Somos amantes da teledramaturgia. Respeitamos a arte e a criação acima de tudo. Nosso profundo respeito a todos os profissionais que criam e fazem da televisão essa ferramenta grandiosa, poderosa, que desperta os mais variados sentimentos. Nossa crítica é nossa colaboração, nossa arma, nosso grito de liberdade.



ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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Mostrando postagens com marcador Morde e Assopra. Mostrar todas as postagens
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sábado, 17 de setembro de 2011










por Daniel Pepe, Duh Secco e Guilherme Staush





A reprise de Mulheres de Areia vem mostrando que a novela pouco envelheceu nesses 18 anos que separam a primeira exibição do remake de Ivani Ribeiro e dessa segunda exibição no Vale a Pena Ver de Novo. Além disso, mostra, também, que as novelas sofreram poucas mudanças no que se refere à parte técnica de lá pra cá. Essa afirmação fica mais evidente ao lembrarmos que, em 2001, a reprise da novela A Gata Comeu, 16 anos depois de sua primeira exibição, fez transparecer que a trama, também assinada por Ivani Ribeiro,  estava demasiadamente envelhecida para os padrões de estética da teledramaturgia da época.


Morde & Assopra, novela das 7, de Walcyr Carrasco, respirou aliviada nesses últimos capítulos exibidos, e vem obtendo ótimos índices de audiência. Pelos menos duas tramas da novela têm tido consideráveis movimentações nessas últimas semanas: com o golpe de Cleonice (Vera Mancini) em cima da patroa, apoderando-se da fortuna de Salomé (Jandira Martini), o núcleo saiu um pouco da rotina de cenas repetitivas e rendeu cenas bastante engraçadas por conta dessa inversão de papeis entre patroa e empregada. Da mesma forma, a chegada do pai de Guilherme (Klebber Toledo) na cidade trouxe um novo confilto para Dulce (Cássia Kiss Magro) e para o próprio filho. Enquanto isso, os protagonistas da novela continuam envolvidos em tramas secundárias.


Na quinta-feira Antonio Calloni encerrou sua participação em O Astro. Apesar de o personagem ter sido carismático e bem interpretado, havia caído com Neco (Humberto Martins) num jogo de gato-e-rato que já estava se tornando cansativo. A despedida foi coroada de forma inusitada, um costume dos sambistas de homenagear o falecido tocando algum samba em volta do caixão. Apesar de isto já ter acontecido em outras novelas, não deixa de ser inusitado, além de uma bonita homenagem.


Tal e qual a rádio, as TVs brasileiras estão se vendendo para as mais diversas entidades religiosas. É espantoso o número de pregadores que disputam praticamente a tapa os horários ofertados pelas emissoras. Horários estes que demonstram a ganância dos executivos responsáveis pela TV, que loteiam a programação com tais programas, calculam as cifras que recebem, e se esquecem do respeito ao telespectador. A Rede TV, por exemplo, acaba de vender a faixa do meio-dia. Com o lucro, quitou os salários atrasados, coisa que certamente não teria se investisse em programação de qualidade, o que acarretaria em mais anunciantes e consequentemente, o mesmo lucro que obteve mais facilmente com a venda de horário. A Band loteou o seu Canal 21, que exibe programação religiosa durante todo o dia. E ainda temos a Record, associada à Igreja Universal do Reino de Deus, que substituiu profissionais de TV por bispos, o que certamente complicou o seu projeto rumo à liderança. Mas ainda resta uma esperança: Silvio Santos, mesmo enfrentando dificuldades financeiras no SBT, não cedeu suas madrugadas para os muitos líderes interessados em arrebanhar fiéis. Sinal de que ainda temos alguém com respeito pela TV.


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quinta-feira, 25 de agosto de 2011


 











Nosso convidado da vez é o rio-pretense Fábio Dias, gerente administrativo de um restaurante em São Paulo especializado em culinária libanesa. Ele também comanda o recomendado O Cabide Fala, blog que aborda moda, cultura, lazer, entre outras coisas. Fábio está sempre atento aos números de audiência divulgados pelo Ibope, o que serviu de motivação para o texto que gentilmente nos concedeu. Fica aqui o nosso agradecimento também pela força que sempre dá ao blog!   


