Somos amantes da teledramaturgia. Respeitamos a arte e a criação acima de tudo. Nosso profundo respeito a todos os profissionais que criam e fazem da televisão essa ferramenta grandiosa, poderosa, que desperta os mais variados sentimentos. Nossa crítica é nossa colaboração, nossa arma, nosso grito de liberdade.



ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

      

S I L V I O   D E   A B R E U





"O fato de um profissional ser um bom colaborador, não garante que ele será um bom titular. Ocorre o mesmo com relação aos atores ou assistentes de direção. Excelentes atores serão eternos coadjuvantes, por mais que isso lhes doa, mas não há nada a fazer."





Colecionador de grandes sucessos na teledramaturgia brasileira, como: Guerra dos Sexos, Cambalacho, Sassaricando, Rainha da Sucata, A Próxima Vítima, Belíssima, e Passione, entre outras, nosso entrevistado da semana é considerado um mestre na arte do suspense e do humor nas telenovelas. Inteligente, perspicaz, direto, e muito seguro, o autor Silvio de Abreu respondeu com muita categoria às perguntas da equipe do "Agora".


O autor fala sobre suas novelas de carreira, o tão comentado remake de Guerra dos Sexos, a arte da colaboração nas telenovelas atuais, as pornochanchadas, e até mesmo sobre temas mais polêmicos: a disponibilização e venda de novelas na internet e o caso Rafinha Bastos. Imperdível!





ENTREVISTA EXCLUSIVA



Duh Secco pergunta
1-   Você já reconheceu em entrevistas anteriores que a versão original de Guerra dos Sexos defendeu, de certa forma, o feminismo, já que as mulheres em 1983 ainda não conseguiam fazer frente aos homens no mundo dos negócios. Hoje em dia, essa situação já não existe mais. Como pretende atualizar a trama, no que tange a essa discussão? Por que razão a emissora tem adiado tanto esse projeto? Poderia nos citar nomes dos intérpretes que gostaria de ver representando os principais personagens da novela, como Charlô, Otávio, Roberta, Felipe, Nando, Juliana, Nieta, Vânia ou algum outro?

Fernanda Montenegro (Charlô) e Paulo Autran (Otávio)
na primeira versão de Guerra dos Sexos (1983).
 

A rivalidade entre homens e mulheres é eterna, percebe-se isso no dia-a-dia e o fato de as mulheres estarem hoje em melhor posição no mundo dos negócios, só acirra essa guerra. A diferença é que, estando os homens entrando em desvantagem e ainda não sabendo direito como lidar com essa "nova" mulher, que toma iniciativas e é cada vez mais independente, coloca-os na posição inversa de trinta anos atrás. O mais saboroso da releitura dessa guerra é exatamente contá-la de um novo ponto de vista. 
A Rede Globo não tem adiado o projeto, quem o tem adiado, sou eu. Quando pensei em fazer o remake, a direção artística anterior entendia que remakes só poderiam ser feitos às 18 horas e eu não acho que Guerra dos Sexos se adaptaria àquele horário. Depois, com a mudança da direção, o remake ficou acertado para as 19 horas, mas eu já estava escalado para escrever a novela das 9, que foi Passione, e aceitei fazer a Guerra logo depois. Porém, quando Passione terminou, estava muito cansado, pedi um adiamento e acabamos acertando a data para o  segundo semestre de 2012.
O elenco ainda está em estudos, mas queria que Charlô desta vez fosse Irene Ravache; Bimbo, Tony Ramos; Felipe, Edson Celulari; Vânia, Cláudia Raia e Nando, Reynaldo Gianecchini, por enquanto é isso.         


Daniel Pepe pergunta
2-    Em recente crítica, José Armando Vanucci discorreu sobre o atual perfil dos executivos de televisão, que estão cada vez mais preocupados com números e retornos financeiros, do que com a qualidade das obras e suas eventuais memórias afetivas que possam marcar os telespectadores por uma vida inteira. De fato, quando Boni e Daniel Filho tinham cargos de comando na Globo, parecia existir, embora sempre com o objetivo principal de "vender massa de tomate", como você mesmo já exemplificou, uma maior preocupação com a arte final dos produtos. Clássicos dos anos 70 e 80 ainda são muito lembrados e pedidos, inclusive já existindo um mercado para eles, em lançamentos recentes de DVDs de novelas, assim como em reprises na TV paga. Como você acha que autores e diretores poderiam reverter esse panorama atual, de forma que as novelas produzidas hoje, fossem lembradas como fazendo parte da memória cultural brasileira, da mesma maneira que um dia já foram?

