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quinta-feira, 1 de setembro de 2011









Paulo Ricardo Diniz é natural de Guaratinguetá e reside em Aparecida. Formado em Jornalismo, fez seu trabalho de conclusão de curso (“Fábrica de Ilusões – décadas de telenovela: do realismo ao fantástico”) sobre a evolução das telenovelas na Rede Globo. Ele comanda também o blog Zappiando, do qual, nós do "Agora", já tivemos a honra de participar. O blog está sempre atualizado com o que acontece na televisão, além de recordações comemorativas. Agora é a vez do nosso querido amigo Paulinho nos presentear com um texto sobre Carlos Lombardi, de quem traça uma trajetória opinativa.




Carlos Lombardi: um autor criativo e surpreendente
por Paulo Ricardo Diniz
 

Ele foi criado no bairro do Pari, em São Paulo. Filho de professora. Concluiu a duras penas o curso de Rádio e TV pela Universidade de São Paulo. Começou na TV aos 19 anos, escrevendo episódios para o Telecurso 2000, na TV Cultura. Na TV Tupi escreveu sua primeira novela, “Como Salvar Meu Casamento”, ao lado dos também inexperientes Ney Marcondes e Edy Lima. O trabalho foi um sucesso, mas não chegou a ser concluído, pois a emissora fechou as portas antes.


Na Rede Globo, estreou em 1981, colaborando informalmente com Sílvio de Abreu na novela “Jogo da Vida”, e no ano seguinte, com Cassiano Gabus Mendes, em “Elas por Elas”. Seu nome não aparecia nos créditos de abertura das novelas. Em 1983, já era creditado como colaborador de Sílvio no clássico “Guerra dos Sexos”. Tem os dois autores como mestres, com os quais aprendeu bastante.

Cassiano, Lombardi e Sílvio

Trata-se de Carlos Lombardi, um autor que muitos relacionam como o “autor dos descamisados”. De fato, em suas novelas sobram homens sem camisas e mulheres de lingerie, mas suas obras vão muito além disso.


Suas experiências com Sílvio e Cassiano deram a ele o aprendizado que carrega até hoje. Com Sílvio aprendeu a ter rigidez na estrutura narrativa, que por sua vez havia aprendido com Ivani Ribeiro. Com Cassiano aprendeu a investir em relações afetivas entre personagens. Cassiano havia aprendido isto com Geraldo Vietri, na Tupi.

Ivani Ribeiro e Geraldo Vietri

Além disso, Sílvio dava preferência à ação e Cassiano aos diálogos, o que resultou em sua facilidade para ambas as coisas, perceptíveis em suas obras. Muita ação, comédia e diálogos inteligentes, tanto para o lado cômico, quanto para o dramático. Cenas emocionantes e piadas que contam a história, que lhe garante leveza.


Suas novelas, apesar de serem contadas com muito humor, são verdadeiros melodramas. “Comédia é o tom e não a trama. As minhas sinopses são sempre melodramáticas”, disse Lombardi em entrevista publicada no Livro “Autores – Histórias da Teledramaturgia”, da Editora Globo.



Tayane e Humberto
Lombardi e Pasquim
Se analisarmos suas obras, identificamos várias relações familiares fortes e consistentes, com um sincero bem-querer entre os personagens, principalmente entre pais e filhos e entre irmãos. Podemos citar Bruno (Humberto Martins) e Ângela (Tatyane Goulart), em Quatro Por Quatro (1994), os irmãos Lênin (Humberto Martins) e Fidel (Marcello Novaes), em Vira-Lata (1996), Baldochi (Humberto Martins) com seu irmão Casemiro (Marcos Pasquim) e com o seu filho Dinho (Alexandre Lemos) e sendo uma figura paterna para Tatuapu (Cláudio Heinrich), em Uga Uga (2000), Esteban (Marcos Pasquim) com os pequenos Gabriel (Pedro Malta) e Pilar (Raíssa Medeiros), em Kubanacan (2003), e Lance (Marcos Pasquim) com seu irmão Tadeu (Rodrigo Lombardi) e com o filho Marquinhos (Miguel Rômulo), em Pé na Jaca (2006). Em todos os casos há uma transformação na vida do personagem ao longo de sua trajetória.