Mordeu, Assoprou e passou o Ti-Ti-Ti 
por Fábio Dias R.



Há quem diga que quando uma novela estreia após um fracasso, ela demora um pouco a subir. Mas eu sou da opinião que suceder um fenômeno como foi Ti-Ti-Ti às vezes é muito mais difícil. Morde & Assopra sofreu certa rejeição antes mesmo da estreia. Desde quando foi anunciado o nome provisório “Dinossauros e Robôs”, a trama virou motivo de piada e até chamada de “Mutantes da Globo”.


Mordeu

Após um primeiro capítulo interessante, com direito a terremoto no Japão, elogiado por muitos e com uma alta audiência (33 pontos), a novela desabou no ibope. Os índices chegaram a 24 pontos semanais. Muitos foram os problemas, tramas desnecessárias, a rejeição à robô Naomi, aos sonhos da protagonista com dinossauros,  ao sotaque exagerado dos núcleos caipira e japonês,  a tramas e personagens repetidas. O sinal vermelho foi acionado!


Assoprou

O experiente autor Walcyr Carrasco alterou o tom da novela, interferiu na edição, acelerou algumas tramas, esfriou outras, a robô foi desligada e a verdadeira Naomi voltou. Fez de Cássia Kis Magro a protagonista da novela e de Adriana Esteves sua melhor amiga. O núcleo de Dulce tornou-se o maior destaque da novela. A proposta inicial de comédia virou um dramalhão. Vale destacar também a entrada de Áureo, personagem muito bem defendido por André Gonçalves. 



Passou Ti-Ti-Ti

Após tantas mudanças na trama, a novela é um sucesso de audiência inegável. Até o capítulo 130 soma uma média de 29 pontos, superando Ti-Ti-Ti, que no mesmo período teve 28,8. Pode parecer pouco, mas para uma novela que teve um começo pífio, essa diferença representa uma grande virada. Porém, a trama não é um sucesso de crítica, é mal vista pela maioria dos “telemaníacos” de plantão. Eu não a vejo assiduamente, não sou um fã da novela, mas as cenas de Dulce emocionam e conheço muitas pessoas que amam a novela e não perdem um capítulo.  E por que hoje ela atinge toda essa audiência? Acredito que o texto de Walcyr seja mais popular, todo esse drama apela, e prende mais a atenção do telespectador do que a antecessora. Ti-Ti-Ti era muito mais sofisticada.  Li alguns comentários, em posts anteriores, que Ti-Ti-Ti em certas cenas parecia mais um quadro do Zorra Total. E concordo! Quero deixar claro que esse post é apenas um comparativo de audiência e superação, Ti-Ti-Ti foi uma novela maravilhosa. Considerada a melhor novela  de 2010 pela maioria, inclusive por mim.


Nos gráficos acima podemos verificar os baixos números de Morde & Assopra em seu início e sua volta por cima. Ti-Ti-Ti sempre manteve uma audiência linear sem grandes alterações, não sofreu com baixos índices, mas, também não teve uma audiência alta, como a atual vem obtendo em seus últimos meses.


E pra vocês? Como se explica o sucesso de Morde & Assopra mesmo sendo massacrada pela mídia?

domingo, 21 de agosto de 2011



GUILHERME STAUSH
e n t r e v i s t a  

MATEUS SOLANO


 
"Para inovar na televisão, é preciso aceitar um pouco de rejeição, pelo menos no início".


Mateus Solano Schenker Carneiro da Cunha é um dos mais promissores atores da nova geração. Depois de uma ampla experiência em teatro e diversas aparições em seriados e novelas, seu grande momento veio na minissérie “Maysa – Quando Fala o Coração”, onde o ator interpretou o compositor Ronaldo Bôscoli. O sucesso foi instantâneo! Mateus logo virou o mais novo queridinho da Rede Globo, e logo foi convidado para viver os gêmeos Jorge e Miguel de “Viver a Vida”, do autor Manoel Carlos. Atualmente, ele dá vida a Ícaro, um gênio da robótica na novela das 7, “Morde & Assopra”.
O sorriso carismático, o talento e a versatilidade de Mateus fazem dele uma grande promessa para as futuras produções televisivas, teatro e cinema, e é uma grande satisfação poder contar com um jovem talento em nossa galeria de entrevistados.