Garanto a vocês que em 2030 ou 2040 as pessoas estarão se lembrando com saudades das novelas de 2001 ou 2010. Quando comecei a fazer televisão em 1967, só se falava que no tempo da televisão ao vivo tudo era muito melhor etc e tal. Este sentimento de nostalgia passa de geração a geração como se "naquela época" tudo fosse melhor e mais interessante, mas o que serviu para a maioria da sociedade daquela época, provavelmente, não servirá para esta. O referido sucesso do canal Viva é relativo, atinge a um público infinitamente menor do que atingiria uma novela em horário normal. É o sucesso de uma minoria mais qualificada e de gostos e interesses especiais. Quando fiz em 1972 o documentário Assim era a Atlântida, tinha a certeza de que toda a nova geração estaria ávida para conhecer o que foi o esplendor do cinema popular brasileiro na década de ouro de 1950; para minha surpresa, o filme foi um imenso fracasso de bilheteria, interessando apenas a um pequeno e seleto público. Já vivi o suficiente para saber que cada época, seja ela qual for, tem os seus filmes, suas peças, suas novelas boas e ruins. Entre clássicos como Casablanca, ...E O Vento Levou, Cantando na Chuva, Quanto Mais Quente Melhor ou Um Lugar ao Sol, Hollywood produziu muita porcaria, o mesmo pode-se dizer das novelas, entre Vale Tudo, Que Rei Sou Eu?, Roque Santeiro, Pecado Capital, Saramandia, também foram produzidas muitas novelas ruins, que não são citadas e nem lembradas. Cada época tem seus clássicos, dependendo da preferência da geração. 
Não concordo que a Rede Globo esteja preocupada unicamente com a audiência, tanto é que nunca se viu uma programação tão variada com tantas tentativas em séries e sitcoms. O mesmo pode-se dizer com relação às novelas, nunca tantos novos autores tiveram a oportunidade de emplacar um trabalho.    


Guilherme Staush pergunta

Regina Casé como Tina Pepper
em Cambalacho (1986).
3-    No início deste ano, alguns sites noticiaram que a Globo teria desistido de fazer o remake de Guerra dos Sexos, e que, no lugar desta, faria o remake de outro grande sucesso seu, a novela Cambalacho. Chegou mesmo a ser cogitada uma nova versão dessa última? Cambalacho foi uma das poucas novelas onde todas as personagens parecem ter sido feitas sob medida para os atores escalados. Poucas vezes se viu na teledramaturgia brasileira um elenco tão bem escolhido para personagens tão complexos, já que se tratavam de tipos cômicos bem específicos, como a dupla Tina Pepper e Lili Bolero, por exemplo, interpretadas magistralmente por Regina Casé e Consuelo Leandro. Acha que seria possível, hoje em dia, escalar um elenco à altura do que a novela teve em 1986? Como autor e como telespectador, você consegue não fazer comparações, seja na produção ou na atuação do elenco, em se tratando dos remakes que assistiu e dos que ainda irá escrever?

Nunca pensei em refazer Cambalacho e não sei de onde saiu essa noticia, mas se isso me fosse solicitado, não teria medo da empreitada, como também não tenho de refazer Guerra dos Sexos. Sei que nos dois casos estou arriscando comparações e que elas sempre serão favoráveis à versão original da novela e eu nem vou poder colocar a culpa no adaptador, porque eu mesmo estou refazendo. Mas arriscar é o que mais me motiva na minha profissão. Já disse várias vezes que o que me estimula são desafios. Quando resolvi fazer comédia em novela, falaram que não daria resultado e deu; quando misturei drama e comédia em Rainha da Sucata, as críticas foram ferozes, mas hoje a novela também é considerada um clássico e todas as novelas das nove usam essa fórmula. O mesmo se deu com a junção de comédia-drama-policial, em A Próxima Vítima, que passou a ser a minha marca registrada e também tenho sido muito imitado nessa receita.  Não só Cambalacho tinha personagens escritos para os atores, esta também é uma prática que uso desde Guerra dos Sexos e tem dado certo. Parto do principio que sendo a novela um trabalho muito extenso e exaustivo, que exige que um ator decore mais de cem páginas por semana, sem tempo para ensaios elaborados como se faz no teatro, quanto mais perto dele estiver o personagem, melhor será o resultado. Porém tenho que concordar com a sua consideração de que, nesses termos, é difícil mudar o ator, quando se faz um remake. Dai é importante que, mesmo a trama permanecendo, os personagens tenham novas características adaptadas aos novos intérpretes, para não serem simples imitação do que já foi feito.      


