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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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sábado, 14 de abril de 2012



 
E L I Z A B E T H

S A V A L A




P A R T E   5  -  FINAL



Na quinta e última parte do especial com a atriz Elizabeth Savala, ela nos conta sobre seu projeto Teatro de Graça na Praça, e recorda uma de suas novelas preferidas, A Muralha, da TV Excelsior.  

Fica mais uma vez nosso agradecimento à atriz por todas essas recordações compartilhadas com o público do nosso blog. É um imenso prazer poder ler sobre tantas lembranças televisivas que fazem parte da carreira de Elizabeth Savala, e saber que a atriz depositou tanta credibilidade em nosso blog ao dividi-las conosco.



 por Guilherme Staush



Sobre lembranças televisivas ...

A gente já viu tanta novela que fica meio dèjá vu, né? É muito difícil inovar agora, depois de 48 anos fazendo novelas. A Globo tem 48, né? Novelas que eu tenho certeza que vocês não viram, por exemplo, tem uma que foi uma grande novela... Eu vi O Direito de Nascer, menina ainda, Nathália Timberg mocinha, Albertinho Limonta e Mamãe Dolores. Depois eu vi uma novela que, pra mim, foi um marco da televisão: A Muralha. A primeira versão da Muralha foi dirigida por Sérgio Britto e Gonzaga Blota, na Excelsior.  Olha o elenco! As três mulheres da novela eram Fernanda Montenegro, Nathália Timberg e Nicette Bruno, eram as três mulheres da casa. Depois tinha Rosamaria Murtinho fazendo a que fica com a jaguatirica o tempo todo. E o Stênio fazia Aimbé. Eu lembro até hoje da música do personagem! Mauro Mendonça fez o personagem que depois ele fez de novo na minissérie (Dom Braz) e Paulo Goulart fez o chefe dos emboabas. E muito mais, eu não me esqueci dessa novela. Tinha uma cena que é ele vindo de Santos, e o personagem da Arlete Montenegro, que é uma atriz maravilhosa de São Paulo, fazia a mocinha, linda, linda, linda. E aí, os índios vão buscá-la e ela era prometida pra casar com o personagem, que eu não lembro o nome... E aí quando eles estão já chegando, na metade da serra de Santos, caem todos os baús dela, todos. A vida dela está naqueles baús, porque ela veio de Portugal prometida pra casar com ele, então tudo o que era dela tava ali. Você vê aquelas toalhas de renda bordada, todas as roupas dela, tudo caindo ali. E a cara que ela fazia, era linda! Depois, ela trabalhou comigo, numa peça que a gente fez. A gente chamou a Arlete.

Telenovela "A Muralha", exibida pela Excelsior, 1968.



Teatro de Graça na Praça

Eu tenho um projeto que é muito importante que chama-se Teatro de Graça na Praça. É um projeto onde a gente leva teatro pra praça pública e consegue colocar sete, oito mil pessoas, na praça, fazendo um monólogo. O nome da peça é A.m.a.d.a.s (Associação das Mulheres que Acordaram Despencadas). É um texto da Regiana Antonini. É um monólogo e é dentro desse nosso projeto, meu e do Camilo, que é meu sócio e meu marido. A ideia do projeto é exatamente essa: levar teatro para pessoas que não tem a menor possibilidade de ver teatro. Essas cidades que, às vezes, não tem teatro, e muitas que, mesmo tendo teatro, ele é feito para um público que não tem possibilidade de assistir. Então a gente sempre faz, ou numa comunidade mais carente, ou, enfim...
Elizabeth no espetáculo "Amadas".
Quando eu estava na Escola de Arte Dramática, lá na USP, eu me lembro que a Lourdes de Moraes me contou uma história... A Lourdes é uma puta atriz, a única atriz brasileira que ganhou prêmio Molière, com tragédia grega. E ela foi minha professora de teatro durante três anos no colegial, que agora é segundo grau, sei lá o que é agora, cada hora muda de nome, eu nunca sei qual a nomenclatura exata, mas enfim... E aí, a Lourdes que fez a Escola, contou uma história que é o seguinte: eles pegavam um espetáculo que haviam montado nas férias, e alugavam um caminhão de peixe e saíam pelo interior de São Paulo apresentando isso em praça pública. Claro que sem microfone, sem estrutura e tal. E eu fiquei fascinada porque... Eu virei atriz porque eu achava que o teatro, o palanque... O palco é um palanque! O teatro é transformador, ele é... Ele pode mudar, pelo menos um conceito, qualquer conceito que você tenha.
No espetáculo "Friziléia".
E eu queria fazer isso, muito, era um sonho. E aí quando a gente começou a fazer aqui no Rio, a gente fazia a assessoria pra eventos especiais, juntos, quando o César Maia era prefeito... Aí, um dia, a gente teve a possibilidade de fazer isso e a gente fez algumas favelas aqui do Rio. E foi um puta sucesso, com Friziléia. A gente inaugurou as lonas para teatro, porque as lonas foram criadas, inicialmente, só pra música. Então, falaram que o teatro não ia dar certo e eu disse “ué, gente, quando a gente tem o microfone, tudo dá certo, em qualquer lugar. Tem que fazer com microfone, que vai dar certo!”. E aí a primeira vez que a gente fez aqui, em quinze minutos, a gente distribuiu oitenta senhas. Foi uma loucura, uma coisa assim... Uma coisa que ia durar uma semana e a gente fez por muito tempo assim... em várias lonas e depois em várias comunidades aqui do Rio. E aí vimos que é uma coisa que realmente dá certo. E então, a gente foi aprimorando isso. Hoje a gente tem um palco que imita um teatro, nós temos as mesmas proporções de um teatro. E aí você chega na cidade e a prefeitura dá a platéia. A única coisa que ela tem que fazer é colocar o público ali. Aí depende da divulgação da própria prefeitura, da cidade, enfim... Então agora eu me especializei em fazer pra praça e é fantástico! Você não tem ideia de como o público gosta de teatro. Todo mundo no Brasil comenta tanto novela quanto futebol, tanto quanto, né? As pessoas só não sabem que o teatro é a mesma coisa. Em vez de ser um evento de tantos capítulos, é de uma hora e meia, onde você conta uma história. 

