
Especial
Novelas
que foram sem nunca terem sido
Parte III
Sem ter a tradição de suas
concorrentes em dramaturgia, a Band também já ensaiara produzir novelas que
sequer saíram do papel. E mesmo a pioneira Tupi e a elitizada Manchete também
se viram obrigadas a abrir mão de determinados projetos. É a terceira parte do
nosso especial!
por
Duh Secco
Band
Sempre que investiu em dramaturgia, a
Band levou ao ar produtos de qualidade inquestionável, como Os Imigrantes e Paixões Proibidas. Foi de se lamentar todas as vezes que a emissora não levou ao ar suas
novelas, deixando bons textos na gaveta.
Uma
Rosa Com Amor (1995)
De Vicente Sesso
Em 1995, a Band ensaiava retomar a
exibição de novelas. Para tanto, recorreu à produtora independente TV Plus que,
no ano anterior, produzira 74.5 Uma Onda
No Ar, para a Manchete. Na época, a TV Plus acertava com o autor Vicente
Sesso a produção do remake de Uma Rosa
Com Amor, sucesso exibido pela Globo em 1972, que contava com Marília Pêra
como protagonista. A história de Serafina Rosa Petroni, a secretária solitária
que enviava rosas para si mesma e de repente se via casando com o patrão, por
conta de um acerto financeiro entre os dois, seria dirigida por Jayme
Monjardim, que estava afastado da TV desde sua saída da Manchete, em 1991.
Animado, Sesso já pensava no elenco da nova versão: Denise Fraga como Serafina
e João Acaiabe como Pimpinoni. Curiosamente, Acaiabe daria vida ao velhinho que
confeccionava marionetes na versão de Uma
Rosa Com Amor levada ao ar pelo SBT, em 2010. O pretenso remake da Band
fora preterido em prol de A Idade da Loba.
Milagres
De Amor (1997)
De Regina Braga
Regina Braga não foi uma autora de
muitos trabalhos. Mas, ao longo de sua carreira, teve passagens por diversas
emissoras: Globo, Manchete e Band. Nesta última, auxiliou Alcione Araújo a
desenvolver o roteiro de A Idade da Loba.
Pouco depois, Regina fora convocada a desenvolver a novela que substituiria Perdidos de Amor. A autora apresentou
quatro sinopses; dentre elas, Milagres de
Amor, um novelão mágico, nas palavras de Regina, que evocaria a símbolos místicos,
tendo tanto a aparição de Nossa Senhora, como de seu contraponto, o demônio.
Anos atrás, na fictícia Rio das Pedras, Sônia se apaixonava por João, que
acabava se casando com Ana. Inconformada com o fato de ser preterida, Sônia
apela para os poderes de sua avó - uma praticante de magia negra - e conjura os
poderes do mal para fazer com que Ana morra. O feitiço, no entanto, acaba não
atingindo a moça e sim seu marido: João morre, deixando a mulher grávida. O
ódio de Sônia perduraria através das gerações e acabará sendo revivido por
Felícia (sua filha adotiva) e Cristina (filha de Ana e João). O excelente mote
não foi adiante, já que a Band suspendeu temporariamente sua investida em
dramaturgia e a parceria com a TV Plus.
Paixão
De Gaviões (2008)
De Ecila Pedroso
Elenco competente, produção
caprichada, texto seguro de Marcos Lazarini. Nada disso foi suficiente para
emplacar Água Na Boca na audiência. A
Band decidiu então investir em um texto importado: Pasión de Gavilanes, que havia sido exibido na Rede TV!, sem
sucesso e sem chegar ao final, em 2004. Ecila Pedroso fora convocada para
adaptar o texto, que seria dirigido por Del Rangel. O universo country serviria
de pano de fundo para a trama, que fora cancelada durante a escalação de
elenco. Os mais de 200 profissionais que compunham o departamento de novelas da
emissora foram demitidos e a Band passou a procurar alternativas para se manter
ligada à dramaturgia. Dentre elas, uma versão da minissérie Dona Flor e Seus Maridos, cujo roteiro
seria desenvolvido por Bruno Barreto, a partir do momento em que a obra de
Jorge Amado se encerrava. Tal produção também não fora adiante.
***
Manchete
Sempre lembrada pela audaciosa Pantanal, que fez a líder Globo tremer,
a Manchete nem sempre foi feliz em suas investidas na dramaturgia. Muitas de
suas novelas não corresponderam como esperado e outras tantas ficaram só na
intenção.