Duh Secco pergunta
4-    Ao Estado de São Paulo, em 25 de janeiro de 2004, você declarou: “Se não renovarmos, a novela sumirá. Morre mais autor do que aparece. Mas não dá para abrir escola e ficar no quadro-negro. Tem de pegar um por um e ensinar. Ensinar, não! Despertar o raciocínio do que é novela”. Acredita que o mercado para roteiristas esteja restrito apenas à iniciativas como a sua e da TV Globo de buscar novos talentos? O que qualifica um bom colaborador a assumir uma novela como titular: o talento ou o preparo técnico?

O fato de um profissional ser um bom colaborador, não garante que ele será um bom titular. Ocorre o mesmo com relação aos atores ou assistentes de direção. Excelentes atores serão eternos coadjuvantes, por mais que isso lhes doa, mas não há nada a fazer. Para ser um autor titular, além de saber raciocinar e escrever uma trama, é necessário entender que novela é um produto artístico e industrial ao mesmo tempo.  Ter capacidade para lidar com os limites da produção, saber escolher e aproveitar o seu elenco, saber se relacionar com os diretores e com a produção e mais um monte de qualidades que vão muito além de simplesmente escrever. Já disse muitas vezes e volto a afirmar que grandes romancistas, roteiristas ou dramaturgos, jamais seriam bons noveleiros e vice-versa.  Com relação à formação de possíveis novos autores, não conheço um método melhor do que o que tenho usado: trabalhar lado-a-lado com o iniciante observando as suas qualidades, suas facilidades e os seus defeitos e procurar encaminhá-lo para resolvê-los, sem impor uma conduta, mas estimulando-o para que descubra o seu caminho e a melhor maneira de usar o seu talento. Não é muito prático porque leva tempo e é preciso muita paciência. Os resultados são variáveis, mas já deu bons frutos como Carlos Lombardi, Maria Adelaide Amaral, Alcides Nogueira, João Emanuel Carneiro, Beth Jhin e Andréa Maltarolli, que, sem dúvida, teria uma carreira brilhante pela frente.

Daniel Pepe pergunta
Tancinha (Cláudia Raia) e
Beto (Marcos Frota)
em Sassaricando (1987).
5-  Na época de Sassaricando, você escreveu um artigo para o jornal O Globo (Os Mistérios Que Movem a Paixão - 13/12/1987), descrevendo que não fazia ideia dos destinos de alguns personagens, como o de Tancinha (Cláudia Raia), que poderia ficar com Apolo (Alexandre Frota) ou Beto (Marcos Frota). Isso já havia ocorrido anos antes, quando, em outro artigo para o mesmo jornal (O Jogo das Aparências - 28/08/1983), você declarou não saber se Nando (Mário Gomes) ficaria com Roberta (Glória Menezes) ou Juliana (Maitê Proença), em Guerra dos Sexos. Nesses casos que permitem mais de uma possibilidade, como você costuma definir os desfechos? Pesam mais a sua vontade, a do telespectador, ou algo  mais próximo à realidade?

