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ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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sábado, 6 de abril de 2013


Especial
Novelas que foram sem nunca terem sido
Parte II




Continuamos com nosso especial sobre novelas que sequer saíram do papel. Ou se saíram, não avançaram na produção. Hoje, SBT e Record.

por Duh Secco


SBT

Ainda que esteja longe de ter a tradição dramatúrgica da Globo, o SBT sempre primou pela organização de seus trabalhos. Vez ou outra, no entanto, os planos dão errado e a emissora acaba sendo obrigada a deixar certos textos de lado e cancelar produções, como o remake de A Fábrica, que iria reativar o núcleo de dramaturgia da casa, em 1993.


Caubói (1990)
Argumento de Bráulio Pedroso
De Denise Bandeira, Joaquim Assis e José Joffly.

Autor da inovadora Beto Rockfeller, Bráulio Pedroso pensava em produzir uma nova versão da trama para o SBT, casa que o contratou pouco tempo antes de seu falecimento. Antes de trazer o bicão de volta à telinha, no entanto, Pedroso desenvolveu o argumento de Caubói, sob encomenda de Walter Avancini, então diretor de dramaturgia, para aquele que seria o novo horário de novelas do SBT: 19h. A novela traria o universo do rural chique paulista, através de seu protagonista, um lavrador que se tornara fazendeiro e criador de cavalos. O aclamado cineasta Roberto Farias seria o responsável pela direção do projeto, que não foi adiante.



Mariana: A Menina de Ouro (1993)
De Flávio de Souza

Criador dos sucessos Mundo da Lua e Castelo Rá-Tim-Bum, ambos exibidos pela TV Cultura, Flávio de Souza assinou com o SBT em 1993 para produzir uma trama infanto-juvenil. Mariana, a Menina de Ouro foi concebida como novela, virou série, e terminou como uma espécie de novela como formato de seriado, a ser exibida às 20h30. A pequena Mariana seria o centro da história: uma menina que passa o dia com a empregada (Denise Fraga) enquanto os pais (Mira Haar, uma jornalista, e José Rubens Chachá, agente de turismo) brigam por questões financeiras. Ainda no elenco Etty Fraser (como a avó), Iara Jamra (a tia) e Ary França (o motorista de táxi, namorado da empregada). Marisa Orth, Lilia Cabral, Nuno Leal Maia, Angelina Muniz e Lucélia Santos também estiveram cotados para o elenco, enquanto a direção ficaria a cargo de Fernando Meirelles. Infelizmente, este projeto não foi em frente, contrariando as expectativas do público que sempre viu no SBT os melhores investimentos em programação infantil da TV brasileira.


Asfalto Selvagem
Baseada na obra de Nelson Rodrigues

Antes de iniciar a produção de Mariana, a Menina de Ouro, o SBT ensaiou uma parceria com Daniel Filho, que produziria uma novela por ano para a emissora, em um período de três anos. A primeira trama desta parceria seria Asfalto Selvagem, baseada na obra de Nelson Rodrigues. Sabe-se lá por quais motivos a união de Daniel e Silvio Santos não aconteceu. Asfalto Selvagem viraria minissérie na Globo: Engraçadinha, Seus Amores e Seus Pecados.


A Pantera (1996)
De Vicente Sesso

Com Éramos Seis, o SBT viveu seu melhor momento na dramaturgia. Entretanto, suas substitutas não obtiveram o mesmo êxito e Silvio Santos passou a se desinteressar pelo núcleo. Foi por isso que em 1996, tentando evitar um estouro no orçamento, a primeira atração a ser rifada da grade por Silvio foi a novela A Pantera. A trama de Vicente Sesso substituiria Razão de Viver, em novembro daquele ano. Com locações em Roraima e uma cuidadosa reprodução dos anos 50 e 60, focada nos bailes e nos grandes cassinos, a novela custaria em torno de R$ 80 mil por capítulo. Marcos Schechtmann, diretor de Salve Jorge, responderia pela produção, protagonizada por Suzy Rêgo, a cabocla Cristina. Também cotados para A Pantera estavam Paulo Autran e Tônia Carrero. Contracenar com esses dois mitos animou Marília Pêra, que daria vida à vilã Silvana, e também ganharia um programa de variedades no SBT. Com o adiamento da novela, Marília passou um ano encostada, já que não aceitou participar de Pérola Negra, a produção, mais barata, na qual a emissora decidiu investir.


Segredo (1998)
De Walcyr Carrasco

Walcyr Carrasco era contratado do SBT quando assinou, sob o pseudônimo de Adamo Angel, o roteiro de Xica da Silva, na Manchete. O sucesso da produção animou Silvio Santos, que encomendou duas novelas a Walcyr. A primeira, Fascinação, exibida em 1998 com relativo sucesso. E a segunda, Segredo, substituiria a primeira. Contando com a colaboração de Mário Teixeira, Carrasco escreveu os 154 capítulos da trama de João Paulo, um playboy que, ameaçado pelo avô de ser deserdado, acaba tendo que se casar. Sua amante, uma ex-modelo casada, o ajuda a encontrar a moça ideal, optando por uma menina humilde e interiorana. João Paulo se casa com a jovem, por contrato, mas com o tempo tem seu gélido coração tocado pela agora esposa. A novela também teria um núcleo infantil e outro focado na dona de uma pensão. Eis que no meio do caminho, o autor se transferiu para a Globo, deixando a novela toda pronta nas mãos do SBT. Como Carrasco não poderia acompanhar a produção, caso ela saísse do papel, decidiu transferir a ação da trama dos anos 50 para os dias atuais, o que facilitaria a produção. Mas, provavelmente devido ao ingresso de Walcyr na Globo, o SBT engavetou a novela.


