Somos amantes da teledramaturgia. Respeitamos a arte e a criação acima de tudo. Nosso profundo respeito a todos os profissionais que criam e fazem da televisão essa ferramenta grandiosa, poderosa, que desperta os mais variados sentimentos. Nossa crítica é nossa colaboração, nossa arma, nosso grito de liberdade.



ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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quarta-feira, 3 de outubro de 2012



 

Uma novela cheia de charme!

Parte III





ENTREVISTA EXCLUSIVA
FILIPE MIGUEZ



Depois de marcar presença em nosso blog, juntamente com Izabel de Oliveira, durante os meses que antecederam a estreia de Cheias de Charme, Filipe Miguez volta ao Agora é Que São Eles para fazer um balanço da novela que se tornou um dos grandes sucessos do horário das 7 dos últimos anos. O autor fala sobre a enorme repercussão da novela nas redes sociais, o olhar voltado para a classe C das atuais produções televisivas, e a emoção de ver retratado nas telas seu primeiro trabalho autoral.




Guilherme Staush pergunta
1- Em entrevista concedida ao nosso blog, bem antes da estreia da novela, que na época ainda tinha o título provisório "Marias do Lar", você fez a seguinte declaração: Acho que qualidade e popularidade não são características autoexcludentes. Dá para ter qualidade, e até sofisticação, e ser popular. 
Talvez esse tenha sido um dos grandes méritos de sua novela: qualidade aliada à popularidade. Houve preocupação da dupla com esse aspecto, ou as coisas transcorreram de forma natural? Qual o segredo para uma novela se tornar popular sem descontentar o telespectador mais intelectualizado?



Houve uma enorme preocupação da nossa parte com esse aspecto. Ao contrário do que muita gente pensa, acho o espectador de telenovela extremamente inteligente e sagaz. Assim como todo brasileiro é técnico de futebol e carnavalesco, cada um de nós é um pouco novelista também. O espectador já decodifica os cânones e as vezes é capaz até de enxergar o que nós autores ainda não vemos. No caso de Cheias de Charme, demos uma grande atenção à apresentação dos personagens e das tramas, de modo a tornar o espectador íntimo dos personagens antes de entrar com temáticas menos populares (como a internet, que por mais disseminada que esteja, ainda não atinge uma grande parte dos lares brasileiros). Uma alegria enorme foi ver no Grupo de Discussão que as espectadoras entendiam tudo da novela e sabiam explicar a trama completamente, muitas vezes usando os mesmos termos que nós usávamos quando tivemos que explicar a trama para a TV Globo. Essa comunicação bem feita é fundamental para que uma história se conte, e abre caminho para narrativas mais sofisticadas, que o público, no meu modo de ver, é perfeitamente capaz de seguir.


Empregadas cheias de charme: Isabelle Drummond, Leandra Leal e Taís Araújo.



Eduardo Secco pergunta
2.   O clipe Vida de Empreguete alterou drasticamente os rumos da novela. Contribuiu também para romper definitivamente a barreira entre a TV e a internet, ao deixar para a rede a exibição de uma cena tão fundamental para o desenvolvimento da trama. Nos capítulos que se seguiram ao clipe, os personagens comentavam a repercussão do mesmo, citando números que estavam muito aquém dos reais índices registrados na rede, que continuou tendo importância fundamental na narrativa, através de passagens como a do movimento “Empreguetes Livres”. Vocês esperavam todo esse sucesso transmídia? A quem coube a decisão de deixar a exibição do clipe para a internet e como esta norteou o trabalho de vocês ao longo da novela? Acredita que Cheias de Charme indica um caminho para a teledramaturgia atual, no sentido deinteragir com outras mídias?


A internet está no cerne da história de Cheias de Charme. Se reduzirmos a trama a três linhas, lá estará ela: infelizes em seus empregos, três empregadas domésticas postam na internet um clipe sobre as agruras da rotina do trabalho doméstico e se tornam um trio de sucesso. Era, portanto, um prato cheio para essa brincadeira transmídia. A ideia de postar o vídeo na ficção e na vida real ao mesmo tempo, e adiar a exibição propiciando aos internautas verem o vídeo antes dos telespectadores, foi pensada por nós, autores, e discutida com os diretores e a TV Globo, que compraram a proposta de cara. Nosso intuito era atrair atenção para a ação transmídia, levar o espectador comum à rede e ao mesmo tempo despertar interesse e curiosidade por essa segunda plataforma. Como a novela é escrita com antecedência, não tínhamos como saber que números atingiríamos, então nossa pesquisa forneceu números do que seria considerado um clipe de sucesso na rede. Foram os números que usamos em cena. É claro que esses acessos tenderiam a ser aquém da vida real, já que na trama elas são três cantoras desconhecidas, e não personagens da novela das sete. O fato de estar na novela catapultou o número de acessos, coisa que na ficção não tínhamos – na história elas bombam exclusivamente por mérito do clipe. Mas é claro que os acessos que tivemos superaram as nossas expectativas. Nem todas as novelas vão ter oportunidades transmídia como essa teve, já que a internet estava na trama. Mas gosto de pensar que abrimos caminho, mostrando algumas possibilidades dessa interação.

