel, qual a formação profissional e quais os trabalhos que destacariam como sendo os mais significativos de vocês na televisão? 

Filipe - Sou formado em Comunicação, mas nunca trabalhei como jornalista ou publicitário, fui logo enveredando pelos roteiros. Escrevi quatro peças de teatro para a Cia. dos Atores, com destaque para Melodrama, de 1995. Na Globo escrevi ao todo 11 novelas como colaborador, dentre as quais Senhora do Destino, Força de um Desejo, Pé na Jaca, Malhação e a que inspirou o nome ao blog de vocês: Agora é que são elas. Aprendi muito com os craques com quem trabalhei, como Aguinaldo Silva, Gilberto Braga, Ricardo Linhares, Carlos Lombardi; fora os inúmeros parceiros colaboradores, como a própria Izabel de Oliveira, a Maria Helena Nascimento, a Márcia Prates, só para citar alguns. 

Izabel - Eu me formei em jornalismo, fiz mestrado em literatura, onde eu comecei a estudar o melodrama e o folhetim. Fiz muitos anos de teatro, que me ajudaram bastante, três novelas na Bandeirantes, entrei para a Globo pra escrever Esplendor, da Ana Maria Moretzhon. 

Perdidos de Amor, da Ana Maria, que foi a minha primeira novela. A temporada de 2005 de Malhação, quando fui redatora final pela primeira vez, ao lado da Paula Amaral. Duas Caras, do Aguinaldo Silva. Eu sempre tive muita vontade de trabalhar com o Aguinaldo e Duas Caras ainda me trouxe o Filipe. E Insensato Coração, trabalhar com o Ricardo Linhares e o Gilberto Braga, estar junto com eles nas reuniões de trama, discutindo a história, foi um presente.



Duh Secco pergunta para Izabel de Oliveira
2-     Você e Filipe trabalharam juntos, em TV, uma única vez, na novela Duas Caras. Foi daí que surgiu a amizade e a vontade de desenvolver uma trama em parceria? Ou a dupla foi formada por sugestão da emissora ou de outros autores?

Izabel - Eu e Filipe nos conhecemos há 20 anos, mas não éramos próximos. Sim, foi em Duas Caras que surgiu a amizade, a vontade de trabalhar junto. Eu me lembro até hoje que eu bati o olho numa cena do Filipe e fiquei completamente encantada. Ele escreve divinamente, tem uma imaginação absurda, além de um coração enorme. Ali eu tive certeza que a gente ainda ia trabalhar junto.  O Filipe tem um projeto de um seriado, mas a Globo queria que, antes de desenvolver o seriado, ele entregasse uma sinopse de novela. Eu sempre fui defensora das novelas, sempre dei força pro Filipe fazer novela, e tinha o projeto de fazer a minha sinopse assim que acabasse Insensato Coração. Filipe me procurou, disse que sabia que eu estava atrapalhada, colaborando para a novela das nove, mas que ele gostaria de desenvolver a sinopse comigo. Queria que a gente pensasse em tudo juntos, desde o começo, personagens, história... Eu estava mesmo atolada, mas topei na hora. E foi assim que tudo começou, foi a nossa primeira reunião, a gente andando na Lagoa fazendo hora pra buscar a minha filha no curso de Inglês.  


Foto histórica: Filipe e Izabel no dia da entrega da sinopse da novela.
(foto gentilmente enviada pelos entrevistados)


Guilherme Staush pergunta para Filipe Miguez
3-  Por que razão você e Izabel optaram por escolher três atrizes lindas para serem as empregadas domésticas da novela, sendo que a beleza dessas atrizes foge do padrão da maioria das empregadas brasileiras?  O que pode nos adiantar sobre a história de cada uma delas?

Filipe - E por que não? Nossas três Marias são mesmo gatinhas - as personagens e as atrizes – mas, na escolha, o talento pesou mais que a beleza. Sobre a história, vou pedir um pouco mais de paciência a vocês e aos leitores do blog. A novela do Falabella ainda está em fase de lançamento. Vamos deixar a estreia chegar mais perto, ok?



Duh Secco pergunta para Filipe Miguez
Arlete Salles como a doméstica
Das Dores, em "Sem Lenço,
Sem Documento" (1977).