As pessoas acham que pra ir ao teatro, você tem que ter uma roupa especial. O ingresso hoje está custando setenta reais. Todo mundo no Rio, todo mundo no Brasil, paga meia entrada, todo mundo tem carteirinha de estudante, então isso vai dar trinta reais, trinta e cinco. Não é caro pra você assistir um espetáculo de teatro, né? Mas seja como for, pra mim mesmo, o que acontece é que você vai apresentar na praça e você tem todo o tipo de público ali, desde a pessoa mais refinada da cidade até a pessoa mais carente da cidade, porque é para o povo. É o Teatro de Graça na Praça. Então ninguém é proibido de entrar ali, todos que estiverem ali vão ver. Já aconteceu de eu estar começando o espetáculo, falando o texto, e vir o carro da pamonha “olha a pamonha, a pipoca...”  nos primeiros cinco minutos de espetáculo; tem dias que eu penso “meu Deus do céu, como é que eu vou conseguir?”. Aí eu penso comigo: “calma, vamos com calma, que a gente tem eles na mão” e aí, olha, quinze, vinte minutos depois, se aparecer um bêbado, se aparecer alguém gritando, quase que o público tira essa pessoa de lá, pra não interromper. O silêncio que a gente consegue na praça, com essa quantidade imensa de pessoas que eu tô te falando, é uma coisa assim, como se fosse no Teatro Municipal. É impressionante! Teve uma cidade, por exemplo, eu não me lembro, acho que foi... Porto Feliz, os bandeirantes saíam dessa cidade e tal... E um carro disparou o alarme. Aí o público todo “psssshhhh” (pedindo silêncio), e eu “calma, gente, ele tá chegando, ele vai desligar, vamos ficar calmos”. O público ficou puto, porque o cara estava demorando um tempão. E quando termina parece show de rock, porque eles aplaudem, e durante o espetáculo, eles aplaudem, eles riem, eles se emocionam, do mesmo jeito que em um teatro mais sofisticado. Então, quer dizer, eles entendem, eles gostam. Então a gente dá! É um puta projeto, eu amo esse projeto, já falei. Eu não sei como vai ser o dia que eu tiver que ir pro teatro normal. Acho que eu não consigo! Dá a sensação de você estar fazendo um espetáculo aqui na sala de casa, porque muda tudo, né?

A atriz apresentará esse espetáculo no domingo, 22 de abril, às 18h30, na Praça Luiz Gonzaga, no Pirajussara, em Taboão da Serra. A entrada é gratuita.



Projetos na TV   

Não. Eu tenho contrato até 2014 e não tenho nenhuma previsão, não sei o que vai rolar. Essas coisas a gente fica sabendo, mais ou menos, em cima da hora. Então, não sei de nada.


Agradecimentos finais

Eu quero agradecer e como eu falei no começo da entrevista, eu acho realmente o blog muito bom. O nível das entrevistas é muito legal. Porque essa história de blog agora é um inferno na nossa vida. Todo mundo quer ter um blog, né? Então fica uma coisa assim, você vai dar uma coletiva de imprensa, você passa mais tempo dando entrevistas pra blogs que você nem sabe do que se trata, na verdade, são umas “fofocaiadas”, umas coisas assim. O blog de vocês é sério, sabe? o nível das perguntas, o tom... Toda vez que eu recebo aqui, no meu e-mail, o anúncio de uma entrevista, eu vou lá e rapidamente leio. É muito legal mesmo, o nível é ótimo.
Vocês estão de parabéns! Então, até uma próxima, né? Foi um prazer enorme te conhecer, Fernando (Russowsky). Foi um papo legal viu?


*** 


sábado, 7 de abril de 2012


E L I Z A B E T H

S A V A L A




PARTE  4


Nesta quarta parte do bate-papo com Elizabeth Savala, a atriz fala sobre a importância de Walter Avancini na sua história profissional e de vida, bem como sobre a parceria com o autor Walcyr Carrasco, que já dura doze anos e, digamos, seis novelas e meia, já que a atriz revela que foi escalada para uma produção da qual acabou, contra a sua vontade, não participando. Além disso, Savala expõe sua opinião sobre o mercado de trabalho para os atores no Brasil e comenta a expressão "Já não fazem mais novelas como as de antigamente", muito utilizada em comentários nas redes sociais e mesas de bar.






Por Fernando Russowsky


Sobre Walter Avancini  e  O Cravo e a Rosa

Walter Avancini
Enquanto o Daniel Filho trazia a agilidade, o naturalismo para a televisão, o Avancini trazia a brasilidade. Ele trouxe textos, trouxe Guimarães Rosa, ele trouxe o nordeste, a musicalidade, as apostas em linguagens diferentes. Gabriela, por exemplo, ele fez os primeiros vinte capítulos da novela, tudo com a câmera parada. É cinema puro. Você se posicionava para a câmera, ela não ia te buscar. Quando o personagem do Wilker entra, que é “o novo” e é moderno, aí é que as câmeras começam a se movimentar. Então, as minhas cenas com a Nívea Maria, por exemplo, eram verdadeiras cenas de balé. Quando a gente sentava na cama, por exemplo, entrava em quadro do peito pra cima. Se alguém visse embaixo, era engraçadíssimo, a gente na cama, uma praticamente em cima da outra, com as coxas uma na outra e a gente se puxava pelo braço pra ficar completamente ereta, de perfil pra câmera e conversando. Era um balé! Pra mim, foi a primeira novela, pra quem nunca tinha visto câmera na vida, foi uma loucura! N’A Padroeira, ele falava sobre o quanto temos que procurar o DNA da personagem. Ninguém falaria de DNA naquele momento; estavam começando as pesquisas e etc. e tal. Então, o Avancini era um pesquisador muito sério, um grande seguidor do método do Stanislavsky, acima de qualquer coisa. Ele trouxe cultura mesmo, num veículo que não se falava muito sobre isso. Trouxe Jorge Andrade, o próprio Jorge Amado... Enfim... era um apostador. Ele era um gênio! Um gênio! Era um grande, mas um grande diretor de ator! E eu era alucinada por ele. O Avancini teve uma coisa fantástica, porque era muito difícil trabalhar com ele... O Avancini era ame-o ou deixe-o. Ele era de uma sinceridade... Não houve um trabalho que o Avancini fez, em tudo, tudo dele, aqui no Brasil, em Portugal... toda novela que ele ia fazer, ele me ligava: “Savala, agora tem um personagem assim, assado” e eu, como nunca saí da Globo, estou lá há 38 anos, não pude acompanhá-lo nos outros trabalhos. Mas eu queria voltar a trabalhar com ele. Então, quando a Manchete faliu, o Boni o chamou e ele veio para fazer alguns Casos Especiais, Brava Gente...
Ele me chamou, então, para fazer O Cravo E A Rosa. E nada da personagem entrar. E nada, e nada! Eu sabia que ele estava doente, e estava preocupadíssima que ele morresse e eu não voltasse a trabalhar com ele, não me reencontrasse profissionalmente com ele. E aí foi que eu comecei a ficar amiga do Walcyr, porque eu telefonava pra ele e falava: “Walcyr, não vou entrar!”, e ele respondia: “Dá um tempinho, Savala! Eu vou falar com o Avancini”. E passava um mês, e passava dois, e nada. Chegou um momento em que o Avancini me ligou e falou assim: “Você não vai entrar na novela”. Falei: “Nossa, tá louco, como eu não vou entrar na novela?”. Ele falou: “Não vai, Savala, porque não tem personagem pra você. A novela tomou um ritmo, se encaminhou de tal forma, não tenho como separar o casal”. Eu acho que eu entraria para separar o casal interpretado pelo Ney Latorraca e pela Maria Padilha. (...) (Eu disse:): “Mas eu quero fazer qualquer personagem, você não tá entendendo, eu faço qualquer coisa!”, e ele: “Mentira, você vai chegar aqui, vai ficar triste! Não tenho personagem pra você, não tenho personagem do teu tamanho”. E eu falava: “Para com isso, Avancini, atriz não tem tamanho!”, e ele: “Tem sim, você não vai fazer o trabalho porque não tem papel pra você”. E eu chorei, fiquei péssima, fiquei muito mal. Aí veio, praticamente em seguida, A Padroeira, e ele me chamou: “Agora nós vamos trabalhar!”. E foi ótimo, porque eu fiquei um mês, talvez, fazendo um trabalho de mesa com ele, um trabalho de pesquisa pra personagem, pra história. Ele não dirigiu nenhuma cena minha no estúdio, só na mesa, e veio a falecer durante o trabalho. Foi uma coisa muito dura passar por isso. Em todos os momentos da minha vida, até na morte ele foi importante pra minha carreira, na minha vida, como pessoa e como atriz.