Entrevista elaborada por Guilherme Staush.

1. O autor Paulo Autran declarou inúmeras vezes que só lhe ofereciam papéis de débil mental nas novelas, embora tenha feito grande sucesso em obras como “Pai Herói”, “Guerra dos Sexos” e “Sassaricando”. Assim como ele, é bastante comum ver os atores menosprezarem seus trabalhos na televisão. Você acha que esse veículo realmente oferece trabalhos menos importantes e significativos na carreira de um ator do que o teatro pode proporcionar? Por que o público sempre tem a impressão de que os atores levam o teatro mais a sério do que a TV?

Eu não menosprezo a TV e tenho respeito pela enorme importância da novela para a cultura brasileira. Novelas são mais voltadas para o entretenimento, e são feitas para um público tão grande que precisam ter algumas regras e limites nessa forte identificação que o público constrói com os personagens.

No teatro, e também no cinema, se pretende discutir mais a fundo o ser humano, levantar questões polêmicas, movimentar o mundo. E com uma liberdade absoluta. Muitas novelas conseguiram fazer isso! Mas a TV hoje brinda o espectador com o que ele já conhece, e  ama!

São veículos diferentes. O teatro é a casa do ator. É onde ele mais aprende, inclusive para fazer TV.
 

2. Diferente de alguns atores, você nunca havia tido um personagem fixo em uma novela, até protagonizar “Viver a Vida”. Fez alguns episódios de diferentes seriados e pequenas participações em novelas (chegou, inclusive, a fazer dois personagens diferentes em “Paraíso Tropical”). E já na primeira novela com papel fixo, encarou um grande desafio: fazer os gêmeos Jorge e Miguel numa novela das 9. Isso normalmente significa um “tudo ou nada” na carreira de um ator dentro da Globo. Você estava bastante seguro, na época, pelo fato de já ter tido bastante experiência em teatro, ou teve medo desse grande desafio de fazer esses dois protagonistas logo de cara?
Um desafio é sempre um desafio. Tenho segurança no meu trabalho, mas guardo sempre um espaço para o medo, o temor, que é muito importante. Além da experiência no teatro e nas participações que eu vinha fazendo na TV Globo, o que me ajudou muito para encarar Jorge e Miguel foi a preparação que fiz durante 1 mês com a Patricia Carvalho antes de começarem as gravações.
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3. Em entrevista à jornalista Marília Gabriela, no GNT, você fez a seguinte declaração: “Com a fama, a intimidade das pessoas aumenta em relação ao que elas pensam que eu sou, e não ao que eu realmente sou, e isso não é bom”. Como você convive atualmente com o peso da fama? O que é que mais te incomoda pelo fato de você ser famoso?
Convivo muito bem hoje com o fato de ser famoso. O que mais me incomoda é perceber como certo tipo de imprensa pasteuriza a gente e transforma nossa vida pessoal em outra novela, impunemente e sem qualquer espécie de remuneração. Ganha-se muito dinheiro com a vida pessoal das pessoas. Ao meu ver, isso é errado. Acho que a única vida pessoal que devia interessar ao público é a vida pessoal do político, que devia prestar contas pra sociedade do que faz com o nosso dinheiro. Se o brasileiro se interessasse mais por política.... não ia ter pra ninguém!
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4. Segundo algumas fontes, antes mesmo de obter os resultados da primeira pesquisa feita pelos grupos de discussão na novela “Morde & Assopra”, o autor Walcyr Carrasco resolveu fazer algumas alterações no núcleo dos robôs da novela. Seu personagem, o Ícaro, é um dos protagonistas da trama deste núcleo, que tinha um dos principais motes da novela. Quais foram os ganhos e as perdas de seu personagem com essas mudanças?
Acho que o personagem só foi ganhando durante a novela. Walcyr tenta adequar sua história ao gosto do público que a assiste. Foi só depois do primeiro grupo de discussão que ele resolveu mexer na novela, logo na segunda semana.
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5. Ainda que “Morde & Assopra” seja uma novela das 7, horário caracterizado pelas comédias rasgadas, percebe-se nitidamente que as tramas dramáticas ganharam bem mais destaque no decorrer da novela, como a de Dulce (Cássia Kiss Magro) e a de Alice (Marina Ruy Barbosa), ambas envolvidas em dramas familiares. Isso mostra que o público ainda quer “mais do mesmo”, rejeitando as tramas mais inovadores e cômicas da novela. Qual sua percepção disso?  

