Somos amantes da teledramaturgia. Respeitamos a arte e a criação acima de tudo. Nosso profundo respeito a todos os profissionais que criam e fazem da televisão essa ferramenta grandiosa, poderosa, que desperta os mais variados sentimentos. Nossa crítica é nossa colaboração, nossa arma, nosso grito de liberdade.



ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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sexta-feira, 17 de junho de 2011












por Daniel Pepe e Duh Secco


Irritante a exposição excessiva de Ronaldo nos programas da Globo. O “Fenômeno” (de mídia e não de futebol) esteve presente em quase todas as atrações da emissora na semana em que se despediu dos gramados. O intuito da Globo parece ser mesmo o de promovê-lo a comentarista da casa. Mas a julgar pelo desempenho de Ronaldo nas inúmeras atrações das quais participou, podemos concluir que vai ficar muito difícil acompanhar as partidas de futebol no canal dos Marinho. Já contamos com um intragável Galvão Bueno, que com sua narração, resumiu o último amistoso da seleção com a participação de Ronaldo a uma retrospectiva da carreira do agora ex-jogador.

Segundo Flávio Ricco, a Record retirou Navegantes, próxima novela de Lauro César Muniz, da sua lista de prioridades. Com isso, já podemos prever um aumento no número de capítulos de Vidas em Jogo, atual cartaz das 22h15. É mais uma prova da já conhecida desorganização do complexo de estúdios da Record, o RecNov. A dramaturgia da emissora parece seguir a duras penas, com produções constantemente esticadas e outras proteladas, além do atraso nos licenciamentos dos produtos gerados pelas novelas da casa, como os de Rebelde. Enquanto a emissora ainda prepara o CD do grupo, para só depois lançar os demais produtos com a marca Rebelde, os camelôs já produziram suas versões para camisetas, bolsas, bonés e por aí vai. Assim não dá!


Não é novidade que Sílvio Santos costuma intervir em mudanças na teledramaturgia do SBT quando a audiência não está de acordo com o que ele considera satisfatório. Da mesma forma, não é novidade que Tiago Santiago faz mudanças bruscas em suas tramas para colocá-las nos trilhos. Junta-se os dois e agora teremos uma transformação em "Amor e Revolução". Segundo nota divulgada nesta semana pela Folha de São Paulo, a novela abordará o minimamente possível sobre política. Não deixa de ser muito bizarro uma novela ter o assunto principal praticamente abolido da trama. Outras soluções seriam mais sensatas, como o encurtamento da trama, ou uma mudança mais amena. Mas juntando Sílvio Santos e Tiago Santiago não se poderia esperar outra coisa.

Desde que Cássia Kis Magro (antiga Cássia Kiss) protagonizou alguns capítulos de "Morde & Assopra", pensou-se que o aumento no Ibope duraria até quando ela perdesse o destaque. Mas não foi o que aconteceu, a novela continuou marcando mais de 30 pontos mesmo depois dos holofotes terem se afastado um pouco da sofrida Dulce. O que seu viu foi o confronto da Naomi robô com a Naomi verdadeira dominar a novela. Sósias, gêmeos e clones, ou seja, personagens que têm a mesma cara sempre deram audiência e dessa vez não está sendo diferente. Mas mais uma vez pergunto: até quando esse fato conseguirá sustentar a audiência da novela, que ainda tem mais 4 meses no ar? Não me parece que possa aparecer outra trama capaz de segurar o Ibope. A não ser o hábito do público.

sábado, 4 de junho de 2011

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Guilherme Staush
e n t r e v i s t a


TIAGO SANTIAGO




Ele estreou na televisão como ator na novela "Livre Para Voar" (1984). E logo de cara já enfrentou o desafio de viver o ambicioso Quim, um dos personagens mais odiados da trama de Walther Negrão.
Entretanto, o trabalho de autor falou mais alto, e Tiago Santiago logo passou a escrever peças de teatro. Na televisão, iniciou como colaborador de Antonio Calmon em novelas como "Vamp" (1991) e Olho no Olho" (1993).
Conquistou seu primeiro trabalho autoral escrevendo a nova versão de "A Escrava Isaura" (2004) para a  Rede Record, onde fez várias novelas de sucesso, erguendo o núcleo de teledramaturgia da emissora.
Hoje, Tiago assina a polêmica "Amor e Revolução", primeira novela que se passa inteira durante o período da ditadura no Brasil. Em meio a críticas e grandes polêmicas, sua novela conseguiu o mérito de repercutir tanto quanto, ou até mais do que muitas novelas Globais, ainda que com uma audiência bem inferior.

