Somos amantes da teledramaturgia. Respeitamos a arte e a criação acima de tudo. Nosso profundo respeito a todos os profissionais que criam e fazem da televisão essa ferramenta grandiosa, poderosa, que desperta os mais variados sentimentos. Nossa crítica é nossa colaboração, nossa arma, nosso grito de liberdade.



ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

Free DHTML scripts provided by Dynamic Drive

Mostrando postagens com marcador Mulheres De Areia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mulheres De Areia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de março de 2012





por Duh Secco







Encerrada na última sexta, A Vida da Gente foi um grande acerto na carreira de Lícia Manzo, estreando como titular em novelas. A trama ficou marcada pela supremacia de personagens femininas e por dar preferência aos diálogos, minimizando a ação, o que por vezes deixou os capítulos um tanto exaustivos e angustiantes, conforme disse o Ministério Público ao reclassificar a trama como imprópria para menores de 10 anos, durante sua exibição. Fernanda Vasconcellos, como Ana, se firmou como protagonista, em seu melhor trabalho em TV até o momento. Chamou a atenção também os bons desempenhos de Marjorie Estiano (Manu), Nicette Bruno (Iná), a menina Jesuela Moro (Júlia), Ana Beatriz Nogueira (Eva) e Gisele Fróes (Vitória). O destaque dado ao triângulo amoroso central, formado por Ana, Manu e Rodrigo (Rafael Cardoso), colocou em segundo plano personagens interessantes como Eva e Vitória. A primeira não teve mais embates com o ex-marido Jonas (Paulo Betti), cujo divórcio no primeiro capítulo deflagrou a ação da novela. Jonas, um dos protagonistas no início, distanciou-se da trama central, o que soou estranho ao telespectador, que esperava por uma relação maior do advogado com os filhos, Rodrigo e Nanda (muito bem interpretada por Maria Eduarda). Já Vitória, perseguida no início por Alice (Sthefany Brito), a filha que abandonou no passado, não teve mais encontros com a moça, nem mesmo com o pai biológico desta, Renato (Luiz Carlos Vasconcelos). Pequenos deslizes em uma obra de grande repercussão (apesar da baixa audiência), dirigida com maestria pelo competente Jayme Monjardim.


E ontem, segunda-feira, estreou Amor Eterno Amor, a substituta de A Vida da Gente no horário das seis. Imagens belíssimas capturadas pela competente equipe de Rogério Gomes e Pedro Vasconcellos deram o tom do capítulo, que nos apresentou a trajetória de vida do protagonista, Rodrigo / Carlos (Caio Manhete / Gabriel Braga Nunes). Em poucos minutos, soubemos que Rodrigo era o filho desaparecido de Verbena (Ana Lúcia Torre), que havia sido criado, em Minas Gerais, por Angélica (Denise Weinberg) e Virgílio (Osmar Prado), padrasto de quem fugira após a morte da mãe adotiva. As angústias do menino foram apresentadas nas cenas que ele dividia com Elisa (nesta fase, vivida por Júlia Gomes), estando os dois sempre protegidos por Lexor (Othon Bastos), espírito de luz que os guia. Anos se passam e vemos Carlos, nome que Rodrigo recebeu da mãe adotiva, na Ilha de Marajó, onde ganha a vida como domador de búfalos. Apesar de interessante, o capítulo padeceu de uma grande falta de ritmo, embora tenha apresentado importantes acontecimentos que influenciarão o desenrolar da história. Texto e elenco corretos. E um pequeno deslize de caracterização: as perucas usadas por Cássia Kiss Magro (Melissa) e Ana Lúcia Torre. Dispensáveis.

Aquele Beijo, em sua reta final, vem apresentando elementos de outra trama de Miguel Falabella. Através de Dalva (Mariah da Penha), a babá do filho de Ricardo (Frederico Reuter) e Camila (Fernanda Souza), o autor aborda, assim como em A Lua Me Disse, o preconceito contra a própria raça. Na novela de 2005, Falabella focou o tema no humor das irmãs Whitney (Mary Sheila) e Latoya (Zezeh Barbosa). Desta vez, a trama toma contornos mais sérios e Dalva age quase como uma vilã, atrapalhando o romance de seu patrão com a cabeleireira Bernadete (Karin Hills), pelo simples fato de não aprovar o relacionamento do médico com uma negra. As cenas em que Dalva discrimina, veladamente, Bernadete, servem como mais um atrativo desta boa trama.

