Somos amantes da teledramaturgia. Respeitamos a arte e a criação acima de tudo. Nosso profundo respeito a todos os profissionais que criam e fazem da televisão essa ferramenta grandiosa, poderosa, que desperta os mais variados sentimentos. Nossa crítica é nossa colaboração, nossa arma, nosso grito de liberdade.



ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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sexta-feira, 22 de julho de 2011




GUILHERME STAUSH
e n t r e v i s t a

LUCIANA BRAGA




Ela estreou na TV na primeira versão de "Sinhá Moça", em 1986, na pele da tímida Juliana. De lá pra cá, viveu várias personagens interessantes, desde a temperamental Dirce, em "Meu Bem, Meu Mal", passando pela ingênua e sonhadora Imaculada, de "Tieta", até a louca Denise, de "Negócio da China" e a mafiosa Laila, de "Poder Paralelo".

Atualmente, LUCIANA BRAGA, a entrevistada da semana do blog, vive a invejosa e barraqueira Fátima, de "Vidas em Jogo".

Mais do que uma entrevista, a talentosa e simpática atriz nos presenteou com uma viagem no tempo, onde ela comenta suas principais personagens da TV, com ótimas lembranças e algumas pitadas de humor.


Entrevista elaborada por Guilherme Staush


1- Pesquisando na internet para elaborar essa entrevista, me surpreendi ao ver que você vai completar 50 anos no final do ano que vem, já que ainda preserva o rosto e o jeito de menina que todos nós conhecemos lá na década de 80, quando você surgiu na televisão.
Você é vaidosa? Como é lidar com o envelhecimento quando se tem uma profissão que exige que você esteja sempre bem física e esteticamente?


Envelhecer é difícil para qualquer pessoa, em qualquer profissão. É ter que encarar a finitude da vida. É preciso tranquilidade, sabedoria e também uma boa dose de resignação. Quando penso no passar do tempo e suas consequências, prefiro ter um olhar bem amplo e tento deixar de lado minhas vaidades de atriz. Afinal, não é só a atriz que está envelhecendo, é o ser humano. Quero ser uma velhinha animada, cheia de disposição e alegria. Quero ver minhas filhas evoluindo e quero ter netos. Procuro me inspirar nos idosos que admiro.


Pensando dessa maneira, minha preocupação é ter um corpo saudável e equilibrado, que me permita ter flexibilidade e conforto. Que me permita executar o maior número de funções pelo maior tempo possível. Independência sempre foi importante para mim. Quero ter minha mente ágil para que eu possa me relacionar com as novidades e as gerações que virão.


É claro que também quero me manter bonitinha, e para isso tenho muita disciplina (a disciplina liberta!): evito o sol e uso MILHARES de cremes. Ainda não fiz plástica, mas não descarto. Sei lá. Morro de medo de cirurgia.



2- Por que você ficou 14 anos sem fazer uma novela inteira, desde 1994 até 2008, quando integrou o elenco de “Negócio da China”, de Miguel Falabella? Tanto nessa sua última novela na Globo quanto em sua primeira na Record, você fez personagens mais densas (a maluca Denise de “Negócio da China” e a mafiosa Laila de “Poder Paralelo”). Agora, surgiu a oportunidade de você fazer uma personagem mais leve. Embora a Fátima de “Vidas em Jogo” seja interesseira e revoltada, ela tem um lado tragicômico.


Não sei te responder exatamente o que aconteceu para que eu ficasse tanto tempo sem fazer uma novela inteira. Acho que uma série de fatores contribuiu para isso. O fato é que os convites escassearam e eu estive mais preocupada com outros lados da minha vida. Nesse período me casei e tive duas filhas. E pude me dedicar bastante a esse lado familiar. Vivi intensamente os primeiros anos do meu casamento e da infância das minhas meninas. E sem deixar de trabalhar, pois trabalhei em pequenas produções para o canal Futura e fiz participações em novelas, seriados e filmes. E teatro, sempre.


Quando apareceu a oportunidade de fazer a Denise, seguida do convite da Record, eu me sentia muito disposta a voltar para as novelas. Foi perfeito. Denise foi um exercício incrível, diferente de tudo que eu já havia feito na TV. E mais ainda com a Laila, que me permitiu fazer um personagem que nem eu mesma imaginei que um dia pudesse fazer.


Agora surgiu a Fátima, que é uma "chatonilda", né? Numa primeira leitura ela me apavorou, pois não havia nenhum sinal claro de alguma alegria e humanidade dentro dela. Mas partimos para as entrelinhas, onde se via uma sugestão dessa alma tragicômica. O Avancini e a Cristianne deram o sinal verde e está sendo uma alegria para mim levar um pouco desse exercício de comédia, que eu já vinha fazendo há algum tempo no teatro, para a TV.




3- Você foi para o SBT em 1994, onde fez duas das melhores novelas da emissora, segundo a opinião do público e da crítica: “Éramos Seis” e “As Pupilas do Senhor Reitor”. Foi instinto ou mera coincidência?

