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terça-feira, 23 de outubro de 2012











Glória Guerreira
Salve Jorge traz o que sua autora tem de melhor

por Duh Secco


Qualquer autor tremeria na base diante da responsabilidade de substituir um sucesso como fora Avenida Brasil, fenômeno de crítica, audiência e repercussão. Entretanto, Glória Perez não deixou transparecer nenhum resquício de insegurança ao assumir tal tarefa, ontem, na estreia de Salve Jorge, seu novo trabalho. Unindo realidade e fé, a autora soube dar o pontapé inicial, causando no público impacto semelhante ao causado pelas primeiras emoções da novela antecessora no horário.


A tarefa de Glória é ainda mais ingrata por conta dos comentários do público acerca de seu estilo. Todo noveleiro age como crítico de TV, em conversas com vizinhos ou em uma mesa de bar. Com o advento das mídias sociais, entretanto, as opiniões expressas pelos telespectadores ganharam uma dimensão muito maior, a ponto de definir o sucesso ou não de uma novela, independente da audiência registrada pelo Ibope. Foi assim que Avenida Brasil ganhou tamanha dimensão ao longo de sua exibição. A novela substituía Fina Estampa, trama de Aguinaldo Silva (outro autor que sempre é, previamente, criticado pela comunidade noveleira), que apesar dos bons números foi massacrada pela opinião pública. Assim, João Emanuel Carneiro e Ricardo Waddington, amparados pelo bom trabalho que desenvolveram, fizeram de Avenida Brasil a salvadora da pátria para uma nação interessada em uma novela das 21h com cara de novela das 21h. Glória Perez assume o horário com uma situação inversa: qualquer coisa que possa apresentar em Salve Jorge vai parecer, a princípio, pequena diante da grandiosidade do trabalho anterior.

O fato de a atual novela ter parte de sua trama desenvolvida na Turquia já colabora para que os críticos de plantão, os profissionais ou não, encontrem motivos para criticar o trabalho da autora. O mesmo se reflete no núcleo pobre, desta vez localizado no Complexo do Alemão; e na repetição de tipos, como Diva, personagem de Neuza Borges. A ambientação dada por Glória à praticamente todos os seus trabalhos faz com que eles pareçam previsíveis aos olhos dos telespectadores (e eu me incluo entre estes). Ao que parece, porém, esse não é o caso de Salve Jorge.

Glória prendeu a atenção do público logo nos primeiros minutos da novela, ao abordar a pacificação no Complexo do Alemão, reproduzida na cidade cenográfica e engrandecida por imagens reais. Vimos que a protagonista, Morena (bem defendida por Nanda Costa), padeceu com o conflito instalado entre os traficantes que dominavam a comunidade e a força policial. Além de conviver com a violência na porta de sua casa, Morena precisa se virar para, com o auxílio da mãe, Lucimar (Dira Paes), sustentar o filho que tivera com um traficante, aos 14 anos. A vida difícil que leva, humaniza Morena e pode fazer com que o público não passe a rejeitá-la, quando ela deixar o filho e seu grande amor, Théo (Rodrigo Lombardi), para trás, ao decidir tentar a vida no exterior, sendo aliciada por Lívia (Cláudia Raia), responsável pelo tráfico humano que irá prejudicar diversas personagens ao longo da narrativa. Com esta humanização de Morena, Glória Perez evita cometer o mesmo erro de América, exibida em 2005. Nesta trama, Sol (Deborah Secco) almejava enriquecer nos Estados Unidos, fazendo deste o seu único objetivo na vida. Algo maior do que o amor que sentia pelo peão de rodeio, Tião (Murilo Benício). O resultado da construção errônea no perfil de Sol levou América a uma crise de audiência e a completa desestruturação do casal protagonista, tanto que, no final, Tião e Sol terminaram com outros amores, Simone (Gabriela Duarte) e Ed (Caco Ciocler), respectivamente.


Apesar da dura rotina a qual é submetida, Morena encontra tempo para se divertir nos bailes funk de sua comunidade, o que faz dela uma figura com grande apelo popular. Assim como as irmãs interesseiras Aída (Natália do Vale) e Raquel (Ana Beatriz Nogueira), que prometem disputar a herança de Leonor (Nicette Bruno), e Lurdinha (Bruna Marquezine), uma piriguete que difere de Suelen (Ísis Valverde), moça que ocupava tal posto na novela anterior. O comportamento e as ambições se assemelham, mas Lurdinha não tem tanta noção do perigo quanto Suelen, já que, para conseguir uma vida melhor, não hesita em dar trela aos homens do tráfico do Alemão. É na comunidade que encontramos também dona Lucimar, a mãe de Morena, que também pode ganhar grande empatia por parte do público. É uma mulher devotada às suas raízes, que convive com gente da alta sociedade, que a ludibria sem a menor culpa. Caso de Stênio (Alexandre Nero), que para impedir que os moradores do Alemão delatassem o seu genro Pepeu (Ivan Mendes), tomou para si a responsabilidade pelos cuidados médicos aos quais o senhor que havia sido atropelado pelo jovem precisaria ser submetido. Pepeu é noivo de Drica (Mariana Rios, que ainda apresenta resquícios de Yasmin, sua personagem em Malhação), a irresponsável filha da delegada Helô (Giovanna Antonelli), outra personagem que pode conquistar os telespectadores. Profissional irrepreensível e defensora da lei, a delegada é uma compradora compulsiva e acumula sacolas e mais sacolas em seus armários.