A Outra (2004)
Argumento de Liliana Abud
De Ecila Pedroso

Para substituir o sucesso Canavial de Paixões, Silvio Santos anunciou a adaptação de Os Ricos Também Choram, novela que iniciou a exibição de mexicanas no Brasil. Problemas com os direitos autorais da obra acabaram impossibilitando a produção e o departamento de dramaturgia da casa foi obrigado a recorrer ao texto de A Outra. A história girava em torno de Carolina e Clarice (que seriam interpretadas por Mel Lisboa), mulheres idênticas que nunca se viram. A primeira mantinha um romance com o médico Álvaro, mas não conseguiu se casar com ele porque sua mãe autoritária a impedia. A vida das sósias se cruza quando Carolina desaparece. Após uma passagem de tempo, o médico pensa que a paixão de sua vida está morta e conhece Clarice. Impressionado com a semelhança física entre as duas, ele acaba se envolvendo com a outra, jovem ambiciosa, filha de um alcoólatra. Cláudio Heinrich fora sondado para viver Álvaro, mas renovou com a Globo, na época, para continuar apresentando o Globo Ecologia. Fez bem, já que pouco tempo depois, o SBT suspenderia a produção da novela, em virtude do alto custo de produção. Mel voltaria para a Globo no mesmo ano, para atuar em Como Uma Onda. O SBT acabaria exibindo A Outra original, até retomar as atividades de seu núcleo de dramaturgia, em maio do mesmo ano, com Seus Olhos.

***

Record

A Record, em sua pretensão de alcançar a líder Globo, sempre tentou conduzir seu núcleo de dramaturgia da melhor forma possível. Entretanto, o amadorismo ainda reinante no complexo de estúdios Recnov leva a constantes mudanças nas novelas a serem produzidas, chegando, às vezes, a cancelar tramas. Isso vem desde o período em que a dramaturgia da emissora ainda não era tão forte quanto parece ser agora.


Cafezais (2001)
De Vivian de Oliveira

Não é de hoje que a Record tenta, sem muito sucesso, implantar um segundo horário de novelas. Em 2000, enquanto exibia Marcas da Paixão, a emissora cogitou a produção de uma novela de época. Cafezais, escrita por Vivian de Oliveira (autora de Rei Davi e José do Egito), retrataria o ciclo do café em São Paulo no início do século XX. A trama deveria estrear em abril de 2001, época em que a Record desejava ter uma novela às 20h e outra às 21h. Ficou na intenção...



Felizes Para Sempre (2001)

Mesmo depois de desistir de Cafezais, a Record ainda almejava lançar um segundo horário de novelas. Ao invés das 21h, no entanto, resolveram produzir uma trama a ser exibida às 19h. Assim, a emissora adotaria o esquema que tanto sucesso faz na Globo: novela – telejornal – novela. O título escolhido para inaugurar o horário foi Felizes Para Sempre, trama ambientada em Fortaleza, sobre o dono de um parque temático que contrata um dublê para representá-lo em compromissos públicos e encontrar uma mulher para ele. É claro que os dois acabavam se apaixonando pela escolhida. A novela das sete seria escrita por um autor que já estivera entre os funcionários da Globo, e não fora divulgado pela Record, estrearia entre 20 de março e a primeira semana de abril de 2001, indo ao ar das 18h50 às 19h30. Logo após, o Jornal da Record e em seguida, a trama que substituiria Vidas Cruzadas. Cafezais figurava como uma das possíveis candidatas à vaga.


Norte Das Águas (2001)
Baseada na obra de José Sarney

Nem Cafezais, nem Felizes Para Sempre. Ainda em 2001, para substituir a problemática Roda da Vida, a Record decidiu recorrer a outro título e foi buscar inspiração em um livro de contos do senador José Sarney. Norte das Águas seria a obra adaptada para o horário das 20h15, caso a emissora não se encontrasse em dificuldades para encontrar o autor desta adaptação. As gravações seriam realizadas no Maranhão, com orçamento em torno de R$ 10 milhões, buscando realizar algo parecido ao feito pela Manchete com Pantanal: explorar o Brasil que os brasileiros desconhecem. Para arcar com um mega projeto como este, a Record ensaiou uma parceria com a produtora Delta, que incluiria a co-produção de seis novelas, em três anos de contrato. Mesmo com aparentemente tudo a favor, a Record não levou adiante os seus planos e Norte das Águas ficou pelo caminho.