Tiago é um ótimo entrevistado. Inteligente e perspicaz, é do tipo que não faz rodeios, e vai direto ao que interessa. Entende exatamente onde o entrevistador quer chegar, e responde tudo aquilo que nossos leitores certamente têm curiosidade em saber.





Entrevista elaborada por Guilherme Staush



1.   Você começou como ator interpretando o rebelde e ambicioso Quim,  na novela “Livre Para Voar” (1984). Que lembranças você tem desse trabalho? Já pensava em ser escritor ou queria mesmo era atuar?

Lembro que eu andava na rua, e o pessoal me chamava de "chato" porque eu não deixava meu pai e minha irmã namorarem em paz. O Quim era um "empata-f..." Na época, eu escrevi a minha primeira peça, "A Fonte da Eterna Juventude", que foi montada no ano seguinte,  com direção do Domingos Oliveira, e Paulo José, Claudio Marzo e Cassia Kiss, no elenco.


2.  “Vamp” (1991) está atualmente sendo reprisada pelo canal Viva. Você trabalhou como colaborador nesta novela de Antonio Calmon, bem como em “Uga Uga” (2000), de Carlos Lombardi. Quais as maiores contribuições que você deu a essas novelas? Qual dos autores te deu mais abertura, maior liberdade e aproveitou melhor as tuas ideias?

Em "Vamp", eu escrevia dois capítulos por semana. O Calmon aproveita mais diálogos. Já o Lombardi prefere fazer ao máximo os diálogos, mas aproveita muito ideias. Aprendi muito tanto com o Calmon quanto com o Lombardi.


Velociraptor

3.   Na novela “Caminhos do Coração” (2007) você inovou colocando pela primeira vez um dinossauro na teledramaturgia, o que chamou bastante a atenção do público na época, principalmente o infantil. Atualmente esses mesmos répteis estão habitando nossa telinha de novo (inclusive “o seu” Velociraptor). Desta vez, na novela das 7 da Globo. Porém, estranhamente, na novela de Walcyr Carrasco os dinossauros não agradaram tanto o público. Que avaliação você faz?

"Caminhos do Coração",  a primeira parte da saga dos Mutantes, revolucionou a TV brasileira, neste aspecto dos efeitos especiais. Alexandre Avancini fez um trabalho brilhante com sua equipe. Não posso julgar a novela do Walcyr, porque - apesar de adorar o trabalho dele, que é um autor que admiro muitíssimo - ando tão ocupado com "Amor e Revolução” que não tenho tempo para ver mais nada.


4.   Você já falou em algumas entrevistas sobre a importância que Janete Clair exerce no seu trabalho (inclusive, na época, você declarou que iria se basear na autora para escrever a sua “Promessas de Amor”). Uma das características marcantes no trabalho de Janete é a presença da figura do anti-herói, o  mocinho de caráter dúbio que permeou várias de suas obras: o Cristiano em “Selva de Pedra”, o André Cajarana em “Pai Herói”, o Herculano Quintanilha em “O Astro” ou o Carlão em “Pecado Capital”, só para citar os mais populares. Entretanto, você defende a ideia de que as figuras do herói e do vilão devem preservar bem suas características, evidenciando bem o teor maniqueísta das tuas tramas. Isso, inclusive, foi uma das divergências que você teve com o autor Lauro César Muniz, na época em que você era consultor de teledramaturgia da Rede Record.