A lei, inclusive, está presente em diversos núcleos de Salve Jorge. Além da delegada Helô e de seu ex-marido advogado Stênio, temos os membros da cavalaria armada das forças do Exército. É lá que encontramos Théo, o protagonista, verdadeiro herói romântico que, em um primeiro momento, não parece afeito a compromissos. Isto até conhecer Morena, com quem cruzou ao final do primeiro bloco e no término do capítulo, quando, em um momento de distração dela, seu filho Júnior (Luís Felipe Melo), correu em direção aos militares, assustando o cavalo de Théo, homem devotado à sua fé em São Jorge.


A temática da fé, aliás, contribuiu para que fanáticos religiosos tentassem promover um boicote à novela, alegando que o título da mesma faz referência a entidades espíritas. Independente do uso da expressão ou não, é de se lamentar que pessoas que pregam a fé sejam tão cegas e arregradas aos ensinamentos de suas religiões, a ponto de incitarem uma revolta contra um produto que, até o momento, não se mostrou afeito a doutrina alguma. É uma falta de respeito tamanha que chega a colocar em descrença os reais motivos pelos quais as pessoas buscam uma religião. A Record, que não faz mais questão de esconder sua ligação à Igreja Universal do Reino de Deus: promoveu a estreia da reprise de Rei Davi na mesma data em que Salve Jorge estreou, proferindo nas chamadas da minissérie, frases como “Você escolhe o que é certo e o que é errado”, como se pregasse que apenas os fiéis da igreja de Edir Macedo fossem dignos de respeito. E audiência.


Glória Perez passou por cima de todos esses comentários, assim como fez em América, quando grupos defensores dos animais a ameaçaram de morte por conta da abordagem do mundo dos rodeios. Sua sensibilidade para perceber temas relevantes, como os que fizeram de Barriga de Aluguel e O Clone, grandes sucessos de audiência, a credencia como uma das grandes autoras do Brasil. A dose de fantasia em que em envolve seus roteiros faz com que muitos a critiquem, tal e qual faziam com Janete Clair, também perseguida pela crítica; naquele tempo, restrita aos jornais e falatório nas ruas. E a atualidade se faz pungente em suas obras, como nas situações em que Sidney (Mussunzinho) divulga detalhes da pacificação do Alemão pela internet ou como quando Demir (Tiago Abravanel) simula passos de “Ai, Se Eu Te Pego", hit de Michel Teló, para turistas brasileiros. Assim, Glória fez de Salve Jorge uma boa estreia, conduzida por uma boa dose de ligação com a realidade, personagens de fácil assimilação e pela direção eficaz de Marcos Schechtman. Que venha o sucesso!


terça-feira, 11 de setembro de 2012








 
Um novo tempo às 18h
Lado a Lado estreia com premissa interessante e elenco afinado

por Duh Secco


Capítulos de estreia quase nunca apresentam todos os conflitos que irão permear uma novela durante sua longa duração, mas costumam deixar claro ao público qual será a temática que irá conduzir todo o seu enredo. Nesse quesito, o primeiro capítulo de Lado a Lado, nova trama das 18h, se saiu muito bem, ao estabelecer o paralelo entre as duas personagens centrais, Isabel (Camila Pitanga) e Laura (Marjorie Estiano). É óbvio que assim como não devemos julgar um livro pela capa, também não podemos avaliar uma novela apenas pelo seu primeiro episódio. Entretanto, a novela que marca a estreia de Cláudia Lage e João Ximenes Braga como autores-solos, reuniu diversos elementos interessantes, que podem fazer da trama um grande sucesso.