Silêncio Da Mata (2001)
De Solange Castro Neves

Sem a parceria que levaria Norte das Águas adiante, a Record buscou uma solução caseira para substituir Roda da Vida. Solange Castro Neves deixou então o texto de sua novela nas mãos dos colaboradores, Enéas Carlos e Maria Duboc. A mudança no comando da trama levou à queda nos índices, levando a Record a apressar o término da mesma. Neste meio tempo, Solange apresentou a sinopse de Silêncio da Mata, trama que seria ambientada na Mata Atlântica ou em alguma cidade do Amazonas. Disputando a vaga com Silêncio da Mata, uma novela de Marcos Lazzarini, que havia escrito Vidas Cruzadas, no ano anterior. Mas nem a sinopse de Solange, nem a de Marcos, foram produzidas, e o núcleo de dramaturgia da Record acabou desativado.


Machos (2008)
De Lauro César Muniz

Uma brasileira se envolve acidentalmente com o grupo terrorista Al Qaeda, mentor dos atentados de 11 de setembro. Este seria o fio condutor da novela que Lauro César Muniz apresentou a Record para substituir Caminhos do Coração. A cúpula da emissora, no entanto, avaliou que a trama se enquadraria melhor em uma minissérie, e entregou a Lauro a adaptação de Machos, novela chilena exibida pela Sony na América Latina. A novela girava em torno de Ângelo, um homem capaz de tudo para fazer de seus sete filhos verdadeiros machos. Entretanto, todos os rebentos tentavam de alguma forma fugir ao controle do patriarca. E nessa fuga, os machos cruzariam com mulheres independentes em busca de afirmação e enfrentando a crise de meia-idade. Tais mulheres saíram de uma sinopse de Lauro, As Lobas. Entre elas estaria Laura Orlin, mulher de 45 anos, presa a um casamento com um homem que dissimula seu machismo (ao contrário dos “machos”). A partir da descoberta da traição, Laura traçaria um novo rumo para sua vida. No elenco de Machos, estariam Paloma Duarte e Marcelo Serrado. Problemas com a Sony e o sucesso dos mutantes de Caminhos do Coração acabaram protelando Machos. De tal maneira, que a novela acabou esquecida e Lauro partiu para o desenvolvimento da sinopse de Poder Paralelo.


Corpos Partidos (2008)
De Ana Maria Moretzsohn

A estadia de Ana Maria Moretzsohn na Record não se resumiria a uma única novela, caso a emissora tivesse desistido a tempo da saga Os Mutantes: Caminhos do Coração e apostado em Corpos Partidos, trama sobre roubo e tráfico de órgãos, desenvolvida pela autora de Luz do Sol. Gustavo Reiz, que assina a próxima novela da emissora, Dona Xepa, seria um dos colaboradores. E Petrônio Gontijo, Paloma Duarte e Marcelo Serrado encabeçariam o elenco.


Bem Me Quer (2009)
De Margareth Boury

Emplacar uma sinopse nem sempre é fácil. A emissora solicita, os autores trabalham, mas o texto acaba descartado por diversos motivos, alheios à vontade daqueles que penaram para desenvolver argumentos e situações capazes de sustentar uma infinidade de capítulos, meses a fio. No caso de Bem Me Quer, de Margareth Boury, o acordo fechado pela Record com a Televisa, para a produção de textos mexicanos, inviabilizou sua produção. A história do rapaz que trabalhava no ramo hoteleiro, obrigado a recomeçar sua vida após anos na prisão, chegou a ser aprovada pela Record, mas caiu diante da possibilidade de se adaptar novelas mexicanas. Nesta mesma época, ventilou-se a possibilidade da Record produzir Sambalelê, também de Margareth Boury. A trama seria uma espécie de Que Rei Sou Eu?, com a presença de esportes radicais adaptados ao século no qual o enredo se desenvolveria.


Vivendo O Amor (2010)
De Margareth Boury

O acordo com a Televisa não alterou só os rumos de produções já aprovadas pela Record, como Bem Me Quer. Alguns textos mexicanos também foram descartados pela emissora, como Un Gancho Al Corazón, história de uma boxeadora apaixonada por seu treinador, que seria adaptada por Margareth Boury. A trama foi preterida por Cuidado Con El Ángel, que atualmente pode ser vista no SBT. Aqui, o título foi alterado para Vivendo o Amor, após um concurso interno com funcionários da Recnov. Ivan Zettel fora escalado para a direção; Edwin Luisi, Cristina Mullins, Juliana Silveira, Lana Rodes e Cacau Mello estariam no elenco; Roger Gobeth viveria o mocinho, apaixonado por Maytê Piragibe que, grávida, foi obrigada a desistir do projeto. E a Record também abriu mão do projeto, mediante pressão da Televisa, que julgava o texto de Rebelde mais comercial. Assim, toda a produção, alguns nomes do elenco e a cidade cenográfica construída para Vivendo o Amor foram reaproveitados na trama que os mexicanos escolheram. Em entrevista ao nosso blog, Margareth Boury comentou tal mudança:

Cuidado com o Anjo (Vivendo o Amor) teve vinte capítulos escritos e quando eu ia fazer o vigésimo primeiro, recebi um telefonema do Hiran Silveira e tudo mudou. Na semana seguinte eu estava com o Ivan Zettel indo para o México ter reunião sobre Rebelde.