O Vale a Pena Ver de Novo encerra, na próxima sexta, a reprise de Mulheres de Areia. O clássico de Ivani Ribeiro que manteve em alta a audiência das tardes será substituído por Chocolate com Pimenta. Chama a atenção a escolha da Globo por uma novela exibida a menos de dez anos e já reprisada, seis anos atrás. Nota-se, com esta decisão, o bom cartaz que Walcyr Carrasco tem com a direção do canal. Resta saber se a saga de Ana Francisca (Mariana Ximenes), em sua vingança contra os que a humilharam no passado, irá agradar novamente ao público.

sábado, 17 de setembro de 2011










por Daniel Pepe, Duh Secco e Guilherme Staush





A reprise de Mulheres de Areia vem mostrando que a novela pouco envelheceu nesses 18 anos que separam a primeira exibição do remake de Ivani Ribeiro e dessa segunda exibição no Vale a Pena Ver de Novo. Além disso, mostra, também, que as novelas sofreram poucas mudanças no que se refere à parte técnica de lá pra cá. Essa afirmação fica mais evidente ao lembrarmos que, em 2001, a reprise da novela A Gata Comeu, 16 anos depois de sua primeira exibição, fez transparecer que a trama, também assinada por Ivani Ribeiro,  estava demasiadamente envelhecida para os padrões de estética da teledramaturgia da época.


Morde & Assopra, novela das 7, de Walcyr Carrasco, respirou aliviada nesses últimos capítulos exibidos, e vem obtendo ótimos índices de audiência. Pelos menos duas tramas da novela têm tido consideráveis movimentações nessas últimas semanas: com o golpe de Cleonice (Vera Mancini) em cima da patroa, apoderando-se da fortuna de Salomé (Jandira Martini), o núcleo saiu um pouco da rotina de cenas repetitivas e rendeu cenas bastante engraçadas por conta dessa inversão de papeis entre patroa e empregada. Da mesma forma, a chegada do pai de Guilherme (Klebber Toledo) na cidade trouxe um novo confilto para Dulce (Cássia Kiss Magro) e para o próprio filho. Enquanto isso, os protagonistas da novela continuam envolvidos em tramas secundárias.


Na quinta-feira Antonio Calloni encerrou sua participação em O Astro. Apesar de o personagem ter sido carismático e bem interpretado, havia caído com Neco (Humberto Martins) num jogo de gato-e-rato que já estava se tornando cansativo. A despedida foi coroada de forma inusitada, um costume dos sambistas de homenagear o falecido tocando algum samba em volta do caixão. Apesar de isto já ter acontecido em outras novelas, não deixa de ser inusitado, além de uma bonita homenagem.


Tal e qual a rádio, as TVs brasileiras estão se vendendo para as mais diversas entidades religiosas. É espantoso o número de pregadores que disputam praticamente a tapa os horários ofertados pelas emissoras. Horários estes que demonstram a ganância dos executivos responsáveis pela TV, que loteiam a programação com tais programas, calculam as cifras que recebem, e se esquecem do respeito ao telespectador. A Rede TV, por exemplo, acaba de vender a faixa do meio-dia. Com o lucro, quitou os salários atrasados, coisa que certamente não teria se investisse em programação de qualidade, o que acarretaria em mais anunciantes e consequentemente, o mesmo lucro que obteve mais facilmente com a venda de horário. A Band loteou o seu Canal 21, que exibe programação religiosa durante todo o dia. E ainda temos a Record, associada à Igreja Universal do Reino de Deus, que substituiu profissionais de TV por bispos, o que certamente complicou o seu projeto rumo à liderança. Mas ainda resta uma esperança: Silvio Santos, mesmo enfrentando dificuldades financeiras no SBT, não cedeu suas madrugadas para os muitos líderes interessados em arrebanhar fiéis. Sinal de que ainda temos alguém com respeito pela TV.


***

sábado, 10 de setembro de 2011

As tardes vão ter lua cheia - Parte II

Entrevista
Solange Castro Neves

por Duh Secco




Se Ivani Ribeiro é a alma de Mulheres de Areia, Solange Castro Neves, certamente, é o corpo. Coube a ela a tarefa de auxiliar a autora na adaptação da trama exibida pela Tupi em 1973 que, unida a O Espantalho, deu origem à versão levada ao ar pela Globo, agora retornando no Vale a Pena Ver de Novo. Solange era creditada como colaboradora, mas seu trabalho foi além da espera por escaletas. Ao lado de Ivani, ela uniu as sinopses, atualizou as tramas, redefiniu os personagens, reescreveu diálogos e criou muito do que vimos na tela em 1993. Nesta entrevista, Solange nos conta mais sobre os bastidores de Mulheres de Areia. Vale a pena conferir.