Gosto de heróis com defeitos e vilões com qualidades, porque isso humaniza as personagens. Gosto de escrever sobre gente. Meus heróis não são perfeitos. Meus vilões são realmente muito maus, até porque nas minhas primeiras novelas eu  me inspirei na maldade do sociopata Tiago Barbosa de Miranda, que anda usando agora o nome de Tiago Miranda Barbosa. Ele matou meu irmão, que era uma pessoa boa, um menino pacífico de 18 anos de idade, por pura covardia. Nesta novela, os vilões também são pérfidos porque se inspiram nos torturadores e assassinos da época da ditadura militar. Porém, até os vilões eu procuro humanizar. E meus heróis  nesta novela - José Guerra e Maria Paixão - vão se envolver em várias ações questionáveis, como expropriações e assaltos, em nome da revolução, contra a ditadura. Como consultor de teledramaturgia, na Record, eu tinha que avaliar os trabalhos de outros autores. Na época, eu me preocupei sim com a construção dos protagonistas de "Cidadão Brasileiro", mas dei meu aval para que a novela fosse produzida, e o Lauro realizou tudo como queria, sem nenhuma interferência de minha parte.  Não foi um grande sucesso, mas também não foi um grande fracasso. Procuro pensar os personagens do ponto de vista da humanidade, da verossimilhança. Gosto das viradas folhetinescas, das grandes emoções, de gente em que eu possa acreditar, e neste sentido a Janete aparece como uma referência, até porque eu fui espectador assíduo e apaixonado de todas as suas novelas, a partir de "Irmãos Coragem".


Felina (Amandha Lee), uma das
mutantes de "Caminhos do Coração"
5-   Você foi o pioneiro ao colocar mutantes na teledramaturgia, em escrever a primeira novela que se passa inteiramente durante o período militar, e agora conseguiu levar o primeiro beijo gay ao ar. Você não teme que tudo isso acabe suplantando todo um trabalho autoral, e, que suas novelas passem a ser lembradas mais pelos traços de ousadia e pelas polêmicas do que pelo próprio texto?

Não tenho esta preocupação. Minha obra já é vasta, aos 48 anos de idade, porque trabalho muito, sem parar, desde que comecei, muito novo. Neste ano, completo 20 anos de carreira como autor de novelas. Ajudei a mudar o panorama da TV brasileira, ao construir um núcleo de teledramaturgia de sucesso, na Record. Espero ainda trabalhar muito, escrever muitas novelas, consolidar a fábrica de novelas do SBT, em São Paulo, e fazer muito sucesso com obras que deixem boas lembranças.

6-    Comente um pouco sobre os teus dois colaboradores em “Amor e Revolução”: Miguel Paiva e Renata Dias Gomes. Quais contribuições específicas eles prestam a sua novela por terem características diferentes como colaboradores? Você acha que uma mulher contribui de forma diferente de um homem?

Tiago com os colaboradores
Renata Dias Gomes e Miguel Paiva.
Além do Miguel e da Renata, tenho agora uma terceira colaboradora, a Elliana Garcia (não a filha da Marília, que colabora na Globo, é outra Elliana)  Acho fundamental ter o olhar feminino. Mulheres muitas vezes pensam sobre as coisas de um modo diferente dos homens. O Miguel Paiva é um homem de inteligência brilhante, humor fino, muito rápido. A Renata é meticulosa, detalhista, e apesar de muito jovem, já é uma autora experiente, cresceu lendo capítulos de novelas dos avós Dias Gomes e Janete Clair. A Elliana me cativou pela troca de emails, a partir de "Prova de Amor", é uma pessoa iluminada, tem preocupação social, vivência, lutou muito na vida contra diversas dificuldades, tem uma história de superação de problemas, e estou muito feliz por dar esta oportunidade a ela e tê-la na equipe.


7-  Acredito que seja de seu conhecimento que uma das principais reclamações que os telespectadores e a crítica especializada fazem com relação as suas novelas é o fato de seu texto ser extremamente didático. No caso de “Amor e Revolução”, especificamente, que tem uma trama histórica de grande interesse para o público mais intelectualizado, você não teme que esse mesmo público rejeite a sua novela em razão de você privilegiar mais o telespectador menos inteligente? Esse didatismo todo é proposital ou você realmente não sente que ele é excessivo?