Clip das Empreguetes: sucesso na TV e na internet.


Eduardo Secco pergunta
Marcos Palmeira como Sandro.
3.  Na primeira entrevista que você concedeu ao nosso blog, você completou a frase “O Brasil precisa urgentemente de...” com “olhar para o que está acontecendo na (s) periferia (s) – não só o Brasil, mas o mundo”. Cheias de Charme se atentou para as periferias, a cultura das ruas e a ascendente classe C, traçando um movimento interessante do painel sociológico do Brasil atual. Sinopses que se desenvolvem em cima da trajetória desta classe têm sido recorrentes na dramaturgia atual, vide a sua novela e Avenida Brasil. De que maneira esta abordagem influenciou o sucesso de Cheias de Charme? Você acredita que os conflitos de classes mais abastadas, vistos em algumas novelas, serão definitivamente abandonados?


Acho que uma boa história vai sempre fazer sucesso, independente da classe social que retrate. O foco na classe C, pelo menos no nosso caso, veio do fato de que a ascensão dessa classe e seu acesso à tecnologia (e informação) é o fenômeno mais interessante e rico que ocorre atualmente na sociedade brasileira, no nosso ponto de vista. Essa nova classe C hoje quer se ver retratada na tela, mas acho que as classes mais abastadas também sempre terão seu interesse – desde que haja uma boa história.


Eduardo Secco pergunta
4. Você passou de colaborador a titular em uma novela de grande sucesso. Sente-se desafiado a manter esta aceitação em seus próximos trabalhos? Cheias de Charme é o estilo de trama que irá permear a carreira de Filipe Miguez? Quais são seus projetos após o final da novela?

Foi uma excelente estreia, que superou as expectativas. Eu brinco que, uma vez acabada Cheias de Charme, agora passamos a competir conosco mesmos. Claro que um trabalho tão bem sucedido suscita expectativas em relação às próximas realizações. Não sei ainda qual vai ser meu próximo trabalho com a Izabel, nem sobre o que será, mas já dá pra dizer que certamente será uma trama muito bem cuidada, respeitosa com o público, com humor e com humanidade, leveza e profundidade, imaginação e bom acabamento, que são as nossas marcas.


Guilherme Staush pergunta
5- Descreva um pouco a sensação que um autor tem ao ver um texto seu, em sua primeira novela autoral, transposto nas telas. Quais as maiores surpresas que você teve no decorrer da novela, nesse aspecto, seja por interpretações que foram além do que você esperava ou na produção de uma determinada cena? Lembra de alguma cena em específico que tenha te emocionado por esse lado?

Chayenne (Cláudia Abreu) e Fabian
(Ricardo Tozzi).
É uma emoção incrível ver o que imaginamos realizado na tela. Me surpreendi muito com trabalhos de atores que eu já adorava, mas que se reinventaram nessa novela, como a Claudia Abreu, o Marcos Palmeira, a Taís Araújo, só pra citar alguns. Foi muito emocionante ver como todos embarcaram na proposta e claramente se divertiam contando a nossa história, pareciam estar brincando em cena. Impossível citar uma cena específica, mas posso dizer que foi profundamente emocionante o dia em que a Denise Saraceni e o Carlinhos Araújo nos chamaram na sala de edição da Globo para mostrar as primeiras imagens gravadas e vimos a qualidade absurda do que estava sendo produzido, o bom gosto da direção (sem perder a popularidade), o capricho narrativo. Nessa ocasião, vimos as primeiras cenas do Piauí (foram as primeiras gravadas) com Socorro (não conhecíamos a Titina Medeiros, foi paixão a primeira vista), Naldo (Fábio Lago) e Epifânia (Ilva Niño), todos sublimes. Vimos também o interior do jatinho de Chayene, e como essa “entidade” que criamos havia baixado desde o primeiro frame na Cacau, o mesmo valendo pro Fabian do Tozzi, que vimos com Chayene no show do Michel Teló do cap. 40 (foi o primeiro a ser gravado), pra química do casal Inácio e Rosário (Leandra Leal), pro sensacional núcleo dos Sarmentos (Isabelle Drummond a frente). Ver o nosso universo ficcional ganhar vida foi muito emocionante, e continou sendo em todo o decorrer da trama.


Cenas gravadas no Piauí: Socorro (Titina Medeiros),
uma das grandes revelações da novela.


***

5 comentários:

www.blogdolalo.com.br disse...

Que entrevista bacana! Parabéns ao blog!

Mauro Barcellos disse...

Ótima novela! Leve, divertida e trouxe bastante inovação. A TV precisa mesmo de sangue novo. Que venham outros.

Blog Agora É Que São Eles disse...

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Mensagem enviada pelo autor Alcides Nogueira


o filipe é o máximo!!!!!
parabéns a vcs por essa entrevista inteligente, sensível e antenada.
sem dúvida alguma, ele e a izabel ainda têm muitas histórias a contar, para alegria dos telespectadores.

abs,
alcides nogueira

André San disse...

Excelente entrevista! Excelente novela! Deixou saudades! Abraço!
André San - www.tele-visao.zip.net

Rafael Barbosa dos Santos disse...

excelente entrevista saudades master da novela!
http://brincdeescrever.blogspot.com.br/