A começar pela já citada relação de Isabel e Laura, que, mesmo sem se conhecerem, já demonstraram que irão enfrentar diversas adversidades juntas. São mulheres à frente do período em que vivem, o que implica em diversos conflitos com as ideias arcaicas de seus familiares e um resquício de preconceito oriundo de outros tempos. No primeiro caso, está Laura, que luta contra a tirania da mãe, Constância (Patrícia Pillar), para poder ministrar aulas de teatro; já Isabel enfrenta a hostilidade de um povo ainda contrário à abolição da escravatura e ao fim da monarquia. Tal posicionamento ficou claro quando Albertinho (Rafael Cardoso), irmão de Laura, saía para brincar o carnaval ao lado dos amigos, não sem antes ser repreendido pela mãe: “Festa de respeito só na Rua do Ouvidor”, disse Constância ao filho. Este ignorou o conselho e partiu para a Gamboa, numa folia em que “tudo era possível”, e que, conforme exclamou um dos amigos do rapaz, eles poderiam se divertir com as mulatas, deixando claro o pensamento mundano relacionado à ex-escravas, que ainda habitava a cabeça dos endinheirados. O preconceito destes resvalava também em escritores e atores, conforme a mesma Constância citou, ao dizer que Laura não deveria agir de forma semelhante às atrizes, rotuladas de desclassificadas; e também no momento que Isabel e Zé Maria (Lázaro Ramos) entram em uma confeitaria, sob os olhares repreensivos dos demais clientes do local.

Não me recordo de outra novela que tenha buscado este período da história do Brasil para ambientar sua trama. Lado a Lado traz aqueles que prezavam a monarquia e a escravatura; os que lutavam para construir uma vida digna após a abolição; e os que planejavam construir uma nova sociedade, aproveitando-se do início de um novo século. Apesar do contexto histórico, a novela não buscou um texto com todos os rebuscamentos que o período pedia. O telespectador mais desavisado, que esperava um retrato fiel da história, pode ter se incomodado com isso. Mas os autores já haviam alertado, em entrevistas anteriores à estreia da novela, que estavam buscando uma nova maneira de se dirigir ao público de tramas de época, o que implicaria em diálogos mais informais. A meu ver, um ponto positivo, condizente com a proposta da novela, que também aposta em uma trilha sonora mais moderna.

Como nem tudo são flores, Lado a Lado teve seus tropeços. As cenas que apresentaram Isabel e Laura se revezaram ao longo do capítulo de estreia, o que o tornou um tanto quanto monótono. Algumas sequências soaram didáticas, com repetições em excesso, caso do já comentado trecho em que Constância alerta o filho sobre os perigos do carnaval, classificado como “festa pagã” e “festa da carne”, entre outros adjetivos repetidos a cada fala da ex-baronesa que almeja voltar a ostentar seu título. Alguns personagens, como a oferecida Berenice (Sheron Menezes), parecem fáceis demais, deixando transparecer suas intenções logo no início.

O elenco, muito bem escalado, tem em Patrícia Pillar o seu maior destaque. Sua Constância já pode ser considerada odiosa. Suas artimanhas para impedir que a filha Laura lecione incluem  medidas drásticas, como rasgar o diário da moça, e dissimulação, como quando se fez de mãe confidente e amiga para tentar fazer com que a protagonista aceitasse o casamento com 
Edgar (Thiago Fragoso). Marjorie Estiano e Camila Pitanga são duas estrelas que abrilhantam todas as cenas que participam; Milton Gonçalves é uma grata presença com seu simpático Afonso; e Isabela Garcia acertou na comicidade de sua Celinha, a solteirona que desmaia ao ver a sobrinha, Laura, ensaiando um beijo, enquanto interpretava uma personagem de Aluísio Azevedo. Disputando o coração de Isabel, estão Zé Maria e Albertinho. O primeiro, muito bem defendido por Lázaro Ramos, é marginalizado por sua condição social e também por lutar capoeira, esporte difundido por seus antepassados; o segundo, do bom ator Rafael Cardoso, não parece tão correto quanto Zé Maria, mas a julgar pela cena em que defende Isabel de seus amigos mal-intencionados, promete ser um rival à altura para o ajudante de barbeiro. No segundo capítulo, levado ao ar hoje, novos personagens foram introduzidos e mostraram que o elenco, como um todo, está bem afinado. Guilherme Piva (Delegado Praxedes) e Susana Ribeiro (Tereza) prometem formar um engraçado casal. A atriz saiu-se bem na mudança de comportamento de sua personagem: cômica na presença do marido; amendrontada diante dos desaforos de Constância: e mentindo à Laura, a quem demitiu por imposição da mãe da jovem. Agradavéis presenças também de Bia Seidl (Margarida), Christiana Guinle (Carlota) e Beatriz Segall, ótima como Madame Bensançon. Nome, aliás, advindo da personagem vivida por Henriette Morineau em Escrava Isaura, sucesso de Gilberto Braga, supervisor da nova novela, exibida em 1976.