Parceria com Walcyr Carrasco e novelas dos anos 2000

Dessa década pra cá, eu tive a sorte de encontrar um autor como o Walcyr, que acreditou no meu trabalho. (...) (A morte de Walter Avancini) acabou fortalecendo essa ligação que a gente tem, o Walcyr e eu. Ele também deve muito da sua carreira inicial ao Avancini, trabalharam juntos na Manchete... Então, acho que o Avancini veio para nos unir.
(Personagens com perfis semelhantes em novelas do autor) Isso que é um grande desafio né? Você interpretar esses personagens e tentar fazer da forma mais diferente possível um do outro. Então, você tem a Jezebel de Chocolate com Pimenta, que era de época, que lhe permite um gestual... tem várias coisas que te ajudam. 

Walcyr Carrasco e Elizabeth Savala: parceria de 12 anos e 6 novelas.



Caras & Bocas (2009)
Personagem: Socorro
 
O penúltimo papel que eu fiz do Walcyr foi Caras E Bocas (Socorro). E era completamente diferente, era uma mulher... A Marília Carneiro (figurinista) falou: “Você é louca!”, porque eu resolvi deixar meu cabelo branco. Eu não usava maquiagem nenhuma e tentei me envelhecer o máximo possível. Porque quando o Walcyr falou da Socorro pra mim, eu dormi e sonhei com a minha avó. O sonho, às vezes, fica ali no inconsciente, e eu falei: “Vou fazer uma homenagem pra minha avó”. Ela foi uma grande mulher na minha vida, me marcou muito, uma espanhola pé-no-chão, como aquelas mulheres de Lorca... Eu peguei uma roupa parecida com a dela, um vestidinho preto com umas florzinhas assim pequenininhas, e levei pra Marília. A única diferença é que ela usava um birote e a Marília falou: “Mas birote já é demais!”. E botou um rabo de cavalo. Em cena, eu usava um guarda-chuva, o tempo todo. Tentei fazer o mínimo de gestual possível, pra quem faz teatro isso é uma tragédia, porque quando você vê, já está três tons acima, tanto na voz, quanto no gestual. (...) O Jorginho dizia: “Menos Savala, menos!”, e eu peguei então o guarda-chuva e a carteirinha, que eram, digamos assim, minhas bengalas, no sentido de prender a mão, de diminuir o tom, de fazer alguma coisa diferente. E eu amei fazer esse personagem! Além disso, a novela tinha um caso romântico, digo, o primeiro caso de sexo animal e homossexual da televisão brasileira, porque era um caso com o macaco, que na verdade era uma macaca, a Kate, né? (risos)


Elizabeth Savala (Socorro) em cena com a macaca Kate (Xico)
em Caras & Bocas (2009).


A Padroeira (2001)
Personagem: Imaculada

Adorei fazer, foi uma grande personagem que o Walcyr me deu. Era multifacetada, digamos assim. Pregava a austeridade, o jejum, mas comia escondida. Escondia a comida, dizia que não praticava sexo e teve a filha fora do casamento. Um dos grandes conflitos da novela é que ela não queria que a filha (Isabel, Mariana Ximenes) se casasse com o Diogo (Murilo Rosa), filho da Lu Grimaldi (Joaquina) e do Stenio Garcia (D. Antônio), porque ela achava que a filha era dele. E realmente era dele, de uma pulada de cerca dela. O filho dele é que era adotado. Então tudo bem deles ficarem juntos...

Como Imaculada, na novela A Padroeira (2001).

Sobre a ideia de que "já não fazem mais novelas como as de antigamente" ...

Olha, eu acho que quando se tem novelas como Chocolate com Pimenta ou Alma Gêmea, enormes sucessos, ou mesmo esta virada grande que o Walcyr deu na última que fizemos, Morde & Assopra, ou Caras & Bocas, todas elas foram grandes novelas, de muito sucesso. (...) Temos bons trabalhos sim. Agora, como nos lembramos de nós pequenos, mesmo que a nossa infância tenha sido apática, sempre achamos que o passado é melhor do que o agora. Então, sobre essa questão das novelas, acredito que também é assim. A gente sente saudade.


Mercado de Trabalho

Realmente, é uma carreira muito difícil. É quase uma loteria, poucos ganham o bilhete premiado. (...) Eu vi este trabalho da Meryl Streep, Dama de Ferro, que é fantástico e merecidamente ganhou um Oscar. Uma grande atriz que nasceu em um país onde ela tem a possibilidade de fazer imensos personagens. Você vê que a Meryl Streep todo ano está filmando, todo ano tem um filme dela diferente de outro. É uma profissão fantástica e ela é deslumbrante! Aqui no Brasil, você não tem essa continuidade... Muitos atores só têm a Globo, sistematicamente fazendo, e a Record. O SBT às vezes começa e depois para, o que é uma grande pena, porque tem coisas muito boas feitas lá, como o último trabalho do Tiago Santiago, que eu adorei.


(continua ...)


Leia a PARTE 5 deste Especial.



sábado, 31 de março de 2012



E L  I  Z  A  B  E  T  H
S  A  V  A  L  A










Na terceira parte da entrevista, Elizabeth Savala nos conta sobre os filhos Diogo e Thiago, este que teve sua estreia ao seu lado em Quem É Você?. Savala também nos fala sobre a influência de Roberto Talma em sua carreira, os conflitos com a Censura, e a parceria com Janete Clair e Tony Ramos.






PARTE 3 - Os filhos e os grandes amigos: Thiago Picchi, Diogo Picchi, Roberto Talma, Janete Clair e Tony Ramos.


por Duh Secco


ROBERTO TALMA
Juntos desde o início


Roberto Talma: parceiro desde Gabriela.
Quando o Tiago mexeu pela primeira vez na minha barriga, foi numa cena de beijo com o Ney Latorraca, no Grito. O Tiago deu um chute tão grande que o Ney sentiu e falou “ah, esse menino, ele me chutou! só pode estar com ciúme!”. Aí, o Talma parou a gravação e deu lanche, comemos bolo pra comemorar que o meu filho tinha mexido pela primeira vez na barriga. Depois, o Talma saiu da Globo, acho que foi pra Bandeirantes. E quando ele voltou, no Pai Herói, eu pedi pro Boni, pra por favor, colocá-lo pra dirigir as minhas cenas, que eu ficava muito mais à vontade com ele, que eu já conhecia, já tinha intimidade. Ele acabou ficando como diretor geral da novela e dirigiu todas as minhas cenas com o Tony. O Talma estreou também na Gabriela. Ele era assistente de direção e acho que fazia também a edição, se não me engano. E foi ele quem me mostrou as músicas que eram do personagem, do Quarteto em Cy e o Coração Ateu, da Bethânia. Ele me explicou o negócio de cruzar a câmera, me ensinou algumas coisas.