Claudio Lins e Graziela Schmitt,
protagonistas de "Amor e Revolução".
Num país em que a ignorância ainda é a regra e não a exceção, minhas novelas procuram trazer conhecimento a quem assiste os capítulos. Não acho que eu seja "extremamente didático". Acho que sou didático na medida certa. Até hoje minhas novelas fizeram sucesso do jeito que são. Em "Amor e Revolução", eu me espantei com a quase total ignorância do povão e da juventude sobre a época da ditadura. Isto apareceu com força na primeira pesquisa de opinião que fizeram sobre a novela. As pessoas agradecem a oportunidade de saber mais. Ser didático não é o problema. A questão é: como ser didático sem ficar chato? Este é o desafio que enfrento nesta novela, agora.


 8-   Quais são as mudanças que você pretende imprimir a “Amor e Revolução”  depois de dois meses de exibição, e após observar a reação do público? E que tal a repercussão do primeiro beijo gay da teledramaturgia? Pode adiantar alguma novidade na sua novela?

Luciana Vendramini e Giselle Tigre
protagonizam o primeiro beijo gay
da teledramaturgia.

Sobre as mudanças: vou encher a novela de humor, amor, romantismo, cenas de grande beleza e emoção. Diminuí muito a agonia dos torturados. As pessoas reagem mal porque já entenderam que aquilo aconteceu mesmo, não é apenas ficção, e acredito que a violência em excesso não ajuda a novela. Sobre a repercussão do beijo gay: de modo geral, foi excelente. Neste dia, chegamos a pontuar na vice-liderança, à frente da Record. A enquete no site do SBT mostrou grande aprovação para o romance gay. Vamos fazer um beijo também entre homens e mais uma cena de amor entre as mulheres. Também pretendo investir no aspecto interativo, escrevendo finais diferentes, e o público vai escolher que final deseja ver no ar, por votação.


9-       Pergunta de colaboradora para autor.
Renata Dias Gomes pergunta:
Você escreveu quatro novelas, quatro sucessos. Qual é o diferencial do Tiago Santiago? Qual é a fórmula do sucesso?

Escrevi como titular "A Escrava Isaura", "Prova de Amor", e a saga dos Mutantes, que compreendeu três novelas: "Caminhos do Coração", "Mutantes" e "Promessas de Amor". Além disso, fiz a supervisão de "Bicho do Mato", o remake de "Uma Rosa Com Amor" e agora estou escrevendo "Amor e Revolução". Digo isso porque nas minhas contas, tenho feito uma novela por ano, desde 2004, e me parece que foram mais que quatro novelas, mas compreendo a pergunta se considerarmos toda a saga dos Mutantes como uma única novela, com seus 600 capítulos, e não considerarmos as novelas baseadas em obras de outros autores nem as colaborações. Neste caso, seriam sim quatro novelas. Sou um apaixonado pelos folhetins. Escrevo com amor. Busco humanidade e verossimilhança, mesmo em meio à fantasia desvairada. Trabalho sempre sobre grandes conflitos. Cerco-me de bons colaboradores. Procuro escutar o que as pessoas têm a dizer sobre meu trabalho. Quero que cada novela minha traga uma contribuição positiva para quem a assiste. Tento sempre passar mensagens de utilidade pública, além do entretenimento.  Estou na luta para transformar "Amor e Revolução" em mais um sucesso. Peço a Deus que nos ajude, que nos dê força e inspiração,  porque este desafio é muito importante para consolidar e fazer crescer a fábrica de novelas do SBT, atuante no momento, em São Paulo. Penso no mercado, nos artistas, nos técnicos, não apenas em mim. Talvez por todas estas razões, meu trabalho tenha sido tão abençoado recentemente. E que continue assim, é o que espero.  