Lado a Lado tem a direção segura de Dennis Carvalho, que apostou em stock-shots com fotos de paisagens do Rio de Janeiro antigo, algo já visto anteriormente em produções como Terra Nostra e Essas Mulheres, da Record. O diretor fez uso do slow-motion em diversas sequências, garantindo belíssimos takes, como quando Isabel dança em meio aos foliões e no momento em que Zé Maria aplica um golpe de capoeira, usando de uma parede para praticamente voar sobre seu oponente. A abertura, belíssima, também foi concebida em slow-motion, o que garantiu uma riqueza de detalhes impressionante, enaltecida por créditos emoldurados, e pelo inesquecível samba-enredo, que fez da Imperatriz Leopoldinense campeã do carnaval de 1989: “Liberdade, liberdade! Abre as asas sobre nós!”. Que Lado a Lado também possa se sagrar uma campeã de audiência!




terça-feira, 19 de junho de 2012










 

Gabriela: capítulo de estreia morno, porém com belas imagens e ótima audiência.

por Guilherme Staush




Ontem foi o capítulo de estreia de Gabriela, na Rede Globo, nova adaptação do livro de Jorge Amado, desta vez escrita por Walcyr Carrasco, pela primeira vez escrevendo para o horário das 23h, já que o autor se consagrou com novelas leves e de sucesso para o horário das 18h e 19h para a emissora.

O primeiro capítulo encheu os olhos do telespectador com um espetáculo de belíssimas imagens a cargo do diretor Mauro Mendonça Filho. A belíssima fotografia em tons pastel nas cenas do agreste aliada à sensualidade de Juliana Paes ajudou a emissora a marcar 30 pontos de audiência durante a exibição do capítulo.

A novela já começa com bastante ação para conquistar o telespectador de cara. Já no começo do capítulo, as primeiras cenas mostram o Coronel Ramiro Bastos (Antonio Fagundes), em 1895, de arma em punho, tomando as terras de uma família à bala, conquistando o espaço que seria a Ilhéus de 30 anos depois, para onde o telespectador é conduzido na segunda cena do capítulo.

Ilhéus é a terra do cacau, dos coronéis, do comerciante Nacib (Humberto Martins), do boêmio Tonico Bastos (Marcelo Serrado) e das meninas do Bataclã, comandadas por Maria Machadão, pessimamente interpretada pela cantora Ivete Sangalo, que mantém uma singularidade interpretativa irritante e é incapaz de demonstrar sentimentos diferentes, mantendo uma mesma entonação seja para dar boa noite ou para ralhar com uma das quengas do recinto. Aliás, nas redes sociais, foi justamente o Bataclã o que mais chamou atenção dos telespectadores, já que o ambiente mostra um luxo descomunal, hollywoodiano até, para a pobre Ilhéus do início do século XX.


A narrativa lenta da versão de 1975, escrita por Walter George Durst, não teria espaço na televisão dos dias de hoje. O público de hoje é ávido por cenas de ação, diálogos rápidos e objetivos, e neste aspecto, a redução de capítulos para contar a saga de Gabriela e dos coronéis de Ilhéus veio a calhar. É preciso conquistar o telespectador de imediato e já no capítulo inicial, principalmente quando se tem uma forte concorrência na Rede Record: o reality show A Fazenda, que justamente na segunda-feira, convidou o ex-participante da primeira edição (e mais polêmico de todos), o ator Théo Becker, para voltar ao programa.

A aceleração para contar a história é visível desde o primeiro capítulo. Enquanto na primeira versão, Gabriela levou algumas semanas até que chegasse a Ilhéus, no remake, sua chegada aconteceu já no capítulo de estreia, já conquistando o coração do turco Nacib, deixando um clima de romance entre os dois como gancho para o segundo capítulo.

Gabriela é uma personagem bastante fácil sob ponto de vista interpretativo, pois depende bem mais da caracterização da personagem e dos atributos físicos da atriz do que necessariamente de talento artístico. Neste aspecto, Juliana Paes caiu como uma luva, apesar da personagem ficar melhor para uma atriz mais nova.

De resto, o remake apresentou uma trilha sonora idêntica a da versão de Durst, uma Zarolha que não é zarolha, um turco Nacib sem o menor sotaque árabe – o que era o maior charme do personagem interpretado por Armando Bógus na versão de 1975 - e um Antonio Fagundes dando um show de interpretação, como sempre.




terça-feira, 18 de outubro de 2011



"Aquele Beijo" traz humor de Miguel Falabella de volta às 7.

por Guilherme Staush



      Estreou ontem, com 35 pontos de média, “Aquele Beijo”, novela das 19h da Globo, escrita por Miguel Falabella. Foi a maior média dentre as estreias das últimas seis produções do horário. Essa é a segunda novela do autor sem a parceria de Maria Carmem Barbosa, com que fez  "Salsa e Merengue" e "A Lua Me Disse".