01 - Mulheres de Areia é quase unanimidade entre os noveleiros. Aclamada pelo público; sucesso em suas duas exibições anteriores; e de grande repercussão no exterior (na Rússia, teve seu último capítulo exibido num dia de eleição, evitando que eleitores viajassem). Na sua opinião, quais foram os ingredientes fundamentais para o sucesso? O que destacaria entre trama, personagens, atores e produção?

O êxito não depende apenas de um fator, mas sim da união de todos os envolvidos. Uma excelente história, com uma forte estrutura, estaria fadada ao fracasso se não tivesse por trás, um bom diretor, atores de peso, enfim, uma equipe entrosada e focada em um único objetivo, o sucesso da trama.  


02 - Mulheres de Areia foi sua terceira novela em parceria com Ivani Ribeiro. Já haviam trabalhado juntas em Amor Com Amor Se Paga e O Sexo dos Anjos e voltariam a se encontrar em A Viagem e Quem É Você, texto inacabado de Ivani que você concluiu. Como era o trabalho com a autora? O que aprendeu com Ivani?

Para mim, como escritora, a maior lição deixada por Ivani é não permitir que nada, nem ninguém, atrapalhem o ritmo do meu trabalho. Aprendi a isolar os problemas do lado de fora, quando entro em meu escritório para trabalhar. Outra grande lição, que ainda procuro colocar em prática, é conservar os pés no chão - o controle da situação em minhas mãos - mas a mente aberta a novas ideias. A pensar, ao escrever, com a cabeça de cada personagem, pois ao longo da história, tomam vida própria e às vezes isto muda o percurso da trama. Quanto à nossa convivência, Ivani era uma grande contadora de histórias, mas por suas experiências de vida, tornou-se um pouco reservada e demorava a confiar em alguém. Não foi diferente comigo, mas com o passar do tempo, nosso convívio foi maravilhoso, cercado de muito carinho, respeito e amor. Vou contar um fato que poucas pessoas sabem. Ivani recebeu uma mensagem psicografada de Chico Xavier onde constavam acontecimentos que apenas nós duas sabíamos e, para nossa surpresa, dizia que fui sua filha em outra vida. Este foi um dos dias mais emocionantes que vivenciei.


03 - Ao Jornal do Brasil, em 30 de janeiro de 1993, você comentou o processo de adaptação de Mulheres de Areia: “É o texto de duas novelas, mais um terceiro, feito para unir as histórias. (...) É mais trabalhoso que escrever uma novela nova”. Como se deu a junção de Mulheres de Areia e O Espantalho? Por que vocês optaram por inserir uma novela dentro da outra e como chegaram ao encaixe ideal das duas?

A união das duas novelas se deu quando comentei com Ivani, que tinha um tio com uma doença rara chamada rim policístico e que os sintomas que apresentava eram mais ou menos parecidos com os do antagonista de O Espantalho. Neste momento ainda decidíamos qual história dela, uniríamos com Mulheres de Areia, para enriquecer a trama, uma vez que antigamente, os capítulos eram muito mais curtos do que os de hoje. Daí casamos as histórias principais.


Vale dizer que reestruturamos a novela toda, permanecendo só o seu eixo. Foi um trabalho exaustivo, pois tivemos de aumentar os capítulos. Essa vivência, para mim, foi importante, aprendi muito. A Ivani estava com sérios problemas pessoais de doença em família e precisei assumir a novela sozinha. Mário Lúcio Vaz, Paulo Ubiratan, eram os únicos que sabiam dos pormenores e confiaram no meu trabalho. Graças a Deus a novela foi um sucesso.

Por experiência própria, posso dizer que um remake, na maior parte das vezes, é mais difícil do que a criação de um original. Um dos ensinamentos que a Ivani deixou, foi o de que, para mexer em um trabalho pronto, é preciso ter muito cuidado, requer paciência e atenção, pois nunca se pode mudar o esqueleto, o eixo da novela. Você tem que criar novos personagens, diálogos, atualizar a história. Ela brincava dizendo que uma escritora, nestas horas, era parecida com uma psicóloga: tinha de analisar todos os personagens, trabalhar com o esqueleto, mas não desmontá-lo, aparar as arestas, dar equilíbrio, veracidade a eles, sem tirar as suas essências, ou seja, sem desmontar sua coluna vertebral.