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terça-feira, 17 de maio de 2011





Troca de munição
Nem só de armas e tortura vive Amor e Revolução
por Duh Secco

Mais amor e menos revolução. Certamente é este o pensamento de Tiago Santiago ao escrever os capítulos de sua novela, exibida de segunda a sexta, pelo SBT. Anunciada como “a novela que iria passar a história do Brasil a limpo”, Amor e Revolução, até agora, só fez reescrever sua própria trajetória. Das alardeadas cenas de tortura e do didatismo excessivo utilizado pelo autor para contextualizar seu enredo, pouco restou. A trama agora investe no romance, no drama de duas órfãs e no polêmico beijo gay.

Ainda assim, o quadro da audiência permanece inalterado. Após um pico de nove pontos, com a cena em que Marcela (Luciana Vendramini) rouba um beijo de Marina (Gisele Tigre), Amor e Revolução voltou a estacionar nos números do Ibope. O tal beijo serviu para promover a novela e colocá-la para sempre na história da teledramaturgia brasileira. Mas a falta de uma trama envolvendo as duas personagens, em um contexto mais elaborado, talvez tenha impedido o público de se envolver e continuar acompanhando. Viram o beijo, mas não se interessam pelo desenrolar do mesmo. Até porque, ainda não há indícios de que Marina irá ceder às investidas de Marcela. Ou seja: teve beijo gay, mas não tem amor gay, o que seria até mais interessante, vide o sucesso do casal Thales (Armando Babaioff) e Julinho (André Arteche) em Ti Ti Ti.

Por outro lado, o casal protagonista Maria (Graziella Schmidt) e José (Cláudio Lins) agrada cada vez mais. A cena de sexo protagonizada pelos dois, no mesmo capítulo do alardeado beijo gay, impressionou pela beleza. O núcleo do teatro encontrou seu caminho e também começa a agradar. Bem como o drama das meninas Lara (Bruna Carvalho) e Alice (Thaynara Bergamin), filhas de presos pelo regime militar, acolhidas pela doce Olívia, belo desempenho de Patrícia de Sabrit, outro ponto positivo da novela.

A produção também encontrou o caminho, até mesmo na utilização da trilha sonora, melhor distribuída nos últimos capítulos. Entretanto, a estrutura do roteiro ou a edição acabam por tornar a novela arrastada. Uma sequência demora praticamente o capítulo todo para se encerrar. Foi o que aconteceu com o beijo gay, que abriu o capítulo e fechou o mesmo, sem que o beijo acontecesse. Enquanto isso, muita água rolou. A impressão que fica é de que as cenas acabam esquecidas e os acontecimentos se estendem mais do que deveriam.

Com pouco mais de um mês de exibição, Amor e Revolução vai acertando o passo. Tiago Santiago e Reynaldo Boury mostram que acertaram ao insistirem com o patrão Silvio Santos que a novela tivesse uma frente menor de capítulos. Assim, podem corrigir os erros, como já estão fazendo. É o caminho para garantir um melhor desempenho da trama e a continuidade do núcleo de dramaturgia do SBT.



sábado, 14 de maio de 2011



 
Guilherme Staush
entrevista

CLAUDIO LINS


 


Claudio Werner Vianna Lins é ator de teatro e TV, músico (já gravou dois cd's) e apresentador, além de já ter feito trabalhos de direção.

Aos 38 anos, o ator enfrenta o desafio de viver aquele que talvez seja o personagem mais forte e polêmico de sua carreira: O militar José Guerra na novela "Amor e Revolução", escrita por Tiago Santiago, e exibida pelo SBT.

Claudio também pode ser visto na reprise de "Uma Rosa com Amor", levada ao ar pela mesma emissora, além de integrar o elenco da minissérie "Natália", atualmente em exibição na TV Brasil.

O ator atendeu prontamente ao pedido de entrevista feito pelo "Agora". Muito educado e gentil, demonstrou bastante segurança e firmeza ao responder cada pergunta.




Entrevista elaborada por Guilherme Staush.


