por Duh Secco
Nos tempos de Xuxa, Angélica e companhia limitada, ainda havia um contato maior entre as crianças e a televisão. As apresentadoras infantis podiam estar interessadas apenas na vendagem de seus produtos, mas ainda assim, demonstravam o mínimo de respeito ao seu público, conversando com o mesmo, seja através da telinha ou da participação no palco. Hoje em dia, criança no palco só se for pra apresentar, caso do Bom Dia e Cia., do SBT, comandando pela dupla Priscilla Alcântara e Yudi Tamashiro, além da menina Maísa que, por sinal, apresenta mal. Se comporta como se tivesse mais idade do que seu público e vez ou outra, chega a espinafrar as crianças que ligam para participar do programa, concorrendo a prêmios.
Ainda restam boas (e poucas) opções. A TV Brasil, antes de ser tornar prestadora de serviços do governo federal, produziu o excelente Um Menino Muito Maluquinho. A Cultura ressuscitou o lendário Vila Sésamo, que ajudou os pais a alfabetizarem seus filhos no início dos anos 70. Ainda assim, a emissora pública está longe do tempo em que produzia clássicos com o Mundo da Lua e Rá-Tim-Bum (que gerou o Castelo de mesmo nome posteriormente). A programação infantil da emissora, hoje, se resume a desenhos. Não que isso seja ruim. Nos anos 70, a Globo levava ao ar Globo Cor Especial, só com a exibição de animados, mas mostrava certa preocupação com seu público, ao produzir vinhetas e temas para o programa. Quem foi criança nos anos 70 e não se lembra dos versos de Cinto de Inutilidades? “Não existe nada mais antigo do que cowboy que dá cem tiros de uma vez”...

Um comentário:
Duh, poucas vezes li uma análise tão boa sobre a "evolução" da programação infantil nas últimas décadas. Eu, como cresci vendo Vila Sésamo e Globo Cor, fico surpreso com a péssima qualidade dos atuais programas voltados para as crianças. Parece que tudo é feito sem critério e, consequentemente, sem respeito. Parabéns pelo excelente e importante texto.
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