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sábado, 12 de março de 2011















Até onde vai a insensatez humana?

Por Guilherme Staush

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Quase dois meses depois da estreia de Insensato Coração, já se pode ter uma ideia mais clara sobre o que vem por aí no decorrer da novela.

Apesar de a história girar em torno da armação de Leonardo (Gabriel Braga Nunes) em cima da enfermeira Norma, que depois de presa injustamente vai elaborar um plano de vingança contra o rapaz, percebe-se que a trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares fala basicamente de amor e insensatez, sugeridos no próprio título da novela.

Assim como a novela Vale Tudo partiu de uma crítica social e teve como questão norteadora se valia a pena ser honesto no Brasil daquela época, parece que a grande questão levantada pelos autores nesta novela de trama bem mais leve é: “Até onde vai a insensatez humana?”.

Percebe-se em vários personagens, nos de bom e nos de mau caráter, uma inevitável inclinação em ferir o sentimento do próximo. Isso ocorre com os personagens centrais, como Pedro (Eriberto Leão), que, em razão de sua culpa pelo acidente de avião que resultou na morte de sua noiva, abdicou seu amor pela doce Marina (Paola Oliveira), deixando a moça de coração partido; Léo, que conquistou o amor e a confiança da enfermeira Norma (Glória Pires), e, se aproveitando da solidão e da insegurança da moça, aplicou um golpe, deixando-a atrás das grades injustamente; Ou ainda em Wanda (Natália do Valle), que se rende a uma paixão do passado, traindo o marido com seu próprio irmão e maior inimigo, além de superproteger o filho vigarista.

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É possível observar que nas tramas paralelas, muitos outros personagens também agem de forma fria e calculista, como o jornalista Kleber (Cássio Gabus mendes), por exemplo, que é homofóbico, viciado em jogos de azar e vive um conturbado relacionamento com a ex-mulher; Horácio Cortez (Herson Capri), o empresário corrupto e mulherengo, que tem breves casos extraconjugais para saciar o tesão que sente por mulheres mais novas; E ainda, o insensível André (Lázaro Ramos), que apesar de adotar uma postura sincera diante das mulheres com quem sai, não entende o que se passa com Carol (Camila Pitanga), que espera um filho dele.

A insensatez em questão se manifesta de diversas formas nos personagens da novela: na ambição desmedida de Léo, na culpa e no remorso de Pedro, no egoísmo de André, na proteção materna exacerbada de Wanda, na canalhice de Horácio, na futilidade de Eunice (Déborah Evelyn), e até mesmo na mesquinhez de Tia Neném (Ana Lúcia Torre).

A novela é boa. As tramas paralelas, entretanto, são bem mais empolgantes do que a trama açucarada e mal acabada que envolve Marina e Pedro. A apatia do ator Eriberto Leão, que mantém a mesma expressão facial em cena, seja para dar bom dia, dizer “eu te amo” ou falar um palavrão, contribui para a rejeição a este núcleo. Quanto à Paola, ainda não vimos boas oportunidades para sua personagem Marina.
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Vale destacar o desempenho de Cássio Gabus Mendes, sempre ótimo; Déborah Secco, em um papel que é a sua cara; Maria Clara Gueiros, que por enquanto ainda não revelou muita coisa de sua personagem, a não ser que é louca por homens sarados; Ana Lúcia Torre, que pode deixar o piloto automático ligado nesse tipo de papel; Isabela Garcia, que vem rendendo ótimas cenas nos últimos capítulos levados ao ar, e, claro, o sempre magnífico Antonio Fagundes, que dá um show em cada cena.

De resto, fica o lamento de ver atores tão bons fazendo participações tão breves na novela, como: Tuca Andrada, Fernanda Machado, Xuxa Lopes, Marcelo Laham, Zé Victor Castiel e Suzana Ribeiro.

Aguardemos as emoções dos próximos capítulos.

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7 comentários:

Fábio Leonardo disse...

"Insensato Coração" é uma novela que eu vejo com regularidade, embora não seja fã. Gosto de algumas coisas e, diferente da maioria, me apego sempre aos personagens "do bem" de Gilberto, no caso, a altruísta Zuleica (Bete Mendes), o primo e melhor amigo Nando (Pedro Garcia Netto), a irmã leoa Alice (Paloma Bernardi) e a diarista batalhadora Haidê (Rosi Campos).

No mais, em termo de trama, tenho me interessado mais, nesse momento, pela história do núcleo de Cortez (Herson Capri) e por Teodoro (Tarcísio Meira), mas quero acreditar que, em breve, serei pego de interesse pelas maldades de Norma (Glória Pires).

Walter de Azevedo disse...

Comecei a novela bem empolgado e gostando do que vi, mas agora já estou quase abandonando. A demora no desenvolvimento da história de Norma (Glória Pires), a melhor trama da história, dá uma sensação de que tudo ali está se arrastando. Gilberto Braga comentou que, na sinopse de Vale Tudo, Fátima (Glória Pires) venderia a casa da mãe por volta do capítulo 40, mas que foi convencido de fazer isso logo no primeiro. Acho que faltou isso em Insensato Coração. Se a trama de Léo enganando Norma acontecesse nos cinco primeiros capítulos, a novela estaria pegando fogo. O que sinto é um emaranhado de tramas paralelas sem função, esperando a hora de começar. Claro que temos boas cenas e boas interpretações, mas até quando isso vai segurar a novela?

TH disse...

Eu acho "Insensato" bem melhor que "Paraíso Tropical", trama que em quase nada me cativou.
Não sou afeito ao "elenco rotativo", ainda mais quando se tem tanta gente sem função na trama, mas a aposta em conflitos familiares sempre nos prende nas novelas, e a dupla Giba & Ricardo tem feito isso muito bem!
Parabens pelo post, Gui!

Renato disse...

Nao concordo que a trama central esteja mal acabada. É cedo ainda. O que eu acho, concordando com alguém aí que comentou, é que falta ritmo à novela. O que aconteceu até agora na trama central, já poderia ter aocntecido nas duas primeiras semanas.

Willian Bressan disse...

Ótimo texto, o melhor desse blog.
Embora não concorde que a novela seja boa. Acho ela ruim em todos os sentidos. O texto é sofrível e a direção do Dennis Carvalho deixa tudo pior..

Sem dúvida a história da Norma e do Léo será a melhor coisa da novela, mas demorar 60 capítulos para acontecer é muita coisa.

E "Insensato Coração" é um mix de todas as novelas do Gilberto. Tudo já feito por ele está ali. Faltou criatividade na sinopse.

Eddy Fernandes disse...

Acho a novela meio parada.

E não vejo muita necessidade nessas participações especiais. Mas enfim.

Rodrigo disse...

Eu acho que a alta rotatividade de participações especiais ao longo da trama atrapalha a compreensão da trama central pelos telespectadores. O casal de protagonistas não decolou, então, ninguém tem pra quem torcer, a não ser que seja por Carol. Os vilões Norma e Léo poderão deitar e rolar à vontade em cima dos mocinhos, porque Paola Oliveira e Eriberto Leão são muito canastrões.