1-  Na maioria das reportagens que lemos sobre você, na própria apresentação do ator, aparece sempre uma nota lembrando o fato de você ser filho de Ivan Lins e Lucinha Lins, mesmo depois de quase 30 anos de carreira (desde a sua estreia na peça “Sapatinho de Cristal”, aos 11 anos). Em que momento na sua trajetória artística, ou em qual trabalho exatamente você sentiu que o sobrenome Lins havia deixado de ser um peso, e que você pode respirar aliviado e dizer: “estou aqui pelo meu talento e não por causa do papai ou da mamãe”? Ou esse peso nunca existiu?
Sempre tive a sensação de que o sobrenome me abre algumas portas sim. Mas nunca tive a sensação de que elas ficaram abertas por isso. Ou seja, no final das contas, acho que não carrego mais ou menos peso do que ninguém nessa profissão. Me orgulho dos meus pais, nunca nego a minha filiação, mas sei que o meu caminho é só meu, e depende só de mim. Afinal, eu sempre fui - e sempre serei - filho deles. Pra mim, é normal.
  
2-  Apesar da relação intensa com a música, ser instrumentista e compositor, o público conhece bem mais o ator. Você direcionou sua carreira para esse lado ou aconteceu naturalmente? Por que apenas dois cd’s lançados, e com um espaço de dez anos entre eles?
Aconteceu naturalmente (se bem que nada é por acaso, né?). Nunca me vi direcionando minha carreira dentro de um plano perfeito. Não sei se isso é bom ou mal, mas tem sido assim. Mas é claro que nem tudo é "vida leva eu". E os dois cds  que eu lancei- UM e CARA - são um bom exemplo disso. Os dois são projetos meus, produzidos por mim, e são resultado de uma necessidade de expressão artística. E o fato de terem 10 anos de distância um do outro não significa que não fiz música nesse período. Apenas não vivi de música.
  
3-  Você já fez novelas na Globo (História de Amor), na Record (Tiro e Queda), na Band (Perdidos de Amor) e no SBT (está no ar com Amor e Revolução), sem contar a experiência na emissora portuguesa RTP. O que ficou de positivo e de negativo em trabalhar em cada uma delas?
A Globo é o olimpo da teledramaturgia brasileira, com grande profissionalismo e knowhow. É maravilhoso trabalhar lá. Mas essa experiência com produções independentes ou de baixo orçamento também me deu um panorama bem interessante sobre o que funciona e o que não funciona em televisão. E aprendi que, nesse meio, profissionalismo é algo de muito valor. Até mais que talento. 

4-  Em entrevista para a revista Mensch, você declarou que “tira o chapéu para os mocinhos Paola e Eriberto de Insensato Coração, pois fazer o mocinho pode ser muito ingrato”. O que você quis dizer com isso exatamente? Você acha que na teledramaturgia atual as histórias paralelas são mais interessantes do que a do núcleo principal, que envolve os protagonistas?
Isso não é logicamente uma regra. Boas estórias podem ser escritas para todos os tipos de personagens. Mas existe uma tendência dos clichês estarem na boca dos protagonistas. Ou de eles serem meio idiotas, não vendo o que todo mundo vê... E às vezes, defender um personagem assim, calcado numa moralidade quase inverossímil de tão pura, pode ser uma missão árdua! Mas isso é da natureza do folhetim, né?
5-  Lendo algumas entrevistas tuas, observei que você gosta de assistir novelas, o que não deixa de ser raro para um ator. Quais as novelas que mais te interessaram nas últimas décadas e por quê?
Na verdade, assisto pouca novela. Assistia mais quando era mais novo. Algumas me marcaram muito: "Roque Santeiro", "Guerra dos Sexos", "Bebê a Bordo", "Renascer", "Pantanal", "Vale Tudo". Nos últimos tempos, a novela que mais me chamou a atenção foi "A Favorita". Trouxe uma dinâmica diferente, mostrando que o formato ainda pode evoluir e ganhar fôlego. E "Cordel Encantado" é simplesmente linda!
  
6- Como foi a experiência de viver o Claude na adaptação de Tiago Santiago para “Uma Rosa com Amor”, de Vicente Sesso? Quais foram as dificuldades em trabalhar com um personagem que tem sotaque francês? E como foi o reencontro com Carla Marins quinze anos depois de vocês atuarem juntos em “História de Amor”?
O Claude foi, sem dúvida, uma grande oportunidade pra mim. Um presente, que eu abri com muito prazer. O sotaque veio mais fácil do que eu imaginava, e me deu a oportunidade de fazer comédia na TV, coisa rara na minha carreira. E o reencontro com a Carla foi incrível. Ela é uma grande atriz, grande amiga, e é um prazer bater bola com ela. 
  