     Com direção geral de Cininha de Paula, o capítulo de estreia girou em torno da protagonista Cláudia (Giovanna Antonelli), que em meio a uma crise com o namorado Rubinho (Victor Pecoraro), faz uma viagem a trabalho, e na fila do check in conhece Vicente (Ricardo Pereira), por quem sente um algo a mais naquele momento. 
A novela contou também o drama dos moradores do Covil do Bagre, que sofreram com a ameaça de demolição do prédio onde vivem, para que no lugar seja construído um complexo  de lojas de propriedade do poderoso Alberto (Herson Capri). Os moradores foram salvos no último minuto pelo advogado Vicente, que conseguiu uma liminar impedindo a demolição do prédio, tornando-se um herói, defensor dos fracos e oprimidos, logo nos primeiros minutos de exibição da novela.

      A trama não trouxe grandes novidades, é bem simples (e romântica) por sinal, uma história de amor bem tradicional para quem esperava algo de mais extravagante em se tratando de Miguel Falabella. O grande diferencial é a maneira com que a história está sendo contada. A narração (do próprio Miguel) apresentando as personagens e suas histórias foi um grande acerto. Além de o público ter a oportunidade de conhecer de forma mais aprofundada o perfil das personagens logo de cara, evitou os recorrentes clichês pra lá de didáticos que são típicos do primeiro capítulo de uma novela, e que tanto chateiam os telespectadores mais exigentes. E a voz, já bem familiar do autor, aproxima ainda mais o público da história.

      O núcleo de Mãe Iara (Cláudia Jimenez) e Joselito (Bruno Garcia) foi um dos grandes destaques do capítulo. A farsante mãe-de-santo, que acusa impiedosamente seu ajudante de ter sido o culpado pela morte de sua mãe, ocorrida na porta de sua casa, promete render ótimas cenas de humor. Bruno é sempre ótimo fazendo comédia, e Cláudia, apesar de nos últimos anos ter assumido uma constante expressão trágica em seu rosto e um jeito de falar mais melancólico ainda, faz render o ótimo texto do autor, resultado de uma parceria de anos.

     Um ótimo primeiro capítulo, que cumpriu com louvor a tarefa de apresentar as personagens da novela  ao público e garantir a volta do tradicional humor do horário das 7.  Enfim, pouco a se dizer em se tratando de um simples capítulo. Muitas personagens importantes ainda entrarão em cena, como as de Grazi Massafera e Zezeh Barbosa, e a Maruschka de Marília Pêra deverá ser melhor definida até o final desta primeira semana.

     É sempre um prazer poder rever ótimas atrizes como Patrícia Bueno, de volta às novelas depois de 25 anos (sua última foi "Mania de Querer", na extinta Rede Manchete). Por outro lado, a repetição de papéis a que a maravilhosa atriz Elizângela tem sido submetida nos últimos tempos, chega a ser irritante.

      Outro destaque fica por conta da abertura da novela, que exibe uma sequência de cenas de beijos marcantes da teledramaturgia brasileira, como os de Sassá Mutema e Clotilde em “O Salvador da Pátria”, de Amanda e Herculano Quintanilha em “O Astro” e de Jade e Lucas em “O Clone”, entre outros.

      Na trilha sonora, regravações de antigos sucessos como “Garota de Ipanema” com Daniel Jobim (tema de abertura) se misturam às gravações originais de músicas antigas, como “Garota Sangue Bom”, de Fernanda Abreu e “Flash-Back”, de Dalto, dos anos 80.  Além destas, as recentes “Vai de Madureira", de Zeca Baleiro, e “Exato Momento”, de Zé Ricardo, tema dos protagonistas Cláudia e Vicente, integram a trilha.



CLIQUE AQUI e confira a entrevista exclusiva com o autor Miguel Falabella, realizada pela equipe do AGORA.



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quarta-feira, 13 de julho de 2011



O Astro estreia em ritmo alucinante

por Daniel Pepe


Pontualmente às onze da noite desta terça-feira aconteceu a tão aguardada estreia de O Astro, remake do sucesso de Janete Clair. Como sempre deveria ser, a abertura abriu o capítulo, o que já fez com que a atenção do telespectador não desgrudasse da telinha, atento a cada detalhe, desde as imagens esotéricas esvoaçantes até os créditos que não colaboram com os míopes. Como a original, foi permeada pela onipresença do astro ao som da linda “Bijuterias” de João Bosco. Maior destaque poderia ser dado ao nome de Janete, que, em letras minúsculas, ficou relegado em relação aos demais.