Flor
De Cera (1991)
De Renato Teixeira
O músico e compositor Renato Teixeira,
quem diria, já se aventurou pelos roteiros de uma novela. Flor de Cera, a trama escrita por ele, seria mais uma inovação de
Jayme Monjardim, enquanto diretor artístico da Manchete.
O profissional, entretanto, se desligou da emissora e, enquanto tentava acertar os ponteiros com a Globo, continuou levando em frente o projeto desenvolvido por Renato. Flor de Cera lançaria a proposta de transformar o Pantanal em patrimônio mundial, e surgiu em torno da realização da Eco-92, que seria realizada no Rio de Janeiro, no ano seguinte. A trama se iniciaria em 1993 e seria ambientada em Murundu, uma pequena cidade ideal que pertence ao Estado Ambientalista do Pantanal, patrimônio da humanidade fundado na Eco-92. O governador dessa cidade é Armandinho, político honesto e perfeito. Paralelamente, existiria Lebrina, uma aldeia de índios guaicurus, também localizada no Estado Ambientalista do Pantanal. Só que esta é uma cidade que o homem branco não conhece e seus habitantes, remanescentes dos Astecas e Incas, são considerados extintos. É que de tão avançados, desenvolveram uma barreira mental que impede as pessoas de chegarem lá. Lebrina é gerida por cinco mandamentos: amar as águas; proteger e defender a fauna; interpretar a flora; respeitar os ciclos da natureza e dignificar a vida. Ela tem três vilas com funções distintas: Jaci, onde se sente; Edith, onde se pensa, e Ondina, onde se faz. Tanta utopia exigia um grande investimento, que a Manchete não topou e a Globo também não quis. Resultado: Renato Teixeira e Jayme Monjardim não puderam levar o pretensioso projeto adiante.
O profissional, entretanto, se desligou da emissora e, enquanto tentava acertar os ponteiros com a Globo, continuou levando em frente o projeto desenvolvido por Renato. Flor de Cera lançaria a proposta de transformar o Pantanal em patrimônio mundial, e surgiu em torno da realização da Eco-92, que seria realizada no Rio de Janeiro, no ano seguinte. A trama se iniciaria em 1993 e seria ambientada em Murundu, uma pequena cidade ideal que pertence ao Estado Ambientalista do Pantanal, patrimônio da humanidade fundado na Eco-92. O governador dessa cidade é Armandinho, político honesto e perfeito. Paralelamente, existiria Lebrina, uma aldeia de índios guaicurus, também localizada no Estado Ambientalista do Pantanal. Só que esta é uma cidade que o homem branco não conhece e seus habitantes, remanescentes dos Astecas e Incas, são considerados extintos. É que de tão avançados, desenvolveram uma barreira mental que impede as pessoas de chegarem lá. Lebrina é gerida por cinco mandamentos: amar as águas; proteger e defender a fauna; interpretar a flora; respeitar os ciclos da natureza e dignificar a vida. Ela tem três vilas com funções distintas: Jaci, onde se sente; Edith, onde se pensa, e Ondina, onde se faz. Tanta utopia exigia um grande investimento, que a Manchete não topou e a Globo também não quis. Resultado: Renato Teixeira e Jayme Monjardim não puderam levar o pretensioso projeto adiante.
Carrancas
(1994)
De Regina Braga
Novelas violentas são as preferidas da
Record, mas estão longe de ser novidade na TV brasileira. Muitos antes de Vidas Opostas, a Manchete subiu o morro
com Guerra Sem Fim, trama voltada
para o conceito novela-verdade, difundido pela Manchete nos anos 80, com Corpo Santo e Olho Por Olho. Em 1994, entretanto, a emissora dos Bloch desejava
abandonar tal conceito, investindo em paisagens bucólicas, como a do rio São
Francisco, local que serviria de cenário para Carrancas, de Regina Braga. O audacioso projeto narrava a trajetória
de um bebê abandonado em um cesto, dentro do São Francisco, e encontrado por
prostitutas. A história se encaminharia até o crescimento deste garoto, que
passaria por cenários como Minas Gerais, Alagoas, Bahia e Sergipe, no intuito
de descobrir sua origem. Como tal produção exigiria alto custo, a Manchete
buscou parceria com uma produtora de cinema européia. O negócio não foi adiante
e Regina Braga guardou a sinopse para apresentá-la a Band, anos depois. A
emissora preferiu Milagres de Amor,
da mesma autora, que também acabou não sendo produzida.
