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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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sábado, 6 de abril de 2013


Especial
Novelas que foram sem nunca terem sido
Parte II




Continuamos com nosso especial sobre novelas que sequer saíram do papel. Ou se saíram, não avançaram na produção. Hoje, SBT e Record.

por Duh Secco


SBT

Ainda que esteja longe de ter a tradição dramatúrgica da Globo, o SBT sempre primou pela organização de seus trabalhos. Vez ou outra, no entanto, os planos dão errado e a emissora acaba sendo obrigada a deixar certos textos de lado e cancelar produções, como o remake de A Fábrica, que iria reativar o núcleo de dramaturgia da casa, em 1993.


Caubói (1990)
Argumento de Bráulio Pedroso
De Denise Bandeira, Joaquim Assis e José Joffly.

Autor da inovadora Beto Rockfeller, Bráulio Pedroso pensava em produzir uma nova versão da trama para o SBT, casa que o contratou pouco tempo antes de seu falecimento. Antes de trazer o bicão de volta à telinha, no entanto, Pedroso desenvolveu o argumento de Caubói, sob encomenda de Walter Avancini, então diretor de dramaturgia, para aquele que seria o novo horário de novelas do SBT: 19h. A novela traria o universo do rural chique paulista, através de seu protagonista, um lavrador que se tornara fazendeiro e criador de cavalos. O aclamado cineasta Roberto Farias seria o responsável pela direção do projeto, que não foi adiante.



Mariana: A Menina de Ouro (1993)
De Flávio de Souza

Criador dos sucessos Mundo da Lua e Castelo Rá-Tim-Bum, ambos exibidos pela TV Cultura, Flávio de Souza assinou com o SBT em 1993 para produzir uma trama infanto-juvenil. Mariana, a Menina de Ouro foi concebida como novela, virou série, e terminou como uma espécie de novela como formato de seriado, a ser exibida às 20h30. A pequena Mariana seria o centro da história: uma menina que passa o dia com a empregada (Denise Fraga) enquanto os pais (Mira Haar, uma jornalista, e José Rubens Chachá, agente de turismo) brigam por questões financeiras. Ainda no elenco Etty Fraser (como a avó), Iara Jamra (a tia) e Ary França (o motorista de táxi, namorado da empregada). Marisa Orth, Lilia Cabral, Nuno Leal Maia, Angelina Muniz e Lucélia Santos também estiveram cotados para o elenco, enquanto a direção ficaria a cargo de Fernando Meirelles. Infelizmente, este projeto não foi em frente, contrariando as expectativas do público que sempre viu no SBT os melhores investimentos em programação infantil da TV brasileira.


Asfalto Selvagem
Baseada na obra de Nelson Rodrigues

Antes de iniciar a produção de Mariana, a Menina de Ouro, o SBT ensaiou uma parceria com Daniel Filho, que produziria uma novela por ano para a emissora, em um período de três anos. A primeira trama desta parceria seria Asfalto Selvagem, baseada na obra de Nelson Rodrigues. Sabe-se lá por quais motivos a união de Daniel e Silvio Santos não aconteceu. Asfalto Selvagem viraria minissérie na Globo: Engraçadinha, Seus Amores e Seus Pecados.


A Pantera (1996)
De Vicente Sesso

Com Éramos Seis, o SBT viveu seu melhor momento na dramaturgia. Entretanto, suas substitutas não obtiveram o mesmo êxito e Silvio Santos passou a se desinteressar pelo núcleo. Foi por isso que em 1996, tentando evitar um estouro no orçamento, a primeira atração a ser rifada da grade por Silvio foi a novela A Pantera. A trama de Vicente Sesso substituiria Razão de Viver, em novembro daquele ano. Com locações em Roraima e uma cuidadosa reprodução dos anos 50 e 60, focada nos bailes e nos grandes cassinos, a novela custaria em torno de R$ 80 mil por capítulo. Marcos Schechtmann, diretor de Salve Jorge, responderia pela produção, protagonizada por Suzy Rêgo, a cabocla Cristina. Também cotados para A Pantera estavam Paulo Autran e Tônia Carrero. Contracenar com esses dois mitos animou Marília Pêra, que daria vida à vilã Silvana, e também ganharia um programa de variedades no SBT. Com o adiamento da novela, Marília passou um ano encostada, já que não aceitou participar de Pérola Negra, a produção, mais barata, na qual a emissora decidiu investir.