Esse tipo de declaração que faço para os jornais quando uma novela está no ar, é apenas para fugir da resposta, ou você acha que eu vou entregar o final de uma novela, seja no casal romântico ou na trama policial, para um jornal?... O meu compromisso é sempre com o público que acompanha a novela, é para ele que eu escrevo. Colocando-me como telespectador, o que nunca quero deixar de ser, iria detestar saber o final desta ou daquela trama pelo jornal e não dentro da novela. Sempre que termino uma sinopse, já sei quais finais gostaria de ter. É verdade que, nas tramas amorosas, a química entre os casais muda o resultado e isso é muito positivo porque me estimula a repensar o estabelecido. Na trama policial não, sempre fiz o que estava planejado. Meu maior problema em contar uma história policial é enganar nas entrevistas da mesma maneira que engano na narrativa. Mas, em qualquer tipo de trama, minha busca é sempre pela coerência psicológica. Parte do público que raciocina como eu percebe isso muito bem e uma outra porcentagem dele, mais ligada ao maniqueísmo, prefere os chavões de recompensa para os bons e punição para os maus. Minha postura, evidentemente, resulta em muitas críticas revoltadas por parte dos descontentes, mas eu já aprendi que é impossível agradar todo mundo.

Guilherme Staush pergunta
6-  Você realizou algumas pornochanchadas em suas breves incursões pelo cinema, e levou alguns elementos desse gênero para as suas novelas: em Jogo da Vida, por exemplo, havia o rapaz virgem que vivia tendo alucinações com sua professora de inglês em trajes íntimos (Ernesto Piccolo e Kate Lyra), bem como a empregada sexy que seduzia o patrão (Elizângela e Gracindo Jr), e até o professor de educação física que enlouquecia as meninas de um pensionato (Mário Gomes). Além disso, você levou três das maiores rainhas da pornochanchada para as suas novelas: Aldine Muller, Helena Ramos e Matilde Mastrangi. Como foi inserir esses elementos de conotação sexual nas telenovelas, em plena época da ditadura, e no horário das 7? Sofreu preconceito na televisão por ter enveredado neste, que é considerado por muitos como um “subgênero cinematográfico de apelo sexual sem qualquer qualidade artística ou cultural”?

As musas da pornochanchada: Matilde Mastrangi, Helena Ramos e Aldine Muller.

Ótima essa pergunta, é a primeira vez que alguém relaciona as minhas novelas com a pornochanchada, e a influência sempre foi mais do que evidente para mim. É bom lembrar também, que antes da pornochanchada eu era um ávido espectador da chanchada e tanto nos filmes, nos shows e peça que escrevi, quanto nas minhas novelas têm muito do que aprendi e absorvi do gênero. Como você me parece um bom observador, deve ter notado que em quase todas as minhas novelas o preconceito, seja ele qual for, é sempre um ponto de discussão. Em Guerra dos Sexos é o preconceito do homem contra a capacidade profissional da mulher; em Vereda Tropical é  sobre o gosto popular que apreciava um perfume que os esnobes fabricantes achavam ruim; em Cambalacho é sobre as aparências com a inversão de papéis entre o bailarino e a mecânica; em  Sassaricando sobre a meia idade; em Rainha da Sucata sobre o preconceito social; em A Próxima Vítima sobre o preconceito de raça e homossexualismo, e por aí vai. Quando escalei Helena, Matilde e Aldine, queria que elas tivessem a oportunidade de mostrar do que eram capazes como atrizes, sem a marca de pornochanchadeiras que as caracterizava e o resultado foi muito bom. Hoje, com tantas garotas que participaram do Big Brother fazendo carreira como atrizes, isso pode parecer meio idiota, mas na época não era. Acredito que o mercado deve ser aberto para todos e tenho certeza que permanecerão os que tiverem um real talento e empatia, porque o público é muito mais sábio do que parece.


Guilherme Staush pergunta
Rafinha Bastos, ex-CQC.
7-  Sendo um mestre na arte de fazer comédia, gostaria de saber sua opinião sobre um assunto que, agora mais do que nunca, está sendo bastante discutido na internet: a liberdade e o limite dos humoristas. Por conta de uma piada proferida por Rafinha Bastos, do programa CQC (Band), onde ele disse que "comeria a cantora Wanessa Camargo e o bebê dela", o humorista foi afastado do programa, pediu demissão da emissora, e está sendo processado pela cantora. O que você pensa sobre isso? Vale tudo no humor ou deve haver limites? Acha que os humoristas deveriam ter liberdade total de fazer piadas como essas, com personalidades públicas, pelo fato de estarem exercendo sua profissão?