A
Queridinha (1998)
De Walter Avancini
A pequena Debby Lagranha
migrara para a Manchete em 1998 para apresentar o Clube
da Criança, já em sua fase final. Debby turbinou a audiência da atração e
se tornou a queridinha da emissora. Tanto que fora cotada para protagonizar uma
novela, que levaria este título: A
Queridinha. Projeto concebido a partir de um argumento de Walter Avancini,
a trama se basearia em contos infantis ingleses e seria ambientada em 1805, o
que facilitaria a confecção de cenários, já que seria possível aproveitar muita
coisa utilizada em Xica da Silva,
encerrada no ano anterior. Encabeçada por Debby, que interpretaria a órfã
Mariana, A Queridinha estrearia em
setembro, às 20h, não fosse o declínio pelo qual a Manchete passava, e que
culminou com o encerramento das atividades no núcleo de dramaturgia, em outubro
daquele ano, com o final narrado de Brida.
***
Tupi
Uma das primeiras emissoras a investir
em dramaturgia, a Tupi encerraria suas atividades em 1980, enfrentando
problemas com a produção de suas novelas. Como
Salvar Meu Casamento e Drácula foram
interrompidas sem chegar ao final. Antes e depois destas produções, a Tupi
interromperia o trabalho de outras novelas.
O
Acidente (1977)
De Rubens Ewald Filho e Silvio de
Abreu
Quando contratou os novatos Rubens Ewald Filho e Silvio
de Abreu para seu setor de dramaturgia, a Tupi já se encontrava em declínio. Roberto Talma, então diretor
artístico do canal, fora o autor da ideia que seria desenvolvida pelos dois novos
contratados: um acidente aéreo e sua repercussão nas vidas dos personagens.
Talma deixaria a Tupi, que colocaria Henrique Martins e Carlos Zara nas funções
ocupadas pelo diretor. Contrários ao estilo inovador que Talma pretendia
implantar na emissora, Henrique e Zara derrubaram a sinopse e encomendaram uma
nova trama à Rubens e Silvio. Os dois sugeriram a adaptação de Éramos Seis, de Maria José Dupré, um dos
últimos sucessos da emissora pioneira da TV brasileira. Em entrevista ao blog
Sinopse Acabada, de José Vitor Rack, Silvio de Abreu relembra O Acidente:
A
novela seria sobre um acidente aéreo, que transformaria completamente a vida
das personagens. Rubens e eu gostamos da ideia e desenvolvemos a sinopse de uma
novela que seria altamente inovadora, na época, porque seria contada em três
planos de narrativa: antes das pessoas embarcarem no avião, durante a viagem e
a conseqüência do acidente na vida dos que ficaram. Fizemos dez capítulos que
foram prontamente aprovados pelo Talma, escalamos a novela e, infelizmente,
Talma saiu da emissora.
Maria
Nazaré (1980)
De Teixeira Filho
Mesmo diante de sua derrocada, a Tupi
continuava a planejar suas novelas. Para substituir Como Salvar Meu Casamento, no início de 1980, a emissora recorreu ao
experiente Teixeira Filho, que contaria com o auxílio de seu herdeiro, Cleston
Teixeira, para escrever Maria Nazaré.
Carlos Zara, que depois de ser diretor artístico da Tupi havia migrado para a
Globo (onde atuou em Pai Herói),
retornara para dirigir a novela, protagonizada por sua esposa, Eva Wilma (Maria
Nazaré) e Carlos Augusto Strazzer (Fogaréu). Uma cidade cenográfica havia sido construída
em Itu, para ambientar a história da moça que, na busca por um caminho
espiritual, se apaixonava por um líder do cangaço. Cenas já gravadas serviam de
instrumento para a divulgação da trama, que acabou tendo seus trabalhos
suspensos antes que a Tupi fechasse as portas definitivamente, em 14 de julho
de 1980.
***
Próximo
Capítulo: as
emissoras já abortaram diversas minisséries também. Confira na penúltima parte do
nosso especial!
2 comentários:
Muito bom o especial, li as três partes numa tacada só, saboreando cada palavra. Lembrava-me de várias dessas novelas que foram sem nunca ter sido, e não conhecia várias outras. Valeu pra relembrar parte desta história dos bastidores da TV, e ainda descobrir coisas novas. Valeu!
André San - www.tele-visao.zip.net
A sinopse de "Flor de cera" me deixou boquiaberto, muito pretensiosa. Eu não conhecia essa possibilidade de adaptação de "Pasión de gavilanes". Acho que uma novela nesse estilo faria bastante barulho, independente da emissora.
Lucas - www.cascudeando.zip.net
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