 



Nem um nem outro. Foi uma aposta num novo núcleo de teledramaturgia. Eu já tinha a experiência de ter trabalhado em emissoras diferentes (Globo e Manchete), e estava frustrada de ver a quantidade de atores e atrizes de qualidade que não tinham espaço na TV, pois só a TV Globo era opção naquela época. Não dava para todo mundo!


Então veio o convite do Nilton Travesso e lá fui eu. O Nilton fez um trabalho de grande qualidade e muitos outros atores e atrizes, como eu, apostaram nesse investimento. Infelizmente as coisas não aconteceram como prevíamos então, e o núcleo de dramaturgia não conseguiu um espaço sedimentado no SBT. Mas gosto de acreditar na minha pequena contribuição para a realidade que se tem hoje, com produções na Globo, Record, SBT e Bandeirantes.


Fazer "Éramos seis" foi transformador para mim, pois pude trabalhar muito perto da Irene Ravache. Com ela aprendi muito. Além de uma grande atriz ela é um ser humano especial. Mesmo a despeito de problemas pessoais que ela pudesse ter, trazia sempre uma alegria e um carinho muito grande para todos e cada um. Sem falar na disciplina. Ela é impecável. Palmas para ela!!!


"As Pupilas..." foi mais complicado para mim, pois emendei as duas novelas e estava bastante cansada. Mesmo assim, a convivência com atores do calibre de Juca de Oliveira e Debora Bloch me encheu de entusiasmo.



4- Você acha que a teledramaturgia deve cumprir uma função social ou deve ter como único objetivo o entretenimento? Que tipo de merchandising social você gostaria de ver inserido em uma novela? Lembra de algum que tenha chamado bastante a sua atenção?


Para mim teledramaturgia é entretenimento. Mas é claro que sempre que é possível que se cumpra uma função social, que se cumpra! Eu percebo que todos os grandes autores nunca perdem a oportunidade de discutir algum assunto que lhes incomoda. A expressão "merchandising social" me deu calafrios... Merchandising é comércio, e certas coisas não se "vendem", se discutem.


O bom é quando isso se dá de forma não didática, porque senão o público percebe e rejeita. O simples fato de se abordar temas como alcoolismo, drogas, a aceitação do homossexualismo, falta de educação, excesso de exposição, imediatismo, etc; leva o público a debater esses temas nas mesas de bar ou no almoço de domingo. Isso é reflexão. Esse deve ser o foco da dramaturgia, na televisão ou fora dela: reflexão.


5- Em 1987, você encarou sua primeira protagonista, a “Helena”, do clássico de Machado de Assis, produzida pela extinta Rede Manchete, adaptada por Mário Prata. Como foi fazer essa novela, cujo próprio autor conta que teve muitos problemas ao escrevê-la?


Para mim já era loucura suficiente dar conta de fazer uma protagonista. Era apenas a minha segunda novela e foi uma prova de fogo. Foi o José Wilker quem me deu esse voto de confiança e me levou para lá, pois ele fazia a direção artística.

A estrutura da TV Manchete era muito precária. No início não tínhamos nem ar condicionado nos estúdios em Água Grande. O calor chegava a 50 graus! Isso era apenas um dos inúmeros problemas estruturais.


Foi uma ousadia, nessa condições, fazer uma novela de época, adaptando uma obra de Machado de Assis. Procuramos, todos, fazer o melhor a cada dia. Era um elenco de craques, aprendia-se querendo ou não. Levando-se tudo em conta, o resultado foi excelente.



6- Creio que a Imaculada, sua personagem na novela “Tieta” (1989), tenha sido a de maior sucesso até hoje. A menina que queria se livrar das garras do coronel xexelento e sonhava ser feliz ao lado de seu príncipe (com cavalo branco e tudo) encantou os telespectadores. Comente um pouco esse seu trabalho de enorme repercussão.

Em primeiro lugar, creio que já não há, nos dias de hoje, os índices de audiência que havia naquela época. Isso foi fundamental para o reconhecimento em tão larga escala.

Mas não posso deixar de reconhecer que o personagem escrito por Aguinaldo Silva era extraordinário. Numa mesma cena era possível fazer humor e levar às lágrimas. Infantil e sensual, alegre e melancólica, guerreira e tão frágil, romântica e pé no chão. Enfim, uma personagem com uma riqueza de nuances que a própria direção da novela à época me preveniu de que dificilmente eu voltaria a me deparar com um personagem assim. Dito e feito. Ainda bem que eu fui Imaculada!


 


A atriz comenta outros personagens de sua carreira televisiva ...


Juliana (Sinhá Moça / 1986)

Minha primeira novela. Eu vinha do teatro e tinha caras e gestos demais. E não fazia a menor idéia de como me posicionar para as câmeras. Após assistir minha primeira cena (com a família toda no sofá), chorei uns 40 minutos sem parar. "Aquela sou eu?"