Existe uma grande diferença entre fazer comédia e fazer humorismo. Comédia não vive da piada e nem do bordão, é resultado de uma situação que envolve personagens e uma ação dramática convincente. A piada é uma situação contada e o comentário jocoso, seja desrespeitoso ou não, é a maneira pessoal de ver e interpretar um fato. Acho que cada humorista deve ter a liberdade de falar sobre o que quiser, e se responsabilizar pelas conseqüências do que diz. Sou contra qualquer tipo de censura em qualquer instância, detesto a febre do politicamente correto, mas sou a favor da responsabilidade e dos diretos individuais.


Daniel Pepe pergunta
8-  Há alguns anos, antes de novelas serem lançadas em DVD e do surgimento do canal Viva, rever novelas antigas era privilégio somente de quem as tinha gravado. Até que um grupo de pessoas que tinha os vídeos de Guerra dos Sexos a disponibilizou para download na internet. Dessa forma, os fãs puderam rever e muita gente que não conhecia a novela, pôde assistir, gerando novas e reavivando antigas discussões em comunidades virtuais. Guerra foi a pioneira, vindo outras depois, como Dancin' Days, Ti Ti Ti, Tieta e Vereda Tropical, também com bastante repercussão nas redes sociais. Isso demonstra mais uma vez como o brasileiro é capaz de manter a memória cultural viva, a despeito da falta de incentivos para isso. Você já havia tomado conhecimento desse trabalho? O que pensa sobre a disponibilização de novelas na internet por esses grupos?  Acha que o atual investimento em lançamentos das novelas em DVD e no canal Viva tenha ocorrido somente como uma maneira de tentar reduzir a disponibilização (e até mesmo a venda) desse material na internet?


Uma das capas do DVD pirata da novela Guerra dos Sexos, disponível
para a venda na internet.

Evidentemente foi a internet quem mostrou que existia interesse por esses trabalhos e as empresas correram atrás da idéia.  Não vejo nada de mal nisso, é assim que o capitalismo funciona. O curioso é que sempre acreditei que fazia um trabalho descartável que não ficaria marcado na mente das pessoas e isso não me incomodava. Fernanda Montenegro disse uma vez que eu era o único autor que ela conhecia que não se importava com a posteridade e como sempre, ela estava certa. Gosto do trabalho que faço, consigo tirar um grande prazer da maratona que é fazer uma novela e isso não se refere ao sucesso, à notoriedade ou ao salário, o que me interessa é o trabalho; contar uma história em capítulos é um enorme exercício de criatividade e me possibilita uma longa viagem ao mundo da ficção que me faz muito bem. Por outro lado, ser aceito e cultuado é um enorme prazer extra, não pela vaidade, mas pela certeza de ter conseguido se comunicar de uma maneira profunda e particular com as pessoas que assistiram ao trabalho. Já disse que escrevo novelas para satisfazer a mim e ao público; da primeira parte dos meus objetivos eu já tinha certeza, mas as comunidades virtuais me mostraram que a segunda parte também foi plenamente atingida.


    

BATE-BOLA com Silvio 
(trabalhos do autor: novelas autorais, supervisões e filmes)




Belíssima: Excelente comando de Denise Saraceni.
Rainha da Sucata:  Jorge Fernando arrasou na direção.
Passione: Tony Ramos um ator extraordinário, Mariana Ximenez,  inesquecível.
Beleza Pura: Andréia Maltarolli não poderia ter morrido.
Mulher Objeto: Usei tudo o que aprendi com Carlos Manga.
A Próxima Vítima: Acertei no alvo.
Da Cor do Pecado: O talento de João Emanuel Carneiro.
 As Filhas da Mãe: A mais criativa de todas.
 Elas são do Baralho: Helena Ramos, Matilde Mastrangi e Aldine Miller.
 Cambalacho: Infelizmente o Brasil continua sendo o país dele.
 Anjo Mau: Maria Adelaide Amaral e Cassiano Gabus Mendes, uma dupla mais do que  perfeita.


*** 


14 comentários:

Isaac Abda disse...

É desse tipo de entrevista que gosto, rapazes... respostas ditas com vontade, "cheias", e devidamente provocadas.

O Silvio vai do riso ao drama na medida certa, um dos melhores... Parabéns, pelo feito!!!

P.S.: Fernando, cadê você, moço?!