A CENSURA
Cenas para driblar a vigilância dos militares


Janete Clair: fada madrinha.
Com o Talma, em Pai Herói, eu e o Tony fomos pra Bariloche. Foi ótimo! Fizemos muitas cenas pra enganar, simulando quase sexo. Aí a censura ficava doida, cortava, e deixava ir pro ar as coisas que a gente queria, nos diálogos. Era bom enganar a censura, né? O Dias foi muito perseguido. Janete também. Houve um dia, no Astro, que eu e o Tony íamos ter que chegar às dez horas da manhã no estúdio. Aí ligaram e pediram para estarmos lá na Cinédia, seis horas da manhã, para fazer o casamento dos dois, porque o par romântico não podia morar junto já que não eram casados. Então tivemos que inventar um casamento, entramos os dois na igreja, trocamos aliança na frente de uma imagem qualquer, pra poder inserir essa cena no capítulo que ia ao ar à noite. Essa cena foi criada pela Janete por causa da censura. Porque era assim “se não fizer agora, o capítulo não vai pro ar hoje”.


JANETE CLAIR E TONY RAMOS
Parcerias de sucesso


Ao lado de Tony Ramos:
sintonia em cena.
A Janete foi uma pessoa extremamente importante pra mim, na minha vida profissional. Eu costumo dizer que eu tive um pai profissional, o Avancini, e depois uma mãe, a Janete. Ela me deu um presente fantástico, dois personagens, tanto a Lili quanto a Carina do Pai Herói. E a dupla com o Tony... A gente tinha uma afinidade, olhava no olho um do outro, conhecia a respiração um do outro. Então, não errávamos nunca na cena, porque um completava o trabalho do outro. E a gente se gostava muito, como irmãos, foi uma coisa muito legal. Até hoje eu tenho paixão pelo Tony. Fizemos um trabalho muito gostoso, em um momento muito bom das nossas vidas.


Ao lado de Marcelo Picchi e dos filhos:
Thiago, Diogo, Ciro e Tadeu.


O FILHO DIOGO
A escolha profissional e a carreira no exterior


Diogo: aprimoramento no exterior.
Eu fiquei grávida durante O Grito. Ninguém podia saber que eu estava grávida; eu fazia a mocinha, que naquela época era virgem. O Talma falou que foi a forma que eu arranjei pra ganhar a câmera, porque as minhas cenas eram todas em close. A novela acabou no dia 25 de abril; o Thiago nasceu no dia 05 de maio; e em quinze dias, eu já estava gravando Estúpido Cupido, cheia de leite no peito. No Astro foi a mesma coisa. Acabou a gravidez do Diogo, quinze dias depois eu já estava gravando a novela. Quando os dois, o Thiago e o Diogo, resolveram ser atores, olha... Não foi por falta de briga, viu? (risos) Eu queria que fosse médico, advogado, engenheiro, mas não teve jeito. Uma vez, o Walcyr Carrasco me disse “Savala, os dois viram você e o pai atuando a vida inteira, eles não conhecem outras pessoas, outras profissões, queria o quê?” Mas, sei lá, eles podiam ser mais normaizinhos. Porque é complicado dar continuidade a uma carreira aqui no Brasil, é muito difícil!

Os irmãos Thiago e Diogo: parceiros de cena em Amor e Revolução.

O Thiago e o Diogo foram chamados para fazer a Oficina de Atores. Foram lá, fizeram teste e passaram. Só que o Diogo tinha que ir pro Estados Unidos porque ele estava fazendo intercâmbio cultural. Aí ele foi, entrou em uma escola de arte em Los Angeles, e ficou lá por doze anos. Foi a única pessoa que conseguiu bolsa de estudos em 46 anos de escola. Chegou, contou que era filho de atores brasileiros e que aqui no Brasil os atores não ganham como lá fora e o grande sonho dele era fazer a escola, mas ele não tinha grana. Deram um teste pra ele, que foi muito bem e fez os donos da escola se apaixonarem por ele. Resultado: ele fez a escola toda, muita coisa lá fora, de cinema, e depois dos doze anos, ele voltou. Foi pra São Paulo, fez o teste no SBT e foi aprovado para o padre Bento, lá com o Tiago Santiago, o Miguel Paiva, e a Renatinha Dias Gomes, que eu vi nascer e é como se fosse uma sobrinha pra mim. Eu adoro essa menina, que é muito talentosa e vai dar muito o que falar!


O FILHO THIAGO
A parceria em Quem É Você


Tiago: talento que vem de família.
Bom, o Thiago foi pra Oficina. E aí, o Herval Rossano precisava de um casal pra fazer os testes dos equipamentos que iam inaugurar, do Projac, e foi até a Oficina, viu várias pessoas atuando, viu testes de todos eles, e escolheu o Thiago e a Mirian Freeland, se não me engano, pra fazer esse teste das câmeras novas, iluminação... Passa um tempo e, um dia, o Herval liga aqui pra minha casa, querendo falar com o Thiago. Só que nesse mesmo dia, o Thiago tinha sido chamado pra fazer alguma coisa com o Wolf Maya e ia acertar o negócio de grana lá com a produção, na Cinédia. E o Herval falando no telefone “eu quero ele pra fazer a novela, é um personagem bem legal, tem uma coisa do Tootsie. Entrar na novela que vai estrear é melhor do que a que tá no ar”. E aí, a minha secretária, que tava junto com o Thiago, ligou e falou “o Thiago aqui não acertou a grana” e eu “ainda bem né, minha filha, porque o Herval tá louco atrás dele! Vôa pro Jardim Botânico que ele quer conversar com o Tiago”. E aí o Thiago chegou lá, ofereceram uma grana legal, falaram do personagem e ele aceitou.


Maria Luiza, em Quem É Você:
convite para viver a mãe na ficção
do filho da "vida real".
Aí o Herval me liga “então...sabe, eu estava aqui pensando: eu preciso de uma mãe pro Thiago; a Cássia Kiss vai fazer a antagonista, mas eu não tenho a mãe. Então eu te liguei, por que você não faz a mãe do Thiago?”. Eu falei "não", porque trabalhar com a mãe é estranho, de repente ele não podia gostar. Aí o Herval disse “fala com ele aqui”, o Thiago atendeu, e pediu, por favor, pra que eu fizesse. Foi a primeira novela dele, a primeira experiência, e eu fiz a personagem por causa dele. Eu não assistia nada do que ele fazia, eu não entrava nunca no estúdio que ele estava gravando com medo de atrapalhar. Quando era cena dele e minha, a gente passava o texto e gravava mesmo. O único problema é que ele calçou todos os meus sapatos, porque ele tinha que fazer um homem que se vestia de mulher, precisava passar verdade naquilo. Só que ele usa de 39 a 41 e eu calço 36, não sobrou um sapato inteiro! Foi o único percalço que a gente teve. Foi muito bom, viu... No último dia da novela, o Lauro César Muniz só falava do Tiago, eu falei “tá, mas você gostou de mim?”. E ele só falava no Thiago... (risos)


O Thiago fez a Oficina de Autores também. Dificílima, eram quatrocentas pessoas para entrar. Ele conseguiu entrar e depois dos quatrocentos ficariam doze e depois quatro. E ele ficou até o final. Foi um trabalho bem bacana que ele desenvolveu na Oficina de Autores. Ele já publicou três livros, tá escrevendo o quarto agora. Recebeu um presente da Academia Brasileira de Letras, do Marcos Vilaça, uma premiação por conta dos Rumores Imprecisos das Conversas Alheias. O Marcos leu o livro, adorou, e convidou o Tiago pra ir lá, deu um prêmio a ele, que foi aplaudido pelo pessoal da ABL, pelos escritores. Imagina ele homenageado assim tão jovem?


