Somos amantes da teledramaturgia. Respeitamos a arte e a criação acima de tudo. Nosso profundo respeito a todos os profissionais que criam e fazem da televisão essa ferramenta grandiosa, poderosa, que desperta os mais variados sentimentos. Nossa crítica é nossa colaboração, nossa arma, nosso grito de liberdade.



ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Free DHTML scripts provided by Dynamic Drive

segunda-feira, 21 de março de 2011

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Outro horário, Record?
Por Duh Secco

Hoje tem Rebelde! A Record está prestes a estrear um novo horário de novelas. E aí eu me pergunto: mais um horário de novelas estreando? Sim, porque desde que a emissora da Barra Funda retomou o seu núcleo de dramaturgia, vários horários foram “estreados”. O das 20h15, com Cidadão Brasileiro. O das 22h, com a mesma Cidadão Brasileiro. O das 18h00, com Alta Estação. E daí por diante, contando com pequenas e grandes alterações (como quando empurrou Poder Paralelo para as 23h00, por conta do reality A Fazenda). A questão é: de que adianta estrear tantos horários, se a emissora não mantém nenhum?

A Record tem estrutura suficiente para fazer frente a Globo. Mas não tem comando. A constante troca de horários é só a ponta do iceberg. Denota a imensa incapacidade da emissora de construir uma programação sólida, capaz de abalar as estruturas da concorrente. O novo horário de novelas mesmo já encontra um problema: a Record não tem o que exibir antes de Rebelde. Ou seja, não tem o que cause aquele fluxo de audiência de uma atração pra outra. Logo, Rebelde entra com média baixa, provavelmente a dos exaustivamente reprisados Pica-Pau e Todo Mundo Odeia o Chris. Ou a do policialesco Cidade Alerta, cuja volta tem sido cogitada nos últimos dias. Se a novela for boa, consegue subir os números ao longo do capítulo. Senão, vai patinar e aí, tome mais mudança de horário!

Com Rebelde no ar, no horário prometido ou não, começa outro dos grandes problemas da Record: a escolha da substituta (motivo também de tantos espaços que já foram dedicados a teledramaturgia). A Record demora meses pra escolher uma sinopse e iniciar a produção. É como se eles tivessem a indústria da Globo, mas não contassem com ninguém pra operar o maquinário. Estúdios ficam vazios, enquanto novelas são espichadas, o que faz diminuir o interesse do público e, consequentemente, os índices de audiência. A coisa caminha assim desde os tempos do Tiago Santiago. Sinopses entravam em produção e acabavam barradas, como Sambalelê, da autora de Rebelde, Margareth Boury. O acordo com a Televisa agravou ainda mais a situação. A mesma Margareth Boury começou a adaptação de Cuidado com o Anjo, aqui chamada de Vivendo o Amor. A Televisa bateu o pé, a Record voltou atrás e todo o trabalho da autora foi para o lixo. O jeito foi começar de novo, adaptando o que os mexicanos queriam.

O saldo final é a triste situação na qual a outrora promissora Record se encontra. Os atores mais tarimbados (que deram cara à dramaturgia da emissora) estão retornando para a Globo, onde sabem quando vão iniciar e quando vão concluir um trabalho. A audiência já não é a mesma e a tão sonhada liderança já se encontra ameaçada por um SBT decidido a retomar o seu espaço. Alguém precisa assumir o comando e manter esse horário. Ou daqui a dois ou três meses, caso a novela não vá bem, teremos outra faixa de novela estreando na Record, em uma estratégia da emissora que mais atrapalha do que ajuda.

3 comentários:

Fábio Costa disse...

Concordo com Duh em seu texto. A Record, há já quase sete anos (pois é rs), resolveu investir de maneira firme em teledramaturgia, logrou alguns bons resultados, mas sempre na base da indefinição quanto ao futuro e mesmo quanto à condução das atrações no ar, o que ocasiona muita repetição de nomes de elenco, grade saltitante e novelas que começam, com a esperança do público de que um dia venham a terminar. Enquanto assim for, os resultados tendem a piorar, inclusive já não são mais tão vistosos quanto há não muito tempo atrás. O SBT, embora aos tropeços e com o conhecido imediatismo de Silvio Santos em relação a resultados, retorno de investimentos, tem mesmo tudo para retomar sua posição de vice-líder mais confortavelmente, uma vez que a Record só pensa num embate com a Globo e parece descuidar das outras, tão concorrentes quanto. Porque audiência, quando escapa e ainda que pouco, é pra todas as outras em busca de opção, não sempre para uma só - o que também vale no sentido inverso.

Rodrigo disse...

A Record só se transforma num grande diferencial para a Globo quando produz novelas que tentam fugir um pouco do padrão engessado de teledramaturgia atual da concorrente, como por exemplo, "Vidas Opostas", "Poder Paralelo" e "Cidadão Brasileiro".

Definitivamente, a moda "Rebelde" já passou há muito tempo. Por mais bem produzida e dirigida que seja e por melhor que seja a adaptação aos costumes brasileiros, terá sempre uma cara de coisa velha, porque "Rebelde" já deu tudo que tinha que dar e foi um fenômeno entre os adolescentes de cinco anos atrás que não vai mais se repetir. Aliás, muitos que eram adolescentes no auge do "Rebelde" exibido no SBT, já cresceram mais e possuem outros interesses. Pra eles, "Rebelde" é como um jornal de ontem: não interessa mais!

Gera disse...

Concordo em tudo com o Duh...
Esta mudança constante em horário, só vem demonstrar a fragilidade na ação de criar e manter um produto capaz e satisfazer e prender a atenção do exigente público "novelístico" brasileiro.
Vamos esperar pra ver.
Parabéns Duh e aos demais pelo blog!