4-  As empregadas domésticas estão presentes em praticamente todas as novelas. Mas excetuando as obras de Manoel Carlos, onde a categoria possui relativo destaque, elas só tiveram importância para a narrativa de uma trama em Sem Lenço Sem Documento, novela de Mário Prata que focava em quatro irmãs que deixavam Olinda para trabalhar como domésticas no Rio de Janeiro. De onde surgiu a ideia de apostar neste universo? Vocês se inspiraram em pessoas próximas ou buscaram conhecer a rotina das empregadas domésticas para compor as protagonistas?

Filipe - A ideia partiu de conversas nossas sobre o fato, bem marcado por você, de que na ficção televisiva as domésticas são personagens periféricos, enquanto, na vida real, ocupam o centro dos acontecimentos em milhões de lares brasileiros. Apesar de constituírem um aspecto importante da cultura nacional, poucas vezes na televisão mereceram papel de protagonista. No entanto, sempre que isso aconteceu, foi com enorme sucesso, como no caso de Anjo Mau e de Escrito nas Estrelas (onde a mocinha trabalhava na casa do “moção” durante boa parte da trama). Esse deslocamento de eixo que a gente está propondo nas Marias do Lar é um reflexo do que está acontecendo na sociedade. Com o acesso franqueado à informação via internet e graças ao aumento do poder aquisitivo, a periferia migra para ser o novo “centro”. É nela que hoje acontecem, a meu ver, as formas mais relevantes de cultura.


Suzana Vieira e Glória Pires: duas versões da babá Nice, de "Anjo Mau" (1976/1997).


Duh Secco pergunta para Izabel de Oliveira
5- Com Marias do Lar, vocês são os principais responsáveis pelo texto de uma novela exibida no horário nobre, e experimentam o outro lado da moeda, tendo colaboradores os auxiliando na condução da trama. Como montaram o time de vocês? Quais foram os critérios que utilizaram e como pretendem desenvolver essa relação com os companheiros de trabalho?

Izabel - Eu já trabalhei com todos os meus colaboradores. Fui companheira de equipe da maioria deles, com a Paula Amaral eu dividi uma redação final. Eu sei o que esperar deles, gosto de trabalhar com eles. Acho que o principal critério foi esse, gosto do trabalho deles e da maneira como eles se comportam numa equipe, isso também é muito importante.




Daniel Pepe pergunta para Filipe Miguez
6-  Muitos autores revelam suas referências na hora de escrever, como cinema, seriados e até mesmo novelas. Quais seriam as suas? Você cresceu vendo novelas? Atualmente acompanha bastante?

Filipe - Eu sou muito mais da televisão que do cinema. Passei a minha infância assistindo a programação espetacular que a TV Globo produzia nos anos 70, quando estavam em atividade gênios como Janete Clair, Cassiano Gabus Mendes, Dias Gomes, Bráulio Pedroso, Walter George Durst; fora os que continuam em atividade, como Gilberto Braga, Lauro César Muniz, Manoel Carlos. Agradeço aos meus pais por nunca terem me proibido de ver novela. Atualmente, fica difícil acompanhar todos os dias, por causa do ritmo de trabalho e do envolvimento com a trama que estamos fazendo. Mas procuro sempre não perder de vista o que está no ar. A última novela que acompanhei foi Insensato Coração. E Vale Tudo, no Canal Viva. Não perdi um capítulo. Ultimamente, os seriados americanos têm me influenciado bastante, pela engenhosidade de suas narrativas.


 
Daniel Pepe pergunta para Izabel de Oliveira
Ana Maria Moretzsohn
7- O que você destaca do trabalho com Ana Maria Moretzsohn, com quem você colaborou em Esplendor, Estrela Guia e Sabor da Paixão? Como foi a experiência de colaborar em novelas mais curtas? Acha que isso atribui mais qualidade à obra, como acreditam alguns autores?

Izabel - A Ana Maria é extremamente criativa, ela respeita demais a equipe de autores. Ela me pegou muito verde e me ajudou muito no início da minha carreira. Acho que a maior qualidade da Ana Maria é ter o folhetim correndo nas veias, ela tem muita intuição, o que é fundamental pra quem escreve novela. Acho que sim, uma novela mais curta fica mais enxuta, é mais fácil de não ter barriga. Mas Vale Tudo e Senhora do Destino, por exemplo, não eram curtas e foram espetaculares. Novela boa é novela boa, né? 