7-  A novela “Amor e Revolução”, da qual você é protagonista, está sendo uma grande aposta do SBT e tem recebido um tratamento todo especial: direção do experiente Reynaldo Boury, ótimos nomes no elenco, e uma história forte e interessante a ser contada sobre o momento político mais dramático do nosso país. No entanto, os índices de audiência têm decepcionado. Como você avalia isso? Como telespectador, o que você acha que pode estar desagradando o público e o que poderia ser mudado?
Essa preocupação com a audiência não perpassa - ou não deve perpassar - o trabalho do ator. Portanto, foco no meu trabalho e deixo a audiência pro pessoal do ar-condicionado! Mas é claro que torço para os números subirem, e para que a novela seja um sucesso. Estamos falando de um tema importante pro país.

8-  A principal reclamação dos internautas sobre a novela “Amor e Revolução” - e isso é quase unânime nas principais comunidades de teledramaturgia das redes sociais - é o texto extremamente didático do autor Tiago Santiago. Por muitas vezes o telespectador tem a impressão de estar assistindo a uma aula de história sobre o período da ditadura, mais do que a uma telenovela. O que você pensa sobre isso?
Eu não penso! Eu decoro, estudo e reestudo o texto, amacio um pouco se for preciso, e digo com a maior naturalidade e verossimilhança. Esse é o meu trabalho. Se as pessoas, além de se emocionarem, aprenderem um pouco mais da história do Brasil, então prefiro "pensar" que estamos no caminho certo.

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Fotos:
e fotos de divulgação do SBT.



 

sexta-feira, 13 de maio de 2011



por Daniel Pepe


INSENSATO EM ASCENSÃO

O capítulo 100 de Insensato Coração, exibido nesta quinta, bateu o recorde de audiência da novela, com 40 pontos. Foi marcado pela discussão de Leila (Bruna Linzmeyer) e Júlio (Marcelo Valle) e a expulsão dela pelo pai de casa, depois dele ter descoberto que a garota fácil de quem os colegas de trabalho falavam era a própria filha. Teve ainda a epopeia de Norma (Gloria Pires) atrás de Léo (Gabriel Braga Nunes) no underground de Florianópolis, onde ela conseguiu encontrá-lo depois de anos presa. A expectativa pelo encontro era grande, já que a enfermeira vem prometendo vingança desde que se descobriu traída e culpada pelo crime que não cometeu. De uma forma geral, a história deu uma boa movimentada nas últimas semanas, com a audiência em ascensão, culminando ontem com esse recorde. Espera-se que continue assim.


OUSADIA OU APELAÇÃO?

Também nesta quinta foi exibido em Amor e Revolução o alardeado beijo gay entre as personagens de Luciana Vendramini e Giselle Tigre. A cena foi bonita, bem escrita, dirigida e interpretada e levou a novela a atingir picos recordes de 9 pontos. Provavelmente não foi o suficiente para manter o Ibope alto daqui pra frente. Mas valeu por representar um avanço para a teledramaturgia, e que casos como este se repitam de forma mais natural, sem precisar ser amplamente divulgado. Entretanto, o contexto da história não pedia esse acontecimento. Faltou uma evolução na trama das personagens que culminasse nesse beijo. Da forma como foi inserida a cena, parece que realmente serviu mais para chamar a atenção.