Para inovar é preciso aceitar um pouco de rejeição, pelo menos no início. A TV Globo inova muito nas suas minisséries à noite, mas precisa de seu público fiel durante o dia. Portanto o IBOPE vai dizendo se esse ou aquele tema está dando certo. Acho que o público de novela gosta de assistir o que já conhece e adora. Revistas contam tudo o que vai acontecer no mês seguinte; o público compra a revista, sabe o que vai acontecer, e vai pra TV assistir aquilo que já leu. Porque ele sabe o que vai sentir. O brasileiro trabalha o dia inteiro e, quando chega em casa, quer ligar a TV e relaxar com uma história gostosa, feita pra ele.
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6. Como surgiu a ideia de você, juntamente com os atores Wagner Moura, André Frateschi e Marcelo Laham gravarem o “Funk do Jussa”, nos bastidores da minissérie JK? Vocês esperavam que fosse virar um “hit” no Youtube?
Foi uma brincadeira nos bastidores! Claro que não esperávamos por nada, além disso. Mas foi tão divertido e o André é tão criativo (ele fez a música e editou o vídeo) que deu certo.
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7- Hoje em dia, nas telenovelas brasileiras, ninguém bebe, ninguém fuma, ninguém faz sexo, os negros são chamados de “torradinhos”, e personagens com má conduta acabam ofendendo pessoas que compartilham da mesma profissão. O que você acha dessa onda do “politicamente correto” que o Brasil está vivendo, e que se reflete tanto nas telenovelas?
Novelas não fariam sucesso se não refletissem o gosto do público que as assiste. Esse tal "politicamente correto" é uma faca de dois gumes. É uma coisa nova e tudo o que é novo vem cheio de arestas e precisa ser adequado aos poucos. Outro dia comprei um DVD pra minha filha onde se cantava "Não atire o pau no gato-to, porque isso-so, não se faz, faz, faz...". Aí já acho demais! A maldade deve fazer parte do universo da criança também, pois não existe bondade sem a maldade. E eu nunca atirei nada em gato nenhum por causa disso. Então existe muita hipocrisia também. Agora, as novelas têm um poder de influência muito grande. Por isso entendo não se fumar ou fazer cenas de sexo numa novela que passa de tarde. Crianças são altamente influenciáveis. Há que se ter cuidado com o que vamos mostrar a elas, sem lhes roubar a inocência e pureza da infância. Quanto ao racismo, ele existe na sociedade e por isso é retratado na novela. O que não nos impede de ter um casal negro na novela das 9 fazendo muito sucesso.
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BATE-BOLA
A melhor novela que já assisti foi ... Que Rei sou Eu?
Ser pai é ... ser feliz.
O maior sacrifício que faço em benefício do meu corpo/saúde é ... tomar antibióticos.
Uma cena de novela inesquecível: A descoberta dos diamantes em "O Mapa da Mina"!
Um vilão/vilã de novela inesquecível: Nazaré (Renata Sorrah) em "Senhora do Destino".


sexta-feira, 17 de junho de 2011












por Daniel Pepe e Duh Secco


Irritante a exposição excessiva de Ronaldo nos programas da Globo. O “Fenômeno” (de mídia e não de futebol) esteve presente em quase todas as atrações da emissora na semana em que se despediu dos gramados. O intuito da Globo parece ser mesmo o de promovê-lo a comentarista da casa. Mas a julgar pelo desempenho de Ronaldo nas inúmeras atrações das quais participou, podemos concluir que vai ficar muito difícil acompanhar as partidas de futebol no canal dos Marinho. Já contamos com um intragável Galvão Bueno, que com sua narração, resumiu o último amistoso da seleção com a participação de Ronaldo a uma retrospectiva da carreira do agora ex-jogador.