***

Próximo Capítulo: Band, Manchete e Tupi também suspenderam o desenvolvimento de suas novelas. Saiba quais, na 3ª parte do nosso especial.



terça-feira, 2 de abril de 2013



Especial
Novelas que foram sem nunca terem sido




A novela nasce na cabeça de seu autor, cresce nas mãos do diretor, e se perpetua no imaginário do público através das emoções que suscita. Essa é a ordem natural das coisas, desde que TV, em todo o mundo, decidiu lançar mãos dos folhetins para assegurar sua audiência. Entretanto, algumas novelas têm suas trajetórias interrompidas antes mesmo de irem ao ar: por vezes, com a interrupção de suas produções; e em outras tantas, por sequer saírem do computador de seus autores. Temos conhecimento destas tramas através de notas da imprensa e entrevistas dos profissionais que nela estavam envolvidos. O Agora é Que São Eles revisitou acervos de jornais, revistas e blogs e preparou um dossiê sobre as “novelas que foram sem nunca terem sido”. Tramas que não vimos, e provavelmente não iremos ver, na telinha e sobre as quais você só vai saber mais graças a este especial do nosso blog.

por Duh Secco


Globo

A Globo é a maior produtora de novelas do país e uma das maiores de todo o mundo. Para atingir esse patamar, padronizou sua produção e chegou a uma organização invejável, que lhe permite engatilhar diversas sinopses para cada horário e assim trabalhar perfeitamente cada detalhe de suas tramas. Mas, nem sempre as coisas saem como o planejado. A Globo já desistiu de algumas novelas a favor de outras, como o remake de O Profeta (que seria escrito por Ângela Carneiro e Elizabeth Jhin, em 2004), preterido por Cabocla, de Benedito Ruy Barbosa.


Preto No Branco (1983)
De Bráulio Pedroso

Em 1983, após integrar a equipe de criação do seriado Mário Fofoca, o autor Bráulio Pedroso passou a desenvolver sua próxima novela para a TV Globo. A trama trazia um negro como protagonista, uma inovação para a época. Aristides seria um tipo genial, capaz de fazer de Vavá, um homem desprovido de inteligência, o herdeiro de uma milionária. A sinopse ficou pelo caminho quando Bráulio Pedroso se desligou da Globo. Abaixo, um trecho da mesma, datado de 05 de julho de 1983 e publicado no Jornal do Brasil, em 2000, ano em que o acervo do autor foi doado à Fundação Casa de Rui Barbosa.

“Valdemar de Brito, mais conhecido por Vavá, chegou aos quarenta anos com raras vitórias e muito sorriso nos lábios. É um eterno otimista. E por crer em tudo, tem uma natural simpatia que o faz popular. Só que sua simpatia acaba rimando com idiotia. Não que seja um débil mental, longe disso. Mas longe dele também um brilho maior de inteligência. (...) Ao contrário de Vavá é Aristides da Silva, um negro retinto que, zombando dos teóricos do racismo, beira a genialidade. É do tipo aventureiro, audacioso, tanto que pela primeira vez faz um negro ser protagonista de novela. (...) De onde Aristides tirou a idéia de fazer de Vavá o filho da milionária? Da leitura de uma reportagem em cores. Foi ler e inspirar-se. Dizem que a audácia ilumina os necessitados. (...) Porém, Aristides nunca se excede. Conhece os limites. É extremamente sério na sua profissão de mentor da impostura. É autoritário com Vavá entre quatro paredes e submisso em público. Está sempre atento, sabendo que o perigo vem de onde menos se espera”.


Mar Morto (1995)
De Aguinaldo Silva
Baseada na obra de Jorge Amado

A Próxima Vítima, sucesso das 20h, seria substituída por O Rei do Gado, em setembro de 1995. Seria se não fosse o atraso na produção da trama de Benedito Ruy Barbosa. Diante dos imprevistos, a Globo decidiu transformar em novela a então minissérie Mar Morto, obra de Jorge Amado adaptada por Aguinaldo Silva para comemorar os 30 anos da emissora. Sobre a alteração do formato, Aguinaldo declarou ao O Globo, em maio de 1995: “Agora que virou novela, eu praticamente terei de criar outra história. O que fiz é inaproveitável para ficar oito meses no ar. Mas, como a espinha dorsal permanece, isso facilita o trabalho”. Aguinaldo desenvolveria a trama com Ana Maria Moretzsohn, Maria Elisa Berredo, Nelson Nadotti e Ricardo Linhares. Para o elenco, Glória Pires como Lívia, Maurício Mattar como Guma e Antônio Fagundes, como Murad. Mar Morto acabou preterida por Explode Coração, de Glória Perez, e só seria adaptada em 2001, também por Aguinaldo Silva e com Fagundes no elenco, mas com novo nome: Porto dos Milagres.


Alto Da Serra (1998)
De Flávio de Campos e Marcílio Moraes

O Brasil pré-republicano serviria de cenário para a história de amor de Júlia e Demétrio, na substituta de Era Uma Vez..., Alto da Serra, novela de Flávio de Campos e Marcílio Moraes. A trama, que seria dirigida por Ignácio Coqueiro sob o núcleo de Carlos Manga, usaria a luta pela abolição e a imigração alemã como pano de fundo para as divergências ideológicas do casal Júlia, uma costureira monarquista, e Demétrio, republicano militante. O rapaz fora abandonado pela mãe quando criança e, por este motivo, decidiu investigar o seu passado. Ao longo da narrativa, descobriria o pai e disputaria o amor de Júlia com seu irmão. Sabe-se lá por que a novela acabou engavetada, cedendo espaço para a segunda versão de Pecado Capital.