Segredo (1998)
De Walcyr Carrasco

Walcyr Carrasco era contratado do SBT quando assinou, sob o pseudônimo de Adamo Angel, o roteiro de Xica da Silva, na Manchete. O sucesso da produção animou Silvio Santos, que encomendou duas novelas a Walcyr. A primeira, Fascinação, exibida em 1998 com relativo sucesso. E a segunda, Segredo, substituiria a primeira. Contando com a colaboração de Mário Teixeira, Carrasco escreveu os 154 capítulos da trama de João Paulo, um playboy que, ameaçado pelo avô de ser deserdado, acaba tendo que se casar. Sua amante, uma ex-modelo casada, o ajuda a encontrar a moça ideal, optando por uma menina humilde e interiorana. João Paulo se casa com a jovem, por contrato, mas com o tempo tem seu gélido coração tocado pela agora esposa. A novela também teria um núcleo infantil e outro focado na dona de uma pensão. Eis que no meio do caminho, o autor se transferiu para a Globo, deixando a novela toda pronta nas mãos do SBT. Como Carrasco não poderia acompanhar a produção, caso ela saísse do papel, decidiu transferir a ação da trama dos anos 50 para os dias atuais, o que facilitaria a produção. Mas, provavelmente devido ao ingresso de Walcyr na Globo, o SBT engavetou a novela.


A Outra (2004)
Argumento de Liliana Abud
De Ecila Pedroso

Para substituir o sucesso Canavial de Paixões, Silvio Santos anunciou a adaptação de Os Ricos Também Choram, novela que iniciou a exibição de mexicanas no Brasil. Problemas com os direitos autorais da obra acabaram impossibilitando a produção e o departamento de dramaturgia da casa foi obrigado a recorrer ao texto de A Outra. A história girava em torno de Carolina e Clarice (que seriam interpretadas por Mel Lisboa), mulheres idênticas que nunca se viram. A primeira mantinha um romance com o médico Álvaro, mas não conseguiu se casar com ele porque sua mãe autoritária a impedia. A vida das sósias se cruza quando Carolina desaparece. Após uma passagem de tempo, o médico pensa que a paixão de sua vida está morta e conhece Clarice. Impressionado com a semelhança física entre as duas, ele acaba se envolvendo com a outra, jovem ambiciosa, filha de um alcoólatra. Cláudio Heinrich fora sondado para viver Álvaro, mas renovou com a Globo, na época, para continuar apresentando o Globo Ecologia. Fez bem, já que pouco tempo depois, o SBT suspenderia a produção da novela, em virtude do alto custo de produção. Mel voltaria para a Globo no mesmo ano, para atuar em Como Uma Onda. O SBT acabaria exibindo A Outra original, até retomar as atividades de seu núcleo de dramaturgia, em maio do mesmo ano, com Seus Olhos.

***

Record

A Record, em sua pretensão de alcançar a líder Globo, sempre tentou conduzir seu núcleo de dramaturgia da melhor forma possível. Entretanto, o amadorismo ainda reinante no complexo de estúdios Recnov leva a constantes mudanças nas novelas a serem produzidas, chegando, às vezes, a cancelar tramas. Isso vem desde o período em que a dramaturgia da emissora ainda não era tão forte quanto parece ser agora.