Segundo Flávio Ricco, a Record retirou Navegantes, próxima novela de Lauro César Muniz, da sua lista de prioridades. Com isso, já podemos prever um aumento no número de capítulos de Vidas em Jogo, atual cartaz das 22h15. É mais uma prova da já conhecida desorganização do complexo de estúdios da Record, o RecNov. A dramaturgia da emissora parece seguir a duras penas, com produções constantemente esticadas e outras proteladas, além do atraso nos licenciamentos dos produtos gerados pelas novelas da casa, como os de Rebelde. Enquanto a emissora ainda prepara o CD do grupo, para só depois lançar os demais produtos com a marca Rebelde, os camelôs já produziram suas versões para camisetas, bolsas, bonés e por aí vai. Assim não dá!


Não é novidade que Sílvio Santos costuma intervir em mudanças na teledramaturgia do SBT quando a audiência não está de acordo com o que ele considera satisfatório. Da mesma forma, não é novidade que Tiago Santiago faz mudanças bruscas em suas tramas para colocá-las nos trilhos. Junta-se os dois e agora teremos uma transformação em "Amor e Revolução". Segundo nota divulgada nesta semana pela Folha de São Paulo, a novela abordará o minimamente possível sobre política. Não deixa de ser muito bizarro uma novela ter o assunto principal praticamente abolido da trama. Outras soluções seriam mais sensatas, como o encurtamento da trama, ou uma mudança mais amena. Mas juntando Sílvio Santos e Tiago Santiago não se poderia esperar outra coisa.

Desde que Cássia Kis Magro (antiga Cássia Kiss) protagonizou alguns capítulos de "Morde & Assopra", pensou-se que o aumento no Ibope duraria até quando ela perdesse o destaque. Mas não foi o que aconteceu, a novela continuou marcando mais de 30 pontos mesmo depois dos holofotes terem se afastado um pouco da sofrida Dulce. O que seu viu foi o confronto da Naomi robô com a Naomi verdadeira dominar a novela. Sósias, gêmeos e clones, ou seja, personagens que têm a mesma cara sempre deram audiência e dessa vez não está sendo diferente. Mas mais uma vez pergunto: até quando esse fato conseguirá sustentar a audiência da novela, que ainda tem mais 4 meses no ar? Não me parece que possa aparecer outra trama capaz de segurar o Ibope. A não ser o hábito do público.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

TV In e TV Out

por Daniel Pepe


Na segunda, em "Insensato Coração", a cena em que Vitória (Nathália Timberg) manda Carol (Camila Pitanga) demitir sua amiga Cláudia (Cristina Flores), para que Raul (Antonio Fagundes) conseguisse recolocar-se profissionalmente. Nathália e Camila estiveram bem como sempre em cena, mas o que é interessante destacar é a naturalidade como Vitória expôs a questão à sua subordinada, já que deve ter se deparado com casos similares outras vezes, pelo tempo de trabalho como empresária. Vitória não é vilã, nem demonstrou dúvidas quanto ao seu caráter até o momento, exceto por essa situação polêmica que divide opiniões e que ocorre entre pessoas "do bem" na vida real.


O entrecho do casamento não realizado entre Abner (Marcos Pasquim) e Celeste (Vanessa Giácomo) em "Morde & Assopra", no capítulo de quarta. Esse tipo de situação se tornou tão clichê que não causa mais surpresa, mas aborrecimento por demonstrar falta de criatividade. É o tipo de coisa que dá certo de tempos em tempos por ser uma situação inusitada, mas de uns tempos pra cá tem ocorrido demais, algumas vezes na mesma novela.

segunda-feira, 18 de abril de 2011




WALCYR CARRASCO







Nosso quarto entrevistado é o autor Walcyr Carrasco, que coleciona vários sucessos na TV, como: Xica da Silva, O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta, Alma Gêmea, Caras & Bocas, e que atualmente escreve "Morde & Assopra", a novela das 19h da Rede Globo.


Fomos bem diretos em nossas perguntas, que acreditamos habitar o consciente de vários telespectadores que conhecem a obra e o estilo do autor. O resultado foi uma entrevista sem rodeios, de ambas as partes.





