Somos amantes da teledramaturgia. Respeitamos a arte e a criação acima de tudo. Nosso profundo respeito a todos os profissionais que criam e fazem da televisão essa ferramenta grandiosa, poderosa, que desperta os mais variados sentimentos. Nossa crítica é nossa colaboração, nossa arma, nosso grito de liberdade.



ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Free DHTML scripts provided by Dynamic Drive

segunda-feira, 24 de outubro de 2011


Os dois lados do humor
A difícil missão de fazer rir sem ofender

por Duh Secco





Após a exibição de um vídeo com Wanessa (antes Camargo), Marcelo Tas, apresentador do CQC, comenta: “Como ela está bonitinha grávida!”. E Rafinha Bastos, companheiro de bancada de Tas, arremata: “Eu comeria ela e o bebê”. Não teve graça. Aliás, estas e outras piadas do comediante citado não levaram sequer a um sorriso amarelo. Em parte, pelo conteúdo agressivo delas. Também pela repressão que impera no humor brasileiro, onde o politicamente correto nos impede de rir de qualquer anedota que afronte um determinado segmento da sociedade, interessado em se promover no grito, impedindo qualquer manifestação cômica a respeito de suas condutas e seus membros.


Rafinha Bastos tem afrontado diversos desses grupos. As feias, os órfãos, os rondonienses. É hostilizado por organizações não governamentais e outras, do governo, que preferem podar as investidas do humorista a encararem os estigmas de frente e tentar assim mudar a visão existente a respeito deles. Hoje em dia, não se pode rir de tipos estereotipados, presentes em programas humorísticos desde que a televisão entrou no ar. Tem até ministra que se preocupa quando uma personagem exclama “Ai, como eu tô bandida”, alegando que a mesma incentiva o assédio sexual em coletivos, como se duvidasse da capacidade das vítimas de reagir a tal assédio, apenas pelo fato delas assistirem o programa. Coloca em xeque a capacidade de raciocínio do brasileiro, de entender que aquilo é dramaturgia, e que uma situação deste tipo, na chamada vida real, não deve gerar uma reação tão complacente quanto a da personagem em questão.


No caso de Rafinha, as afrontas não ficaram apenas entre os anônimos agrupados em diferentes camadas da sociedade, ou em órgãos repressores. O comediante mexeu com cachorro grande. Afrontou patrocinadores, como a Nextel, ao afirmar que o celular era destinado a traficantes, o que justificava a presença de Fábio Assunção, que luta contra sua dependência química, nos comerciais da operadora. E mexeu também com Marcos Buaiz, representante de patrocinadores do CQC, e marido de Wanessa, citada no início do texto. A Band, diante de uma possível redução de lucros, afastou Rafinha. Colaborou para a onda do politicamente correto. E viu seu contratado se rebelar contra a emissora que o revelou.


Claro que Rafinha tem sua parcela de culpa neste episódio. A piada sobre o bebê, assim como diversas outras existentes em seu vasto repertório, não teve graça nenhuma. Soou grosseira e de mau gosto. Amparado pelo seu sucesso, que o fez ser eleito a personalidade mais influente do Twitter, Rafinha deu vazão a sua arrogância e prepotência. Afastado do CQC, divulgou fotos em que parecia estar se divertindo enquanto o programa estava no ar, com um colega de elenco ocupando o lugar que antes era seu na bancada. Mostrou seu despeito; seu orgulho ferido. E tentou, nos dias seguintes, fazer piada com tudo, de forma a recuperar o prestígio ou de se tornar mais polêmico do que já é. Só fez se afundar cada vez mais. E nem assim percebeu que da mesma forma que foi catapultado ao sucesso pode estar sendo arremessado ao total esquecimento. O politicamente correto já o execrou. A Band tenta, mas dadas as atuais circunstâncias, pode acabar fazendo o mesmo. Até o  próprio Rafinha tem colaborado para colocar seu nome no limbo.


O humor brasileiro parece ter perdido a capacidade de fazer rir. E também a de rir de si mesmo.



6 comentários:

Anônimo disse...

Ótima crítica, Duh!

Particularmente acho esse Rafinha um imbecil de marca maior! E olha que estou longe de ser politicamente correto.

Eduardo Vieira - Recife/PE

Daniel Freitas disse...

Eu adoro o CQC e sou defensor do humor sadio, que respeita as pessoas. Por isso, não simpatizo nem um pouco com esse Rafinha e sempre achei as piadas dele pesadas e sem graça. Faço coro ao politicamente correto em limá-lo e não sinto falta nenhuma dele na telinha. Que realmente vá para o limbo!

Lucas disse...

Gosto do CQC, mas existe uma barreira entre o que é engraçado e o que é falta de respeito. Não cabe a mim julgá-lo, mas cabe lembrar que para tudo existe um bom senso!
Lucas - www.cascudeando.zip.net (retomando o link antigo, por favor atualizar. Grato!)

Renato Bonifácio disse...

Acho lamentável a existência de seres sem caráter que acham graça do repúdio e desrespeito ao próximo, sendo famoso ou não. Rafinha errou e errou feio, por essas e outras é que fico sem entende como ele pode ser tão influente no 'tuírer'...
Excelente post Duh.... mas uma vez.. tá de Parabéns! Abração

Jorge disse...

O quadro do Zorra Total (além de não ter a menor graça, ser repetitivo e grotesco, dado o teor caricatural altamente imbecilizante) é ingegavelmente machista. E ainda faz piada com deficiente!

Faço questão de não dar ibope a isso. E me choco demais com a popularidade alcançada. Não é ser politicamente correto, é ter bom senso. É respeitar o outro. Rir de si mesmo é diferente de afrontar o outro. O humor idiossincrático é muito mais rico e difícil de fazer do que essas caricaturas de fácil digestão. Que entretêm com o mais raso da cognição humana. É a postura da maior parte dos ''politicamente incorretos'' da vida, como os Gentilli e cia. Virou desculpa pra ser, com todo o respeito, um babaca preconceituoso.

Quanto ao Rafinha, o acho um bobinho às vezes engraçado, às vezes infeliz. Como todos nós. Prefiro o Rafael Bastos ator, aquele do Mothern. Ou o apresentador de A Liga, talentoso e carismático. Este sim vale a pena. E muito.

André San disse...

"Coloca em xeque a capacidade de raciocínio do brasileiro, de entender que aquilo é dramaturgia, e que uma situação deste tipo, na chamada vida real, não deve gerar uma reação tão complacente quanto a da personagem em questão". Disse tudo! A patrulha do politicamente correto é tão arrogante que se acha acima do telespectador comum, como se este último fosse uma ameba incapaz de raciocinar. Sobre Rafinha, a piada foi sem graça, mas a censura sobre ela foi precipitada e tosca. Não fosse todo esse carnaval sobre o assunto, ela teria passado batida. Tanto que só repercutiu duas semanas depois de feita,quando o jogador Ronaldo resolveu se pronunciar.
André San - www.tele-visao.zip.net