Cafezais (2001)
De Vivian de Oliveira

Não é de hoje que a Record tenta, sem muito sucesso, implantar um segundo horário de novelas. Em 2000, enquanto exibia Marcas da Paixão, a emissora cogitou a produção de uma novela de época. Cafezais, escrita por Vivian de Oliveira (autora de Rei Davi e José do Egito), retrataria o ciclo do café em São Paulo no início do século XX. A trama deveria estrear em abril de 2001, época em que a Record desejava ter uma novela às 20h e outra às 21h. Ficou na intenção...



Felizes Para Sempre (2001)

Mesmo depois de desistir de Cafezais, a Record ainda almejava lançar um segundo horário de novelas. Ao invés das 21h, no entanto, resolveram produzir uma trama a ser exibida às 19h. Assim, a emissora adotaria o esquema que tanto sucesso faz na Globo: novela – telejornal – novela. O título escolhido para inaugurar o horário foi Felizes Para Sempre, trama ambientada em Fortaleza, sobre o dono de um parque temático que contrata um dublê para representá-lo em compromissos públicos e encontrar uma mulher para ele. É claro que os dois acabavam se apaixonando pela escolhida. A novela das sete seria escrita por um autor que já estivera entre os funcionários da Globo, e não fora divulgado pela Record, estrearia entre 20 de março e a primeira semana de abril de 2001, indo ao ar das 18h50 às 19h30. Logo após, o Jornal da Record e em seguida, a trama que substituiria Vidas Cruzadas. Cafezais figurava como uma das possíveis candidatas à vaga.


Norte Das Águas (2001)
Baseada na obra de José Sarney

Nem Cafezais, nem Felizes Para Sempre. Ainda em 2001, para substituir a problemática Roda da Vida, a Record decidiu recorrer a outro título e foi buscar inspiração em um livro de contos do senador José Sarney. Norte das Águas seria a obra adaptada para o horário das 20h15, caso a emissora não se encontrasse em dificuldades para encontrar o autor desta adaptação. As gravações seriam realizadas no Maranhão, com orçamento em torno de R$ 10 milhões, buscando realizar algo parecido ao feito pela Manchete com Pantanal: explorar o Brasil que os brasileiros desconhecem. Para arcar com um mega projeto como este, a Record ensaiou uma parceria com a produtora Delta, que incluiria a co-produção de seis novelas, em três anos de contrato. Mesmo com aparentemente tudo a favor, a Record não levou adiante os seus planos e Norte das Águas ficou pelo caminho.


Silêncio Da Mata (2001)
De Solange Castro Neves

Sem a parceria que levaria Norte das Águas adiante, a Record buscou uma solução caseira para substituir Roda da Vida. Solange Castro Neves deixou então o texto de sua novela nas mãos dos colaboradores, Enéas Carlos e Maria Duboc. A mudança no comando da trama levou à queda nos índices, levando a Record a apressar o término da mesma. Neste meio tempo, Solange apresentou a sinopse de Silêncio da Mata, trama que seria ambientada na Mata Atlântica ou em alguma cidade do Amazonas. Disputando a vaga com Silêncio da Mata, uma novela de Marcos Lazzarini, que havia escrito Vidas Cruzadas, no ano anterior. Mas nem a sinopse de Solange, nem a de Marcos, foram produzidas, e o núcleo de dramaturgia da Record acabou desativado.


Machos (2008)
De Lauro César Muniz

Uma brasileira se envolve acidentalmente com o grupo terrorista Al Qaeda, mentor dos atentados de 11 de setembro. Este seria o fio condutor da novela que Lauro César Muniz apresentou a Record para substituir Caminhos do Coração. A cúpula da emissora, no entanto, avaliou que a trama se enquadraria melhor em uma minissérie, e entregou a Lauro a adaptação de Machos, novela chilena exibida pela Sony na América Latina. A novela girava em torno de Ângelo, um homem capaz de tudo para fazer de seus sete filhos verdadeiros machos. Entretanto, todos os rebentos tentavam de alguma forma fugir ao controle do patriarca. E nessa fuga, os machos cruzariam com mulheres independentes em busca de afirmação e enfrentando a crise de meia-idade. Tais mulheres saíram de uma sinopse de Lauro, As Lobas. Entre elas estaria Laura Orlin, mulher de 45 anos, presa a um casamento com um homem que dissimula seu machismo (ao contrário dos “machos”). A partir da descoberta da traição, Laura traçaria um novo rumo para sua vida. No elenco de Machos, estariam Paloma Duarte e Marcelo Serrado. Problemas com a Sony e o sucesso dos mutantes de Caminhos do Coração acabaram protelando Machos. De tal maneira, que a novela acabou esquecida e Lauro partiu para o desenvolvimento da sinopse de Poder Paralelo.