Abraço.

Kleiton Alves Hermann disse...

Mais uma ótima entrevista do blog!
Sílvio é um dos meus autores preferidos. Pude ver Boca do Lixo, lançada recentemente em dvd em achei um primor.
É realmente muita coragem dele fazer o remake de um clássico como foi Guerra dos Sexos. Comparações sempre são inevitáveis.

Abraço a todos!

Telinha VIP disse...

Cauteloso nas respostas.
Acho ele um ótimo autor, mas prefiro as comédias dele. Prefiro um bom remake às 7 a um melodrama inédito às 9.

Ivan disse...

Excelente entrevista com assuntos bem variados. Silvio é generoso nas respostas. Parabéns!

Brunno Duprat disse...

Maravilhosa entrevista. Já prevejo Claudia Raia linda, divando absoluta na novela como a exuberante Vânia. Mal posso esperar!!!

Fran Machado disse...

O elenco do remake pelos nomes citados tá bem a altura do original.
Só tenho dúvidas quanjtoa trama, se nao tá desgastada. De qq forma vai ser bom rever a novela .

Lucas disse...

Tem coisa melhor que se deliciar com as perguntas inteligentes do Blog e a disponibilidade dos autores em darem respostas capazes de satisfazer qualquer noveleiro de carteirinha? Não tem! Sou fã de vocês e de todos que vocês entrevistam! Parabéns!
Lucas - www.cascudeando.zip.net

Lawrence disse...

A melhor personagem de Guerra dos Sexos era a Carolina. Pra mim ela é uma das melhores vilãs da história.

Eu li que a Regiane Alves pode ser a Carolina, que foi da Lucélia Santos no original. Se for verdade, com certeza o Silvio não poderia ter feito escolha melhor. Regiane é carismática e tem um rostinho angelical, porém tem um ar meio sínico, safada, sabe se fazer de sonsa, e é especialista em pestinhas. Tem o perfil ideal para a personagem.

Já para Juliana, que foi feita pela Maitê Proença, eu sugeria Mariana Ximenes. Não tenho dúvidas que ela seria a melhor escolha para a personagem. Mas infelizmente ela já está reservada para outra novela. Então, acho que Alinne Moraes defenderia com maestria a personagem.

Fábio Leonardo disse...

Sou fã confesso de Sílvio de Abreu. Acho-o mordaz, elegante e genial. A entrevista, claro, realçou todas essas características.

Parabéns, queridões! E eu estou de volta. hehe

Edgar disse...

Parabéns pela brilhante entrevistas , adorei , muito inteligente , com perguntas que gostaria de um dia estes reportes de revistas de novelas nunca fez.
Nota 10 , me ajudou a admirar mais esta figura e na minha opinião o melhor autor de novelas , uma pessoa que alem de escrever novelas , preocupa em descobrir novos talentos.

André San disse...

Adorei a entrevista! Silvio de Abreu é meu autor de novelas favorito, já que ele sempre procura fugir do lugar-comum em suas obras. Torre de Babel foi a novela que mais me deu prazer em acompanhar. E Rainha da Sucata, Deus nos Acuda, As Filhas da Mãe e Belíssima estão entre as minhas novelas preferidas. Uma pena que ele, muitas vezes, amargue índices de audiência não muito satisfatórios em nome de seu arrojo. Mas sua luta para imprimir alguma novidade no folhetim é sempre louvável!
André San - www.tele-visao.zip.net

Jovânio Mendes disse...

Acho que Passione foi uma novela bastante injustiçada. Silvio mostrou mais uma vez o talento em segurar uma trama, que foi muito prejudicada pelas falsas notícias publicadas nas revistas.

Mais uma excelente entrevista de vocês.

Daniel Freitas disse...

Sílvio de Abreu é autor de uma das novelas mais fantásticas que já assisti: As Filhas da Mãe! Infelizmente, não teve o sucesso nem o reconhecimento merecidos...

Pedro Nascimento disse...

Qualquer novela que tem a assinatura do Silvio de Abreu é um convite quase obrigatório para dar uma conferida. É um dos raros autores que acerta mais do que erra. Já nos privilegiou com grandes histórias e até d'As Filhas da Mãe, na qual muitos julgam como ruim, eu gostei bastante.