Svetilana (Olho por Olho / 1988)

O primeiro fracasso. A novela dava traço no Ibope, o que significa um número irrisório de tvs ligadas. A liberdade de experimentar mil possibilidades, já que ninguém via mesmo...




Dirce (Meu Bem, Meu Mal / 1990)

Diversão pura! A parceria retomada com Cássio Gabus (um ator maravilhoso) e um personagem cheio de humor. De quebra, o galã Fábio Assunção (muito querido) em sua primeira novela, aprendendo como eu em Sinhá Moça.



Sandra (Renascer / 1993)


Uma novela linda, um personagem que foi mudando tanto ao longo da trama e me permitindo reelaborar tudo. As viagens para Ilhéus... Nem parecia trabalho, de tão cheio de amigos! Éramos uma "turma" que adorava estar junto.


***


12 comentários:

Renato Gastal disse...

Que alegria ler uma entrevista desta talentosa atriz. Imaculada é inesquecível. É uma alegria ver Luciana na TV!

Ela já vai fazer 50???? Que isso, minha gente!

Márcia C. Lobato disse...

Tive o prazer de ver a Luciana no teatro, na peça Além do Arco-Íris, e constatar como é uma ótima atriz. Em Vidas em Jogo, sua personagem merecia mais destaque. É a personagem mais engraçada da novela, sem dúvida.
Ótimo passeio pelas novelas da atriz! Parabéns ao blog!

Leila Abranches disse...

Luciana sempre dá um show nos seus personagens. Imaculada, Denise, Laila, Dirce, Clara...todas maravilhosas.
O blog devia entrevistar mais atores. Tem muitos autores e poucos atores. Fica a dica!
Parabéns pela qualidade das entrevistas. Bjs

Laís disse...

Bjos , Luciana!
Adoro seu trabalho.
A Fátima é barraqueira do bem! Chata mesmo...tenho pena do marido dela!rs

Anônimo disse...

Bacana reviver as personagens da Luciana com comentários dela!

Telinha VIP disse...

Além de ser uma pessoa extremamente querida, meiga, Luciana é muito talentosa.
Uma das melhores atrizes do elenco da Record. Acho que está sendo mal aproveitada em Vidas em Jogo.
Parabéns pela escolha!

André San disse...

Luciana Braga é uma de minhas atrizes preferidas! Vibrei ao saber que ela faria Negócio da China depois de tantos anos apenas acumulando participações. Denise foi uma ótima personagem, que ela fez divinamente. No início, era aquela chata insuportável e invejosa (lembro que ela deu uma entrevista dizendo que Falabella lhe havia explicado que Denise sofria de prisão de ventre... hahaha), mas, aos poucos, foi ganhando cores de vilã! Ficou louca, obcecada, fez cenas maravilhosas ao lado de Vera Zimermann (outra atriz que tbem vibrei ao saber que estaria na novela). Pena que Negócio da China acabou lembrada como uma novela fracassada, pois não era tão ruim quanto a pintavam. E tinha atuações incríveis! E bom que Luciana engatou outras novelas depois desta. Esteve ótima, como sempre, em Poder Paralelo, e, sem dúvidas, é grande destaque de Vidas em Jogo. Ótima entrevista! Abraço!
André San - www.tele-visao.zip.net

Anônimo disse...

Parabéns pela entrevista, rapazes!

"O blog devia entrevistar mais atores. Tem muitos autores e poucos atores. Fica a dica!" (2 votos)

Eduardo Vieira - Recife/PE

Joao disse...

Também adorei a entrevista... primeiro porque adoro a Luciana, uma atriz maravilhosa pela qual me apaixonei em criança quando assisti Imaculada em Tieta. E sem duvida responsável pelas melhores cenas em Vidas em Jogo, que aliás, está ótima!!

Daniel disse...

Gostei muito da Luciana Braga como a Imaculada de "Tieta" e a Dirce de "Meu Bem, Meu Mal". Acharia interessante conhecer um pouco mais do trabalho dela no teatro.
Parabéns pela entrevista!!

Lucas Andrade disse...

Adoro a Luciana Braga, uma atriz muito talentosa que voltou com tudo desde "Negócio da China"! Parabéns pela entrevista!
Lucas - www.portalcascudeando.blog.com

Leonardo Calasans disse...

Muita boa a entrevista. De todas as personagens vividas por Luciana, destaco particularmente a Sandra, de Renascer (1993). Lembro-me que àquela época, ficava encantado com seu rosto de menina. Tenho vagas lembranças de sua presença nesta novela, até porque tinha apenas seis anos quando foi exibida. Recordo-me que a personagem ostentava um corte de cabelo curtíssimo, estilo "joãozinho" e usava brinco em apenas uma orelha. Além disso, Sandra era bem dramática e transitava pelo núcleo de José Inocêncio (Antonio Fagundes).