(continua ...)


Leia a PARTE 4 deste Especial 

 



sexta-feira, 16 de março de 2012




E L  I  Z  A  B  E  T  H
S  A  V  A  L  A




Logo em sua estreia na TV, como a Malvina de Gabriela, ELIZABETH SAVALA conseguiu mostrar seu talento. O rosto de menina que emoldurava a forte personalidade da personagem seduziu o público e a câmera. Tanto que, antes mesmo de dar adeus a personagem da obra de Jorge Amado, adaptada por Walter George Durst, a atriz já gravava a novela substituta no horário, O Grito. Seguiram Irmã Angélica, em Estúpido Cupido, e o início de uma vitoriosa parceria com Janete Clair, em O Astro. Após um novo trabalho ao lado de Janete, Pai Herói, Elizabeth estreava no horário das 19h com Plumas & Paetês, com a protagonista Marcela. Ao longo da primeira metade dos anos 80, seguiram-se outras personagens de grandes destaques, que a nossa querida estrela rememora agora, com muito bom humor, informações precisas e curiosidades de bastidores só reveladas ao Agora É Que São Eles.



PARTE 2 - As protagonistas dos anos 80: Plumas & Paetês, O Homem Proibido, Pão-Pão Beijo-Beijo, Partido Alto e De Quina Pra Lua.

por Duh Secco


PLUMAS & PAETÊS (1980/1981)
Personagem: Marcela / Roseli


Marcela, a contraditória
protagonista de
Plumas & Paetês.
Eu tinha acabado de ter os gêmeos (Cyro e Tadeu). Eles estavam com uns quinze dias, e fui gravar Plumas & PaetêsO Cassiano Gabus Mendes escreveu quase toda a novela e o Blota dirigiu, por pouco tempo. Ele e o Cassiano infartaram, tiveram que botar ponte de safena, uma loucura! Então, colocaram o Mário Márcio Bandarra pra dirigir e o Sílvio de Abreu pra escrever, pra concluir a trama. E olha, a Marcela, minha personagem, foi a primeira e talvez única protagonista que morreu no final da novela. O triângulo amoroso era com o Cláudio Marzo e o Wilker e os dois terminam sozinhos.



A luta de Marcela (vivida por  Ísis
Valverde no remake da novela) pela vida:

duas versões de uma mesma cena.
Na segunda versão, eu vi um take que o Jorginho fez, muito igualzinho, quase que uma homenagem. Ele colocou a câmera na mesma posição, os personagens do Marzo e do Wilker na mesma posição, só que ela não morreu. Foi bem legal ter revisto isso, só que com outro final. E teve uma coisa que foi muito legal também - o meu filho Thiago fez a novela. De certa forma foi uma homenagem do Jorginho, da Maria Adelaide, ao colocar o Thiago numa coisa que eu fiz. Eu vi bastante dessa segunda versão, porque o horário das sete é o horário que você está se arrumando pra sair pro teatro, pra praça pública. Então, essa eu vi e amei! A ideia de misturar as duas histórias foi muito legal; a direção do Jorginho maravilhosa! Eu amo, adoro trabalhar com o Jorge Fernando! Ele tem uma assinatura, um ritmo diferenciado. E esse trabalho, esse remake, foi realmente muito bom!


O HOMEM PROIBIDO (1982)
Personagem: Sônia


Sônia, de O Homem Proibido:
ação da censura prejudicou
andamento da trama.
O Homem Proibido teve problemas já no início. O primeiro capítulo não foi pro ar. A censura proibiu e nós, do elenco, começamos a nos ligar, Lídia Brondi, Lílian Lemmertz e eu: “Será que vai? Acho que não vai. Ou vai?”. E o capítulo não foi. Eu não lembro o que é que entrou no lugar, só lembro que foi dito “A Censura Federal proibiu o capítulo hoje”, uma coisa assim. E nós ficamos com medo disso. Eu me lembro muito claramente, eu, Lidinha e Lílian, nos ligando, uma pra outra, “Gente, será que a novela não vai pro ar? O primeiro capítulo foi proibido”. Era O Homem Proibido, de Suzana Flag, que era o Nelson Rodrigues, falando de um caso homossexual, em 1982... Eram duas primas, apaixonadas uma pela outra e que não queriam ter relação com nenhum homem. E aí aparece o tal do homem proibido, o personagem do David Cardoso e, enfim, a censura pegou e a gente teve que aliviar muito.


Entre David Cardoso e Marcelo Picchi, nas gravações
do último capítulo da novela de Teixeira Filho.

A relação das duas virou uma coisa que “ah, ela é minha priminha malvada, que está sob os meus cuidados; ela finge que é cega”. Foi por aí. Mas na verdade, tudo ali acontecia por causa do amor, elas tinham ciúme uma da outra em relação ao homem. Era claramente uma coisa homossexual! Foi uma loucura da Globo botar essa novela, em 82, às seis horas da tarde. Nem hoje passaria, né? A gente teve que atenuar e tirar todos os olhares, qualquer coisa que pudesse dar essa conotação. É claro que dávamos sim umas olhadas de vez em quando... mas a Censura proibiu, então teve que cortar tudo isso.


PÃO-PÃO BEIJO-BEIJO (1983)
Personagem: Bruna


Bruna, a primeira vilã de sua carreira,
em Pão-Pão Beijo-Beijo.
A Janete Clair me ligou nessa época. Ela ia fazer Eu Prometo e me contou que estava doente, que podia ser a última novela dela. Nós éramos muito amigas, tanto que eu sempre chamei os filhos dela de “os meninos”, aquela coisa de mãe, e dia desses, eu descobri que o Gui (Guilherme Dias Gomes) é mais velho do que eu. Enfim... Eu queria muito fazer a novela, muito! E o Boni decidiu que eu não faria de jeito algum, que ele estava precisando dar uma subida no horário das seis e eu teria que entrar na próxima novela desse horário. Eu fiquei revoltada, queria fazer a novela da Janete, a Janete também, mas não houve jeito mesmo! Então eu falei “bom, se é pra fazer, eu quero um desafio”. Estava cansada de fazer a mocinha, uma personagem muito difícil, chato de fazer, pesado... Você passa o dia inteiro no estúdio, chorando, chega em casa com uma dor de cabeça, tem muito texto pra decorar pro dia seguinte... É realmente uma estiva!