A audiência foi mais do que satisfatória para o horário: média de 28 pontos, com share de 50%. Para que isso acontecesse, foi elaborado todo um marketing especial, desde o lançamento do produto como “novela das onze”, até o ritmo frenético que a direção segura de Mauro Mendonça Filho e equipe imprimiu a este primeiro capítulo, que não apresentou intervalos nos quase 50 minutos de duração. Os personagens foram apresentados em meio a essa rapidez, que culminou em passagens de tempo e vários acontecimentos, deixando, em muitas cenas, um gostinho de “quero mais”, instigações de como e/ou o porquê de alguns fatos terem ocorrido. Como na ótima participação de Francisco Cuoco na pele de Ferragus, o mentor de Herculano (Rodrigo Lombardi) na prisão, que poderia ter sido mais bem explorada. Entretanto, pelo que já se sabe, o personagem ainda reaparecerá.

Algumas boas atuações já eram esperadas, como as de Rodrigo Lombardi – durante toda a trajetória de morador de cidade do interior até virar “O Astro” –, Humberto Martins – como Neco, o amigo traíra que rouba o dinheiro da igreja, deixando recair a culpa sobre Herculano –, Thiago Fragoso – Márcio, o filho rebelde do milionário Salomão Hayalla (Daniel Filho), que não aceita as imposições do pai – e Alinne Moraes – a suburbana que é obrigada a viver na dependência do cunhado Neco, já interligando aí algumas tramas e personagens.

Houve também atuações surpreendentes, como as de Carolina Ferraz – a arquiteta bem sucedida que já se viu encantada por Herculano – e Regina Duarte – a perua esposa de Salomão –, por terem conseguido se despir do estigma a que estavam sujeitas nos últimos papéis. Já Daniel Filho destacou-se mais por estar fazendo uma homenagem ao folhetim original, onde ele foi o diretor, do que propriamente por demonstrar algum destaque na interpretação. Guilhermina Guinle e Marco Ricca fizeram dois tipos bem característicos na recente Ti Ti Ti e já demonstraram ter encarnado bem as respectivas personagens. Outras atuações ainda devem mostrar a que vieram, embora, mesmo com a pouca amostra, já dêem sinal de que será coisa boa, como Fernanda Rodrigues e Rosamaria Murtinho, que estava fazendo falta na televisão.

Como não poderia deixar de ser, um elemento janetiano bem característico fechou o capítulo: o gancho de Márcio ficando nu em frente aos convidados da festa na casa de Salomão.

Espera-se agora a diminuição natural do ritmo e aprofundamento melhor dos detalhes das tramas e perfis dos personagens, que poderão ser bem explorados, já que não existem em excessiva quantidade.

As comparações com a primeira versão serão inevitáveis, desde as diferenças entre as duas tramas e entre as personagens antigas e as atuais. Cabe aos autores a difícil missão de manter a estrutura original bem atualizada e aos telespectadores procurarem entender porque as mudanças foram feitas, sem criticar somente por não ter saído fiel ao original.

quinta-feira, 5 de maio de 2011







VIDAS EM JOGO
Mesmo sem grandes surpresas, a novela da Record promete agradar.


por Guilherme Staush



“Vidas em Jogo”, novela escrita por Cristianne Fridman e dirigida por Alexandre Avancini estreou ontem pela Rede Record, registrando 11 pontos de audiência em pouco mais de uma hora de exibição, sem intervalos. A trama não apresenta exatamente um protagonista, mas várias histórias em núcleos de igual importância, sendo que o grande protagonista é o bolão da loteria que vai unir seus dez ganhadores, como faz questão de explicar a autora da novela, já entrevistada por esse blog (Ler entrevista).

O capítulo inicial apresentou um pouco de tudo, misturando os ingredientes básicos para conquistar telespectadores de todos os gostos: atores jovens e bonitos em sua maioria, uma vilã que já mostrou a que veio, cenas sensuais, muita música e dança, e até um cachorrinho que faz graças. Claro, não faltaram as tradicionais cenas de ação, requisito básico para uma novela da emissora. Já nos primeiros minutos, Francisco (Guilherme Berenguer) encontra-se nos Lençóis Maranhenses em busca dos irmãos perdidos, e é perseguido por dois jagunços do dono das terras onde se encontra. Um pouco depois, Ivan (personagem do ótimo Silvio Guindane) é também perseguido pelas ruas por um agiota, a quem deve muito dinheiro. Na seqüência, a taxista Andrea (Simone Spoladore) é agredida por um grupo de colegas taxistas (!?) por pegar um passageiro no ponto deles.

O capítulo cumpriu com o trivial: apresentou bem as personagens, seus conflitos e suas aspirações, desde a mais simples à mais ambiciosa. A gordinha Margarida (Amandha Lee)  sonha em ganhar uma bolada na loteria para fazer  uma lipoaspiração e conquistar o homem dos seus sonhos. Em contraponto, a ambiciosa Regina (Beth Goulart) não mede esforços para despejar os moradores de um prédio velho do qual ela é proprietária na base da violência. Uma atitude pouco justificável, pelo menos até o encerramento do primeiro capítulo. Beth é uma ótima atriz, mas parece que ainda não encontrou  o ponto de equilíbrio da personagem, que oscila entre a vilã caricata e a mãe amorosa e dedicada. O tom formal dado pela atriz nas cenas de vilania ficou um pouco artificial. Se a ideia era reduzir o tom maniqueísta da personagem, por vezes pareceu que víamos duas personagens diferentes em cena, e interpretadas por duas atrizes distintas.

