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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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quinta-feira, 7 de abril de 2011



DUCA RACHID


Nossa segunda entrevistada é a autora paulista Maria do Carmo Rodrigues Rachid, ou simplesmente Duca Rachid.


A autora se prepara para estrear "Cordel Encantado", a próxima novela das 6 da Rede Globo, no dia 11 de abril, em parceria com Thelma Guedes.


Duca atendeu prontamente ao nosso pedido e nos concedeu uma maravilhosa entrevista.

 
Duh Secco pergunta:
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1- Você foi autora titular de A Banqueira do Povo, na RTP, em Portugal. Voltou para o Brasil e passou a ser colaboradora. Depois, quando voltou a assinar um trabalho solo, teve que ser supervisionada por outros autores. Acredita que demorou a conquistar seu espaço na teledramaturgia brasileira? Ou acha que tudo aconteceu no tempo certo?
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Na verdade eu não era a autora titular da "Banqueira". A autora titular era a Patrícia Melo. Eu não me queixo da minha trajetória, não. Tive muita sorte. Entrei na TV pelas mãos de dois grandes mestres, verdadeiros ícones da TV brasileira: Walter Avancini ( diretor da "Banqueira") e Walter Dürst ( autor de "Tocaia Grande"). Depois fui colaboradora do Walcyr Carrasco, que é um autor de muito sucesso, conhece bem o seu público. Ele supervisionou o "Profeta", depois o João Emanuel Carneiro escolheu supervisionar "Cama de Gato", porque se identificou com o meu trabalho e da Thelma Guedes. Isso foi uma honra pra mim! Eu adoro o João, como autor e como pessoa. Só tenho a agradecer a esses autores por tudo o que aprendi com eles. As coisas foram acontecendo, acho sim, no momento certo. Graças a Deus!
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Guilherme Staush pergunta:
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2- Como foi adaptar o romance "Tocaia Grande", na Rede Manchete, em 1995? Em poucas semanas após sua estreia, a novela teve boa parte de seu elenco dispensado, e o diretor Walter Avancini imprimiu um novo ritmo à trama, inclusive, inserindo muitas cenas de nudez e sexo. Isso te incomodou? De que maneira o diretor interferiu no teu trabalho de autora?
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A adaptação era do Dürst. Eu era apenas colaboradora dele, junto com o Mário Teixeira e o Marcos Lazzarini. Foi um grande aprendizado pra mim trabalhar com o Dürst! Ele foi, realmente, meu grande mestre. E a gente só teve ganhos com a entrada do Avancini. Ele era um diretor que interferia bastante sim, no trabalho do autor. Mas era tudo pelo bem do produto. Também aprendi muito sobre dramaturgia com o Avancini. Um grande diretor!
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Ivan Gomes pergunta:
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3- Já houve casos de você querer dar um final para uma personagem e a Thelma querer dar outro? Como vocês resolvem essas possíveis diferenças de ponto de vista?
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Olha, eu e a Thelma nunca tivemos divergências artísticas sérias, não. Nós tivemos sim, dúvidas, quanto ao final de um personagem. Isso aconteceu com o Alcino, personagem do Carmo Dalla Vechia em "Cama de Gato", que fez muito sucesso junto ao público. Muita gente não queria que ele morresse. Discutimos (não divergimos) e chegamos à conclusão que o personagem deveria sim, morrer, pelo bem da história. A novela falava de valores, de ética, de vida. E a morte faz parte da vida.
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Guilherme Staush pergunta:
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4- Você está prestes a estrear "Cordel Encantado", apresentada como "uma fábula que se passa no sertão nordestino". A novela apresenta uma temática pouco explorada na TV e uma estética bem diferente da dos tradicionais folhetins das 6. Portanto, parece trazer muita inovação nesses aspectos. Como surgiu a ideia de escrever "Cordel"? Você não teme rejeição de uma parcela do público mais acomodada, e que ainda prefere assistir às novelas com estruturas mais convencionais?
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Olha, o Ricardo Waddington fez essa análise e eu concordo com ele: talvez com uma ritmo mais acelerado, "Cordel" é na verdade uma "retomada" de novelas que já foram feitas pela TV Globo, como "Roque Santeiro", "Saramandaia", "Tieta", etc. Não acho que seja assim tão inovadora... Tem sim, uma outra dinâmica, que é própria do jeito que eu e a Thelma temos de escrever. E, claro, uma produção muito sofisticada, típica dos trabalhos do núcleo do Ricardo Waddington. A inspiração da história veio da literatura de cordel, que tem origem na Europa Medieval, e fala muito desse universo de reis e rainhas e das histórias de cangaceiros. Qto. à possibilidade de rejeição...tudo é possível. Mas estamos apostando no interesse do público pela mistura desses arquétipos de reis, rainhas, princesas, presentes nos contos de fada, com o mito do herói tipicamente brasileiro: o cangaceiro.
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Daniel Pepe pergunta:
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5- Assim como "Cordel Encantado", você escreveu "O Profeta" e "Cama de Gato" em parceria com Thelma Guedes. Nessas duas, foram supervisionadas, respectivamente, por Walcyr Carrasco e João Emanuel Carneiro. Em ambas as tramas notava-se bastante dos estilos de cada um desses autores. Poderia nos dizer brevemente como foi a supervisão de cada um deles? Até que ponto eles deixavam vocês livres para criar e quando recomendavam-lhes seguir algum caminho específico?
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Sim, nosso trabalho tem a influência dos autores com quem nos trabalhamos. Nós duas fomos colaboradoras do Walcyr, em momentos distintos, antes dele aceitar nos supervisionar. Dele, acho que herdamos um ritmo mais acelerado, as cenas com muitos personagens, o destaque dado às tramas paralealas, o gosto pela comédia... Aliás, foi o Walcyr que nos uniu e sugeriu que fizéssemos uma novela sob a supervisão dele. Somos muito gratas a ele por isso! Com o João a história foi um pouco diferente: ele tinha que escolher uma sinopse para supervisionar e escolheu a nossa, porque se identificou com a nossa história. Nós somos de uma mesma geração de autores, muito influenciada pelas séries americanas, entre outras coisas...
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Fernando Russowsky pergunta:
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6- A Rede Globo, que já manteve até mesmo um horário dedicado à experimentação (22h), vem evitando, nos últimos anos, grandes ousadias. Com algumas exceções, como Bang-Bang e Tempos Modernos, o que se tem visto são repetições de fórmulas testadas e aprovadas. Segundo texto de Flávio Ricco, Duca Rachid e Thelma Guedes admitiam “como remota a possibilidade de emplacar o projeto”, referindo-se a Cordel Encantado (ver o link). Como foi o processo de negociação com a emissora para levar a novela ao ar?
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A recepção a "Cordel Encantado" foi muito boa, desde o início. Ocorre que quando apresentamos a proposta pela primeira vez, a Globo estava "dando um tempo" nas tramas de época. Depois de "Cama de Gato" eles nos pediram para escolher uma história, um projeto de fosse o do "coração". Então voltamos à ideia de "Cordel Encantado", que foi prontamente aceita.
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PERGUNTA DE AUTORA PARA AUTORA
Renata Dias Gomes pergunta para Duca Rachid:
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Duca, como você e Thelma dividem a redação final dos capítulos?
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Oi, Renata. Boa pergunta! Na verdade, depois do capítulo "montado", ele é relido por todos os colaboradores que fazem críticas e dão sugestões. Então, eu e Thelma discutimos essas considerações e fazemos o texto final de comum acordo. Não que a gente escreva juntas. Eu normalmente reviso o texto primeiro e a Thelma por último. Mas sempre levamos em conta os comentários de todos os colaboradores.

