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quinta-feira, 17 de março de 2011


As três vilãs (não memoráveis) de Ti Ti Ti

Por Daniel Pepe

Dos primórdios da teledramaturgia até algumas décadas depois, os vilões, via de regra, eram escritos para serem odiados pelo público, o que fazia com que muitas vezes o próprio ator fosse hostilizado na rua. De uns tempos pra cá, muitos desses personagens passaram a apresentar características que, se não faziam o público torcer para que eles se dessem bem no final, faziam com que tivesse alguma simpatia por eles.

Isso acontece geralmente pelo carisma presente no personagem. Seja pela criação do autor, construção do ator, ou ambas, tem sido mais comum os vilões serem queridos. Não é questão de torcer ou ser a favor de mau-caratismo, mas de ver um ótimo trabalho apresentado na tevê. Além do que, tais personagens quase sempre são a mola propulsora das ações nas novelas. A condução da história e a interpretação justificam ao telespectador querer ver mais cenas desses personagens. A galeria desses tipos é imensa e, só para citar algumas, temos as clássicas Odete Roitman, Maria de Fátima (ambas de "Vale Tudo"), Branca Letícia ("Por Amor") e Nazaré Tedesco ("Senhora do Destino"). Não é exagero dizer que muitos só assistiam a tais novelas por causa dessas personagens.

O mesmo não ocorre na atual versão de Ti Ti Ti. Independentemente da intenção dos autores, Stéphany (Sophie Chalotte), Clotilde (Juliana Alves) e Luísa (Guilhermina Guinle) não passam o carisma presente em outras vilãs. Pelo contrário, elas despertam aqueles sentimentos da época onde predominava somente a torcida pelo protagonista, sem qualquer simpatia pelo vilão. Uma das causas para isso é o grande carisma que suas oponentes apresentam.

Stéphany desde sempre mostrou inveja pela prima Desiree (Mayana Neiva), almejando tudo o que era dela, fosse o merecimento do afeto da família ou seu namorado. Manteve como alvo a prima e a tia. Seu ar sonso de sempre se fazer de vítima conseguindo alguns poucos que acreditassem nela é algo que não agrada muito. Além disso, Desiree é muito carismática, o que vem não só da personagem, como também da atriz que fez um bom trabalho. Por fim, a personagem nunca demonstrou gostar de ninguém, nem uma leve paixão sequer, tornando a personagem um pouco vazia.

Clotilde entrou numa busca desenfreada por sempre tentar manter Jacques (Alexandre Borges) no topo do seu ramo como estilista, fazendo todas as armações possíveis para isso. Por conta disso, nota-se que ela não quer apenas ter dinheiro, mas ser reconhecida como o braço direito do marido, de quem gosta. Nesse caso tanto o texto quanto a interpretação da atriz comprometeram. O primeiro esteve sempre cheio de armações forçadas pela personagem, de modo que muitas vezes ela se beneficiou de informações que chegavam até ela, ao invés de partir dela mesma a iniciativa. A segunda fica comprometida por conta da pouca experiência da atriz, fazendo com que soem forçadas algumas entonações. Também fica difícil competir com a sua oponente Jaqueline (Cláudia Raia), uma das personagens mais carismáticas da novela.

Luísa, a mais complexa dramatúrgica e psicologicamente das três, teve sempre como foco conquistar Edgar (Caio Castro), sua paixão doentia. Mais do que simples armações, vez ou outra lançou mão de artifícios considerados típicos de alguém muito perturbado. Aqui também a personagem muitas vezes se beneficiou de informações que chegavam até ela, mas, nesse caso, como o foco sempre foi a perturbação psicológica da personagem, o todo não ficou comprometido. Sua antagonista Marcela (Ísis Valverde) é mais carismática, tem uma boa história desde o começo e a peita sem ficar acuada, fatores que fazem com que ganhe pontos com o público.

Diante disso tudo, a novela termina sem uma grande vilã memorável. Ficará marcada por outros personagens, mais carismáticos e melhor defendidos.


9 comentários:

O Vitor viu... disse...

Ótima análise. Concordo com tudo.

edu disse...

eu achei a Luísa memorável...nem como vilã, mas mais como personagem...eu achava ela uma promessa de mulher moderna e feminista e muito me espantei qdo a Maria Adelaide a transformou numa mulher louca e descontrolada. Confesso que fiquei decepcionado! Sobre a Stephanie, a interpretação do anjo Charlotte pra mim foi surpreendente.

Eddy disse...

Ótimo texto, Daniel. Parabéns.

Concordo com você.

RÔ_drigo disse...

Texto super pertinente!
E por incrivel q pareça a q eu+gostei foi a Stefany!!

Fábio Leonardo disse...

Concordo. Acho que os vilões não foram mal-construídos, mas essa é uma novela em que os mocinhos são a grande mola propulsora, e conquistaram de cara o público - o que não é tão comum nos dias de hoje.

Vinícius disse...

Discordo. Acho as vilãs de Tititi, não diria memoráveis, mas boas vilãs exatamente por fazer o público odiá-las, como a muito não se via. Ultimamente as vilãs são as queridas das novelas, dessa vez, Maria Adelaide Amaral devolveu esse posto para as mocinhas da história, como deve ser, apesar de eu adorar uma vilã.

Israel Carneiro disse...

O que Maria Adelaide fez com a personagem Luisa foi mega válido.Teria que ser assim e só assim geraria conflitos entre o casalzinho Edgar e Marcela.Pra mim a "grande" vilã de Ti ti ti foi a Luisa.Aliás,as pessoas amam vilãs psicopatas.Hahaha.Enfim,as vilãs só foram construidas pra gerarem pequenos e médios conflitos.Nada de muito complexo.

Duh disse...

Adorei o texto!

Mas discordo que as vilãs de Ti Ti Ti não tenham sido memoráveis. Pra mim, foram marcantes justamente por terem sido odiadas, bem diferente do que acontece nos dias de hoje, onde os vilões são os grandes destaques das novelas e os telespectadores torcem mais por eles do que pelos mocinhos.

Amanda Aouad disse...

Gostei da análise. Só acho que o fato de odiarmos o vilão antigo, não significa que não seja memorável. Leôncio de Escrava Isaura ou Yolanda de Dancin´Days são memoráveis para mim.

bjs