Escândalo (1998)
De Miguel Falabella

O fundador de um tradicional jornal morre e deixa a administração do negócio nas mãos de um filho incompetente. Para evitar a decadência total da empresa, a linha editorial deixa de ser sóbria e passa a ser sensacionalista. Este era o mote central de Escândalo, novela de Miguel Falabella, que teria colaboração de Aloísio de Abreu e Cláudio Paiva, e seria exibida às 19h, no segundo semestre de 1998. José Wilker daria vida ao herdeiro, que disputaria com a irmã malvada, Marília Pêra, o controle do jornal. A irmã, viúva de um banqueiro, lutaria pela guarda do neto, filho de uma garota pobre, Malu Mader, com o seu rebento, que morreria tragicamente nos primeiros capítulos. Tal trama fora reaproveitada em A Lua Me Disse, com as personagens Ester (Zezé Polessa) e Heloísa (Adriana Esteves). A trama discutiria ainda homossexualismo, racismo, ética e corrupção. Rosi Campos viveria uma paparazzi; Arlete Salles, uma atriz decadente; e Zezeh Barbosa, um dos membros da família negra de classe alta, composta ainda por Chica Xavier, Clementino Kelé e Elisa Lucinda. Escândalo não foi produzida, mas ficou lembrada pelo manifesto do ator Ricardo Brasil, que espalhou outdoors pelas ruas do Rio de Janeiro, com o seguinte apelo: “Falabella, eu quero fazer Escândalo!”


A Dança Da Vida (2001)
De Maria Adelaide Amaral

Este é um dos casos mais famosos de novelas que não saíram do papel. Para substituir a complicada A Padroeira, a Globo escalou Maria Adelaide Amaral e sua A Dança da Vida. Fábio Assunção seria o protagonista, Daniel, estudante de economia que ajudava moradores de comunidades carentes a desenvolver negócios. Filho bastardo de um senador corrupto, Conrado (Fúlvio Stefanini), Daniel herda uma fortuna do pai e aplica parte do dinheiro em entidades que ajudam crianças pobres, entrando em conflito com Laura, sua ambiciosa noiva, vivida por Adriana Esteves. A novela vinha avançando na produção e já contava com grandes nomes para seu elenco: Júlia Feldens como Beatriz, milionária solitária apaixonada por Daniel; Lília Cabral como a esposa do senador, Gilda Souza Lopes (personagem que seria de Irene Ravache, a princípio); Márcia Cabrita como Cida, empregada do senador; Vladimir Brichta como o vilão Quirino, motorista de Gilda; Paulo Vilhena como o mauricinho Otavinho; além de Mauro Mendonça e Vera Holtz. Eis que o Ministério Público classifica a trama como imprópria para 14 anos (exibição às 21h). Para suavizar a novela, Mário Lúcio Vaz, diretor artístico da Globo, suprimiu do enredo uma prostituta, um traficante e um dependente químico. Sobre as alterações, Maria Adelaide declarou à Folha de São Paulo, em 19 de outubro de 2001: “Acharam a minha novela meio “forte” para o horário das 18h. Algumas coisas incomodavam e foram retiradas, mas a corrupção política e a discussão ética são inegociáveis. Sem isso não há novela”. E realmente não houve novela. A produção fora suspensa e alguns dos atores escalados remanejados para Coração de Estudante, trama que ocupou o horário.


Até Que Enfim (2003)
De Ana Maria Moretzsohn

Diferentemente de A Dança da Vida, Até Que Enfim, planejada para o horário das 19h, sequer chegou a entrar na linha de produção da Globo. A trajetória da mulher romântica, dona de uma agência de casamento, apaixonada por um pragmático empresário do ramo, serviria de base para as histórias mais curtas que envolveriam casais que passassem pela agência. Algo como o proposto por Gilberto Braga e Ricardo Linhares nas participações especiais de Insensato Coração. Ana Maria Moretzsohn, a autora de Até Que Enfim, já havia testado formato semelhante em Malhação e em um seriado que escreveu para a TV portuguesa.


Deusa Da Ilusão (2004)
De Ana Maria Moretzsohn

Após propor Até Que Enfim, Ana Maria Moretzsohn entregaria um novo projeto inovador a Globo, também para as 19h. Deusa da Ilusão, escrita em parceria com sua filha, Patrícia, se passaria em uma indústria de cosméticos. A ambientação daria margem a participações de telespectadores, que seriam sorteados para passar por uma transformação real, dentro do enredo fictício. Uma “reality novela” que contaria também com votações por telefone, a cada 15 dias, para decidir o rumo de parte da história, como no extinto Você Decide. O êxito que a Globo vinha obtendo com novelões clássicos na época pesou e Deusa da Ilusão, que faria uma intensa crítica aos padrões de beleza e a relações neuróticas com o físico, não emplacou.