Duh Secco pergunta:
1- Você é um dos autores que mais tiveram tramas reprisadas no Vale a Pena Ver de Novo, nesta última década. Enquanto alguns repetecos elevaram a audiência das tardes, outros amargaram números baixos. Costuma ver reprises? Se costuma, qual é a sensação de ver um trabalho seu no ar, sem ter a obrigação de entregar capítulos toda semana e responder pela produção? Acredita que o gosto do público mude da exibição original para a reprise?
Eu não acompanho as reprises de minhas novelas. Escrever para mim é uma experiência pessoal muito intensa, que se torna mais viva à medida que a novela vai ao ar. Durante as reprises eu estava envolvido com novelas em fase de gravação e não quis me dividir.
Quanto a outras novelas que tiveram índices baixos na reprise, desconheço. "Sete Pecados" teve médias baixas no início, mas terminou muito bem.

Guilherme Staush pergunta:
2- Se por um lado o diretor Walter Avancini era bastante competente, por outro pesavam fortes rumores de seu comportamento autoritário, principalmente na Rede Manchete, onde ele parecia ser “o pai” dos projetos apresentados na emissora, naquela época. De que maneira ele interferiu no teu trabalho durante a novela “Xica da Silva”, levada ao ar entre 1996-1997? Como era a relação autor-diretor?
O projeto original de "Xica da Silva" era meu. Mas o Walter Avancini era um grande diretor, genial na verdade e eu, um autor em início de carreira. Ele desafiou minha criatividade, me orientava, enfim, ele me estimulou a buscar o melhor de mim mesmo. Minha vida se divide entre antes e depois de Walter Avancini.

Ivan Gomes pergunta:
3- Você trabalhou em muitas novelas com Jorge Fernando e atualmente Rogério Gomes dirige “Morde & Assopra”. Como mudanças de direção podem interferir no resultado do teu trabalho?
Cada diretor tem seu estilo, e é normal que a novela reflita o estilo do diretor. Eu tive sorte na vida, porque todos os diretores com quem trabalhei se tornaram meus amigos pessoais: o Walter Avancini, o Jorge Fernando e o Rogério Gomes. E isso torna o trabalho mais afinado!

Daniel Pepe pergunta:
4- Na maioria de suas novelas estão presentes alguns personagens típicos, como o avarento (conde Klaus-Chocolate com Pimenta, Salomé-Morde e Assopra), o caipira (Petrucchio-O Cravo e a Rosa, Abner-Morde e Assopra), o gordo que tem problemas com a balança (Perseu-Sete Pecados, Ísis-Caras & Bocas) a madame preocupada com a estética do rosto (Rebeca-Sete Pecados, Minerva-Morde e Assopra). Existe algum objetivo específico para a presença desses personagens nas tramas? Alguma mensagem que você queira passar através deles para justificar essa recorrência?
Existe sim, uma história. Minha formação é literária e teatral. Inclusive traduzi textos de Shakespeare e Moliere. E isso influencia grandemente a minha criação. Molière, por exemplo, trabalha com esses tipos caracteristicos, como o avarento.

Fernando Russowsky pergunta:
5- Em entrevista ao site Na Telinha, tu declaras não estar “de fato preocupado em criar uma identidade diferente e sim em criar um estilo”. Pois o estilo de O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta, Caras & Bocas e Morde e Assopra é diferente do de Xica da Silva, Cortina de Vidro e o início de A Padroeira, bem como Esperança, por ti concluída. Como é transitar por linhas tão diferentes? Além disso, tens diversos livros publicados e peças teatrais encenadas. Não pensas em adaptar algum destes trabalhos para a televisão?
Eu trabalho sim, com uma diversidade de estilos. Meus livros e crônicas são muito diferentes de minhas novelas. Quis dizer que a identidade é uma consequência do modo de escrever do autor, que se entrega ao texto. E talvez por me dividir tanto, nunca tenha pensado em adaptar um livro meu.

