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terça-feira, 4 de outubro de 2011

 











Daniel Freitas, nosso convidado que já é de casa, apresenta desta vez um belíssimo texto sobre os programas musicais que já estiveram mais em evidência na nossa televisão. Nossos agradecimentos ao Daniel!


Os Musicais da TV Brasileira
por Daniel Freitas




Televisão e música sempre combinaram. Até hoje, cantores e bandas de sucesso garantem boa parte da audiência dos programas. Cientes de que os musicais eram um bom e lucrativo negócio a ser explorado, as emissoras não pouparam tempo e energia ao investir em atrações voltadas à música em seus mais variados gêneros. A grande aposta foi nos anos 80, quando TV e música se mesclaram em nome do entretenimento. Foi a época das atrações inteiramente musicais, que embora não tenham resistido ao tempo, deixaram sua marca na memória do público. Entre os programas mais lembrados e cheios de estilo dos anos 80, estão o Cassino do Chacrinha e o Globo de Ouro



Bater ponto da atração do Velho Guerreiro era o sonho de qualquer artista naquela época. Por lá passaram nomes como Cazuza e Ultraje a Rigor, que se misturavam a calouros avaliados por jurados como Elke Maravilha. O programa, exibido nas tardes de sábado, sob o comando de Abelardo Barbosa e suas chacretes, foi ao ar entre março de 1982 e julho de 1988. Já doente, com câncer de pulmão, Chacrinha chegou a ser substituído por Agildo Ribeiro e João Kleber. Faleceu em 30 de junho de 1988, deixando saudades. Seus bordões são repetidos até hoje (“Ó Terezinha... Ó Terezinha... É um barato o Cassino do Chacrinha”, “Vai pro trono ou não vai?”, “Roda, roda, roda e avisa, um minuto de comercial”, só para citar algumas), além de suas inesquecíveis marchinhas de Carnaval, como Maria Sapatão (1980) e Bota a Camisinha (1987). 


O Globo de Ouro, por sua vez, imortalizou-se para a toda a geração dos anos 80. Exibido geralmente às sextas-feiras (semanalmente ou mensalmente, em algumas épocas), era apresentado por uma dupla de atores, como César Filho e Isabela Garcia, Tony Ramos e Cristiane Torloni. O programa trazia ao palco os dez primeiros lugares nas paradas das principais rádios do país. Entre eles, estavam José Augusto, Sandra de Sá, Lulu Santos, Kid Abelha e Rosana, que soltava a voz em O Amor e o Poder (“Como um deeeusaaaaa...”). O Globo de Ouro durou até dezembro de 1990. Sempre no fim do ano, rolava a edição Globo de Ouro Especial, que reunia as melhores músicas do ano.   


                  Com a morte de Chacrinha, grande parte dos artistas que se apresentavam em seu programa migrou para o Milk Shake, que estreou em 1988, sob a condução de Angélica, na Rede Manchete. Também nas tardes de sábado, a atração reunia bailarinos com visual inspirado em temas como o cinema mudo e a onda punk. O Milk Shake saiu do ar em 1993, deixando como herança a apresentadora Babi, que era assistente de Angélica.  



Bem antes disso, o SBT também já incluía os musicais em sua programação. As bandas de sucesso eram um dos carros-chefe do divertido Viva a Noite, apresentado por Gugu Liberato nas noites de sábado. Ao estrear em 1982, o programa aproveitou a febre em torno do grupo Menudo e trouxe os rapazes porto-riquenhos ao palco dezenas de vezes. Também são dessa época cantores como Silvinho Blau Blau e os conjuntos infanto-juvenis Polegar e Dominó. Depois de uma trajetória bem sucedida, o Viva a Noite deu lugar ao Sabadão Sertanejo, que depois virou simplesmente Sabadão, abrindo espaço para grupos musicais que não deixaram saudade – Companhia do Pagode e É o Tchan entre eles.     


Ainda nos anos 80, Silvio Santos, o mestre da comunicação no Brasil, tornou a música o assunto principal de uma de suas atrações de auditório. O Qual é a Música? atravessou gerações e chegou a ganhar uma nova roupagem nos anos 2000. Era um programa com músicos, falando sobre música e jogando com a música, em quadros como o Relógio Musical, o Jogo dos Versos, a Vitrola Musical, o Leilão das Notas Musicais e o Segredo Musical. De curioso, o programa tinha o impagável dublador Pablo e a disputa entre Ronnie Von e Gretchen, da qual ele levou a melhor, com 25 vitórias, contra 23 dela. 