Um Estranho Amor (2004)
De Alcides Nogueira

“Imaginava ter descoberto um ‘plot’ original, e ele já existe, nem tenho como negar! Como sou advogado pós-graduado em direito autoral, jamais me valeria de um plágio”. A afirmação de Alcides Nogueira botou um ponto final na curta trajetória de Um Estranho Amor, novela proposta pelo autor para a faixa das 18h. A trama se iniciava praticamente da mesma forma que o livro do francês Marc Levy, E Se Fosse Verdade: um arquiteto (André) aluga um apartamento e se depara com uma bela mulher (Laura, uma editora de moda) o ocupando. Ela confessa ser a alma da ex-inquilina, que sofreu um acidente e está em coma. André confere: Laura realmente está numa UTI. O arquiteto se apaixona pela alma de Laura, e os dois vivem um romance. Até que ela sai do coma e o rejeita, por não se lembrar de nada. Devido a essa infeliz coincidência, Um Estranho Amor acabou engavetada.


Por Aí (2005)
De Andrea Maltarolli

Andrea Maltarolli faria sua estreia como autora-solo três anos antes da simpática Beleza Pura, caso a Globo não tivesse suspendido a produção de Por Aí. Com direção de Carlos Manga e supervisão de texto de Carlos Lombardi, Maltarolli desenvolvia os capítulos desta comédia sobre uma sociedade secreta que desenvolvia pesquisas com transgênicos e uma quadrilha rural, que planejava um assalto para ajudar a mocinha caipira, perdida no Rio de Janeiro por conta das armações da tal sociedade, que contava com um cientista mal-humorado, o mocinho, que sofria de transtorno obsessivo-compulsivo. Concebida como Operação Vaca Louca, Por Aí acabou cedendo sua vaga para Bang-Bang, trama de triste lembrança.


João Ao Cubo (2012)
De Carlos Lombardi

Antes de deixar a Globo rumo à Record, Carlos Lombardi apresentou a sinopse de João Ao Cubo. Na novela, uma agência de viagens promete levar seus usuários a outros tempos. Assim, o protagonista João passa a viver seus amores em três épocas diferentes da história da humanidade. Como a sinopse pertence a Globo, mas seu autor está na concorrente, possivelmente não veremos João Ao Cubo tão cedo...

***

Próximo Capítulo: as tramas descartadas por Record e SBT. Não percam!



terça-feira, 19 de março de 2013












MARIA ADELAIDE AMARAL






A escritora MARIA ADELAIDE AMARAL volta ao blog Agora é que São Eles para mais uma entrevista. Desta vez, a autora fala de SANGUE BOM, a novela que escreve em parceria com Vincent Villari para o horário das 7, substituindo a atual Guerra dos Sexos.












ENTREVISTA EXCLUSIVA




Eduardo Secco pergunta


1. Esta é a primeira novela de Vincent Villari como autor titular. Vocês são parceiros desde Anjo Mau, trama de sua autoria na qual ele estreou como colaborador. Como foi o amadurecimento desta relação de vocês ao longo de todos os trabalhos que fizeram juntos e a transição de Vincent de colaborador a co-autor? O que mudou na relação de trabalho de vocês a partir do momento em que Vincent passou a exercer funções de autor?

Maria Adelaide com
Vincent Villari
Eu conheci o Vincent quando ele tinha 17 anos. Já era um talento! Foi meu colaborador desde Anjo Mau, fez comigo A Muralha, Os Maias e A casa das sete mulheres. Depois trabalhou em três novelas com João Emanuel Carneiro e, em TiTiTi, entreguei a ele o que nunca fiz com ninguém: a escaleta de uma novela. Quem me conhece sabe que esse é um ato de confiança. Dividir a autoria de Sangue Bom foi consequência natural e justa da trajetória que trilhamos juntos. Sobre o que mudou na nossa relação de trabalho, sugiro que você pergunte para ele.


 

Eduardo Secco pergunta

2. Em entrevista à jornalista Cristina Padiglione, a senhora declarou: “As pessoas querem ser famosas, sem ter um trabalho que justifique a fama; é o sucesso sem trabalho e a fama sem mérito”. Seu comentário traduz uma mutação ocorrida nos últimos tempos na mentalidade das pessoas, em todo o mundo: o reconhecimento, que antes provinha do trabalho árduo e muitas vezes tardava a chegar, hoje se dá de maneira fugaz, e confere status de estrelas à pessoas que não possuem nenhuma habilidade que as faça merecedoras de tamanho mérito. A que a senhora atribui essa mudança: a própria indústria da mídia, as redes sociais que popularizam virais em uma velocidade impressionante, a necessidade de dinheiro fácil e rápido ou a outros fatores? De que forma Sangue Bom pretende abrir esse debate, que a senhora já trouxe, superficialmente, dentro da trama de Ti Ti Ti? Quais personagens e respectivas ações conduziram o enredo no que diz respeito a essa abordagem em torno da fama?