O grande diferencial de “Vidas em Jogo” é a impressão de estarmos vendo personagens bem construídos, de carne e osso. Percebe-se que todos têm uma presença justificável na novela, uma história interessante a contar, o que pode deixar a trama bem movimentada já nos capítulos iniciais. E esse excesso de peças no tabuleiro pode dar várias opções à autora, caso algum personagem desagrade o público.
Vale destacar os bons desempenhos dos personagens que formam o triângulo principal: Guilherme Berenguer, Julianne Trevisol e Taís Fersoza, que coincidentemente pode ser vista como filha de Beth Goulart também na reprise de “O Clone”, na Globo.
É ótimo, também, poder ver a atriz Lucinha Lins fazendo uma mulher simples, bem diferente das elegantes  Ísis Campobello e Vilma Oliveira Santos, personagens das novelas “Vidas Opostas” e “Chamas da Vida”, respectivamente. Da mesma forma que é um alívio ver Betty Lago deixando os vestidos de griffe de lado para trajar um humilde uniforme de doméstica.

Ponto positivo para a boa direção de Alexandre Avancini e para a ótima trilha sonora, que inclui: É, de Gonzaguinha (tema de abertura); Aprendendo a Jogar (com Elis Regina); Do Leme ao Pontal (na voz de Tim Maia); Noturno Carioca (com Erasmo Carlos), entre outros.



terça-feira, 22 de março de 2011







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Estreia de Rebelde não causa alarde
por Daniel Pepe


Estreou ontem na Rede Record, na faixa das 19h, a adaptação brasileira do original mexicano Rebelde. A autora Margareth Boury e sua equipe imprimiram um ritmo ágil ao primeiro capítulo, sem deixar os acontecimentos atropelados. A ausência de intervalos comerciais, como é de praxe no início das novelas da emissora, e a linguagem videoclipada também contribuíram para que o telespectador não mudasse de canal. Os protagonistas foram bem apresentados e suas histórias aparentemente serão ligadas através do colégio que será cenário da história.

O início do capítulo foi uma menina dançando no palco de uma festa, que de repente é invadida por um sujeito pilotando uma moto. Em seguida veio a legenda identificando que seria mostrado o que aconteceu algumas horas antes. Portanto, logo de cara o telespectador é provocado a pensar qual seria o motivo daquela primeira cena. Não demora muito para entender-se que se trata de um rapaz revoltado com a morte do pai, pela qual jura vingança. É Pedro (Micael Borges), menino pobre que mora com o irmão caçula e a mãe Beth (Cláudia Lira).

Foi introduzida também a história de Roberta (Lua Blanco), focando na sua relação com a mãe Eva (Adriana Garambone), com quem tem pouca diferença de idade. Se por um lado Roberta demonstra ser independente e mais moderna que a mãe, por outro, precisa se render ao fato de ser menor e ainda depender de algumas decisões de Eva. Apesar desse antagonismo entre as duas, a cumplicidade e o companheirismo parecem estar presentes. A chegada do pai, sugerida por um telefonema onde ele requer a guarda da moça, promete acentuar os conflitos do núcleo.

Em contrapartida, Diego (Arthur Aguiar) tem uma relação de submissão em relação ao pai, Leonardo Maldonado (Juan Alba). Por se sentir pressionado a ter um destino profissional com o qual nunca sonhou, encontra refúgio na bebida. Seria uma boa oportunidade para o tema alcoolismo na adolescência ser tratado, de preferência sem didatismos nem exageros.

Esses três jovens personagens ingressarão no colégio Elite Way, instituição que zela por uma rígida educação e é sustentada pelas famílias ricas da maioria de seus alunos. Um deles é Alice (Sophia Abrahão) que já mostra, na recepção à caloura Vitória (Pérola Faria), que essa educação pode não ter os alicerces seguros que os pais dos alunos tanto confiam que tem. Na apresentação ao colégio, Alice convida Vitória para nadar de calcinha e sutiã. Não demora muito para que sejam surpreendidas por Tomás (Chay Suede), que se junta às duas de cueca na piscina. Tomás é neto de Ofélia (Eliana Gutman), que o matricula no colégio na esperança de que receba a educação “vendida” pelo diretor Jonas (Floriano Peixoto), que não liga à mínima para comportamentos rebeldes, desde que as famílias que pagam as polpudas mensalidades não desconfiem.