Guilherme Staush pergunta:
6 - Com exceção de “A Padroeira” (2001-2002), os teus projetos apresentados na Rede Globo foram muito bem sucedidos. A que você atribui o fato de essa novela não ter tido a mesma repercussão que as demais, inclusive sofrendo algumas modificações no início para aumentar a audiência?
Primeiro, quero deixar claro que essa história de "modificações para aumentar a audiência" é muito mal interpretada, principalmente pela mídia. A novela é uma obra aberta e sim, a TV se preocupa com a audiência. Como obra aberta, está em constante mudança, em função do resultado de algumas tramas, de interpretações de atores. Agora, você imagina que alguém escreveria uma novela para diminuir a audiência? Impensável. Toda novela, enquanto está sendo escrita, busca a audiência, embora não tão objetivamente como pareça. Se um personagem não me cativa, talvez devido a interpretação do ator, por que mantê-lo? Se não cativa a mim, não cativará o público.
O problema é que a mídia gosta de dar um tom escandaloso a mudanças em uma novela, como se fosse um ato de desespero. Não é. Faz parte do cotidiano do novelista. O resto é vontade de fazer escândalo.
Mas "A Padroeira" tem um motivo muito difícil para mim, por não ter dado certo no início: o diretor Walter Avancini, meu amigo querido, faleceu nos primeiros capítulos. Foi doloroso demais para mim.

Guilherme Staush pergunta:
7- Segundo notas publicadas em alguns jornais, você tem interferido na edição da novela “Morde & Assopra”. Por que isso tem acontecido e de que forma se dá essa interferência?
Sempre interferi na edição de novelas. Isso é normal no começo de uma obra. Agora, no caso de "Morde & Assopra" eu realmente escrevi capítulos enormes e tivemos que cortar cenas. Além disso, algumas cenas estavam longas demais, e eu quis diminuí-las. Isso se deveu a um problema comum no inicio da novela: o autor quer explicar a história para o público e para si mesmo, e às vezes se torna repetitivo. Quis deixar alguns diálogos mais enxutos.

PERGUNTA DE AUTORA PARA AUTOR 
Renata Dias Gomes pergunta: Walcyr, você escreve novela sozinho, bate papo no twitter, malha com personal e fuma charuto pra meditar. Como você concilia todas essas atividades em 24 horas?
Humm...também leio muito, escrevo teatro, meus livros infantis, faço yoga, cozinho, frequento a ordem rosacruz...e gosto bem de namorar! Ah, eu não sei com consigo, mas adoro viver assim, com muita coisa pra fazer! Mas não escrevo a novela sozinho. A Claudia Souto, o André Ryoki e agora o Daniel Berlinsky estão comigo. Apenas trabalho de forma diferente dos outros autores: escrevo o capítulo inteiro, com todas as falas, e depois trabalhamos juntos para aprimorar o texto.

Duca Rachid pergunta: Walcyr, querido! Tenho muita curiosidade em saber uma coisa: sei que você tem uma intuição muito forte mas, além da intuição, o que te levou a juntar a Thelma e eu?Por que é que você apostou nessa parceria?
Foi pura intuição. Eu sabia que ia dar certo. E deu! E por falar nisso, "Cordel Encantado" é uma belíssima novela. Parabéns pra você e pra Telma!




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sexta-feira, 25 de março de 2011










Uns mordem, outros assopram
por Fernando Russowsky


A abertura de
Morde e Assopra está dando o que falar. Uma rápida passada por fóruns basta para se notar que teve gente que amou e gente que odiou. Difícil é achar pessoas indiferentes. Eu gostei.

Não é um trabalho que se possa chamar de original, já que a ideia de uma animação bem-humorada com personagens antropomorfizadas foi utilizada, há alguns anos, em Pé na Jaca (2006). Acredito que, como ocorreu com os bichos da fazenda na vinheta da novela de Carlos Lombardi, as crianças, especialmente as menores, vão grudar os olhos na telinha sempre que entrarem no ar as peripécias da robô e do dinossauro, que traduzem, de forma clara e divertida, a expressão “morder e assoprar”, bem como o confronto entre o velho e o novo proposto na obra.

Tenho notado que o que mais chocou os postantes de fóruns e grupos de discussão foi a ênfase dada aos sons incidentais. Há quem compare com a iniciativa mais radical neste sentido, Sinal de Alerta (1978), cuja abertura contava apenas com ruídos, sem música. Percebo maior semelhança com o caso de A Indomada (1997): havia um tema, mas este estava ali apenas para fazer fundo aos barulhos e às imagens. Confesso que a mim causou estranheza na primeira vez que assisti, mas fui me acostumando e pouco depois já estava achando genial. Contra a novela de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, a Globo cometeu uma crueldade: já nos primeiros dias de exibição, alterou o trecho e aumentou o volume da música. Na reprise, chegou ao cúmulo de substituí-la. Espero que na obra de Walcyr Carrasco a emissora tenha peito para resistir e manter a proposta até o final.