TAPAS SOBE; BATENDO SAI

Enquanto Tapas e Beijos vem marcando sucessivos recordes, Batendo Ponto foi cancelada por baixa audiência – chegou a ficar em quarto lugar no Ibope – e terá seu último episódio exibido no próximo domingo. A primeira começou sem uma forte identidade nem grandes atrativos no roteiro e nos desempenhos dos atores, embora tendo sucesso, mas nos últimos episódios vem tomando características próprias, tornando a atração bem popular(esca), mesmo feito conseguido há anos por A Grande Família. Só espera-se que neste caso a série tenha o tempo de vida merecido e necessário; que não se cometam exageros. Já no caso de Batendo Ponto, foi um erro a série ter entrado na grade fixa de 2011. O episódio piloto exibido no final do ano não teve grande destaque no Ibope, tampouco em seu roteiro. É justamente para testar as séries que servem essas primeiras exibições.


Imagens: Ângela Pires, SBT, Rede Globo



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Revolução em termos
por Duh Secco

Quem acompanhou a campanha de divulgação de Amor e Revolução, estreia do último dia 05 no SBT, notou o empenho da emissora em transformar a novela em uma produção vitoriosa. Chamadas elaboradas, programas especiais, participação de atores em todos os programas da casa e uma exagerada divulgação do excesso de violência que a trama, passada no período da Ditadura Militar, apresenta.

É neste último item que está o maior erro da trama. Com o objetivo de “passar a história do Brasil a limpo”, Amor e Revolução se perde em meio à temática e acaba por deixar sua trama, o que realmente movimenta uma novela, em segundo plano.  Tiago Santiago já cometeu esse deslize quando botou pra escanteio a trama inicial de Caminhos do Coração, dando ênfase aos mutantes que faziam parte da trama, o que alterou até mesmo o título da novela. Em Amor e Revolução, a história se repete. A story-line, a da guerrilheira apaixonada por um militar, e os núcleos bem planejados, focando todas as áreas atingidas pela Ditadura na época (dentre elas, a imprensa e o teatro), são suplantados por repetitivas cenas de tortura e por diálogos didáticos que dão a impressão de que os personagens estão mais para contar a história do que vivê-la.

Sabemos que boa parte do público desconhece o Brasil desta época, mas contar e recontar os acontecimentos, o tempo todo, usando de dados que em nada acrescentaram a trama, torna a mesma um tanto quanto maçante. Exemplo disso é a cena do primeiro capítulo em que Marina Campobelo (Gisele Tigre) e Dra. Marcela (Luciana Vendramini) comentam o saldo de mortes do primeiro dia após a tomada do poder pelos milicos. Poderiam resumir a história com “foram sete vítimas”, mas optaram por citar cada um dos casos. Os jargões como “É preciso fazer a revolução” também são utilizados constantemente, tanto pelos militares, como por aqueles contrários ao golpe.

O texto nada elaborado também prejudicou sequências interessantes, como o incêndio na UNE, cuja ação foi interrompida por desnecessárias frases dos protagonistas José Guerra (Claudio Lins) e Maria Paixão (Graziella Schmitt). O mesmo para a perseguição ao par romântico Odete (Gabriela Alves) e Carlo (Marcos Breda), que, levados para a sala de tortura (sem que o público tivesse maiores explicações sobre o motivo da prisão do casal) decidem apostar em argumentos como “Eu sou pai. Minha esposa é mãe. Temos que cuidar de nossas filhas”.

Por outro lado, a novela representa um avanço na teledramaturgia da emissora. Avanço este que já começa na redução dos capítulos de frente (diferença dos números de capítulos que vão ao ar e os que estão sendo gravados), possibilitando a correção de erros capazes de prejudicar a audiência, ainda longe da almejada pela emissora. A direção é segura e a produção conta com um melhor aparato. Destaque para a cenografia e iluminação. E para bons nomes no elenco, como Jayme Periard, Lúcia Veríssimo e Reynaldo Gonzaga, que se sobressaem ainda mais diante de atores extremamente despreparados, como Patrícia de Jesus, que compromete seriamente as sequências das quais participa.

Digno de nota o selo da censura que antecede a exibição do capítulo, lembrando os tempos em que a mesma não era velada, como nos dias atuais. E os depoimentos que encerram a novela todos os dias, sempre emocionantes.

É acompanhar e ver o que Amor e Revolução nos reserva. Pelos primeiros capítulos, parece uma boa trama, envolta por uma caprichada produção, mas perdida em erros recorrentes do autor.