Giulia Gam é Bárbara Ellen em
"Sangue Bom".
Olha, Eduardo, a gente não tem a pretensão de tratar desse tema em profundidade, mas apenas mostrar o que está acontecendo num tom de humor, que é próprio do horário, através das personagens de Bárbara Ellen (Giulia Gam), Sueli Pedrosa (Tuna Dwek), Amora (Sophie Charlotte), Lara (Maria Helena Chira) e outros. Sobre essa fixação em ser famoso a qualquer preço, independente do mérito, talento, ou trabalho reconhecido, infelizmente é a epidemia da nossa época que se espalhou pelo mundo afora paralelamente aos realities-shows e à difusão e democratização das redes sociais. Nada contra seus adeptos ou participantes (no caso dos realities). Uma das pessoas que mais admiro é o Jean Willys, que foi um BBB.




Guilherme Staush pergunta
3.  Na década de 80, as novelas das 8h (hoje, das 9h) faziam o maior sucesso ao retratarem os ricos da zona sul do Rio do Janeiro. Mesmo as empregadas domésticas comentavam as tramas que envolviam a classe alta nas novelas de Gilberto Braga, por exemplo.  Hoje em dia, virou tendência, entre as últimas novelas do horário, incluírem ingredientes direcionados à classe C.
Acredita que o público noveleiro de hoje realmente é diferente do telespectador do século passado, e que há a necessidade do telespectador da classe C se ver retratado nas novelas atuais, seja no ambiente de uma favela ou nas músicas infames que viraram moda nas trilhas sonoras atuais? Em Sangue Bom, qual foi sua maior preocupação neste sentido?
 
Acho que não tivemos nenhuma preocupação específica em mostrar a Classe C ou como representá-la na novela. A trama foi surgindo a partir de personagens e os núcleos se fizeram em função da história. Mas no âmbito pessoal, colaboro para que as pessoas desfavorecidas que me cercam possam estudar. Não tenho a menor dúvida que o que faz um indivíduo ascender socialmente é a Educação. E é também a Educação que fará com que ele se mantenha em contínuo progresso. Isso será mostrado na novela através do trabalho da Malu (Fernanda Vasconcellos) e Bento (Marco Pigossi) e de outros personagens como Sheila (Nanda Lisboa).


Guilherme Staush pergunta
4.   O telespectador de hoje, diferente de outros tempos, tem as redes sociais para comentar as novelas. O imediatismo que essas ferramentas proporcionam fez com que o público se manifestasse de forma mais ativa e acirrada, seja no episódio envolvendo o pendrive (ou a falta dele), em Avenida Brasil, nas falhas e nas incoerências da trama policial da atual Salve Jorge, ou ainda na trama datada do remake de Guerra dos Sexos.  Esses episódios mostraram que uma grande parcela dos telespectadores cobra uma coerência maior nas tramas das novelas atuais, embora os autores se defendam, justificando tratar-se de uma obra de ficção.  De que maneira um autor pode apurar aquilo que vai ser visto como ficção ou como “enrolação” pelo telespectador de hoje?

Considero as redes sociais grandes aliadas na difusão de uma novela. O sucesso de TITITI se deve muito a elas e nos orgulhamos de ter ocupado os primeiros lugares nos trending topics. Além disso, o autor não sabe tudo nem é todopoderoso. Por que ele não pode ser criticado? Como sempre digo quando me refiro à crítica, eles fazem o trabalho deles e nós fazemos o nosso.



Eduardo Secco pergunta

5. Ti Ti Ti fez grande sucesso com o público ao trazer referências de outras novelas, em especial às de Cassiano Gabus Mendes, para a narrativa. Esse mesmo tipo de recurso poderá ser visto em Sangue Bom? Quais as ações transmídias propostas para esta novela?

A gente adora fazer citações e o faremos, sobretudo em homenagem a Avenida Brasil.



Guilherme Staush pergunta
Armando Babaioff e André Arteche
em "Ti Ti Ti"
6.  O casal gay de “Ti Ti Ti”, Thales e Julinho, fez grande sucesso junto ao público. Embora o tema não possa ser aprofundado no horário das 7 ( e nem em nenhum outro horário), a senhora e Vincent conseguiram o mérito de falar sobre a questão de forma mais aberta, incluindo uma declaração de amor entre os dois personagens, fugindo do estereótipo dos gays afetados, que só fazem divertir os telespectadores, ou então que acabam se envolvendo com mulheres ao longo da trama, que apareceram nas últimas novelas das 9.  Que tipo de interferência a emissora costuma fazer quando esse tema é tratado numa novela? Houve algum personagem em Sangue Bom que exigiu maiores cuidados, ou teve que ser suavizado, para não cair nas garras da “censura” atual?

A gente não se preocupou com isso, porque temos uma história de abordar a questão gay com respeito e delicadeza. E certamente haverá vários personagens homossexuais e nenhum deles vai ofender a chamada “dignidade da família brasileira”.