Ao lado de Flora Geny, sua mãe na
novela de Walter Negrão.
E aí quando eu li a sinopse, eu decidi que queria fazer a Bruna e o Boni argumentou “de jeito nenhum, porque o público não vai engolir; você tem uma trajetória de mocinha”. Eu discuti, disse que queria cortar essa trajetória, fazer outra coisa, experimentar. Não houve acordo e eu acabei escalada pra outra personagem. Quem ia fazer a Bruna era a Renata Sorrah, eu acho. Aconteceu alguma coisa, a Renata saiu e aí acabaram me deixando fazer. E foi muito bom, eu adorei fazer, me diverti! Trabalhei pela primeira vez com o filho do Cassiano, o Cássio, que fazia meu irmão, Flora Geny, Dionísio Azevedo, Laura Cardoso... Tinha outro par romântico com o Cláudio Marzo, que eu adorava de paixão trabalhar com ele. Nós fizemos muitas novelas juntos como par romântico, tínhamos uma afinidade legal.


Lélia Abramo, em Pai Herói:
sua avó na ficção por duas vezes.
A Bruna era uma personagem bacana, muito mimada, cheia de vontades. Uma pessoa muito forte, assim como a Mamma Vitória, que era a personagem da Lélia Abramo, que tinha sido minha avó também no Pai Herói. E eu me lembro que numa gravação no shopping, tinha uma caravana de pessoas de fora do Rio. E essas pessoas quiseram me bater. Foi o maior corre-corre, a segurança da Globo tentando apartar, e as mulheres querendo puxar meu cabelo, aquela loucura. E eu na maior alegria,  falava “Tá vendo? Eu não falei? Era isso que eu queria!” (risos).


PARTIDO ALTO (1984)
Personagem: Isadora


Glória Pires e Cláudio Marzo,
parceiros no elenco de Partido Alto.
A sinopse dessa novela, era da Glória. E por ela, a novela se chamaria Isadora, que era o meu personagem. Tinha o negócio de um bombom que era envenenado, alguém envenena alguém, o roubo de uma coroa, enfim... Era eu e o Cláudio Marzo, de novo a gente como par romântico, e o Herson Capri fazendo o meu marido. Era esse o triângulo. E tinha o Pereio também concorrendo. Era um quadrilátero! O Pereio é coisa do Talma. Por aí você vê a cara que um diretor dá pro elenco. Escalar o Pereio, que não é tanto de TV, isso é muito bacana! Também era a primeira novela do Aguinaldo. E pra ele, a trama era o núcleo da Betty Faria, do Raul Cortez, o samba, a coisa do subúrbio. Então tinha o núcleo da Glória, que era o meu, e tinha o núcleo do Aguinaldo. E aí, eles escreviam cada um, três capítulos. Depois de um certo momento, parece que eles começaram a se desentender. E aí um escrevia uma coisa, armava a história, deixava ela no alto; vinha o outro e em uma cena destruía aquilo que estava armado e criava tudo de novo. Ficou uma loucura, realmente, até que chegou o momento que o Aguinaldo saiu e a Glória conduziu sozinha até o final.


Lilian Lemmertz: companheira de
elenco em O Homem Proibido e
Partido Alto.
Foi um sucesso, mas não foi aquele sucesso... É muito difícil a gente dizer uma coisa que não tenha ido bem na TV Globo, porque a TV Globo, dando traço, é sucesso! Ainda mais naquela época; não existia nem controle remoto. Nosso núcleo era a Lilian Lemmertz, que fazia minha mãe pela segunda vez, assim como no Homem Proibido. Nossa, como eu gostava da Lilian! Que atriz maravilhosa, fantástica! Ela e o Leonardo Villar no Homem Proibido e depois, no Partido Alto, com o Rubens Correa vivendo meu pai. E a Eva Todor como minha tia... Olha que sorte a minha trabalhar com um elenco desse!



Paulo César Pereio, intérprete de
Da Matta em Partido Alto.
Foi a primeira vez também que o merchandising fez uma coisa tão forte e boa. Eu acho que foi Partido Alto que descobriu a fórmula do merchandising trabalhar. O personagem do Pereio (Da Matta) sonhava com a Isadora. Em um desses sonhos nós estávamos sendo sequestrados. Passamos uma noite inteira gravando no cais do porto, o Talma dirigindo, e depois saíamos dali direto pro estúdio, pra continuar gravando. Teve outra noite no shopping Rio Designer Center, que estava começando, eu subindo as escadas rolantes, e lá em cima tava o Pereio, que me via. Mais outra inserção no museu, enfim. Sempre no final dessas cenas, desses sonhos, era mostrado o carro da Ford. Foi assim um momento muito importante no merchandising. Eu não tenho visto mais inserções tão bem localizadas, digamos assim. Quando o merchandising faz parte da ação dramática, fica muito interessante, quando não é uma coisa gratuita. Pra empresa, o merchandising é necessário, pra fazer a novela, botar no ar, pra pagar toda essa gente. Eu sempre faço questão de botar a ação de uma forma que fique inserida no contexto, que faça parte do âmbito do personagem. Eu tenho uma relação muito boa com o pessoal do merchandising.


A casa dividida em Morde & Assopra:
merchandising dentro do contexto da trama.
Nessa última novela, Morde & Assopra, nós tivemos inserções muito boas. Um produto da Avon, acho que o Renew, tinha a ver com o meu personagem, que era toda vaidosa. A personagem da Bárbara Paz, roubava o meu marido, o Ary Fontoura. Aí nossa casa era dividida e quando eu ia pro meu lado da cama, o produto que tá lá é o dela, o Renew dela. Eu falava “olha, que maravilha, que bonitinho” e  ela “não, isto aqui é meu”. Isso estava dentro do personagem, o que tornou tudo mais engraçado. Quando fica muito na cara “olha, passei Avon e minha pele ficou maravilhosa” não funciona. Você pode brincar com o produto e vender da mesma forma.



DE QUINA PRA LUA (1985/1986)
Personagem: Mariazinha


Mariazinha, em De Quina Pra
Lua
: incursão no humor.

De Quina Pra Lua foi um belo trabalho cômico. Só que o público, na época, não tinha o hábito de assistir comédia às seis horas da tarde. Foi um trabalho maravilhoso, muito gostoso mesmo de fazer, e que me fez amiga do Tide, o Alcides Nogueira. Um grande dramaturgo, uma pessoa muito legal, de um talento incrível.






(continua...)






Leia a PARTE 3 deste Especial.



sexta-feira, 9 de março de 2012

                           



E L I Z A B E T H 

S A V A L A





O que era para ser uma simples entrevista, acabou virando um bate-papo por telefone de exatamente 1 hora e 40 minutos, onde a atriz ELIZABETH SAVALA falou sobre seus momentos mais importantes na televisão, em sua trajetória de 38 anos de Rede Globo, com inúmeras personagens de sucesso, como: Malvina (Gabriela), Lili (O Astro), Carina (Pai Herói), Bruna (Pão Pão Beijo Beijo), Isadora (Partido Alto), Mariazinha (De Quina pra Lua), Auxiliadora (Quatro por Quatro), Jezebel (Chocolate com Pimenta), Rebeca (Sete Pecados), Minerva (Morde e Assopra), entre tantas outras.

O que mais nos chamou a atenção, além da simpatia e do carinho prestados pela atriz, foi sua memória com relação a sua trajetória televisiva, histórias de bastidores, as novelas da qual participou, tramas, elenco e personagens. Se por um lado, lembra com clareza de seus momentos mais importantes na TV, por outro, faz questão de esquecer dos poucos que não foram tão representativos na sua carreira profissional.