O capítulo é encerrado com a tal festa da primeira cena, que ocorre no colégio. Alice sobe no palco e realiza um striptease, chocando a todos, especialmente Jonas que se vê em apuros temendo perder a clientela. Quando Pedro chega com a moto, nota-se uma tensão entre os dois, sugerindo um provável envolvimento amoroso. Para completar, o homem a quem Pedro jura vingança pela morte do pai, é Franco Albuquerque (Luciano Szafir), pai de Alice, que chega à festa de surpresa.

Outros personagens também foram apresentados, não tendo ficado perfeitamente clara a ligação entre todos e as histórias. Mas nada que tenha comprometido o que foi importante de passar nessa estreia: a apresentação dos protagonistas com seus conflitos principais. A audiência de 9 pontos foi pouco expressiva, apesar do sorteio realizado no final do capítulo, que deu um automóvel e cinco notebooks a quem respondesse corretamente que fora mostrado algumas vezes no vídeo um avatar pequeno de Roberta.

segunda-feira, 21 de março de 2011











Morde & Assopra: estreia correta.
por Guilherme Staush



A estreia de Morde & Assopra, de Walcyr Carrasco, a nova novela das 7, foi o grande acontecimento do dia de hoje na Rede Globo. É a sétima novela do autor. Walcyr é o autor que mais escreve novelas dentro da emissora carioca nos anos 2000, e agora tem a difícil missão de substituir uma das novelas de maior sucesso, em audiência e popularidade, dos últimos anos: o remake de Ti Ti Ti.

O capítulo começou com uma narração em off feita pelo ator Mateus Solano, um dos protagonistas da trama, dedicando a novela aos japoneses, vítimas dos terríveis acontecimentos que não saíram das manchetes dos telejornais nos últimos dias.

O capítulo focou nas tramas principais da história. Uma delas é a de Júlia (Adriana Esteves), uma paleontóloga que foi ao Japão fazer escavações e encontrou um réptil marinho com chifres, de origem desconhecida. Juntamente com ela, estavam seus companheiros, o escudeiro Cristiano (Paulinho Vilhena) e a traidora Virgínia (Bárbara Paz).

Outra núcleo principal é o de Abner, o proprietário de uma fazenda no interior de São Paulo que sofre uma ameaça de perder suas terras.
O telespectador também foi apresentado a Ícaro, um cientista que está em Tokyo para contatar um especialista em robótica, na tentativa de criar um robô com as características de sua mulher, Naomi (Flávia Alessandra), que desapareceu durante um naufrágio. Ìcaro quer que o robô possua as mesmas características dos humanos, ande, fale, e acima de tudo tenha sentimentos. Certamente, o desaparecimento de Naomi, cujo corpo não foi encontrado, é uma das grandes surpresas da novela: a moça deverá reaparecer, causando muita confusão depois de Ícaro já estar completamente apaixonado por sua “sósia futurista”.

O capítulo terminou com o encontro do par romântico central, Júlia e Abner, após a volta da paleontóloga ao Brasil, já que, por incrível que pareça, ela desconhecia a existência de ossos de dinossauros dentro de seu próprio país.

A união de passado (retratado pela paleontóloga Júlia) e futuro (através do cientista Ícaro) é a grande atração da novela, que promete muito romance, humor e suspense no decorrer de seus próximos capítulos.

O capítulo de estreia foi bem ágil, redondo, correto, marcado por boas atuações. Além disso, é quase que um alívio ver Walcyr Carrasco respirando sem os pulmões de Jorge Fernando, que vem mostrando uma direção rançosa, e transformando cada cena das novelas que dirige em um circo.
Muito mais eficiente é a direção de Rogério Gomes, valorizando o texto do autor e a interpretação dos atores.

Outro ponto positivo foi a escolha do elenco. Bem acima da média se comparado ao das novelas anteriores do mesmo autor. Os atores principais Mateus, Adriana e Pasquim mostraram um ótimo desempenho nesse primeiro capítulo.
Paulinho Vilhena foi uma ótima surpresa, fazendo um dos membros da equipe de Júlia, levemente gago, tímido e apaixonado por sua mestra. Como ponto negativo, fica a atuação da fraquinha Vanessa Giácomo, que não perde o jeitinho da “cabocla” Zuca, papel que lançou a atriz na televisão.

Merece destaque, também, a abertura da novela: uma animação que mostra uma robô e um dinossauro brincando de morder e assoprar, remetendo ao título da trama.

Espero que a novela continue nesse ritmo: sem exageros e sem o habitual humor pastelão, típico das últimas novelas das 7, e livre dos habituais clichês que caracterizaram várias novelas do autor: porquinhos no chiqueiro, vilãs caricatas e guerra de tortas de chocolate na cara.