Tanta ousadia, às vezes lhe rende algumas dores de cabeça. Em sua primeira novela como autor-titular, “Vereda Tropical”, de 1984, na qual tinha a supervisão de Sílvio de Abreu, os autores sofreram com a censura militar, vigente no país naquela época, e no dia da estreia da novela tiveram que ir a Brasília para liberar cenas.


Mário Gomes como Luca
Foi em “Vereda”que ele descobriu o seu estilo próprio, que permanece até hoje em suas obras e também que seus vilões não são maus gratuitamente, sempre têm motivos para isso.


Apaixonado por futebol, o autor usou a temática na novela, com os altos e baixos na vida de um jogador, no caso, o personagem Luca, vivido por Mário Gomes.


Em “Bebê a Bordo” (1988), escrita sem supervisão, ele ousou na estética e com uma narrativa fora do padrão, assim como a sua protagonista que também era fora dos padrões, além de ser moderna e politicamente incorreta.


A ideia para sua novela seguinte, “Perigosas Peruas” (1992), surgiu do jogo de tranca de sua mulher com as amigas. Ali ele percebeu que aquela geração de mulheres era educada para serem profissionais bem sucedidas, além de esposas e mães dedicadas.


As protagonistas de Quatro po Quatro
“Quatro Por Quatro” (1994) contava de forma bem-humorada a vingança de quatro mulheres de diferentes idades para seus respectivos maridos e namorados. A novela foi um dos maiores sucessos em audiência do horário das sete da década.


Sucesso que não se repetiu em seu trabalho seguinte, “Vira-Lata” (1996), considerada por Lombardi como a sua novela mais difícil. Teve problemas com audiência e bastidores e teve que mudar a história com a novela no ar. A protagonista vivida por Andréia Beltrão se afastou da produção e ele elevou a personagem de Carolina Dieckmann como primeira protagonista.


Cláudio Heinrich em Uga Uga
O mote inicial de “Uga Uga” o autor viu em um jornal. A crise de identidade de uma pessoa que foi criada fora de seu meio e não pertence nem ao local de onde veio e nem de onde foi criada.


Na minissérie “O Quinto dos Infernos” (2002) mostrou de forma divertida a vinda da Família Real para o Brasil, com todos os defeitos da corte. Recebeu crítica no início e elogios no final.


Em 2003 nos convidou a viajar para um fictício país caribenho nos anos 50. “Kubanacan”, o misterioso país del amor, como cantava a abertura, trouxe novamente os elementos que ele costuma utilizar, mas em uma nova história.


E se amigos são como família estendida, Lombardi utilizou deste conceito que leva para vida para escrever “Pé na Jaca”. Antes da novela ele pensou em largar tudo e ir viver numa fazenda. Mas, antes de tomar a decisão, foi passar uns dias para conhecer, na fazenda do sogro. Lá percebeu que não aguentaria. A experiência também virou parte da novela, através de seu personagem autobiográfico Arthur Fortuna, vivido por Murilo Benício. O autor disse que juntou todos os seus defeitos e deu charme a eles.


Outro que é autobiográfico é Tonico (Tony Ramos), de “Bebê a Bordo”, pela sua ansiedade.
Tony Ramos e Murilo Benício

Para Lombardi, os autores fazem parte do setor terciário e trabalham para agradar o público. “A função do autor é deixar o telespectador feliz, nem que para isto promova mudança na trama.”


Com um estilo único, colecionando sucessos, novelas ágeis e bem-humoradas, o criativo Carlos Lombardi com certeza tem um importante capítulo na história da Teledramaturgia Brasileira. É perceptível que ele trabalha com vontade e por gosto.

Sem escrever nada próprio desde o seriado “Guerra e Paz”, de 2008, o autor está fazendo falta. A torcida é que ele nos brinde em breve com uma nova história.