Corpos Partidos (2008)
De Ana Maria Moretzsohn

A estadia de Ana Maria Moretzsohn na Record não se resumiria a uma única novela, caso a emissora tivesse desistido a tempo da saga Os Mutantes: Caminhos do Coração e apostado em Corpos Partidos, trama sobre roubo e tráfico de órgãos, desenvolvida pela autora de Luz do Sol. Gustavo Reiz, que assina a próxima novela da emissora, Dona Xepa, seria um dos colaboradores. E Petrônio Gontijo, Paloma Duarte e Marcelo Serrado encabeçariam o elenco.


Bem Me Quer (2009)
De Margareth Boury

Emplacar uma sinopse nem sempre é fácil. A emissora solicita, os autores trabalham, mas o texto acaba descartado por diversos motivos, alheios à vontade daqueles que penaram para desenvolver argumentos e situações capazes de sustentar uma infinidade de capítulos, meses a fio. No caso de Bem Me Quer, de Margareth Boury, o acordo fechado pela Record com a Televisa, para a produção de textos mexicanos, inviabilizou sua produção. A história do rapaz que trabalhava no ramo hoteleiro, obrigado a recomeçar sua vida após anos na prisão, chegou a ser aprovada pela Record, mas caiu diante da possibilidade de se adaptar novelas mexicanas. Nesta mesma época, ventilou-se a possibilidade da Record produzir Sambalelê, também de Margareth Boury. A trama seria uma espécie de Que Rei Sou Eu?, com a presença de esportes radicais adaptados ao século no qual o enredo se desenvolveria.


Vivendo O Amor (2010)
De Margareth Boury

O acordo com a Televisa não alterou só os rumos de produções já aprovadas pela Record, como Bem Me Quer. Alguns textos mexicanos também foram descartados pela emissora, como Un Gancho Al Corazón, história de uma boxeadora apaixonada por seu treinador, que seria adaptada por Margareth Boury. A trama foi preterida por Cuidado Con El Ángel, que atualmente pode ser vista no SBT. Aqui, o título foi alterado para Vivendo o Amor, após um concurso interno com funcionários da Recnov. Ivan Zettel fora escalado para a direção; Edwin Luisi, Cristina Mullins, Juliana Silveira, Lana Rodes e Cacau Mello estariam no elenco; Roger Gobeth viveria o mocinho, apaixonado por Maytê Piragibe que, grávida, foi obrigada a desistir do projeto. E a Record também abriu mão do projeto, mediante pressão da Televisa, que julgava o texto de Rebelde mais comercial. Assim, toda a produção, alguns nomes do elenco e a cidade cenográfica construída para Vivendo o Amor foram reaproveitados na trama que os mexicanos escolheram. Em entrevista ao nosso blog, Margareth Boury comentou tal mudança:

Cuidado com o Anjo (Vivendo o Amor) teve vinte capítulos escritos e quando eu ia fazer o vigésimo primeiro, recebi um telefonema do Hiran Silveira e tudo mudou. Na semana seguinte eu estava com o Ivan Zettel indo para o México ter reunião sobre Rebelde.

***

Próximo Capítulo: Band, Manchete e Tupi também suspenderam o desenvolvimento de suas novelas. Saiba quais, na 3ª parte do nosso especial.