Duh Secco pergunta para Filipe Miguez
Silvio de Abreu
8- Silvio de Abreu declarou, em entrevista ao Agora É Que São Eles que “o fato de um profissional ser um bom colaborador, não garante que ele será um bom titular”. Qual o maior desafio que vocês, na condição de colaboradores que foram alçados a titularidade, acreditam que terão pela frente: a necessidade de lidar com o processo industrial da novela, algo que normalmente não compete ao colaborador, ou a pressão pela audiência?

Filipe - Concordo com o Sílvio. Nem todo colaborador tem as características necessárias para se tornar um autor titular. O trabalho como colaborador contribui muito, mas não necessariamente prepara o roteirista para assumir a posição de chefia. Além das características de liderança, há que ter uma alta capacidade de fabulação, coisa que um bom dialoguista não necessariamente tem. Há também que conhecer muito de estrutura narrativa. Para mim, o maior desafio é a quantidade de texto que uma equipe de roteiristas tem que produzir durante uma novela – sem atrasar a entrega dos capítulos nem perder a qualidade dramática. A boa audiência geralmente é uma decorrência do bom resultado desse esforço – e de vários outros fatores, inclusive alguns imponderáveis. 



Daniel Pepe pergunta para Izabel de Oliveira
9-  Você colaborou num projeto um pouco tumultuado, a novela Tempos Modernos. Aguinaldo Silva preferiu se retirar da supervisão de texto, pois se desentendeu com o autor principal, Bosco Brasil. Como foi para os colaboradores estar neste fogo cruzado? Qual a sua opinião a respeito dos rumos da história? Acha que seguiu como deveria, ou poderia ter enveredado por outro caminho que não causasse transtornos em termos de audiência?

Izabel - Em Tempos Modernos eu fazia o meu trabalho de colaboradora, se houve fogo cruzado, eu realmente nem soube. A equipe de texto não tem muito contato com o supervisor.  A novela era do Bosco, a trama era dele, eu não me sinto bem de ficar apontando caminhos para a história. 

Regiane Alves, Antonio Fagundes, Fernanda Vasconcellos e Vivianne Pasmanter
na novela "Tempos Modernos" (2010)



Guilherme Staush pergunta para Filipe e Izabel
Lauro César Muniz
10- Em entrevista ao nosso blog, o autor Lauro César Muniz discorreu sobre a nova classe média que surgiu nos últimos tempos, uma classe menos exigente, para qual a teledramaturgia atual parece estar sendo direcionada. O que temos visto nos últimos anos são autores com uma enorme capacidade de colocar um produto mais inteligente no ar, mas que, por exigência da emissora, por acomodação ou ainda por preferirem buscar um caminho mais fácil para o “sucesso” (leia-se audiência), optam por recorrer a produtos mais óbvios. E assim, ao invés de trazerem o telespectador dessa nova classe média para um nível mais elevado, “presenteiam” um público mais inteligente com uma novela mais óbvia. “Dê qualidade ao público e ele reconhecerá”, disse Lauro. Qual a posição de vocês sobre esse assunto? Acham difícil para um autor trazer qualidade à sua obra, sobretudo um texto mais inteligente e, ao mesmo tempo, conseguir atingir um público de diferentes classes?

Izabel - Acho que nem tudo que é popular é óbvio, ou mal escrito. Novela tem que ter audiência, sempre, mas acho que dá pra fazer um produto de qualidade e agradar.  Um trabalho pode ser bem escrito, com uma boa história, bons personagens, personagens verdadeiros com os quais o público se identifique, sem deixar de ser popular. È exatamente isso que eu e Filipe buscamos em Marias do Lar. E concordo com o Lauro, o público sabe reconhecer a qualidade.
 
Filipe - Acho que qualidade e popularidade não são características autoexcludentes. Dá para ter qualidade, e até sofisticação, e ser popular.  Shakespeare era – é até hoje – popular e sofisticado, assim como os gregos. A novela que estamos fazendo tem uma narrativa bastante elaborada e, no entanto, apostamos que terá uma forte comunicação com o público, por tratar com clareza de temas palpitantes, e de interesse geral. A elaboração e a sofisticação, no caso, estão a serviço de tornar a história mais acessível e interessante. 



Equipe do Agora pergunta para Izabel de Oliveira
11-  Poderia nos adiantar outros nomes cogitados ou já confirmados para o elenco da novela e quais seus respectivos personagens?