4 comentários:

Fábio Leonardo disse...

Que entrevista bacana!

Sou grande entusiasta do trabalho de Duca e Thelma. Acho-as promissoras, competentes e, até agora, sempre me prenderam com suas histórias. Assisti com avidez "O Profeta" e "Cama de Gato", e me vejo bastante empolgado com "Cordel Encantado", por retratar um contexto que me apaixona: afinal, sou nordestino, e sempre quis ver esse lado folclórico, alegórico da minha região em uma novela.

Uma outra característica que vejo como fundamental em ambas as autoras é a simplicidade. Já tive o prazer de conversar com Thelma via messenger do Facebook, e percebo que Duca, da mesma forma, tem o desprendimento de partilhar suas experiências com aqueles que almejam um lugar ao sol como dramaturgo.

Parabéns e muito sucesso a vocês!

O Vitor viu... disse...

Ótima entrevista, rapazes! Tive a honra e o prazer de entrevistar Duca e Thelma no melão junto com meu querido Wesley e elas foram maravilhosas. Conheci as duas pessoalmente mais tarde quando foram dar uma palestra na oficina e só confirmei a simpatia, a humildade e a generosidade dessas duas. Parabéns ao blog e já estou de dedinhos cruzados para o sucesso de "Cordel Encantado".

Isaac Abda disse...

Parabéns pela entrevista!

Penso que a Duca e a Telma só ganharam a a partir da supervisão do João Emanuel Carneiro, apesar de ter sido o Walcyr Carrasco o mentor da dupla, não curti a novela O Profeta.

blog disse...

Cama de gato foi uma das melhores novelas deste seculo