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

E S P E C I A L

60 ANOS DA TELENOVELA BRASILEIRA

com
AUTORES DE NOVELA .Parte I





Eles escrevem as novelas que vemos diariamente na TV, mas bem antes de virarem autores, foram (e ainda são) telespectadores, como nós. Quais são as lembranças, quais as novelas e cenas que marcaram os profissionais dessa nossa usina de sonhos?
.
O “Agora” resolveu unir grande parte deles, para juntos comemorarmos os 60 anos da telenovela brasileira. Independente das homenagens prestadas e dos homenageados, o importante é festejar a verdadeira estrela desse encontro: a própria telenovela.

Pedimos aos autores que relembrassem uma novela marcante desses 60 anos, que explicassem o motivo da escolha, e sugerissem uma atuação e uma cena inesquecível dessa novela. O resultado foi uma grande surpresa, carregada de grandes e emocionantes recordações.

Agradecemos a todos os autores que colaboraram com esses depoimentos exclusivos para o “Agora é Que São Eles”.



ALCIDES NOGUEIRA

Novela marcante/inesquecível: Escalada (1975), de Lauro César Muniz.

Razão da escolha: Lauro contou, com brilhantismo, a saga de Antônio Dias, costurando a trajetória desse personagem com a história do Brasil.

Uma atuação ou uma personagem marcante dessa novela: Tarcísio Meira, como Antônio Dias.

Uma cena inesquecível dessa mesma novela: O reencontro de Antônio (já separado de Cândida) e Marina (Renee de Vielmond), o grande amor da vida dele.









MIGUEL PAIVA

Novela marcante/inesquecível: Terra Nostra (1999), de Benedito Ruy Barbosa.



Razão da escolha: Dramaturgia de primeira qualidade contando um momento histórico do país, São Paulo, a influência italiana... Por aí.

Uma atuação ou um personagem marcante dessa novela: O inesquecível Raul Cortez ao lado da Janete de Ângela Vieira.

Uma cena inesquecível dessa mesma novela: Todas as cenas que reproduziam a São Paulo da época.





MARGARETH BOURY


Novela marcante/inesquecível: Roque Santeiro (1985).

Razão da escolha: Era divertido, tinha o toque de mestre do Dias Gomes (depois o de Aguinaldo Silva), um elenco maravilhoso e uma trama pra lá de boa!

Uma atuação ou uma personagem marcante dessa novela: Regina Duarte saindo do tipo namoradinha do Brasil e arrasando como a viúva Porcina.

Uma cena inesquecível dessa mesma novela: A praça da cidade com o Zé das Medalhas (Armando Bógus).









LAURO CÉSAR MUNIZ


Novela marcante/inesquecível: Beto Rockefeller (1968), de Braulio Pedroso.



Razão da escolha: A novela é um marco de renovação da telenovela brasileira, apontando caminhos para o futuro. Deveríamos hoje voltar ao Beto para reinventar a novela que está tão desgastada.

Uma atuação ou uma personagem inesquecível dessa novela: O personagem do Luiz Gustavo, Beto Rockefeller, que trazia um delicioso e cômico bicão para o centro da trama, ignorando heróis e vilões estereotipados.

Uma cena inesquecível dessa mesma novela: O bicão Beto cantando a personagem da Maria Della Costa.




RENATA DIAS GOMES


Novela marcante/inesquecível: Que Rei Sou Eu? (1989), de Cassiano Gabus Mendes.




Razão da escolha: Foi das novelas mais marcantes da minha infância. Colecionei o álbum de figurinhas, me vestia como os personagens. Adorava!

Uma atuação ou uma personagem marcante dessa novela: Aline (Giulia Gam) e Jean Pierre (Edson Celulari).

Uma cena inesquecível dessa mesma novela: Não consigo lembrar de uma cena específica. Lembro de flashes do bobo da corte (Stênio Garcia), da rainha (Tereza Rachel) gritando "Ravengar!" e de Aline e Jean Pierre juntos. Eu era muito pequena e lembro mais da sensação de adorar e acompanhar a novela do que de cenas propriamente ditas.