Para mim, a abertura de Morde e Assopra é uma demonstração de que a reciclagem de ideias, quando feita com criatividade, pode surpreender e repercutir. Há tempos, creio que desde A Favorita (2008), uma abertura não é tão comentada quanto a própria novela.
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segunda-feira, 21 de março de 2011











Morde & Assopra: estreia correta.
por Guilherme Staush



A estreia de Morde & Assopra, de Walcyr Carrasco, a nova novela das 7, foi o grande acontecimento do dia de hoje na Rede Globo. É a sétima novela do autor. Walcyr é o autor que mais escreve novelas dentro da emissora carioca nos anos 2000, e agora tem a difícil missão de substituir uma das novelas de maior sucesso, em audiência e popularidade, dos últimos anos: o remake de Ti Ti Ti.

O capítulo começou com uma narração em off feita pelo ator Mateus Solano, um dos protagonistas da trama, dedicando a novela aos japoneses, vítimas dos terríveis acontecimentos que não saíram das manchetes dos telejornais nos últimos dias.

O capítulo focou nas tramas principais da história. Uma delas é a de Júlia (Adriana Esteves), uma paleontóloga que foi ao Japão fazer escavações e encontrou um réptil marinho com chifres, de origem desconhecida. Juntamente com ela, estavam seus companheiros, o escudeiro Cristiano (Paulinho Vilhena) e a traidora Virgínia (Bárbara Paz).

Outra núcleo principal é o de Abner, o proprietário de uma fazenda no interior de São Paulo que sofre uma ameaça de perder suas terras.
O telespectador também foi apresentado a Ícaro, um cientista que está em Tokyo para contatar um especialista em robótica, na tentativa de criar um robô com as características de sua mulher, Naomi (Flávia Alessandra), que desapareceu durante um naufrágio. Ìcaro quer que o robô possua as mesmas características dos humanos, ande, fale, e acima de tudo tenha sentimentos. Certamente, o desaparecimento de Naomi, cujo corpo não foi encontrado, é uma das grandes surpresas da novela: a moça deverá reaparecer, causando muita confusão depois de Ícaro já estar completamente apaixonado por sua “sósia futurista”.

O capítulo terminou com o encontro do par romântico central, Júlia e Abner, após a volta da paleontóloga ao Brasil, já que, por incrível que pareça, ela desconhecia a existência de ossos de dinossauros dentro de seu próprio país.

A união de passado (retratado pela paleontóloga Júlia) e futuro (através do cientista Ícaro) é a grande atração da novela, que promete muito romance, humor e suspense no decorrer de seus próximos capítulos.

O capítulo de estreia foi bem ágil, redondo, correto, marcado por boas atuações. Além disso, é quase que um alívio ver Walcyr Carrasco respirando sem os pulmões de Jorge Fernando, que vem mostrando uma direção rançosa, e transformando cada cena das novelas que dirige em um circo.
Muito mais eficiente é a direção de Rogério Gomes, valorizando o texto do autor e a interpretação dos atores.

Outro ponto positivo foi a escolha do elenco. Bem acima da média se comparado ao das novelas anteriores do mesmo autor. Os atores principais Mateus, Adriana e Pasquim mostraram um ótimo desempenho nesse primeiro capítulo.
Paulinho Vilhena foi uma ótima surpresa, fazendo um dos membros da equipe de Júlia, levemente gago, tímido e apaixonado por sua mestra. Como ponto negativo, fica a atuação da fraquinha Vanessa Giácomo, que não perde o jeitinho da “cabocla” Zuca, papel que lançou a atriz na televisão.

Merece destaque, também, a abertura da novela: uma animação que mostra uma robô e um dinossauro brincando de morder e assoprar, remetendo ao título da trama.

Espero que a novela continue nesse ritmo: sem exageros e sem o habitual humor pastelão, típico das últimas novelas das 7, e livre dos habituais clichês que caracterizaram várias novelas do autor: porquinhos no chiqueiro, vilãs caricatas e guerra de tortas de chocolate na cara.