Eduardo Secco pergunta
Letícia Sabatella e Malu Mader

7. Grande parte da trama de Sangue Bom se desenvolve no bairro da Casa Verde, em São Paulo. A senhora justificou a escolha do bairro da seguinte forma: “A particularidade da Casa Verde é que, além de ser um dos últimos bairros com intensa vida comunitária, é uma área com vida boêmia e musical intensa, temas que serão abordados na novela”. De que forma a vida boêmia e musical está presente na trama, assim como a comunitária? O que podemos esperar do núcleo da Casa Verde que terá, entre outras coisas, Malu Mader vivendo uma suburbana (algo que a atriz não tem feito desde, se não estou enganado, O Mapa da Mina, novela na qual a senhora colaborou). Procede a informação de que Rosemere, personagem de Malu, e Verônica (Letícia Sabatella) irão conquistar o sucesso ao virarem cantoras?



A Casa Verde é um bairro muito familiar para o Vincent, que foi criado no Imirim. E nunca tinha sido cenário de novela (não que me lembre). Sobre as cantoras, Rosemere pode até soltar a voz ocasionalmente, mas a Verônica (através do pseudônimo Palmira Valente) essa sim, é cantora. Mas haverá outras personagens que irão cantar como Marisa Orth, Fafy Siqueira, Cris Nicolotti e Wandi Doratiotto.


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quarta-feira, 13 de março de 2013



Manoel Carlos completa 80 anos!

 por Guilherme Staush




Manoel Carlos começou sua carreira escrevendo novelas de 15 minutos, que iam ao ar à tarde, em dias alternados, na TV Paulista (hoje TV Globo). Foi autor de mais de 100 textos para o Grande Teatro Tupi, de Sérgio Britto, entre originais e adaptações. Na Excelsior e na Record, voltou-se para os musicais e programas de variedades. Na Globo, nos anos 70, foi diretor-geral do Fantástico, e logo foi convidado para escrever novelas. O primeiro sucesso, Maria Maria, foi adaptado do romance Maria Dusá, de Lindolpho Rocha. Já nos anos 80, passou a escrever para o horário nobre da TV. O primeiro grande sucesso, Baila Comigo, inaugurou também a personagem Helena (interpretada por Lilian Lemmertz), marca registrada de Maneco – mulheres fortes, determinadas, que são capazes de ir às últimas consequências por amor aos filhos. A Helena de Regina Duarte, em Por Amor, por exemplo, foi capaz de abrir mão de seu próprio filho, trocando-o na maternidade pelo filho morto de Eduarda (Gabriela Duarte), sua filha. Já a Helena de Vera Fischer, em Laços de Família, abriu mão do amor de sua vida, Edu (Reynaldo Gianecchini), em razão da filha, e ainda por cima,  mesmo com uma idade já avançada, não hesitou em engravidar para gerar um doador de medula para a filha, que estava com leucemia.


Regina Duarte e Joana Mocarzel em
Páginas da Vida (2006).


O escritor fez uma breve incursão pela TV Manchete, em meados dos anos 80, onde escreveu algumas minisséries. Em 1991,no entanto, voltou à TV Globo, e desta vez, para ficar. Seu retorno à emissora carioca foi marcado com a novela Felicidade, inspirada em tramas do escritor Anibal Machado. A novela está atualmente sendo reprisada pelo canal Viva.


Carolina Dieckmann em
Laços de Família (2000)
Nem só de Helenas vivem as histórias de Maneco. O autor  trouxe grandes polêmicas às suas tramas e sempre fez questão de inserir merchandising social em suas novelas, trazendo resultados imediatos: a leucemia da personagem Camila (Carolina Dieckmann), em Laços de Família, incentivou a doação de medula óssea em todo o país;  a violência doméstica sofrida por Raquel (Helena Ranaldi) , em Mulheres Apaixonadas, e, tendo como consequência o pagamento de cestas básicas pelo agressor, acabou impulsionando a mudança na pena a este tipo de violência.



Helena Ranaldi e Dan Stulbach em Mulheres Apaixonadas (2003).



Alinne Morais em
Viver a Vida (2011).
O escritor tratou ainda de temas delicados e polêmicos, como o homossexualismo, o alcoolismo sob diversos aspectos, a síndrome de Down, a violência contra os idosos. Sua última novela, Viver a Vida, teve como tema principal a superação, e teve na figura de Luciana (Alinne Morais), a principal representante deste mote. Na novela , ela interpretou uma jovem modelo que tem sua carreira interrompida após um grave acidente, tornando-se tetraplégica.


Em outubro de 2011, o blog Agora é Que São Eles teve a honra de contar com uma entrevista do autor, sendo até hoje, uma das mais comentadas aqui do blog. Maneco não desviou das perguntas mais diretas, relacionadas às polêmicas de suas obras, e respondeu com elegância, sem rodeios, a cada uma delas (leia a entrevista na íntegra AQUI), feitas pela equipe que compunha o blog na época. Foi uma grande satisfação minha poder entrevistar meu autor preferido, aumentando ainda mais minha admiração não só pelo autor, mas pela pessoa: um homem gentil, educado, inteligente, generoso, e, que escreve como  ninguém sobre o cotidiano da família brasileira e sobre os dramas do amor e da vida.

Enquanto aguardamos ansiosamente pelo próximo trabalho do autor , que será a sucessora da trama de Walcyr Carrasco, que em breve estará no ar, desejo, em nome do blog, muitas felicidades a esse autor que merece todas as homenagens que lhe possam fazer. E que continue nos brindando com suas histórias emocionantes e verdadeiras. Parabéns, Maneco!