MARIA ADELAIDE AMARAL


Novela marcante/inesquecível: Roda de Fogo (1986), de Lauro César Muniz e Marcílio Moraes.



Razão da escolha: Nem sempre é mencionada e foi uma das melhores novelas dos anos 80.

Uma atuação ou uma personagem inesquecível dessa novela: Tarcísio Meira deu um show!

Uma cena inesquecível dessa mesma novela: A morte do personagem de Tarcísio nos braços de Bruna Lombardi.


Aguardem a segunda parte deste especial, com novos depoimentos ...



VÍDEO ESPECIAL

O "Agora" produziu um vídeo especial com as homenagens dos autores e cenas das novelas relembradas. Confira!







SEGUNDA PARTE

CLIQUE AQUI  para ver a segunda parte do especial, com os depoimentos de Ana Maria Moretzsohn, Cristianne Fridman, Manoel Carlos, Marcilio Moraes, Ricardo Linhares, Sílvio de Abreu e Walcyr Carrasco.





segunda-feira, 19 de setembro de 2011




Duh Secco
entrevista

MARGARETH BOURY




É difícil precisar quem tem a alma mais jovem: os personagens de Rebelde ou a autora da história, Margareth Boury. Nascida em uma família com estreitas ligações com a TV, Margareth deixou a colaboração nas novelas da Globo para ser titular na dramaturgia da Record. Está no ar com sua segunda novela na emissora e entre laudas e mais laudas, encontrou um espaço em sua agenda para nos conceder essa entrevista.


1 - Você está no ar com “Rebelde”, produto concebido a partir de um original da Televisa. Quem acompanha a trama, nota que o desenvolvimento da mesma difere bastante da versão mexicana. Como foi o processo de adaptação da novela? O que se perdeu do original ao abrasileirar a trama?

A versão mexicana de Rebelde tinha muitos personagens dentro do colégio e poucos fora dele. São realidades diferentes: Brasil e México. Enquanto eu via e lia a primeira temporada da novela mexicana, eu já comecei a pensar em como fazer para unir alguns personagens (por exemplo: lá existiam muitos vilões, aqui a gente costuma trabalhar com dois, no máximo). O comportamento dos alunos também era diferente: na versão mexicana existia muito mais sexo, drogas e rock. Aqui, por causa da classificação etária, a gente tem que pegar muito, muito leve em qualquer desses temas. O jeito foi partir para tramas paralelas que fossem atrativas (Vicente e Becky/ o núcleo da família da Zezé Motta/ Pingo e Teresa, Artur e outros mais) e também metralhar nos diálogos, fazendo com que todos falem depressa, quase de maneira febril. Muita comédia e romance. Não sei se eu respondi a sua pergunta, eu acho que nunca respondo direito quando me fazem essa pergunta, porque foi muito fácil adaptar a novela, tive total liberdade para fazer as mudanças que eu achei necessárias então eu acho que quem pergunta fica sempre frustrado com a resposta.


02 - Você ingressou na Record em 2006, após um longo período como colaboradora na Globo. O que levou de sua experiência anterior para sua nova emissora, ainda iniciante na produção de novelas? O que destacaria, entre os trabalhos e os profissionais com os quais conviveu, do período em que esteve na Globo?