***

11 comentários:

@Fernand_Oliveira disse...

Pé Na Jaca, pra mim a melhor em termos de sequencia e enredo. Adorei UGA UGA. Mas O Quinto dos Infernos foi uma ousadia que vale a pena rever, a partir de hoje no Canal Viva!

FABIO DIAS disse...

Olha que propicio esse post bem no dia da reestreia de O quinto do infernos e suas cenas quentes! rsrs

Bom em se tratando de Lombardi o trabalho favorito dele pra mim é UGA UGA! Amei!

Descobri muito sobre o inicio da carreira dele nesse post.

Acrescentou!

Isaac Abda disse...

Não curto o humor do Lombardi, aliás lembro de em algum dia já ter achado legal, mas saturou!

Torcer para que ele nos surpreenda a todos!

Parabéns pelo post, Paulinho!

Anônimo disse...

Acho Lombardi um verdadeiro pé no saco! Para não dizer que não acompanhei nada do autor, cheguei a ver Quatro por Quatro, mas hoje acho que só consegui tal proeza por eu ser criança na época e a novela ter a "Paquita Pastel" no elenco, recentemente saída do show da Xuxa. hehe

Eduardo Vieira - Recife/PE

Eddy Fernandes disse...

Essas opiniões tão contraditórias não me surpreendem. O Lombardi é bem isso aí. Ame-o ou deixe-o.

Eu, particularmente, amo. Trago de moleque "Uga Uga", primeira novela que acompanhei com maturidade. Logo na sequência, "O Quinto dos Infernos" e "Kubanacan", a minha preferida.

Em 2003, assisti com afinco, mas revendo recentemente pude ter uma idéia mais ampla da história e me impressionar com o fato dela ser tão negligenciada. Sem dúvida, é uma das maiores ousadias na dramaturgia televisiva e, no entanto, passou em brancas nuvens.
Nem o fato de ser um dos maiores ibopes da década, a faz ser sublinhada. Uma pena.

Daniel disse...

Perdão, mas eu acho Carlos Lombardi o fim! O pior autor de novelas da Globo, que só escreveu porcarias erotizadas e apelativas. O humor dele é puramente sexual e até agressivo, na maior parte das vezes. Uga Uga, Quatro por Quatro e O Quinto dos Infernos dão vergonha de tão ruins que foram! Lembro que Coração de Estudante era uma novela leve e divertida, mas Lombardi apareceu para escrever capítulos e a história ficou horrível! Bom mesmo que ele esteja na geladeira da Globo. Pra mim, não faz falta nenhuma e que fique lá por muito tempo!

Guilherme Staush disse...

Eu gosto muito do texto do Lombardi, mas nao das novelas como um todo. Gosto das tiradas cômicas, da língua afiada das personagens, da ousadia. Sempre achei que ele deveria escrever para uum outro formato para a TV que nao seja a novela.

Obrigado, Paulinho, pela presença no AGORA. Valeu!

Anônimo disse...

Entendo vc, Eddy, mas fico com os que odeiam hehe. Curiosidade: onde vc assistiu novamente a Kubanacan?

Eduardo Vieira - Recife/PE

Jovânio Mendes disse...

Só por ele trabalhar com a ousadia e com o politicamente incorreto já é um oásis nos dias de hoje, principalmente às 7. Torço pela sua volta.

Parabéns pelo texto.

André San disse...

"De fato, em suas novelas sobram homens sem camisas e mulheres de lingerie, mas suas obras vão muito além disso". Disse tudo! Carlos Lombardi é autor dos diálogos mais inteligentes que eu já vi em novelas. Gosto das situações absurdas que ele aborda tão bem. Pé na Jaca, na minha opinião, está entre as melhores novelas da década de 2000 e é minnah novela preferida de sua autoria. Mas gostei também de Uga Uga, Quatro por Quatro, Perigosas Peruas e Kubanacan, nessa ordem!
André San - www.tele-visao.zip.net

Eddy Fernandes disse...

Eduardo: comprei a novela de um cara pelo Orkut, há coisa de uns dois anos.