A novela começou a ser escalada há pouco tempo, nossas três Marias devem ser interpretadas por Isabelle Drumond, Leandra Leal e Taís Araújo. Três atrizes maravilhosas, eu e Filipe estamos felicíssimos com a escalação.  Elas serão três empregadas domésticas que ficam amigas no primeiro capítulo e que têm a sua vida modificada por essa amizade.


Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond: as Marias do Lar.



BATE-BOLA   com Izabel e Filipe


Uma novela inesquecível: 
Izabel - Vale Tudo.
Filipe - Vale Tudo.


Meu hobby:
Filipe - editar vídeos e cozinhar.
Izabel - ver filme na TV.

O que falta na teledramaturgia brasileira é...
Izabel - talvez um pouco de ousadia... e personagens verdadeiros.
Filipe - uma novela assinada pela dupla Izabel e Filipe, mas logo não vai mais faltar! (risos)


Uma lágrima para... 
Filipe - Raul Cortez.
Izabel - sempre choro no fim de uma boa novela, no fim de um bom livro, sou bem emotiva.

Um sorriso para... 
Filipe - Eloisa Mafalda.
Izabel - a iniciativa da Globo de dar chance a novos autores, claro que alguns trabalhos podem não dar certo, mas a Duca Rachid e a Thelma Guedes estão aí pra provar que essa iniciativa vale a pena.


Uma atuação marcante em telenovelas: 
Izabel - Regina Duarte de Viúva Porcina.
Filipe - a Nazaré da Renata Sorrah.


O Brasil precisa urgentemente de... 
Filipe - olhar para o que está acontecendo na(s) periferia(s) – não só o Brasil, mas o mundo. 
Izabel - políticos menos corruptos.


O público deve assistir a minha novela porque ... 
Filipe - a gente tá caprichando! 
Izabel - Eu acho que o público vai gostar de assistir a novela. Estamos escrevendo uma novela que nós, eu e Filipe, que decidimos escrever novela por sermos completamente apaixonados pelo gênero, adoraríamos assistir.


***


10 comentários:

Kleiton Alves Hermann disse...

A Globo já estava há tempos precisando de sangue novo. Os autores da casa já estão no piloto automático faz um tempo. Esperamos que os novos autores, Filipe e Izabel, e todos que vem por aí, não deem continuidade à mesmice dos autores consagrados (vide Fina Estampa no ar, um dos maiores retrocessos da teledramaturgia dos últimos tempos). A teledramaturgia precisa, acima de qualquer coisa, de gente ousada e de coragem! Sucesso aos dois!

Brunno Duprat disse...

A trinca protagonista é realmente maravilhosa. Três atrizes sensacionais e com muito talento, sendo que duas dela estão debutando na arte de protagonizar: Leandra Leal e Isabelle Drumond.

Sucesso a vocês e parabéns ao blog pela entrevista, rs!

Janete Cundera disse...

Legal falarem do universo das empregadas. Sempre dá pano. Elas têm um universo bem rico. Seria interessante se uma delas fosse vilã, bem mau caráter, roubasse no serviço, roubasse o marido da patroa, usasse os vestidos dela.. rs

RÔ_drigo disse...

Só fiquei+curioso para com a novela,sucesso pr'Eles!

André San disse...

Interessante a entrevista. Adoro quando a Globo aposta em sangue novo na autoria de suas novelas, e este momento tem sido muito propício para tal. Sucesso à Marias do Lar (só não gostei muito deste título...).
André San - www.tele-visao.zip.net

apanhadogeral disse...

Parabéns a Globo pela aposta em sangue novo e parabéns ao blog. Foi a primeira vez que li uma entrevista com os dois juntos, e aqui foi o primeiro lugar em que li que a Leandra Leal seria uma das protagonistas.

FABIO DIAS disse...

Espero que os estreantes da vez, venham pra ficar! E tragam algo de novo. As novelas estão cansando. Precisa-se de sangue novo.

Sucesso a dupla!

Fábio
www.ocabidefala.com

Telinha VIP disse...

Que ótimo saber mais desses autores.
Sempre bom dar uma renovada nos autores da Globo.
Sucesso aos dois!

edu vieira disse...

entrevista muito boa!! tb adorei a trinca de protagonistas, aliás, adoro qdo sai do esquema casal principal...

Jovânio Mendes disse...

Esperamos que venha um grande sucesso aí e uma dupla tão boa quanto Duca e Thelma!

Abraço.