Eu levei foi garra! Vontade de escrever. Trabalhei com muitos autores feras.  Acho que o primeiro foi Cassiano Gabus Mendes (com quem colaborei sem crédito ainda em Brega e Chique) - o cara sabia tudo! Era divertido ver o Cassiano criar as tramas em papel, no colo, na sala da casa dele. Com Walter Negrão eu fiz Despedida de Solteiro - nessa novela eu descobri que gostava de escrever pra jovem - peguei a trilha dos personagens mais novos e foi ótimo! Lauro César Muniz e Marcílio Moraes em Sonho Meu. O Lauro é ótimo pra ensinar. Eu me lembro que ele me dizia o seguinte: "já carreguei muito o piano, agora você carrega que eu toco". Isso queria dizer que eu ia escrever muito e ele revisava depois. Foi muito bom, porque o Lauro me ensinou mesmo. Aí eu conheci o Carlos Lombardi! Ele ia fazer Malhação e me chamou pra entrar no time.  Foi eletrizante trabalhar com ele nos anos seguintes. O Lombardi tem uma visão muito diferente de tudo. Ele é extremamente inteligente, pensa a mil e a gente precisa acompanhar. Com ele eu fiz, além de Malhação, Uga Uga, O Quinto dos Infernos e Kubanacan. Foi uma super parceria. Não consigo pensar em um deles. O conjunto me ajudou. O conjunto me supriu de carpintaria, de sagacidade e de vontade. Depois disso ainda fui escrever A Diarista com o Bruno Mazzeo. Criei a irmã gêmea da Marinete e me diverti muito nos dois anos que fiquei no programa.


03 - Na época de “Alta Estação”, você assumiu sua inspiração no seriado “Friends”, ao declarar ao jornal O Globo, em 12 de novembro de 2006: “A ideia de “Friends” é ótima. E as personagens da novela vieram da minha vontade de ver pessoas como os amigos dos meus filhos retratadas na tela”. Ao longo da novela, entretanto, você realizou alterações que acabaram por inserir até mesmo um núcleo policial na trama, descaracterizando a ideia inicial. O que a levou a implantar tais alterações e como foi trabalhar com essas mudanças de rota?

Pois é... Foi chato ter que fazer aquilo. Mas na época eu não tive saída: a novela não ia bem de audiência e eu tive que seguir algumas normas. Não deu certo, claro. Eu gostava muito de Alta Estação. A ideia original, que era lançar gente nova no mercado, deu super certo. Lançamos Andreia Horta, Lana Rodes e muitos outros, como o Lucas Cotrin que agora é um adolescente e está em Rebelde.


04 - Ao Jornal do Brasil, em 04 de fevereiro de 2007, você declarou, sobre a dificuldade de retratar temas mais pesados em “Alta Estação”: “Dizem que este país não tem censura. É uma mentira. Por enquanto, estamos obedecendo as determinações da lei, mas é uma pena que não possamos debater temas mais sérios no horário, que está sendo tão bem aceito pelos jovens”. Em “Rebelde”, você retrata o alcoolismo entre os jovens, o bullying e outros temas de grande importância social. Acredita que algo mudou de 2007 pra cá? Até que ponto a Classificação Indicativa hoje vigente limita os intentos do autor?

A Classificação Indicativa é fato. E contra fatos não tem argumento. Eu prefiro mesmo não falar sobre isso nesse momento.


05 - Seu nome foi cogitado para a adaptação de “A Feia Mais Bela”, primeiro texto da Televisa a ganhar uma versão produzida pela Record (“Bela, A Feia”). Algumas notas sobre a produção começaram a ser divulgadas, inclusive sobre a possibilidade de a protagonista ser rejeitada por conta de sua obesidade. Você, de fato, foi convocada para adaptar a novela? Se sim, quais os motivos de sua substituição pela autora Gisele Joras?

Eu fui chamada em um primeiro momento. Nem sei como isso vazou, porque foi muito rápido. Os motivos da troca? Eu não faço a menor ideia, mas agradeço, pois ela fez super bem Bela e eu estou adorando escrever Rebelde. No fim deu tudo certo.


06 - Entre “Alta Estação” e “Rebelde”, passaram-se quase cinco anos. Neste período, você apresentou à Record as sinopses de “Sambalelê” e “Bem Me Quer”, e trabalhou na adaptação da mexicana “Cuidado Com o Anjo” (posteriormente intitulada Vivendo o Amor). Todos os projetos, entretanto, foram colocados na gaveta. É difícil emplacar uma sinopse na Record? Ou estas sinopses, em específico, é que não se encaixam no tradicional padrão de novela da emissora, sempre com cenas de violência e ação? Acredita que a Record ainda precisa “amadurecer” seu departamento de dramaturgia?