Resolvemos, então, transformar aquilo que seria uma entrevista, como as feitas nos moldes do nosso blog, em uma sequência de relatos feitos pela atriz, a partir dessa longa conversa por telefone, procurando manter o texto na forma mais original possível, em toda sua essência.

A conversa por telefone foi feita com Fernando Russowsky, seguindo o roteiro previamente organizado pela equipe do Agora; a transcrição da conversa foi feita por Duh Secco; e a edição e adaptação dos textos pelos membros do blog.

Os depoimentos serão postados em cinco partes, e nossos leitores terão o privilégio de conferir esse importante segmento da história da teledramaturgia brasileira, contado diretamente por quem o fez.


DEPOIMENTOS EXCLUSIVOS



PARTE 1 - O princípio de uma longa trajetória de sucesso: Gabriela , O Grito, Estúpido Cupido, e O Astro.

por Guilherme Staush



GABRIELA (1975) 
Personagem: Malvina

 
Antes de começarmos, eu quero dar os parabéns ao blog, do qual eu sou fã assídua. Acho que vocês fazem um trabalho fantástico, não só divulgando o teatro, divulgando o trabalho de muita gente séria, também na televisão. Eu li a entrevista do Guilherme Piva, maravilhosa; a entrevista da Renatinha Dias Gomes. Enfim, várias, várias, várias... a dos autores... Acho que é um blog sério. É difícil você achar um blog assim. O de vocês é muito legal. Parabéns!


como Malvina, em "Gabriela" (1975):
estreia na TV com grande personagem.

Então... Eu amei fazer a Malvina. Foi um grande presente que o Avancini, o Durst e o Jorge Amado me deram. E até mesmo o Abujamra, que foi quem me indicou pro Avancini. Eu só descobri muitos anos depois. Na época eu nem soube disso. Enfim, eu tenho uma gratidão imensa por essas pessoas. A primeira personagem a gente nunca esquece. E era realmente uma grande personagem (confira uma ótima cena da novela no final desta postagem). A Gabriela era a personagem-título, mas a Malvina era absolutamente rebelde, numa época de ditadura militar. A censura não conseguia perceber o que estava sendo dito, pois como era uma novela de época, eles não conseguiram perceber com profundidade, a desavença dos coronéis, a briga política em plena ditadura que se colocou na adaptação, porque a censura não era muito inteligente. Então, ela não conseguia perceber, não tinha essa percepção de nuances, enfim... fazer essa personagem foi, sim, um dos maiores presentes na minha vida na televisão.


O GRITO (1975/1976) 
Personagem: Pilar

A segunda novela que eu fiz – O Grito - do Jorge Andrade, eu gravei quase que simultaneamente, porque as duas eram novelas das 22h, também com direção do Avancini. Gabriela havia sido um grande sucesso. Era muito difícil competir com qualquer novela que fosse colocada naquele momento. Agora, Jorge Andrade era um grande intelectual, escreveu coisas importantíssimas... Os Ossos Do Barão, também dele, não foi altamente compreendida na televisão. Ele fez peças de teatro fantásticas também, como A Escada, por exemplo.
O Grito tinha um magnífico texto, em um momento difícil, também conturbado, de censura, e um belíssimo elenco. Acho que o maior elenco que a casa já reuniu em uma novela. Agora, talvez o público não tenha conseguido entender no momento, a coisa do preconceito, a coisa do bullying, mas era uma grande novela.

como Pilar, em "O Grito" (1975),
ao lado do detetive Sérgio (Ney Latorraca).


 ESTÚPIDO CUPIDO (1976)  e o incêndio na emissora
 Personagem: Irmã Angélica

como Irmã Angélica,
em Estúpido Cupido.

Eu me lembro do dia do incêndio na Globo. Eu estava vestida de freira, a personagem irmã Angélica, que eu fazia na novela, e a gente tava chegando de Itaboraí, ainda com a roupa da personagem. Chegamos à emissora, aquela correria e tal, e eu fiquei numa fila, do lado do Talma. O Talma passava as fitas, eu passava pra pessoa da frente, a pessoa da frente passava pra outra, os bombeiros molhando os nossos pés, e eu com aquele véu da irmã Angélica tapando o meu rosto, leite no peito (o Thiago, meu primeiro filho, tinha acabado de nascer), e a gente nem parava pra pensar, porque aquilo era um risco muito grande pra gente, mas queríamos salvar as fitas. Foi uma coisa muito bonita daquele dia. A emissora era pequena, era outra história, mas a gente tinha muito, um puta amor pela empresa, que propiciava que a gente pudesse fazer tantos trabalhos. Eu tenho ainda um amor muito grande por essa empresa, afinal são 38 anos trabalhando naquele lugar, finquei raízes... Mas esse dia foi muito bonito. O que foi salvo ali eu não sei. Parece que O Grito, praticamente, foi todo. Um dia acho que o Talma me falou.



O ASTRO (1977/1978)
Personagem: Lili
 
O Astro foi um sucesso absoluto. Foi um presente da Janete e do Daniel. Uma grande personagem em uma grande história. Teve uma cena - o reencontro dos personagens Márcio (Tony Ramos) e Lili -  que bateu 98 pontos no Ibope. Bateu o jogo do Brasil e da Inglaterra. Isso não é pouca coisa. Não sei quanto deu de Ibope a morte do Salomão Hayalla, a revelação do assassino dele, disso não me lembro. Eu sei que essa cena do reencontro a gente soube, na época, pelo Boni e pela Janete.

O remake de O Astro, exibido no ano passado, teve o problema do horário, porque ainda não se tem o hábito de assistir uma novela às onze da noite. Eu, particularmente, acho tarde esse horário, mas quem sou eu pra dizer alguma coisa? (risos) ... Mas, então, o público, a maior parte das pessoas tem que trabalhar, levantar cedo pra ir à escola, e fica difícil você acompanhar uma novela que vai de terça a sexta. É uma coisa experimental do horário, enfim, não tem essa continuidade, como nas outras novelas, para que você crie o hábito de assistir.
E dessa vez, O Astro, pro horário, teve um Ibope morno. Acho claro que quando você tem uma boa história e ela é bem contada, não adianta levar aquela história se não souber contar, e não adianta saber a direção se você não tiver a história, né? Você precisa de tudo.

Ficou muito complicado de eu assistir à novela. A gente que faz teatro quase não vê televisão porque é o horário que você está voltando do teatro. Eu tenho um projeto que é muito, muito importante que chama-se Teatro de Graça na Praça. É um projeto onde a gente leva teatro pra praça pública e consegue colocar sete, oito mil pessoas, na praça, fazendo monólogo. Então normalmente na hora em que o remake de O Astro tava passando, por poucas vezes, eu tive a chance de ver. A Alinne Moraes, que fez a Lili, é muito boa atriz. Na primeira versão da novela teve o Daniel na direção. Acho que ele é um dos grandes diretores da televisão brasileira, que mudaram a história da televisão mesmo! Essa coisa até do próprio padrão Globo de qualidade, que tinha com o Boni, da coisa da técnica, da manutenção, da aparelhagem, de luz, som e até como ele administrava, o carinho, a cada aniversário seu ou uma cena que ele via e que ele gostava, porque ele via tudo, e te mandava flores, então a gente tinha esse contato todo. A emissora era pequena, éramos poucos, enfim... Então a gente tinha esse contato direto. A porta da sala do Dr. Roberto Marinho ficava aberta; a gente ia na sala do Dr. Roberto; ele sempre dizia “quando precisar de alguma coisa, minha filha, bata na minha porta”. E eu nunca pedi um aumento, olha que louca? (risos)


como Lili, em "O Astro": grande sucesso e a primeira parceria com Tony Ramos.