Nos anos 90 e 2000, as produções do gênero minguaram e os números musicais se tornaram apenas uma atração à parte dos programas de variedades, como Hebe, Raul Gil e Caldeirão do Huck. A apresentadora Xuxa Meneghel passou boa parte dos anos 90 levando artistas que estavam no topo das paradas à televisão, em seus programas Xuxa Hits, Paradão da Xuxa e Planeta Xuxa. Em outras emissoras, as iniciativas foram isoladas. Dos anos 90, pouca gente se lembra do Quem Sabe... Sábado, apresentado por Renato Barbosa na Record, ou do Sula Miranda Show e do Mexe Brasil, ambos da Manchete – este último conduzido por Marcelo Augusto. 


Enquanto isso, a Globo colocava no ar um programa inteiramente dedicado à música: o Som Brasil, exibido uma vez no mês, às terças-feiras. Geralmente, a atração era temática, homenageando gêneros musicais em ascensão, como o axé, o sertanejo, o reggae e o pagode. Artistas como Jorge Benjor e Daniela Mercury ganharam edições especiais. Tempos depois, o Som Brasil foi empurrado para as madrugadas de sexta-feira, trazendo feras da cena musical para homenagear nomes de peso, como Ary Barroso e Cartola.


Ainda na Globo, são poucos os que devem lembrar do TV Zona, comandado pelo VJ Thunderbird, até então da MTV. Pudera! O programa não sobreviveu a quatro sábados. Seu diferencial, contudo, era levar os artistas a cantar ao vivo, com banda e tudo, diante da plateia. As cantoras Patrícia Marx e Fafá de Belém passaram por lá. A partir daí, a Globo se dedica a programas musicais apenas uma vez por ano. É o que se vê com o Estação Globo, comandado por Ivete Sangalo aos domingos, durante o verão. Ivete, inclusive, figura hoje como uma daquelas atrações que elevam o ibope de qualquer programa em que aparece, ao lado de outros rostos midiáticos como Luan Santana. Hoje, a maior vitrine televisiva para o trabalho desses artistas parece ser o Domingão do Faustão, embora o apresentador, por falar demais, nem de longe seja o melhor dos anfitriões.   





Silvio Santos tentou resgatar o formato dos musicais entre 2006 e 2007, com o programa Rei Majestade, que reunia cantores das décadas de 50 a 80, relembrando seus sucessos para o público saudosista. A cada atração, cinco artistas se revezavam no palco e a plateia e os telespectadores elegiam os melhores, que gravariam um CD e levariam para casa um prêmio em dinheiro. Por lá passaram Maria Alcina, Demônios da Garoa, Perla e Rosana. Os vencedores foram Fred Rovella, Sílvio Brito e José Luiz, que lançaram um disco (quatro músicas para cada um), com a participação de Ângela Maria. 



O próprio Silvio Santos, também nos anos 2000, se valeu de programas de televisão para lançar grupos musicais. Foi o que se viu com Popstar, que revelou o Rouge, formado pelas meninas que tomaram conta das rádios brasileiras durante um bom tempo. Logo depois, veio o Br’oz, a versão masculina do Rouge, mas que não repetiu o sucesso das garotas. Em ambos os casos, os tempos definitivamente eram outros, com moças e rapazes maquiados, prontos e embalados para consumo rápido. Falta aquela naturalidade de antigamente, com a tevê abrindo espaço para artistas que surgiam, iam e vinham espontaneamente, sem tanto apelo da mídia. O bom mesmo é ficar na nostalgia.    



3 comentários:

Isaac Abda disse...

excelente tema escolhido pelo Daniel... sou suspeito pra falar pois lembro com saudade dos anos 80/ boa parte dos 90...

só mesmo quem viveu pra saber quão prazerosa era essa época, época mágica!

a "burrice imperativa" da TV atual diz que os musicais fazem cair a audiência... difícil entender e mais ainda de aceitar, mas como bem disse o autor da postagem "bom mesmo é ficar na nostalgia!"

um abraço!

Jovânio Mendes disse...

Legal rever esses musicais. Fazem muita falta na TV, principalmente o Chacrinha!

Fábio Costa disse...

Saindo da linha das TVs comerciais (ou talvez nem tanto assim rs), a TV Cultura exibe um musical muito bom chamado Ensaio, criação de Fernando Faro com o nome de MPB Especial há vários anos. Intimista, mais profundo que os programas de auditório, com grandes plateias enlouquecidas, como apesar de diferente também é o atual formato do Som Brasil, homenageando grandes compositores.

Muito boa lembrança, o musical é um gênero que precisa ser revivido e produzido com respeito e cuidado. O problema é que a música em geral é utilizada como atração de shows maiores, que englobam outras coisas, em detrimento da qualidade do espetáculo e da própria música, privilegia-se o comercial e descartável.