04 - Em 13 de março de 1993, o Jornal do Brasil destacou as críticas sobre a suposta incoerência no desenvolvimento da trama das praias poluídas. Segundo a publicação, os turistas eram impedidos de molhar o pé na água, enquanto os pescadores continuavam suas atividades no local e Ruth (Glória Pires) ensinava Tonho da Lua (Marcos Frota) a nadar. Você argumentou que as atividades dos pescadores ocorriam em praias próximas à Praia do Pontal, ponto de poluição do local, e que nem toda a orla estaria contaminada, ressaltando o seu embasamento na opinião de médicos e de órgãos competentes. É complicado inserir um merchandising na trama, sem afetar a ação da mesma? No caso de Mulheres de Areia, esta situação se tornou mais difícil, uma vez que as tramas desta e de O Espantalho divergiam neste ponto, a integração de determinados núcleos com o ambiente praiano?

Aprendi com a Ivani a tomar muito cuidado ao fazer um merchandising. Para passar credibilidade, temos que nos embasar em fatos reais. Em Mulheres de Areia, aconteceu este problema das praias do litoral, mas nos diálogos explicamos a situação das mesmas, através de fontes fidedignas. Outro exemplo parecido foi em A Viagem, quando fizemos o merchandising de uma espécie de adubo para a terra. Como filha de fazendeiros expliquei, na ocasião, que aquilo era quase impossível, pois na seca que atravessávamos na época, o adubo, em vez de fazer crescer o capim, mataria pela falta de chuva. Como o contrato com a empresa já estava fechado, tivemos que improvisar. Criei, então, uma situação, aproveitando as pancadas de chuva do verão e através dos diálogos, detalhamos que a fazenda Maktub era protegida, pois tinha chovido ali e no vizinho estava seco. Dado este fato, o capim nasceu e mostrei a diferença entre o capim bem rasteiro, quase aparecendo a terra, do vizinho, e sobrando pasto na fazenda Maktub.


05 - Na época da novela, você comentou as alterações nos perfis de determinadas personagens. Entre elas, Ruth (Glória Pires): “A Ruth de antigamente era muito carola. Além de morrer de culpa por estar assumindo o lugar da irmã, inventou várias desculpas para não dormir com Marcos”. E sobre a primeira noite do casal Malu (Vivianne Pasmanter) e Alaor (Humberto Martins), que, em 1973, só acontecia tempos depois do casamento: “Não dá para esperar tanto, pois hoje em dia os jovens são mais liberados”. Destacaria outras alterações importantes na trama e nos perfis das personagens? O texto original de Mulheres de Areia era datado demais no que se refere ao desenvolvimento da ação e comportamento das personagens?

Cada época tem o seu comportamento próprio. Lembro que a Ivani dizia, brincando, que a Ruthinha e o Tonho da Lua, eram meus, porque diferiam muito das personagens originais. A Ruth, na segunda versão, era uma jovem tímida, mas que trazia dentro dela um grande segredo, um filho que havia perdido o que não existia na outra história. Isso enriqueceu a personalidade dela, pois a personagem que é por demais boazinha, acaba se tornando chata. Quanto à Raquel, dei motivos para que lutasse pelo seu espaço, pois a Ruth era a queridinha de todos desde criança, pela sua meiguice. A irmã, então, chamava a atenção pelo oposto. A comparação que existia entre as gêmeas, fez com que Raquel visse em Ruth, uma inimiga. No fundo, queria ser a queridinha de todos.

Tonho da Lua teve um enfoque diferente, pois trabalhei anos com crianças especiais e seria injusto com as mesmas, que adoravam a novela, fazer com que o Tonho da Lua se curasse, pois todos se aceitam como são e sabem que não têm cura.


06 - A Globo já declarou que irá promover alterações na abertura original de Mulheres de Areia, de forma a esconder a nudez de Mônica Carvalho, na época modelo, exposta na vinheta. A TV brasileira está retrocedendo? O que vê como empecilho para a exibição de tais imagens, levadas ao ar às 18h em 1993 e durante a tarde, na época da primeira reprise da novela? A Classificação Indicativa limita a liberdade criativa dos profissionais de TV?