O Daniel imprimia um realismo tal às cenas... obviamente que o Alcides Nogueira, ao fazer essa adaptação com o Geraldinho, tinha só 48 ou 64 capítulos, eu não sei. E nós tínhamos duzentos e tantos capítulos pra contar uma história. É diferente! E a gente tinha um elenco, uma dinâmica... Eu tenho uma cena, por exemplo, com a Eloísa Mafalda, que... nossa! Eu acho que a televisão é muito devedora à Mafalda, e ninguém faz uma homenagem a ela. A personagem dela era a mãe da Lili, a Dona Consolação, que era deslumbrante. A Janete falou sobre um tema que nunca mais se falou na televisão, que é a menopausa! Os calores que a Mafalda tinha em cena... e ela era uma atriz deslumbrante que não tinha o menor tipo de vaidade. Enquanto todo mundo fazia plásticas, a Mafalda nunca fez uma! Então, ela tinha aquela cara de povo, sabe? Ela trabalhava como camelô no começo da história, usando um cabelo que era com resto de loiro de um personagem, com um pouco de preto que ela tinha e com os brancos dela. Sabe aquela coisa toda misturada, sem uma gota de maquiagem no rosto? E eu fazia uma personagem, que era a Lili, uma mulher que dirigia táxi. Tinha um cabelo que batia nas costas, lindo, liso e tal, e o Daniel falou “não, não, não, você vai cortar o cabelo e fazer permanente”. Isso para dar a impressão de uma pessoa mais do povo. O meu figurino, a Talma Murtinho fez o figurino todo, era uma calça legalzinha, da Fórum, sei lá, e ele trocou a calça. Deu minha calça pra motorista do táxi que veio fazer a figuração, pegou a calça da própria motorista que emprestou o táxi, e me deu.


Eloisa Mafalda, como Dona
Consolação, em "O Astro".

Então, nós fizemos uma cena em que eu mentia pra Mafalda, porque o sonho dela era que eu fosse uma bailarina - depois a Janete realiza esse sonho dela me dando a Carina (de Pai Herói), que era bailarina. Mas a Dona Consolação queria porque queria que a filha fosse uma bailarina, fosse uma mulher fina. E a Lili não tinha nada de bailarina, né? Então, a Lili dizia pra mãe que trabalhava numa boutique fina, em Ipanema. E aí a mãe sai com um bolo, no primeiro capítulo da novela, pra comemorar o aniversário da filha na loja. Chega na loja, com o bolo na mão, com uma bailarina de enfeite, em cima do bolo, e pergunta “Lili?”, “Lilian Paranhos, a Lili?  - “Não, não tem ninguém que trabalha aqui com esse nome!”. Ela sai tão descompensada da loja, com o bolo na mão, que quase é atropelada por um ônibus. Ela deixa o bolo cair, e o ônibus passa por cima dele, com a bailarina em cima. Quebra a bailarina, e quebram-se os sonhos da Dona Consolação....
 
Quando eu cheguei no estúdio, para a primeira cena a ser gravada, eu tava muito nervosa. Era o primeiro dia de gravação. Acho que os primeiros dias, até estrear, a gente fica muito nervosa, todo mundo sem saber o que tá dando certo e o que não tá, aquelas coisas. E aí, era uma cena nossa, minha com a Mafalda, então eu vinha, e dizia:  “oi, mãe... não sei o quê” e abria a geladeira, tomava uma água, e o Daniel fez uma sequência direta; ele colocou a gente na sala, eu entrando, aí ele foi pro quarto.... Eu tinha acabado de ter meu segundo filho, o Diogo, e tava com um peito enorme. Acho que o Diogo estava com uns quinze dias quando eu comecei a gravar. Não tinha aquelas coisas de ficar seis meses em casa, um ano cuidando do filho. Era assim...tinha o filho, e em seguida tava em cena. O Thiago (primeiro filho da atriz) nasceu em O Grito. Eu fiquei grávida durante O Grito. Ninguém podia saber que eu estava grávida; eu fazia a mocinha e a mocinha naquela época era virgem. E aí o Talma falou que foi a forma que eu arranjei pra ganhar a câmera, porque a câmera na novela era close de olho. A novela acabou no dia 25 de abril e o Tiago nasceu no dia 05 de maio. E em dias, tipo quinze dias, eu já estava gravando Estúpido Cupido, cheia de leite no peito. E em O Astro foi a mesma coisa. Acabou a gravidez do Diogo, quinze dias depois eu já estava gravando a novela. Eu tive pouco tempo, tava cheia de leite, aquela coisa toda, recém tinha tido um filho, e ele me fez subir no beliche em sequência direta. Um diretor normal teria feito um plano cruzado, isto é, era um texto em que a Mafalda me dava uma bronca e eu tentava me justificar. Qualquer diretor teria feito isso: cruza o plano, uma do lado da outra, cruzou a câmera, vambora!
Era o que teria sido feito. Ele não! Ele falou assim: “agora na sua fala, sobe no beliche, sempre falando o texto. Lá em cima do beliche você percebe que a sua unha tá raspando no lençol. Você desce do beliche e procura uma lixa que o contrarregra vai esconder; nem eu, nem você, nem ninguém vai saber onde está essa lixa, só o contrarregra. Portanto, você tem que achar a lixa e terminar a cena lixando a unha lá em cima do beliche. Uma pata choca pra subir e descer do beliche”. Eu pensei: “eu vou cair daqui. Isso é loucura”. E todo aquele texto despejado com um objetivo. Sabe aquelas coisas de Stanislavski? Tem um objetivo concreto: achar essa lixa, num plano direto, uma sequência direta, sem corte nenhum, sequinho, e a gente fez a cena. Quando terminou, a gente já tinha a personagem nas mãos, as duas, porque aquilo foi um grande teste de resistência. Então, ele era um grande diretor, o Daniel. 

Não vi como foi feito agora. Talvez eles tenham tentado trazer mais pra cá, enfim, pra modernizar um pouco. Eles tiveram bem menos capítulos pra fazer. Então a gente tem uma grande vantagem em relação a isso, quer dizer, acho que no remake, em poucos capítulos, nem sempre é possível contar realmente a história. Mas foi um grande sucesso, então eu imagino que tenha funcionado bem. Eu vi algumas cenas da Alinne e gostei muito. Eu vi o Thiago fazendo o personagem do Tony também. Enfim, a cena do nu e tal. Eu tenho uma relação muito afetiva com o trabalho, então fica complicado, né? Eu também vejo o trabalho no ar e não vejo apenas o trabalho, eu vejo o outro, entendeu?

(continua...)


GALERIA DE VÍDEOS especial  
(confira cenas dos trabalhos de Elizabeth Savala na TV)




Leia a PARTE 2 deste especial.