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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011



O ouro ainda está longe
Jogos Pan-Americanos acentuam erros da Record

por Duh Secco




Desde que arrematou os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, a Record não fez outra coisa a não ser alardear sua exclusividade. Agora, quando enfim se deu a exibição do evento, encerrada no último domingo, a emissora provou que ainda não é digna de uma transmissão dessa magnitude. Embora tenha selecionado os seus melhores profissionais e se esmerado na produção de toda a estrutura que o evento exige, a Record sucumbiu a seu complexo de inferioridade perante a Globo e fez de sua  transmissão uma simples arma para atacar a concorrente.


Foi o que se viu quando os telejornais da emissora noticiaram o uso indevido de imagens da abertura dos jogos pela Globo. A polêmica existia antes mesmo de tal episódio. O comentário maior na mídia especializada, até o início da exibição das disputas, era sobre a cobertura que a Globo iria oferecer ao evento exclusivo da concorrente. A Record deixou até mesmo de faturar cifras astronômicas, quando não abriu negociação com as demais emissoras de TV aberta e nem mesmo as da TV paga. E também não distribuiu credenciais para a imprensa brasileira participar da cobertura do evento no país sede. Estando a emissora no comando de tudo, a Globo teria que se curvar aos pés de seus executivos para conseguir míseros minutos dos jogos, caso quisesse exibi-los em sua programação. Quando enfim levou ao ar poucos segundos das competições, usando de imagens que diz ter recebido de uma agência internacional de notícias, a Globo se viu acuada diante da abordagem sensacionalista em torno do assunto pela Record e demais veículos de comunicação. Os jogos ficaram em segundo plano, abrindo espaço para a abordagem do conflito entre as duas emissoras.


A Record também se voltou contra a Globo ao cogitar, segundo a coluna da Veja, Radar Online, que a emissora carioca foi a culpada pelo esvaziamento das seleções brasileiras de vôlei, futebol e basquete, tendo influenciado as federações a enviarem atletas desconhecidos para o México. Assim, a Record já responsabilizava alguém pelo insucesso do Brasil no quadro de medalhas, e consequentemente de sua transmissão, caso isto viesse acontecer.


No mais, a exibição dos jogos pela Record foi marcada por uma incessante tentativa de copiar a concorrente em praticamente tudo. Desde narradores que não se calavam por um único segundo durante a transmissão dos eventos, até a abordagem nada agradável de repórteres no momento em que os atletas estavam se preparando para competir. A presença de comentaristas reforçava o intuito de se assemelhar as transmissões da Globo. O grande problema é que, diferente da emissora líder, a maioria dos comentaristas da Record são ex-atletas e muitos não possuem base suficiente para comentar dados mais técnicos das modalidades em disputa. Outros, como Fernando Schrer, estavam mais dispostos a incentivar os atletas do que comentar seus desempenhos e acabaram cometendo deslizes que chegaram a fazer rir, como quando o ex-nadador apostou no ouro de uma competidora que chegou em sétimo lugar.


O imediatismo da emissora, em sua ânsia desenfreada pela liderança, fez também com que repetissem erros que quase sempre permearam a programação da mesma. Inclui-se aí a incessante reprise de uma competição que pontuou bem na audiência, mesmo após o resultado final da prova já ter sido amplamente divulgado. E o fato de realocar programas na grade, sem aviso prévio, prejudicando o desempenho dos mesmos na audiência. Caso da novela Rebelde, que jogada para a faixa das 18h, deixou de marcar dois dígitos, e foi adiada, apenas dois dias depois, para as 19h15, horário do qual havia saído em julho, quando migrou para as 20h30. O resultado de tais alterações só poderia ser um: Globo e SBT, a verdadeira pedra no sapato da Record, cresceram na audiência, enquanto a emissora do Pan só registrou bons índices durante a transmissão dos jogos, ainda que, no saldo final, tenha obtido significativa melhora de seus números no painel nacional de audiência.


O saldo de vitórias dos atletas brasileiros foi positivo. O mesmo não pode se dizer da cobertura exclusiva, como a Record fez questão de ressaltar a todo instante. Para subir no pódio, a Record ainda precisa treinar. E muito!



2 comentários:

Jorge Fortunato disse...

Muito bem colocado este post. A Record quis brilhar mais que os atletas e deu no que deu. O grande erro da Record é copiar a Globo. Não chega nem ser um rascunho, uma vez que a Globo taí há mias tempo e tem muita experiência, assim como a BAND e até o canal SPORTV.

Jovânio Mendes disse...

Acho que a Record fez um bom trabalho, inclusive abrindo mão das novelas para exibir os jogos, e é isso que uma emissora que se propõe a ter exclusividade em um evento tem que fazer. Ao contrário da Globo, que muitas vezes obteve exclusividade, e acabou não exibindo um evento em favor de sua programação, como exemplo, o Oscar (sempre exibido a partir da metade), ou próprio Rock in Rio.