Não tenho conhecimento dessas mudanças. É a primeira vez que ouço falar. Acredito que não é pelo fato da modelo estar nua, hoje o nu se tornou tão banal... Acredito que talvez queiram dar maior criatividade da abertura.

Quanto à questão da censura, um escritor tem maneiras de driblar contando a história sob outro prisma. O difícil da censura é quando nos proíbem de tocar em determinados assuntos que estão dentro do contexto de nossa realidade, mas que não querem que venham à tona por motivos políticos.


07 - O que Solange Castro Neves faz atualmente, longe da TV brasileira? Gostaria de voltar ao veículo? E pra encerrar: vai acompanhar a reprise de Mulheres de Areia? Acredita que a trama pode repetir o sucesso de A Viagem, outra trama de Ivani na qual você colaborou, que elevou os índices do horário em sua segunda reapresentação?

Fiquei um tempo afastada da TV, por causa de problemas de saúde em família. Minha última novela na Globo foi Quem é Você. Algum tempo depois pedi demissão porque meu marido adoeceu e com isso não podia viajar para o Rio. Acabei aceitando a proposta da Record, por estar localizada em São Paulo, e lá fiz Marcas da Paixão e Roda da Vida. Depois me desliguei de tudo pelo agravamento da doença. Comecei a dar aulas de roteiro em casa ficando orgulhosa porque muitos dos meus alunos, atualmente, estão trabalhando em TV. Após ter ficado viúva, resolvi enveredar para a área de Cinema onde fiz vários trabalhos que estão em fase de produção: um longa metragem, um documentário e um curta. Devo confessar, entretanto, que apesar de toda a loucura que é escrever novelas, sinto saudade sim. Quem sabe um dia estarei de volta às telinhas.

Quanto à reprise de Mulheres de Areia, com toda certeza acompanharei. Como estou escrevendo meu segundo longa e tenho prazo para terminar, estou trabalhando muito, mas gravarei todos os capítulos, pois me remetem a momentos inesquecíveis. Acredito que Mulheres de Areia encantará a todos mais uma vez, não deixando de lembrar que naquela época não havia a tecnologia de hoje e que o trabalho em fazer as gêmeas Ruth e Raquel, foi praticamente artesanal, através da brilhante atuação do diretor Wolf Maya. Essa novela foi, para mim, um marco profissional, pois Ivani, como disse anteriormente, encontrava-se com problemas de saúde na família e eu assumi a novela sozinha. Esse fato fez com que, na A Viagem, eu fosse promovida a co-autora e Paulo Ubiratan me fez uma homenagem em forma de brincadeira, colocando meu nome em letras garrafais, pois me conhecia muito bem e sabia o quanto sou tímida.



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

As tardes vão ter lua cheia - Parte I
Mulheres de Areia retorna ao Vale a Pena Ver de Novo na próxima segunda

por Duh Secco







Amanhã é quinta-feira. Penúltimo capítulo de O Clone, a novela com maior número de capítulos de toda a história do Vale a Pena Ver de Novo (empatada com o repeteco de Plumas & Paetês, em 1983). Uns lamentam e outros comemoram o término da reprise. Mas todos, de forma geral, esperam pela reestreia, no dia 12, de Mulheres de Areia, clássico de Ivani Ribeiro exibido em 1993, às 18h, e já reapresentado na faixa vespertina em 1996. O Agora É Que São Eles ouviu dois especialistas em telenovela, buscando entender os motivos pelos quais a Globo resolveu apostar na reprise da trama e o que faz dela tão marcante para o público.


Mulheres de Areia é um folhetim com uma trama irresistível, personagens bem delineados, em uma produção primorosa e excelente direção”, diz Nilson Xavier, autor do Almanaque da Telenovela Brasileira e responsável pelo site Teledramaturgia. “A trama tem grande impacto, já que o tema dos irmãos gêmeos é um dos mais explorados (geralmente com sucesso) pela teledramaturgia”, afirma Mauro Alencar, consultor de dramaturgia da Globo, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela USP, e autor de livros como A Hollywood Brasileira. Mauro ainda ressalta a importância da fusão do original de Mulheres de Areia, exibido pela Tupi em 1973, com O Espantalho, outra obra de Ivani, levada ao ar em 1977 pela Record. “Ao utilizar as tramas de O Espantalho, que tem como pano de fundo uma questão ambiental, a das praias poluídas; portanto (e lamentavelmente) nada mais atual e oportuno, Ivani atualizou a novela original de maneira bastante eficaz”.