Que pergunta é essa, gente? Eu fiz o que todo autor faz: manda sinopses. Sambalelê jamais foi apresentada na Record. É uma novela que eu quero muito fazer, mas está aqui no meu micro e não na Record. Bem Me Quer foi aprovada, mas logo depois a Record fechou parceria com a Televisa e começamos as adaptações. Cuidado com o Anjo teve vinte capítulos escritos e quando eu ia fazer o vigésimo primeiro, recebi um telefonema do Hiran Silveira e tudo mudou. Na semana seguinte eu estava com o Ivan Zettel indo para o México ter reunião sobre Rebelde. Eu acredito que todos precisamos amadurecer sempre.


07 - O autor Lauro César Muniz declarou ao nosso blog: “As emissoras infelizmente ainda estão cativas de um conceito equivocado de que é preciso baixar o nível porque houve a ascensão de uma nova classe média que se supõe de baixo nível de exigência. (...) Dê qualidade ao público e ele reconhecerá”. Concorda com a declaração de seu colega de emissora? Acredita que as emissoras subestimam a inteligência de seu público? A qualidade das novelas tem piorado ao longo dos anos?

Por partes: eu jamais iria discordar do Lauro, que tem muito mais experiência do que eu. Se ele diz, ele deve saber. O que eu acho é que o público mudou muito. Hoje em dia o culto ao vilão é uma coisa muito estranha: as pessoas adoram os bandidos, os que levam vantagem, os que dão golpes. Acho que é uma maneira que o povo achou para se vingar de tudo o que vê de errado no país. E vamos definir qualidade? O que é? Como fazer? São questões como essas que deixam o autor confuso e eu não quero ficar confusa: eu não gosto de escrever bomba explodindo, gente se matando e vida bandida. Eu não estou escrevendo nada sobre isso. Então, eu acho que a qualidade do meu trabalho está super preservada. A última novela que eu vi como fã foi Roque Santeiro, então... Sim, eu acho que está tudo muito igual.


08 - Você costuma trabalhar sempre com novos colaboradores. Em “Alta Estação”, contou com o auxílio de Claudio Simões, Renata Dias Gomes e Ingrid Zavarezzi. Em “Rebelde”, Renê Belmonte. Todos eles estreantes na colaboração em novelas. Como foi o trabalho com eles e como costuma realizar a divisão de cenas? Acredita que menos colaboradores conferem uma unidade melhor ao trabalho?

O Claudio é um dramaturgo de larga experiência em teatro (temos, inclusive, uma peça escrita juntos). Ele se adaptou muito rápido. A Renata e a Ingrid são dois super talentos, eu tenho certeza que muito em breve elas vão estar como cabeça de novelas ou similar. O Renê é um sonho de consumo meu. Desde que eu vi Se eu fosse você, ou melhor, desde que eu li o filme, eu queria trabalhar com ele. O cara é genial! De verdade mesmo. A gente tem uma química imensa trabalhando. Muitas vezes eu mando a escaleta pra ele e ele nem precisa ler até o fim porque ele estava pensando na mesma coisa. Em Rebelde ele faz toda a diferença. Tenho ainda a Valéria Motta no time e quero mais um colaborador pra essa fase da novela. Acho que uma equipe enxuta é sempre uma equipe que rende mais. Porque eu faço a escaleta do capítulo, que é o mesmo sem os diálogos, mando pra eles com indicação de que cena cada um deles vai fazer. Faço as minhas, recebo as deles, reviso e começo tudo de novo. Com o andamento da novela, cada um vai se identificando com algum núcleo e eu procuro respeitar essa identificação. Eu costumo ficar com os protagonistas sempre e também quando chega personagem novo, eu começo - pra dar o tom. Tem que ser divertido, caso contrário é de matar, porque é uma loucura você ficar vinte e quatro horas em função da trama - e é exatamente isso que acontece.


***