De fato, a capacidade criativa da autora, em parceria com Solange Castro Neves, estava ainda mais aguçada na época de Mulheres de Areia. “Ivani Ribeiro é uma das autoras que estão na base da teledramaturgia brasileira e de sua máquina de escrever saíram personagens e novelas históricas”, diz Mauro. O bom desenvolvimento da trama, aliado a um roteiro irretocável, pode explicar o fato de a mesma ser a maior audiência do horário nos anos 90 e de ganhar uma segunda reprise, assim como A Gata Comeu e A Viagem, outras duas novelas de Ivani que figuraram por mais de uma vez no Vale a Pena Ver de Novo. Sobre este fato, Nilson aposta na coincidência: “São novelas apropriadas para uma reprise à tarde, para o público da faixa”. Já Mauro chama a atenção para a atemporalidade dos trabalhos da autora: “É natural que suas tramas sejam exibidas até hoje uma vez que Ivani era mestra em lidar com os arquétipos que estruturam o constructo humano envoltos por tramas do teatro shakesperiano e de folhetins seculares”.


Se Mulheres de Areia vai repetir o êxito das outras novelas citadas em sua segunda reexibição, só vendo pra saber. Outras reprises tão antigas quanto, como Roque Santeiro e Deus Nos Acuda, não asseguraram a audiência da faixa. “O público é sempre uma surpresa. O que posso assegurar, com certeza, é de que o Vale a Pena Ver de Novo exibirá uma das mais lembradas novelas pelo público, com trama envolvente e praiana (bem condizente com os tempos de primavera e verão que se aproximam)”, afirma Mauro. “A novela não envelheceu, esteticamente falando, e muito menos sua história”, ressalta Nilson. O fato da trama das gêmeas Ruth e Raquel (Glória Pires) já ter repercutido bem em outras exibições colabora para a aposta no sucesso da reprise. “Lembro-me que tanto na versão noturna quanto na primeira reprise, frequentava o Clube de Regatas Guanabara, no Rio de Janeiro, e a sala de televisão ficava sempre lotada na hora da novela”, recorda Mauro.


Sobre as alardeadas alterações na abertura da trama, que pretendem esconder a nudez da então modelo Mônica Carvalho, enquadrando-se assim nas normas da Classificação Indicativa, Nilson declara: “Vivemos tempos de “politicamente correto” que cerceiam toda liberdade de expressão. Uma pena e um retrocesso”. Mauro minimiza: “O mais importante neste caso é acompanhar atuações memoráveis como a de Glória Pires, Marcos Frota, Vivianne Pasmanter, Humberto Martins, Raul Cortez entre tantos outros excelentes atores que compuseram o elenco de Mulheres de Areia, uma novela que está entre as melhores produções da teledramaturgia mundial”.



De fato, Mulheres de Areia é uma novela de encher os olhos. Mauro relembra: “Os embates entre Ruth e Raquel, o bem e o mal presentes na ancestralidade humana, levavam o público ao delírio, sem falar na relação doentia que a mãe das gêmeas, Isaura (Laura Cardoso), mantinha com as filhas. Além deles, há a conturbada relação entre Malu (Vivianne Pasmanter) e Alaor (Humberto Martins) e os conflitos do empresário Virgílio Assunção (Raul Cortez) com o prefeito ambientalista Breno (Daniel Dantas) em torno da utilização da praia poluída em Pontal D'Areia (fictícia cidade do litoral fluminense)”. Apesar de tantos personagens marcantes, Mauro e Nilson são unânimes ao escolher aquele que melhor representa a novela: Tonho da Lua. Mauro traduz bem: “Uma das melhores atuações de Marcos Frota, inesquecível e sensível em sua composição e construção das “mulheres de areia” que nos conduzem, de maneira concreta, ao título da novela”. E arremata: “A direção de Wolf Maya e o elenco estiveram em grande sintonia numa produção de altíssima qualidade resultando no grande espetáculo que nos foi apresentado”.




O jeito é esperar pra ver como Mulheres de Areia vai se sair, a partir da próxima segunda. Nós, do Agora É Que São Eles, estaremos atentos à reprise. E prometemos continuar com este especial nesta sexta. Aguardem...


A íntegra das entrevistas de Mauro Alencar e Nilson Xavier está disponível na comunidade Vale a Pena Ver de Novo, para usuários do Orkut.